|
Apaixonando-se Novamente
por Manille
Capítulo 2
Cheguei em casa na tarde de quinta-feira sentindo-me mais cansada
do que o habitual, mas de algum modo a visão da minha filha
pulando enquanto seguíamos o caminho de casa diminuiu minha
fadiga. Estava delirando sobre como amara a última aula de
matemática da pré-escola.
Nunca fiquei tão feliz, ao saber que minha pequena Sakura
realmente gostava de matemática. Esperava que continuasse
assim até a adolescência....
Sempre imaginei como Sakura seria quando crescesse. Talvez, com
sorte, ela fosse uma das melhores alunas da escola, com seu raciocínio
rápido e curiosidade. Talvez ela tivesse hordas de homens
esperando por ela após as aulas. Mas eventualmente, ela encontraria
alguém mais apropriado para si... alguém que a amaria
fielmente. E então eu estaria no seu casamento, com o pai
dela levando-a ao altar....
Mas eu não estaria lá para ajudá-la quando
percebesse que havia crescido. Não estaria lá quando
se decepcionasse, nem quando se vestisse no dia de seu casamento...
não, apenas a futura esposa de Yusuke estaria lá.
Ainda assim eu sabia que tinha que aceitar os fatos. E pela centésima
vez naquele dia, lembrei-me o que Yusuke tinha tão grosseiramente
me perguntado na noite passada: "Por que quer deixar Sakura
comigo? Com medo da responsabilidade?"
Não era como se eu não me importasse com Sakura. Eu
a visitaria muitas vezes e até mesmo a deixaria ficar na minha
casa nova. Mas... Talvez eu só quisesse que Yusuke soubesse
o quão magoada eu estava.
E eu queria me reunir a toosan e kaasan nos Estados Unidos. Essa
era a única razão.
Enquanto preparava nosso jantar, ouvi uma batida na porta. Sakura
estava no quarto, calmamente brincando com seu estojo de 64 lápis
de cera e algumas folhas de papel. Por que ele simplesmente não
entra? perguntei a mim mesma, sentindo-me bem irritada. Normalmente,
Yusuke iria entrar a todo vapor....
Yusuke tinha o sorriso mais idiota no rosto, enquanto eu abria a
porta. "Hã... olhe quem está aqui."
Ele inclinou-se para o lado para me deixar ver quem estava atrás
dele.
Minha boca se abriu.
"O...o-kaasan?!"
O que diabos ela está fazendo aqui?! Yusuke...!
"Keiko!" Atsuko-san, a mãe de Yusuke, entrou de
repente e me abraçou. Depois ela olhou para mim, por sobre
o braço e me encarou. "Minha nossa, você está bonita
como sempre."
"A-ah... obrigada, eu acho. Vo- você parece bem também." É,
Atsuko-san nunca pareceu envelhecer. Talvez parar de beber alcóol
após cinco anos tenha seus méritos. Ela ainda tinha
o longo cabelo castanho-dourado, embora estivesse amarrado num coque.
"E onde está minha querida Sakura-chan que me ensopou
o rosto com suco no verão passado?"
E ela não perdera sua... hã, a estupidez dos Urameshi.
"O-baasan!" Sakura gritou, atropelando a todos. Atsuko-san
ajoelhou-se e pegou Sakura nos braços. "O-baasan, o-baasan,
o-baasan! A melhor vovó do mundo!"
"Ha-ha!" Atsuko-san começou a fazer cócegas
na cintura de Sakura, lançando gritos e risadinhas por todo
aposento.
"Ah... feliz Natal para todos," Atsuko finalmente nos
disse.
"Hum... feliz Natal, também," Yusuke e eu dissemos
em uníssono. Olhamo-nos brevemente.
Então, quando tive o impulso, afastei-o de Atsuko-san e Sakura.
Quando percebeu meu aperto no braço dele, ele começou
a se curvar e desculpar-se. "Olha, kaasan apareceu de repente
no restaurante. E ela me perguntou se podia ficar aqui por todo feriado.
Claro que não podia dizer não." ele sorriu um
pouco. "Não se preocupe, ela parou de beber há muito
tempo, lembra-se?"
"Eu sei, eu sei," disse a ele, elevando minhas mãos
na frente do seu rosto. Então suspirei pesadamente e cruzei
os braços sob meus seios. "Não falei nada sobre
chutar kaasan daqui, disse? Sabe que não sou esse tipo de
pessoa."
"Bom... só pensei que ficaria furiosa porque... não
tinhámos preparado nada...." a voz dele esgotou-se.
Yusuke realmente não me conhecia muito bem. Ou talvez eu
fosse realmente imprevisível. "Que seja. Mas...."
Yusuke deu de ombros. "Mas?"
"Mas... e quanto a mim?"
Yusuke arqueou as sombracelhas estupidamente. "E quanto a você?"
Cocei minha nuca. "Eu queria ir embora o mais rápido
possível, lembra-se?"
Yusuke me encarou por um tempo. E então, como se a compreensão
surgisse na esquecida massa cinzenta enfiada no seu crânio,
um sorriso cruzou seu rosto lentamente.
"He-he... parece que arruinei seus planos."
"Com certeza, baka."
Se pudesse arrancar aqueles dentes brancos e brilhantes daquele
sorriso idiota no seu rosto, eu o faria.
Ninguém - nem mesmo meus pais, Atsuko-san, nossos amigos íntimos
- sabiam sobre nossos planos. Ninguém, só Yusuke e
eu.
E Atsuko estava ali quando eu estava pronta para partir!
"Então, você vai ficar, certo?"
O largo sorriso de Yusuke me fez sentir ainda pior. "Eu desisto!" resmungei,
atirando minhas mãos ao céu.
Enquanto caminhava até a sala, onde Sakura estava mostrando
a Atsuko-san seus desenhos, ouvi Yusuke chamando-me às costas. "Keiko!"
"Que diabos?" eu resmungei.
O sorriso de mil watts não saiu do rosto de vaca. "Domo."
Eu zombei satiricamente. "Sim, que seja."
Logo descobrir que Yusuke estava sorrindo amplamente bem atrás
de mim. Ainda estava em casa alguns dias depois.
Atsuko-san e Sakura, a dupla que nunca poderia ser separda, estavam
brincando na neve uma tarde no quintal. Elas não pareciam
se importar com o frio. Atiravam bolas de neve uma na outra, com
Atsuko-san encabeçando.
"Oi, kaasan, não machuque minha Sakura!" Yusuke
avisou-a, uma pequena fumaça formando-se a frente de seus
lábios, enquanto falava.
"Ela está se divertindo, Yu-chan."
A boca de Yusuke se abriu. "Yu-chan?! Desde quando você me
chama de Yu-chan, kaasan?"
Enquanto Atsuko-san voltava-se para Yusuke e eu para responder,
ela foi atingida no rosto pela bola de neve de Sakura. "Oi,
Sakura! Vou pegar você!" Atsuko-san gritou, perseguindo
Sakura-chan novamente, esquecendo-se de Yusuke.
Enquanto sorria, observando as duas correndo pela neve, ouvi Yusuke
rir ao meu lado. "Cara, ela não se parece com uma avô,
parece?"
Balancei a cabeça. "Não. Ela é... legal." dei
de ombros. "Ela só tem catorze anos a mais que nós,
afinal."
"É. Ela me teve aos catorze."
"Eu sei," calmament respondi.
Yusuke e eu ficamos em silêncio, cada um de nós presos
nos próprios pensamentos. Talvez ele estivesse pensando no
seu passado. Pensei em Atsuko-san e Yusuke, quando conheci-os pela
primeira vez, foi quando estava no primário... Atsuko-san
era uma alcóolotra, enquanto Yusuke era um grande desordeiro.
Ainda assim consegui fazer amizade com os dois.
Logo descobri que Yusuke foi o fruto de uma gravidez indesejada,
explicando onde estava o pai de Yusuke. O que era lugar nenhum. Ele
vivia com Atsuko-san desde então.
"Mas ela me criou... mesmo sozinha."
Não dei resposta.
"Ela passou por mal bocados," Yusuke continuou. "Mas
conseguimos, não? Embora eu agisse como um criminoso de rua
que não sabia nada que não fosse lutar... os dois conseguiram."
Os olhos dele vagaram em redor, até pararem em mim. "Mas
não quero que o que aconteceu comigo na infância aconteça
com Sakura, Keiko. Eu quero que ela cresça... como uma garotinha
normal. Sabe, como você cresceu. Porque você tinha seus
pais."
Nem mesmo ergui meus olhos para Yusuke. Senti minhas bochechas ficarem
quentes.
"Keiko, olhe para mim?"
Forcei-me a fitar o rosto de Yusuke.
A expressão dele era como... o olhar pedinte e inocente de
Sakura.
"O-onde esta conversa está nos levando, Yusuke?" perguntei
friamente.
O rosto de Yusuke não se moveu; ele só olhou profundamente
nos meus olhos. "Nosso casamento, talvez?"
"É, certo."
Nesse momento, Yusuke baixou os olhos para a neve pisada. "Eu...
eu realmente quero viver minha vida para sempre com minha família,
Keiko...." ele disse calmamente, chutando um punhado de neve.
Agora procurei o rosto de Yusuke. Ele apertou os lábios,
franzindo o cenho, como se tentando evitar-se de... de quê,
gritar comigo? Chorar? Não sabia.
Por um instante, realmente quis esticar as mãos e envolvê-lo
com meus braços, se isso o confortasse.
"Mas... não parece que vai funcionar, heim?"
Vai?
Fechei os olhos por um momento, me perguntando o que tinha acontecido
com Yusuke e me.
Quando nos casamos, nos prometemos nunca deixar um ao outro. Juramos
amar um ao outro incondicionalmente. Criamos um lar juntos e o mobiliamos
com felicidade e amor.
Quando a felicidade e o amor se desvaneceram? Não parecíamos
notar acontecendo. Veio entre nós vagarosamente, como uma
sombra à noite, arrastando-se pela casa lentamente sem ninguém
notar. E quando foi notado, era tarde demais. Tarde demais para uma
mudança.
Minha cabeça caiu.
"Não. Nunca iria."
Um silêncio desconfortável estabeleceu-se entre nós
dois, o único som sendo a brisa fria e os gritos de Atsuko-san
e Sakura.
então percebi que era a primeira vez que Yusuke abria nossos
problemas matrimoniais para mim.
"Toochan! Kaachan! O-baasan está me perseguindo!"
Meus pensamentos de repente desapareceram quando senti minha garotinha
agarrar-se ao meu corpo. Eu ri, erguendo os olhos para uma Atsuko-san
parecendo cansada, mas obviamente contente.
"Ha! Enfim te peguei, Sakura-chan!" Atsuko-san resmungou,
imitando o som de um leão. "Enma Daiou vai devorar você!"
"Kaasan!" Yusuke avisou-a.
"Ops!" Atsuko-san tentou meter-se entre o corpo de Sakura
e o meu. "Desculpe, desculpe...."
Olhei para um Yusuke que suspirava, também sorrindo para
Sakura e Atsuko-san. Era um sorriso quase melancólico, eu
notei.
"Vamos entrar, estou cansada!" Sakura nos disse, finalmente
deixando Atsuko-san pegá-la.
"Ótimo!" Atsuko concordou entusiasticamente. "Você finalmente
sabe o que estou sentindo agora."
Yusuke e eu abafamos o riso. Sakura olhou para nós, os olhos
castanhos arregalados tão curiosos e inocentes.
Ela então pegou a mão de Yusuke, e com a mão
esquerda, pegou a minha. Ela balançou as mãos juntas,
saltitando alegremente como se a neve não a incomodasse.
Conscientizei-me de Yusuke olhando para mim nervosamente. Devolvi
o olhar com um sorriso, também desconfortável.
Eventualmente, Yusuke sorriu também, o mesmo sorriso melancólico.
De repente senti outra mão segurando a minha. Sakura se fora
sem que eu notasse, e no lugar do toque dela, estava o de Yusuke.
Não sei como Yusuke conseguiu enfiar a mão na minha,
mas o momento imprevisto pegou-me desprevenida de modo que não
fui capaz de mover-me ou falar por um instante.
O toque dele causou arrepios que pareciam fluir de sua mão
até a minha, por meus braços, por minha espinha, por
meu coração. Descobri-me respirando com dificuldade.
Eu ora fitava minha mão, ora para Yusuke.
Yusuke não moveu um milímetro. Mas senti sua mão
apertando a minha ainda mais, pressionando-a gentilmente, como se
isso pudesse aquecê-la.
E então ele aproximou-se mais. Até que sua cabeça
estivesse alguns milímetros da minha.
Isso parece familiar, percebi. Uma vez, num inverno, Yusuke e eu
corremos juntos, enquanto flocos de neve começaram a cair
dos céus. Dançamos como loucos pelo campo, erguendo
os olhos e rindo dos flocos e de quão bobos pareciamos. Então
ficamos parados, fitando um ao outro, ainda de mãos dadas.
Ele parecia bonito. Seu rosto estava corado numleve tom vermelho;
os lábios eram uma linha fina, perfeita. E antes que percebesse,
senti seus lábios de veludo sobre os meus.
Agora, enquanto o fitava, me perguntava como seria beijá-lo
novamente....
"Não," arfei, puxando minha mão. Fechei
os olhos, tentando recuperar o controle da respiração,
de meu coração, que começara a saltar. "Yusuke...
Eu...."
Com um último olhar no seu rosto triste, corri de volta para
a casa.
Quase pulei quando o telefone soou de repente. Enquanto segurava
alguns aipos, peguei o telefone da cozinha e coloquei-o entre minha
orelha direita e ombro. "Alô?"
"Alô... Keiko?"
"Yukina? Oi!" Yukina e família moravam próximos
a nós e eu a visitava frequentemente, ambas contando detalhes
de nossas vidas. Exceto por esse meu....
"Ouça, não posso conversar muito, porque tenho
que ligar para muitas pessoas," Yukina continuou com sua voz
suave. "Acontece que Kazuma e eu vamos dar uma pequena reunião
na véspera do Natal."
"Uma festa pré-Natal?" repeti, genuinamente surpresa.
"Ótimo!"
Quase pulei - de novo - ao som uníssono de Yusuke, Atsuko-san
e Sakura.
"Será que escutamos uma festa de Natal?" Atsuko-san
interrogou, sorrindo de orelha a orelha.
"Com muitos presentes, doces e jogos?" Sakura perguntou,
saltitando excitadamente.
"Hum... espere um instante," falei a Yukina. Cobri o bocal
com a mão. "Veremos, okay?" expremi para os três
festeiros.
Voltei para o telefone. "Alô?"
"Sim?"
"Hum... quem deve ir?"
"Como assim, sua família, Keiko!" Yukina quase
exclamou. "Quem mais?"
Fiquei quieta por um instante. Se toda família estivesse
lá... Yusuke, Atsuko-san, Sakura-chan e eu....
Tinha que ter certeza que nenhuma confusão iria acontecer...
o que quer que fosse.
"O que é, Keiko?" Yusuke inquiriu.
Cobri o bocal novamente. "Yukina e Kazuma vão dar uma
festa no dia vinte e quatro," contei-lhes. "E... todo mundo
está convidado."
"Ehhh!" Atsuko-san e Sakura bateram as mãos. Yusuke
riu do sinal.
"Oh, kaachan!" Sakura implorou. "Não podemos
ir?"
Os olhos suplicantes de Sakura eram impossíveis de se resistir.
"Bem? Isso é um sim ou um sim?"
Ri de Yukina. "Como é, você não me deu
escolha. Um sim?"
"Éééééééé!"
Traduzido por Rechan // Título Original: Falling in
Love All Over Again
|