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Apaixonando-se Novamente
por Manille

Capítulo 4

Deixei Atsuko-san e uma ainda soluçante Sakura-chan entrar em nossa casa primeiro.

"Sinto muito por tudo, Shuichi-san," Voltei-me para o homem à minha frente. "A festa foi arruinada por minha culpa."

Shuichi sorriu solidariamente. "Está tudo bem."

"Aborreci Yukina por causa de nossa briga."

"Ela assegurou para você que estava tudo bem," Shuichi lembrou-me. "Embora… ela tenha lhe pedido para resolver tudo entre você e seu marido."

Fechei meus olhos e aquiesci. "Tentarei o que puder, Shuichi. Sério."

Shuichi assentiu uma vez. "Bom, acho que tenho que ir agora. Meus pais estão esperando por mim na casa de Kuwabara."

"Claro. Arigatou gozaimasu," disse.

"Não há de que." Ele inclinou-se e beijou-me na bochecha. "Mais uma vez, feliz Natal."

"Feliz… Natal."

Observei Shuichi andar rápido pela. Ele fora muito gentil em levar Atsuko-san, Sakura e eu para casa.

Entrei na casa e tirei a capa. Estava quente lá dentro. Lembrei-me de que Yusuke tinha deixado o aquecedor ligado para que pudessemos voltar para um local confortável.

Infelizmente, ele não voltara.

Fitei o relógio de vovô na estante. Já eram quinze para as nove da noite.

Subi as escadas, arrastando-me. Sentia-me esgotada.

O primeiro local que entrei foi o quarto de Sakura. Abri a porta silenciosamente.

Sakura já estava dormindo, com Atsuko-san acariciando suas mechas pretas ao seu lado. Atsuko-san fitou-me enquanto eu entrava.

Baixei os olhos enquanto sentava-me na cama ao lado dela.

Havia tantas coisas que queria contar-lhe. Desde que Yusuke e eu nos casamos, me tornei mais íntima de Atsuko-san, e ela se tornou minha segunda mãe. Agora, na ausencia de meus pais, ela estava ali.

Mas lembrei-me — ela estava exasperada comigo.

"O que você disse depois que Yusuke saiu…"

Surpreendi-me quando Atsuko-san começou a conversa.

"…É tudo verdade, que você estava planejando divorciar-se desde Setembro?"

Achei minha voz. "S-sim," disse roucamente, todo meu corpo estremecendo violentamente.

"Por quê? O que aconteceu?"

"Eu… Eu não sei," admiti, minha voz tremendo. "Só… de repente, brigávamos demais e começamos a ignorar-nos." respirei fundo. "É como se… tívessemos menos tempo um para o outro… e a chama começou a esfriar enquanto o tempo passava."

"E era tarde demais quando você notou?"

Se apenas eu tivesse notado.

Se apenas.

"Sim," terminei, líquido se juntando nos meus olhos.

Atsuko-san suspirou, balançando a cabeça de um lado para o outro. "Quando… quando é tarde demais, Keiko-chan?"

Ergui os olhos para ela enquanto uma lágrima deslizava pelas bochechas. O que ela perguntava?

"Você percebeu que nunca foi tarde demais? Você semplesmente cedeu ao problema. Você não se deu a chance de consertar as coisas."

Não conseguia responder. Sabia que se o fizesse, sua sabedoria simplesmente me depreciaria.

Eu estava errada. Muito errada.

"O que acha de Yusuke agora?" Atsuko-san me perguntou.

Yusuke….

Eu amo Yusuke.

Apertei meus dentes e os olhos, deixando mais lágrimas mancharem meu rosto.

"Keiko-chan…" senti Atsuko-san esfregando minhas costas.

Não consegui mais agüentar. Abracei Atsuko-san, implorando por conforto no meu mundo escurecido. Meu mundo — que eu arruinara.

Yusuke nunca fizera nada de errado.

Setembro passado, contei a ele que queria o divórcio. Ele obviamente ficou surpreso e triste, mas concordou.

Durante estes últimos dias, agora percebia, ele estivera tentando desesperadamente me ganhar de novo. Primeiro, convencendo-me a ficar para o Natal. Segundo, dizendo como se sentia com o crescimento de Sakura — pela primeira vez — para mim. Terceiro, nesta manhã, quando me perguntou se ainda tinha uma chance de me convencer a ficar.

Naquele ponto, comecei a sentir meu coração buscando-o novamente.

E só gritando com ele quando ele me beijou, eu explodi.

Se apenas… disse sim quando ele me pediu para ficar.

Se apenas deixasse-o me beijar.

Se apenas eu tivesse contado a Sakura um pouco antes que eu a amava.

Se apenas...

"Kaasan," lamentei no colo de Atsuko-san. "Kaasan… Amo tanto Yusuke. Amo tanto minha família. Desculpe… Lamento tanto…."

Olhei para o relógio. Faltavam vinte minutos para as onze.

Uma hora e vinte minutos para o Natal.

Uma ano atrás, nesta época, Sakura, Yusuke e eu estávamos dançando em volta da árvore de Natal enquanto uma canção de Natal tocava no aparelho de som.

Agora, a casa estava escura. Nenhum som ecoava nas paredes. Sakura e Atsuko-san estavam dormindo.

Ali estava eu, esperando pelo Natal… sozinha.

Não tinha idéia de que ficar sozinha na Véspera de Natal era tão difícil assim. Não até agora.

O cheiro de presunto torrado e tortas variadas flutuavam da sala de jantar para a cozinha. Isso só me fazia ficar mais enjoada. Estava toda preparada, mas ainda assim sentia-me péssima. Estava preparada para nada.

E ainda vestia aquele estúpido vestido colante.

Meus olhos viajaram para a janela ao meu lado. Com minha mão, sequei o gelo do vidro e fitei o exterior.

As casas em volta eram menores que a nossa, dava para ver. Mas eram bem melhores do que essa grande casa vazia. Elas explodiam com atividade, as luzes de Natal pendurada aqui e ali, crianças brincando na neve.

Afastei meus olhos do mundo exterior. Quando o fiz, meus olhos encontraram a magnífica árvore de Natal.

Pus-me de pé lentamente e caminhei até ela, fitando o anjo em seu topo. Então peguei o plug das luzes.

De repente, o aposento foi iluminado com a luz amarela vindo da nossa árvore.

A luz era refletida nos enfeites e bolas e saltava de volta às paredes, de modo que o lugar estava brilhando com espectros de luz multicoloridos. Tudo estava lindo.

Então eu liguei as luzes do lado de fora, aquelas que Yusuke colocara de manhã, depois de enfeitar a árvore. Lembrei delebufando de raiva no frio em cima do telhado, esfregando as mãos, enquanto eu o observava com desprezo.

Sentia falta de Yusuke.

Sentei no chão de frente para a árvore e cruzei as pernas. Fitei-a. Já montávamos a árvore por dois anos, e essa era a terceira vez. Toda vez que a montávamos, toda família estava ali, e observávamos quando as luzes eram ligadas.

Agora percebi o quão querida minha família é. O divórcio era uma maldição — não era nada. Nunca tornaria minha vida mais fácil. Sentiria saudade de Sakura, sentiria falta de… Yusuke….

Abracei meus joelhos.

Yusuke… a única pessoa que sempre amei.

E sempre amarei.

Meus olhos fecharam, e logo, estava adormecida.

De repente senti um par de braços envolvendo meu corpo frio. O cheiro familiar de sua colônia me atingiu em seguida.

Enterrei meu rosto no que eu sbia ser o peito de Yusuke.

Por vários instantes, ficamos daquele modo, eu descansando no calor do corpo de meu marido.

"Keiko…"

Choraminguei quando me forcei a erguer a cabeça para fitá-lo no rosto.

Ele estivera chorando, vi isso nos olhos dele. Agora eles me inundavam com calor e amor, repentinamente enchendo meu coração com alegria.

Meus lábios lentamente ergueram-se. "Y-Yusuke… você voltou."

"Tinha que estar em casa… para o Natal."

Caí em lágrimas e atirei meu rosto no peito dele. "Sinto muito, querido… Sinto muito. Desculpe-me por tudo…."

Seus dedos mergulharam no meu cabelo. "Keiko… você sabe que sempre perdoei você. Eu não te odeio por nada."

Permaneci em silêncio.

Então Yusuke pegou minhas mãos e pôs-se de pé, pexando-me junto. Seus olhos nunca saíram do meu rosto. E não conseguia tirar os meus do dele também.

Ele levou minhas mãos até os seus ombros e deixou-as apoiando-se lá. Deslizou as mãos em volta da minha cintura. Ele me manejou para um lado.

Dançamos lentamente por algum tempo, embora sem música, cada minuto nos trazendo mais próximo do corpo um do outro… até que alcançamos o ponto em nos abraçamos.

"Yusuke?" sussurei suavemente.

"Sim?" ele disse em meu ouvido.

"Você… você me ama, Yusuke?"

Senti os braços de Yusuke apertarem-se.

"Sim," Yusuke murmurou. "Eu te amo, Keiko. Você e Sakura significam tudo para mim. E se me deixar, não sei o que será da minha vida!"

Meu coração inchou-se com o que Yusuke acabara de me dizer. Era como uma declaração de amor renovada que estivera entre nós por todo esse tempo.

Nunca a deixaria escapar de novo. Nunca mesmo.

"Você me ama, Keiko?"

Sorri. "Disse isso uma vez, Yusuke, e farei isso valer até o fim dos tempos." pausei. "Eien ni… ai shiteru."

"Keiko…."

Agarrei-o com mais força, enquanto minhas lágrimas caíam em seu smoking. Ele fez o mesmo, inalando no meu cabelo.

Naquele momento, o relógio bateu doze vezes.

Ficamos ali, em silêncio, ainda sem nos soltar.

"Feliz Natal…" Yusuke murmurou. "Meu amor."

Traduzido por Rechan // Título Original: Falling in Love All Over Again


xx março 2004
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