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Apaixonando-se Novamente
por Manille

Capítulo 3

Peguei a caixa embrulhada para presente com a etiqueta "Shuichi-san" de baixo da árvore de Natal. Ela estava cheia agora, com presentes de todos os tamanhos e formatos preenchendo parte do chão da sala.

"Já peguei os presentes!" anunciei para a casa.

"Podemos ir agora?" ouvi Sakura gritar impacientemente. Minha filha estava mesmo em extâse com a festa de Natal da família Kuwabara, e essa não iria começar a não ser daqui a duas horas. Eram três da tarde.

"Ainda não, querida. Não estou pronta ainda!" lembrei-lhe.

"Apresse-se, kaachan!"

"Estou pronto, Keiko!" Era Yusuke, falando de nosso quarto. Ou melhor, do banheiro adjacente ao nosso quarto.

"Ótimo," murmurrei. Trilhei as escadas, pronta para me jogar em água quente.

Quinze minutos depois, sai do chuveiro, um roupão branco e felpudo envolvendo meu corpo. Balancei o cabelo em frente ao rosto, correndo a mão por ele.

Quando atirei-o de volta para as costas, vi Yusuke olhando-me fixadamente.

Ele estava parado de frente a cama, seu torso desnudo. Parecia estar escolhendo uma camisa para usar quando sai do banheiro, julgando pelo número de camisas espalhadas na cama.

Pisquei ante a visão de seus músculos abdominais. Não via o corpo dele há um bom tempo — paramos de fazer amor sabe-se Deus quando, e já que era inverno, ele não gostava de tirar a camisa.

Agora….

"Hum…" Yusuke ainda não piscara.

"Está olhando o quê?" repreendi, dirigindo-me para o closet e abrindo a porta que criou uma barreira entre Yusuke e eu, enquanto vasculhava os cabides atrás de um vestido. Dei o melhor de mim para não perceber o vermelhão que estava se formando nas minhas bochechas.

"Hum… nada."

"Sério." apertei a toalha no meu corpo e continuei a dura tarefa de escolher um vestido. Se Yusuke ainda não encontrara o que vestir depois de minha estada no chuveiro por cerca de quinze minutos, quanto tempo isso me custaria?

"Bem… eu só… não sei. Eu…."

Inclinei-me para trás, para que pudesse espiar Yusuke.

Elevei ambas as sombracelhas. "Você o quêt?"

"Eu… Eu… nada."

"Ótimo." Suspirando, puxei um vestido preto curto. Não. Era Natal e eu ia vestir preto?

Que tal vermelho? perguntei a mim mesma. Verde?

"Keiko."

Resmungei em resposta.

Yusuke hesitou antes de falar. "Você… existe…?"

A pergunta não dita me fez voltar a cabeça para ele também.

Espera.

Isso parece familiar, pensei. Mais uma vez, minha cabeça me levou a uma lembrança distante….

Foi na noite após nosso casamento. Ou seja, nossa lua-de-mel. Tinha acabado de sair do chuveiro, com apenas uma pequena toalha cobrindo meu corpo. E enquanto olhava para a cama, via Yusuke sentado lá, me olhando admirado, seu tronco exposto.

Sem dizer palavra, ele se aproximou de mim. Senti suas mãos tocando minha pele, os dedos quentes e suaves, e ainda assim eles enviaram arrepios sensuais por meu corpo. E pegando minha mão, ele tirou a toalha de mim e deixou-a cair no chão….

Foi uma noite inesquecível. A noite em que me tornei uma mulher de verdade. A noite em que fui feita mulher… por meu marido….

"E - existe…?"

"Existe o quê?" voltando a realidade e o presente, eu pressionei, minha voz soando estranhamente pequena.

"A-acha… que existe… uma chance de… de conseguir fazê-la mudar de idéia?"

Esqueci de meu vestido.

Fitei o rosto de meu marido, um que tinha novamente o olhar infantil e ansioso que começara a ver nele mais frequentemente naquele mês.

"Mudar de… idéia?" reenterei, engolindo em seco.

"Sim, Keiko," Yusuke disse. "Você pode… posso…?"

Balancei a cabeça, confusa. "O quê? Me conte," disse-lhe suavemente.

"K-Keiko." ele respirou profundamente. "Queria… que você ficasse."

A tensão aumentou de repente no quarto, me sufocando. O que Yusuke estava dizendo? Que não queria o divórcio?

Pensei que ele quissesse. Conversamos sobre isso, há muito tempo, embora isso tivesse acabado conosco. Só de ver nosso belo lar, nossa criança, nossa Sakura….

Se ao menos ele e eu não esquecessemos um do outro, enquanto continuavámos nosso trabalho. Se pelo menos não tivessemos dito palavras tão duras. Se pelo menos tivéssemos notado o que estávamos perdendo antes de que fosse tarde demais….

Ao menos se….

"Keiko, ainda temos uma chance," Yusuke continuou, seu tom alto e suplicante. "Não é tarde demais—"

"Yusuke," comecei a protestar.

"Não, Keiko," Yusuke interrompeu-me antes que pudesse dizer alguma coisa. Ele avançou. "D… desculpe se te machuquei. Desculpe… Eu… Não sei mais o que dizer…."

Não conseguia tirar meus olhos do seu rosto aflito. Ele realmente estava tentando manter a família.

Ele… ele ainda me ama.

Com àquela revelação súbita, meu rosto aliviou-se. "Yusuke…"

"Keiko… por favor?"

"Eu… eu…."

"Não. Nunca vai dar certo. Nunca deu."

Afastei-me, arfando.

Agora os pensamentos na minha cabeça estavam lutando um contra o outro. E era como se ninguém estivesse perdendo, mas também ninguém estava ganhando.

Nós temos uma outra chance.

Nunca dará certo.

Sakura precisa da mãer.

Ela pode crescer com o pai.

Você está arruinando uma família perfeita.

Você precisa começar com um passado limpo.

Tantos pensamentos, cada um contradizendo o outro.

E então, como se eles fossem demais para minha cabeça, meus sentidos de repente ficaram dopados. Pressionei meus dedos contra as têmporas.

"Keiko… tudo bem?"

"Sim." ergui os olhos para ele, esgotada. "Olhe, Yusuke…" agarrei-me ao primeiro pensamento que apreceu na minha cabeça. "Vou pensar."

"Você… você vai."

"Sim."

Após um momento sem palavras, Yusuke assentiu uma vez. "Certo."

"Mm." voltei ao closet e num impulso, peguei um vestido de noite leve e perolado. Era longo, com uma fenda de lado, começando exatamente abaixo da coxa. Escondendo-me de Yusuke, mergulhei dentro dele.

"Vou… lá pra baixo, tudo bem?"

"Claro," disse roucamente.

Enquanto ouvia a porta se fechar, sai de meu esconderijo e voltei a me arrumar. Depois sentei-me de frente a penteadeira e apliquei a maquiagem. Quanto ao meu cabelo, fiz com que minhas mechas castanhas a altura do ombro formassem uma trança, enquanto deixava alguns fios cairem sobre meus olhos.

Alcancei a caixa de jóias dentro da minha gaveta. Peguei um par de brincos com pedras de jade.

Um presente de Yusuke no nosso primeiro aniversário de casamento.

Coloquei-os na orelha e me perguntei o que ele diria se me visse bem agora.

E então me vi procurando por aquela união.

Estava escondida sob alguns colares dourados.

Ergui o anel. A luz do sol gotejando do lado de fora fez as pedras brilharem.

Parecia um anel prateado com diamantes em volta, mas não era prata. Nem as pedras eram diamantes. Yusuke trouxe o anel do Makai quando ele ficou lá por aqueles três longos anos, durante nossa juventude. Ele o trouxe para casa... só para mim. Só para cumprir a promessa que tinha feito antes de ir embora.

"Vou voltar depois de três anos. Depois… vamos nos casar."

E depois de três agoniantes anos de saudades, ele retornou. E então ficamos noivos.

Quando completamos vinte, nos casamos.

Nunca esquecerei da época quando nosso amor um pelo outro começou a crescer, quando tinhámos catorze….

Quando ele morreu e eu tive que beijá-lo para trazê-lo de volta a vida.

Quando, enquanto esperava por ele retornar a vida, salvei seu corpo de ser engolido pelas chamas de sua casa. E seu espírito salvou a ambos — seu corpo e eu — do fogo.

Quando ele me salvou de Hiei, agora nosso amigo intímo. Hiei sequestrou-me porque queria os tesouros que Yusuke havia recuperado dos outros ladrões, e Yusuke estava lá para me salvar.

Quando ele me salvou pela segunda vez. Eu estava sendo perseguida por seres possuídos e Yusuke me resgatou, quase perdendo a vida na tentativa. Apesar dele ter admitido no fim de que foi culpa dele eu ter sido perseguida, eu o perdoei.

Quando cuidei dele, quando estava inconsciente no torneio Ankoku Bujutsukai.

Quando me tornei a babá de seu alter ego, sua própria alma, Puu.

Quando ele saiu da Caverna de Irima como um youkai, ainda assim fui a única que o notei, e corri até ele e o abracei.

Quando me deu adeus e me pediu em casamento.

E quando ele voltou. Estávamos na praia, e de repente ouvi sua voz. Corri até ele e o derrubei, beijando-o….

Tantas lembranças maravilhosas.

E finalmente, comecei a ver porque ele não queria me deixar partir.

"Está bonita."

"Obrigada," disse. "E você está maravilhoso, também," acrescentei, devolvendo o elogio.

Yusuke estava simplesmente incrível com o smoking creme, da mesma cor das calças. O cabelo estava penteado para trás, como ele costumava usar quando erámos mais jovens.

Meu vestido se colava ao meu corpo e deixava minhas costas nuas, e tive que pegar um casaco de pele assim que saimos da casa e entramos no carro.

"Você está tão kawaii, kaachan." mesmo de Sakura, recebi um elogio.

"Como assim, você está ainda mais bonita do que eu!" disse a ela, rindo. Atsuko-san, na sua insistência de vestir Sakura, tinha feito um bom trabalho. Ela escolhera um vestido de boneca verde para Sakura. Mesmo ela estava elegante! Usava uma blusa pêssego que combinava bem com ela.

"Não sabia que se saía tão bem com crianças, kaasan," Yusuke comentou.

"Você não era uma garota."

Atsuko-san e eu caímos na risada.

"Ah, é por isso?" Yusuke disse naturalmente.

"Não, é brincadeira, Yu-chan."

"Não me chame de Yu-chan, kaasan," Yusuke resmungou. "Detesto isso! E já tenho vinte e seis!"

"Mas é kawaii! Eu gostei!" Sakura insistiu. "Yu-chan!"

"Sakura-chan!" repreendi. "Chame seu pai de toochan!"

"Oops… parece que estou me tornando uma péssima influência," Atsuko murmurrou, pressionando os dedos contra os lábios.

Yusuke e eu rimos em silêncio. Trocamos olhares.

Até mesmo parecíamos uma família feliz.

"Onde conseguiu esse smoking, cara?" Kazuma perguntou a Yusuke, rindo em voz alta. "Roubou-o de uma loja de New York?" Zombeteiramente, ele bateu na própria testa. "Ah, esqueci, somos ricos."

"Cala a boca, Kuwabara," Yusuke lhe disse, abafando o riso ante a piada do amigo.

Yukina cutucou o marido com ombro. "Oops, desculpe, Yukina." Kazuma sorriu para o doce rosto jovem dela.

Eu estava sentava numa ponta do sofá, com Yusuke no braço ao meu lado. Ele me deu uma taça de champagne com suco de maça. Sorri agradecida e dei uma bebericada.

Sakura brincava no quarto das crianças com os três filhos de Kuwabara, enquanto Atsuko-san e as outras avós e avôs não estavam à vista. Kazuma, Yukina, Minamino Shuichi, Yusuke e eu estavámos na sala de estar.

"Pena que Hiei não pôde vir," Yukina comentou, parecendo bem deprimida. "Ele está no Makai."

"É. Pena," Kazuma concordou.

Yusuke e Shuichi, qua ainda era solteiro apesar de sua boa aparência, olharam um para o outro de forma significativa. Desde que Yukina e Kazuma souberam do próprio Hiei que ele era o irmão de Yukina, os dois arquirivais surpreendentemente ficaram mansos. Pelo bem de Yukina, ainda bem.

"E sua irmã?" perguntei a Kazuma.

"Oh, Shizuru-neesan? Também não pôde vir—está em Sapporo com a família dela."

"Nossa. Ela foi longe."

"É." Kazuma voltou-se para Shuichi. "Então, Shuichi-san… quando vai se amarrar?"

O rosto de Shuichi tornou-se rosado, quanse combinando com o longo cabelo flamejante. "Hum… não tenho certeza ainda…."

"Ehh!" Kazuma e Yusuke zombaram.

"Yusuke!" desaprovei, batendo na sua coxa de leve.

"É, Yusuke!" Kazuma voltou-se para Yusuke de novo. "Quando você e Keiko vão ter outro bebê?"

Neste momento, nenhum de nós falou.

"Yukina e eu já temos três," Kazuma gabou-se. "E você se casaram antes de nós…."

Kazuma falou monotamente sobre a esposa e filhos, enquanto Shuichi-san escutava silenciosamente. Mas o silêncio entre Yusuke e eu era ensurdecedor. Me descobri agarrando meu copo com força, minhas mãos tremendo incontrolavelmente.

Pelo canto do olho, vi Yusuke tentando chamar minha atenção.

Outro bebê?

Como poderíamos… Yusuke e eu estávamos para nos separar….

"Ainda temos uma chance…."

Minha mente seguiu numa montanha-russa de novo, enquanto tentava lutar com todos os meus pensamentos, preocupações, medos e esperanças sobre meu casamento com Yusuke. Cada idéia implicava em outra, zombando de mim, querendo me ferir cada vez mais, até que meu corpo se sentisse pesado como todo o peso invisível colocado nas minhas costas.

Não pode ter outro bebê porque vão se divorciar.

Vocês não vão se divorciar, ainda amam um ao outro!

Não, não vai! Amam um ao outro, mas mesmo assim brigam o tempo todo!

Não são as brigas, são nossos verdadeiros sentimentos!

Engoli em seco. Vi o aposento dançar a minha volta, e ele rodopiou diante dos meus olhos até que os rostos que estiveram ali há pouco tempo afundassem numa mistura de cores brilhantes.

"Ei, Keiko… o champagne está lhe afetando?" ouvi Yukina perguntar, preocupada.

"N-não, é… suco de maçã," consegui dizer.

"Ah… sim, está tudo bem?"

Senti o braço de Yusuke deslizar em volta de meus ombros. "Está tudo bem, querida?" Ele tirou o copo de minhas mãos. "Precisa de algo?"

Uma gota de suor surgiu na minha testa. "Yusuke," sussurei de forma cansada, "tire-me daqui."

"O-o que aconteceu?" ele perguntou.

Ergui os olhos, para o rosto dele, cheio de ansiedade, quando ele o foi de repente embaçado numa confusa nuvem de cores. "Por favor…."

"Vou levá-la para o quarto de hóspedes," Yukina ofereceu nervosamente, erguendo-se correndo para o segundo andar.

Senti dois outros pares de mãos tocarem meus ombros. "Qual o problema com Keiko, Yusuke?" Ouvi Shuichi-san perguntar.

"Eu… Eu não sei," Yusuke gaguejou. "Não se preocupe, vou levá-la lá para cima… cuidamos disso."

Fechei meus olhos com força e apertei os dentes, tentando me livrar da dor que lacerava minha cabeça.

Senti os braços fortes de Yusuke me carregarem, um em volta de meus ombros, o outro por trás dos meus joelhos. Como se eu pessase nada, Yusuke me levou para o andar superior.

Então senti-me deitada sobre algo macio. Gemi, sentindo a dor que tinha me aflingido apenas a alguns instantes diminuir um pouco.

Por vários minutos, simplesmnte fiquei deitada lá, com meus olhos fechados, ouvindo nada, a não ser o zumbido do aquecedor elétrico do quarto. Sabia que Yusuke estava lá, cuidando de mim, certificando-se de que eu estava bem.

E a idéia disso me fez sentir-me contente.

Descobri-me lentamente caindo no sono.

Desejei-me num sonho que fluía em mim como uma brisa gentil.

Tudo estava banhado em cores suaves. A minha volta estavam nuvens brancas e fofas contra o fundo azul.

Então vi o rosto de Yusuke diante de mim. Ele esticou a mão e tocou meu cabelo. Prendeu algumas mechas soltas detrás de minha orelha.

Ele sussurrou algo para mim.

"Eu te amo," ele disse.

Olhei para seu rosto. Seus olhos tremeluziam como brilhantes gemas marrons, fitando-se com uma intensidade que conhecia bem, mas parecia ter esquecido. Podia sentir sua respiração quente tocar meus lábios cuidadosamente.

Senti-me renovada de repente.

Então senti seus lábios sobre os meus. Ele arranhou meus lábios vagarosamente, verificando cada detalhe dele.

Afogei-me nesta euforia com que Yusuke me inundara. Afastei meus lábios e retornei o beijo. Em resposta, ele aprofundou o beijo, levando-me cada vez mais alto no paraíso.

Um beijo foi tudo que me custou para que soubesse que ainda…

Me importava…

Eu ainda o amava….

Meus abriram-se de súbito. E quando a consciência caiu em mim, senti os lábios de Yusuke sobre os meus.

Ele estava me beijando por todo o tempo em que eu estivera dormindo!

Pânico agitou-se por mim como um raio. Ofegando, afastei Yusuke do meu corpo.

Sentei-me na cama, respirando com dificuldade, deixando o que tinha acontecido registrar-se na minha mente.

Yusuke estava respirando com tanta dificuldade quanto eu. "K-Keiko…" ele começou num sussurro angustiado.

O furor foi repentinamente substituído pela fúria cega. Minha mão zuniu, atingindo pesadamente o rosto de Yusuke.

A cabeça dele lançou-se para o lado.

De todas as vezes que o tinha esbofeteado, ele não tinha se machucado tanto.

Por vários segundos, apenas nossa respiração preencheu o ar.

"C-como pôde…" comecei, meu corpo tremendo. "Como pôde…?"

"Keiko, eu—"

"Você o quê? Lamenta?" rugi, saindo da cama. Pus as sandálias que Yusuke removera. "Você não está arrenpendido!"

"Por que está tão furiosa?!" Yusuke perguntou numa voz que se igualava com a minha em raiva. Ele saltou da cama e agarrou meu braço.

"Estou furiosa porque você se aproveitou de mim!" gritei na cara dele. "Não consigo entender porque não consegue pôr um pouco de senso no seu cérebro idiota!"

"Eu me aproveitei de você?" Yusuke balançou a cabeça, indignado. "O que fiz? Só te beijei!"

"Sem minha permissão!"

"Eu tenho o privilégio de beijá-la, Keiko. Sou seu marido! e você é minha esposa, pelo amor de Deus!"

"Realmente tem o privilégio, mas não tem direito!" gritei.

"Você me beijou!"

Minha mão agitou-se no ar mais uma vez, num arco amplo. Preparei-me para minha mão entrar em contato com o rosto de Yusuke.

Mas Yusuke pegou meu pulso facilmente.

"Solte-me!" berrei inflexivelmente. Yusuke soltou-me.

A porta de repente abriu-se. Yusuke e eu voltamo-nos ao mesmo tempo.

Então me lembrei — ainda estávamos na casa de Kuwabara.

Os minutos pareceram voar até que uma cabecinha apareceu no quarto.

"K-kaachan? Toochan?"

Sakura-chan.

Ela entrou no quarto timidamente, mas ainda assim seus olhos não perderam o olhar curioso, inocente e até quase zangado. "Por que vocês estão brigando?" she perguntou.

"Yusuke? Keiko?" Yukina, Kazuma e Shuichi apareceram atrás de Sakura.

"E-está tudo… tudo bem aqui?" Kazuma gaguejou, olhando de um lado para o outro, de mim para Yusuke. "Yusuke?"

"Estamos bem," Yusuke murmurrou, olhando para mim. "Só estávamos—"

"Tendo um mal-entendido," terminei, olhando furiosa para Yusuke.

Os três adultos se entreolharam.

"Mal-entendido," Yusuke repetiu.

De repente esqueci-me dos outros enquanto senti mei sangue ferver. "Foi sua culpa," disse entre através de dentes cerrados.

Yusuke atirou as mãos para o alto. "Não dá para simplesmente esquecer isso?" ele perguntou irritado.

"Esquecer? Você quer que eu esqueça?" zombei com desprezo. "Claro que sim. Esquecerei tudo sobre você no momento que for embora."

"Ir embora?!" Kazuma, Yukina e Shuichi disseram em uníssono.

Mal olhei para eles. Agora, não ligava a mínima. Não pisquei os olhos quandoolhei direto para Yusuke, que de repente vacilou ante minha última afirmação.

"Ir embora?"

A voz feminina suave chamou minha atenção. Ao meu lado, Sakura ergueu os olhos, os olhos castanhos começando a cintilar com as lágrimas.

"Está indo embora, kaachan?" ela perguntou. O olhar dela era quase de partir o coração.

Quis ajoelhar-me e assegurar-lhe que não iria.

Mas quando ergui os olhos para Yusuke, comecei a ter dúvidas.

Era melhor para mim jogar limpo, censurar Sakura naquele momento. Mantendo meu rosto duro, encarei-a, olhando como se estivesse zangada com ela. "Fique fora disso, Sakura. Isso é entre seu pai e eu."

"Mas kaachan—"

"Sem mas nenhum, Sakura. Vá para fora do quarto antes que eu bata em você."

"K-kaachan—"

"Sakura!" rugi contra minha vontade. Não queria olhar para ela, porque sabia que se o fizesse, perderia o controle.

"Você está indo embora!" Sakura gritou. Senti os pequenos pulsos dela baterem na minha cintura. Fechei os olhos, não por causa da dor — pois Sakura era fraca — mas por causa das lágrimas que estavam forçando o caminho até meus olhos.

"Está indo embora! Como pode fazer isso comigo! Não me ama, não é?"

Mordi o lábio, ainda com os olhos fechados.

"Você me ama?!"

Eu te amo, Sakura, queria dizer a ela. Amo você do fundo do coração, minha filha. Te amo tanto….

Mas as palavras não sairam da minha boca.

"Detesto você!" ouvi Sakura gritar. "Detesto você, kaachan! Detesto você!!!"

"Sakura!" foi Yusuke.

Ouvi Sakura sair a toda do quarto.

"Veja o que você fez!"

Abri meus olhos. Yusuke não estava na minha frente. Baixei os olhos e o vi ajoelhando-se ao meu lado, onde Sakura deveria estar.

"Deixou seu orgulho ganhar quando Sakura estava implorando para dizer-lhe que você a amava? Ótimo, diga que me detesta quando quiser. Mas não faça isso com Sakura! Ela ainda é sua filha!"

"Não é—"

"Estou cansado demais de sua infantilidade, Keiko!" Yusuke berrou para mim enquanto se levantava. Ele podia ter me machucado, mas não o fez.

Ergui meus olhos. Nossos olhos se encontraram. Os de Yusuke castanhos intensose furiosos; os meus que de repente imploravam por compreensão e perdão.

"Vá embora se isso que quer," ele disse em voz baixa.

Com um último olhar, ele saiu do quarto, abrindo caminho entre Kazuma e Shuichi.

"Ei, Urameshi!" Kazuma e Shuichi seguiram o padrão. Enquanto saíam, vi Yukina e Atsuko-san olhando fixo para mim.

Yukina hesitou, então encaminhou-se até mim.

Olhei para Atsuko-san. "Kaasan…" comecei. Lágrimas começaram a fluir d meus olhos. "Kaasan… perdoe-me."

Atsuko-san fechou os olhos. Mas ela nem mesmo assentiu. "Talvez," ela murmurrou, a voz dura. Nunca tinha ouvido aquela voz antes.

"Kaasan, eu—"

"Você e Yusuke limpem a confusão que fizeram," ela interrompeu. O rosto não tinha expressão. Quase fui queimada por aquele olhar. "Então talvez perdoa-la." Com isso, ela desapareceu da porta.

Choraminguei. O que havia feito? Perguntei a mim mesma. Por que fizera aquilo? Por que me tornei tão insensível com as duas pessoas mais preciosas na minha vida?

de repente descobri-me lançando-me na direção da sala de estar. Yusuke não estava lá. Apenas Minamino Shiori, a mãe de Shuichi, estava lá, parecendo chocada.

"O-onde está Yusuke?" perguntei a ela.

"Keiko… ele acabou de sair…."

Não.

Não!

Corri na direção da porta da frente e a abri. A brisa fria da noite atingiu-me primeiro. Tinha esquecido de levar um casaco comigo.

Tentei sair, mas parei. Estava muito frio.

Estava estupefata pelo choque, sobrevivendo da mágoa de minha própria culpa.

Eu merecia. Merecia mais do que isso.

"YUSUKE!!!" chorei na noite, caindo de joelhos.

Traduzido por Rechan // Título Original: Falling in Love All Over Again


xx março 2004
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