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Derrotando os Demônios
por Skylar Inari
Hiei olhou furioso para a neve, enquanto tentava
tirar aquela coisa branca e fofa de suas roupas. Detestava a neve,
o frio, as irritantes luzes que os ningen sempre pareciam colocar
nesta época do ano - porque ele não sabia, não
podiam realmente gostar do clima - e a maioria das canções
estúpidas que todos cantavam. Se ele ouvisse aquela infernal "Bate
o Sino, bate o sino..." mais uma vez.... Koenma que se danasse,
ele ia calar a boca dos cantores se ouvisse isso de novo.
O som de batidas interrompeu seus pensamentos, "Yukina-san!
Yukina-san! Sou eu, Kazuma Kuwabara! Por favor, abra a porta!"
Era Kazuma. Hiei suspirou, aquele era outro
problema, como iria impedir aquele bufão de magoar Yukina?
Ah, Kazuma nunca a magoaria conscientemente,
mas os ningen simplesmente não viviam tanto e quando Yukina desse
seu coração para alguém, seria para sempre. Nada mal, com certeza,
mas, por que um humano?
Hiei inclinou-se contra o tronco da
árvore em que estava encarapitado. Paralisou-se quando neve deslizou
pela nuca. Maldita neve!
Uma risada suave afastou sua atenção do
desconforto gelado. Hiei baixou os olhos e foi tentado a suspirar
de novo, era Kurama.
"Hiei, não para onde ir? É meio frio
dormir em árvores nesta época do ano. Vai virar uma bola de neve."
Hiei fitou furioso a raposa, enquanto
deslizava de seu poleiro. "Hum. Não é da sua conta."
Kurama deu de ombros, seu cabelo normalmente
ruivo sendo rapidamente coberto de flocos de neve, "Você pode ir
para minha casa, se quiser, minha mãe não se incomodará."
Hiei olhou para ele, "Irei depois
que o palhaço saia. Certo?"
Kurama sorriu suavemente, "Não aja
como uma obrigação. Tenho que ur agora. Mamãe quer que eu compre
algumas coisas."
***
Hiei sentou-se na cama de Kurama e
olhou mais uma vez. A horrível obcessão das luzes, enfeites escandalosos
e árvores espalhara-se até mesmo no quarto da raposa. Um pequeno
anjo descansava sobre a escrivaninha de Kurama e cantava suave, "Escutem
o Anjo Mensageiro Cantar...".
A porta abriu-se e o ruivo entrou tirando
a neve do cabelo. Hiei sentou-se e apontou para um pequeno anjo com
um dedo acusador, "Qual o significado disso?"
Kurama olhou rápido para o anjo e sorriu,
"Foi um presente. Além disso, é época de natal e esses tipos de coisas
são normais nesta época do ano."
Hiei franziu o cenho, a resposta não
era a que esperara, "O que é natal?"
Kurama sentou na cama, puxando um travesseiro
para si, "O que é natal? Acho que nunca pensei sobre
isso. As lojas usam como uma propaganda. Mas começou mesmo para
comemorar o nascimento do deus dos humanos."
"E qual a relação com as luzes e-" Hiei contraiu-se,
"a cantoria? E a estúpida árvore?"
"É para comemorar. É como os humanos
mostram afeto por uma divindade, pelo menos para esta." Kurama olhou
para Hiei, "Por que a música te incomoda tanto?"
"Porque é idiota. E porque não tem
nenhuma serventia, pelo que vejo. É sem sentido."
"Só porque as coisas não têm propósito,
não significa que não são sem sentido. Tem uma razão - fazer as pessoas
felizes - e isso é todo o propósito de que eles precisam."
A expressão de Hiei traiu seus pensamentos
sobre quão idiota esta idéia era.
Kurama suspirou, "Ainda não entende.
O natal não tem objetivo, é verdade, mas ao mesmo tempo serve para
manter os humanos felizes, então porque estragar isso e dizer-lhes
que é estúpido?" Ele deu de ombros, "Além disso, é divertido."
Hiei assentiu, meio que pegando a idéia
do natal agora.
"Não é isso que estava te incomodando,
era?" a perceptiva raposa perguntou.
Hiei suspirou, deveria saber que Kurama
descubriria, "É Kazuma e Yukina."
"Está falando dos diferentes sistemas
de envelhecimento, não é?" perguntou Kurama calmamente.
Hiei fitou Kurama, espantado, "Como
sabia disso?!"
Kurama olhou para as mãos por um momento,
depois as fez deslizar pelo cabelo, "Não deveria te contar, mas....
Kazuma já tem tentado achar uma solução para isso comigo por algum
tempo e achamos uma possível."
Hiei bem que tentou, mas descobriu
que não conseguia tirar os olhos de Kurama, "Que é?"
Kurama sorriu, "Foi bem fácil, na verdade,
depois que se pensa nela. Temos que mudar o reiki dele em youki."
Hiei mirou a raposa espantado. "Ele
não faria isso." zombou Hiei. "Ele quer ser humano."
Kurama sorriu, "Ficaria surpreso com
o que os humanos fazem por amor. Kazuma deseja desistir de sua humanidade
por sua irmã, ele não vai magoá-la."
"Hum." O demônio de fogo tentou achar
alguma falha no que a raposa dizia e não conseguiu. "Então como ele
vai mudar e por falar nisso, ele não será um demônio patético? Queri
dizer, ele é um humano classe A, o que é raro, mas isso só se equivale
a um demônio classe B. Não vai poder protegê-la muito bem com esse
nível de poder."
"Ele conseguiu até agora." retorquiuo
esguio ruivo, ele foi até a escrivaninha e tirou um caderno velho.
"O que é isso?"
Kurama mexeu no caderno,
escolheu uma página e deu-o para Hiei, sem dizer nada.
Hiei vislumbrou a página cheia
do que parecia ser equações sem sentido e várias
outras baboseiras. Então ele o virou de cabeça para
baixo e de um lado para o outro enquanto tentava achar a razão
daquilo. Finalmente empurrou-o de volta para Kurama, "Não
preciso olhar seu dever de casa idiota, raposa."
Kurama riu, "Não é meu dever de casa."
"Bom, o que é, então?!" resmungou Hiei,
de forma violenta.
"São cálculos que provam que nível
Kazuma seria se se tornasse um demônio."
Hiei olhou para o papel nas mãos de Kurama, pensativo, "E?"
"E o quê?"
"E que nível o palhaço seria se fosse
um demônio, sua raposa idiota!!" Explodiu o demônio de fogo.
A porta abriu de supetão, e o rosto
de Shiori apareceu na abertura, "Shuiichi-kun, por favor peça ao
seu amigo para falar baixo? Estava tentando dormir."
"Gomen, kaasan. Não acontecerá de novo."
Kurama reassegurou à mãe.
"Tudo bem, Shuiichi-kun, arigato."
a porta se fechou suavemente.
Hiei agitou-se, "Então, qual é a resposta?"
silvou baixinho.
"Ficaria surpreso. De acordo com meus
cálculos, Kazuma se tornaria um demônio classe S." Kurama sorriu.
Hiei simplesmente mirou-o, "Só pode
estar brincando."
"É a verdade."
"Está mentindo."
Kurama deu um tapinha na cabeça do
demônio de fogo travessamente, "Desculpe, mas é a verdade. Ele seria
um classe S, um poderoso o bastante para derrotar Yusuke num dia
ruim."
Hiei considerou isso, "Então como ele
não é um humano classe SS?"
"Porque seu corpo não aguentaria tanto
poder."
"Certo." Hiei cruzou os braços sobre
o peito, "Aceitarei isso."
"Você é gentil demais." murmurou Kurama
baixinho.
Hiei fingiu não ter escutado aquilo.
"Então, como vamos mudar o ki dele?"
"Nós?" perguntou Kurama divertido.
"Sim, NÓS."
Kurama ergueu as mãos, "Você venceu.
Entenda, todo humano tem uma parte demoníaca enterrada
lá no fundo, por baixo da humanisse -"
Hiei ergueu uma sombracelha, "Não acho
que isso seja uma palavra, raposa."
"Provavelmente, não." admitiu Kurama,
"Contudo, como estava dizendo, se a parte demoníaca do humano
em questão for acordada, eles se tornam completamente demônios com
a personalidade bem parecida com a que tinham antes."
Hiei digeriu isso, "Então como acordamos
esta parte?"
"Nós a derrotamos."
"Nós a derrotamos. . . " Hiei assentiu
distraído, então sua cabeça virou-se rápido, "Nós, O QUÊ?"
Kurama sorriu suavemente, ante o choque de Hiei, "Nós a derrotamos."
"E se ela não acordar?! Como
vamos explicar a minha irmã?! 'Oi mana, pensei em te dizer que o
amor da sua vida está morto porque o espancamos até morte, tentando
fazer você feliz.' Ah, sim, Kurama, isso vai será ótimo."
"Não precisa ser sarcástico." aborreceu-se
Kurama, "Vai funcionar... Teoricamente."
Hiei fitou a raposa, "Bom, melhor torcer
para que a teoria esteja correta."
Kurama assentiu, "Há certas plantas
que podem ajudar no processo."
O demônio de fogo observou a
raposa, espanto estampado no rosto, assim como medo. "Você vai depender
de umas plantas para manter Kazuma vivo, enquanto o espancamos?!"
O demônio raposa olhou para Hiei, como
se o desafiasse a discordar, "Sim. Vou."
Hiei escondeu o rosto nas mãos, "Kurama."
"O que foi?"
"Já viu um demônio de
gelo irritado, já viu?"
"Nunca."
"Deuses, estamos ferrados!"
"Por quê? É ruim?"
"Sim."
"Quão ruim?"
"Muito, muito ruim."
"Ah."
"Importa-se?"
"Na verdade, não. O processo deve funcionar."
"Estamos condenados. Eu tinha razão."
"Por que estamos condenados?"
"Kurama, se Yukina tentar matá-lo,
não espere ajuda da minha parte. Estarei me escondendo no Makai."
"Fracote."
"Não, sou inteligente."
"O processo vai funcionar."
"Como você sabe? São só escritos num
pedaço de papel."
"Vai funcionar."
"É seu funeral."
"Teoricamente, o processo está certo,
Hiei. Todos os erros foram considerados e compensados, nada dará
errado."
"As teorias que se danem, se isso der
errado, Yukina vai querer sua pele."
"Não sei porque está tão contra minhas
teorias, elas dizem que funcionará."
"Agora está dizendo que elas falam
com você! Estamos condenados."
"Não quis dizer literalmente, e pare
de dizer que estamos condenados. Tudo vai ficar bem."
"Você vai morrer."
"Não irei."
"Arrume-se, pegarei o que sobrar quando
ela acabar."
". . ."
"Não estou mentindo raposa, se Kazuma
morrer, estamos com GRANDES problemas."
"Ainda está de acordo, Hiei?"
". . ."
"Hiei?"
"Devo estar maluco. Sim, estou."
"Ótimo, vamos fazer amanhã."
"Amanhã? Por que amanhã?"
"Para surpreendermos Yukina no Natal.
Amanhã é Véspera."
"Boa noite, Kurama."
"Tchau Hiei. Feche a janela quando
sair."
"Hai."
"Espero que esteja errado quando a
Yukina."
"Não estou, raposa, não estou."
"Achei que estava de saída."
"Eu estou, agora."
"Então, saia, já."
"Ja."
Kurama fitou a janela aberta que Hiei esquecera
de fechar quando partira, suspirando.
"Agora, de voltas às teorias. Onde
está aquela só meio terminada? Ahá! Achei! Espero que Hiei não tenha
percebido que minhas teorias não estão completas."
***
Hiei fitou a forma adormecida de sua
irmã, seus olhos estranhamente gentis. Era tão inocente - não, complacente.
Isso ficara provado quando ela lhe pedira para não matar aquela coisa
que a aprisionara e torturara, atrás de suas lágrimas.
Hiei não culpava Kazuma por amá-la,
só desejava que o ningen usasse seu cérebro mais um pouco
e treinasse um pouco com a espada. Se falasse a verdade, o maior
problema de Hiei contra Kazuma era que ele não queria que Yukina
se magoasse ao perder alguém que amava.
E Kurama e suas malditas teorias apareceram com um modo de consertar
isso. Então, enquanto Hiei não mostrasse uma mudança de atitude,
Kazuma não seria mais odiado.
Se aquelas malditas teorias funcionassem.
Hiei colocou gentilmente um cobertor
em torno dos ombros de Yukina e saiu para dentro da noite.
***
Kazuma fitou a pequena xícara com ervas
esmagadas que Kurama lhe dera para beber.
Ele queria se tornar um demônio?
Droga, não.
Ele queria salvar Yukina-chan e protegê-la?
Droga, sim.
Kazuma suspirou alto e pegou a xícara.
Kurama lhe dissera para beber as ervas naquela noite. Aparentemente,
elas precisavam de tempo para serem absorvidas pelo organismo.
Ele sempre se orgulhara em ser o único
humano - pelo menos totalmente humano - membro do reikai tantei.
Agora ia se tornar um demônio. Por amor.
Contudo, Kazuma sempre se orgulhara
de ser um homem também. Se fosse um demônio, ainda seria homem? Resoluto,
Kazuma engoliu solenemente o conteúdo da xícara.
Ele não sabia.
Mas ia tentar.
***
"... e se esse gene se ligar com este
- se meus cálculos estiverem corretos - o que deve acontecer é um
entrelaçamento das camadas metafísicas que estão superimpostas sobre
a alma genéroca para dar individualidade, de modo que a camada se
tornará mesclada com força com a alma genérica, assim o gene demoníaco
acorda. Isso deve causar a troca física e celular que capacita o
hospedeiro do novo gene demoníaco a sobreviver com o influxo
de ki........."
***
A noite passou rapidamente, com os
flocos de neve fofos caindo silenciosamente.
***
Kurama olhou para Kazuma seriamente.
"Está pronto para continuar?"
Kazuma assentiu, "Sim." Seu tom de
voz não deixava espaço para argumento.
"Como desejar." Kurama olhou em torno
do quarto vazio, "Tomou as ervas?"
"Hai."
"Entendo." a voz de Kurama estava distante,
como os olhos.
"Então, vamos começar?"
Kurama ergueu os olhos ligeiramente
espantado, depois seus olhos se desfocaram de novo, "Não... temos
que esperar por alguém."
***
Hiei passava rapidamente entre as árvores.
Estava atrasado, droga.
Atrasado para espancar o palhaço.
Droga.
Kurama não ia gostar. A maldita raposa
detestava esperar por alguém. K'so.
Hiei saltou para uma árvore ligeiramente
irregular e parou para pensar na desculpa por estar atrasado. Teria
que ser boa.
Tinha que chegar lá.
E que se danassem as conseqüências.
***
"E aí, qual o problema, Kurama?!?"
Exigiu Kazuma depois de esperar - bem impaciente - por trinta minutos.
"E por quem estamos esperando?"
Kurama suspirou e fitou a rosa em suas
mãos por um instante antes de responder, "Estamos esperando por Hiei."
"HIEI!!!! Voê contou a ele!!!!"
"Só porque ele me perguntou o que aconteceria
a Yukina-chan se você morresse."
"Certo." Kazuma fitou duramente ao
anormalmente amuado kitsune.
"Qual o problema, Kurama?"
Kurama baixou os olhos, mirando o chão
e em seguida respondeu suavemente, "Estou me perguntando qual será
o castigo?"
"Castigo? Que castigo?" Kazuma parecia
espantado.
"Acha que Koenma me deixará ficar impune?"
"Por que não? Você está me ajudando."
"Estou matando um ningen." a voz
de Kurama estava entrecortada.
"Huh?"
Kurama correu a mão pela vasta cabeleira,
"Quando se pára para pensar, o que estou fazendo é tirar uma vida
humana. Estou matando seu lado humano, de modo que o lado demoníaco tome
conta."
Kazuma estava subjugado, "Qual é o
castigo normal?"
"Morte." Os olhos de Kurama brilharam
furiosos, "Enma-sama não gosta de demônios, assim nossas punições
são mais duras."
"Mas," Kazuma protestou, "Você não
acha que Koenma o mataria só por me ajudar?"
"As Leis de Enma não são quebradas
por nenhuma razão, por ninguém."
"E se um ningen mara um demônio?"
Kurama riu amargamente. "Nada acontece.
O humano fica impune e nós não podemos nem mesmo nos vingar pela
morte."
"Não parece muito justo."
Kurama simplesmente balançou a cabeça.
"Não quero me tornar um demônio então."
Kazuma declarou.
A cabeça de Kurama ergueu-se
de
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supetão e fitou Kazuma interrogativamente.
"Não quero me tornar um demônio se
perder duas das pessoas com quem me importo."
"Mas... e Yukina?"
"Ela entenderá quando explicar tudo
a ela."
Kurama suspirou, "Não importa agora.
As ervas que te dei já começaram o processo de matar seu lado humano."
"Mas você vai morrer!"
"Talvez, mas deixe-nos fazer o que
queremos, baka." a voz de Hiei soou no quarto vazio.
"O que está feito, está feito. Você
vai se tornar um demônio."
"Hiei!"
O pequeno demônio de fogo sacou sua
katana, "Sem mais protestos... SHINE!!!!!"
Hiei lançou-se para Kazuma com sua
espada.
"Perdoe-me, Kazuma." disse Kurama suavemente,
sabendo da dor que causaria no amigo. Às vezes, têm-se que fazer
sacrifícios. "ROSE WHIP!"
***
Dor.
Estava penetrando na sua mente e deslizando
por sua alma.
Doía.
Pior do que quaisquer feridas de batalha
que tivesse recebido antes.
Não por causa da força dos ataques,
mas porque seus amigos estavam fazendo isso.
Amigos...
Com espanto, Kazuma percebeu que nunca realmente detestara o pequeno
demônio de fogo; ele só brigava com ele por hábito.
Estava realmente perdendo dois amigos.
Eles iam morrer para que ele pudesse
ser feliz com seu amor.
Não era justo.
Eles não tinham deixado ele mudar de
idéia, quando dissera que não queria continuar com esse plano, quando
soubera que eles morreriam.
Dor.
Agonia ardente.
Cortava por ele como um rio desgovernado;
rasgando a própria essência de seu ser.
Gritou.
Estava sendo cortado ao meio.
Sua própria alma estava atormentada
pelos ataques contínuos nas fibras que criavam o que e quem ele era.
Algo rachou-se dentro.
Todo seu ser sentiu-se cru diante a
torrente de youki que começara a aumentar de sua casca mutilada,
que antes fora seu lado humano.
A escuridão o engolfou.
***
Kurama fitou a casca ensanguentada
que agora era Kazuma, e voltou-se, sentindo-se ligeiramente enjoado.
Hiei embainhou a katana e afastou-se,
indo até a raposa. "Ele recebeu mais dano do que achei que deveria."
"Você sempre o subestimou, Hiei."
Hiei bufou, "Talvez." ele gesticulou
na direção da pilha ensanguentada, "O que fazemos com
ele?"
"Nada. Agora é com ele, se quiser sobreviver."
"Entendo." Hiei ficou em silêncio por
um momento, "Por quantas horas o espancamos?"
Kurama olhou para o relógio, "Cerca
de seis horas."
"Quanto tempo levará para ele acordar?"
"Eu não sei."
"Você não sabe?!"
O corpo de Kazuma começou a tremer.
***
Ele ainda estava inteiro. Ainda era
o mesmo de antes.
Não, isso não estava muito certo.
Ele era o mesmo, mas estava diferente.
Era muito perturbador.
Não tinha peso, não tinha substância.
Lentamente, ele começou a lembrar-se
do que ocorrera.
Yukina. Amor. Ser derrotado por seus
amigos. Eles iam morrer.
Ele começara a lutar de sua prisão
de leveza e a mover-se para acordar completamente.
Ele devia muito aos seus amigos que
morreriam por ele.
E Yukina esperava.
Ele lutou para sair das últimas amarras
que restavam.
Fracamente ele ouviu o susto de Kurama.
Abriu os olhos.
Conseguia ver.
Mas tudo estava diferente.
Era como ter estado cego a vida inteira
e de repente ser capaz de ver claramente. Conseguia visualizar facilmente
a aura tremeluzente que envolvia os corpos de Kurama e Hiei.
Finalmente compreendeu como os demônios
podiam dizer a força do outro sem pensar duas vezes.
Era o brilho da aura que dizia a força
- não o tamanho.
"Kazuma?" Kurama perguntou suavemente,
seus olhos ligeiramente preocupados.
Devagar, Kazuma ergueu a cabeça para
encontrar o olhar de Kurama.
Os olhos de Kurama estavam sombrios
de preocupação.
Kazuma tentou concentrar-se o bastante
para responder ao preocupado demônio raposa, mas descobriu-se continuamente
distraído pelo filme trêmulo que se sustentava na frente de seu rosto.
Hiei fitou Kazuma por um instante,
tentando descobrir o que havia de errado com o ningen estranhamente
alterado - não, demônio. Ele sorriu de forma ligeiramente maliciosa,
"Kurama, mostre-lhe como desligar a visão das auras. Ele está ficando
distraído."
A preocupação fugiu dos olhos de Kurama
e ele riu suavemente. "Certo. Kazuma, isso é o que precisa fazer."
Kurama fitou Kazuma intensamente.
Uma vaga noção de uma consciência que
não era a sua invadiu a mente de Kazuma.
Imediatamente as defesas mentais inatas
puseram-se em ação para repelir a consciência alienígena.
A consciência riu, está tudo bem, Kazuma,
sou eu.
As defesas relaxaram, não era um inimigo.
Observe.
A consciência mergulhou ainda mais
na mente de Kazuma e aparentemente sem esforço mexeu num botão mental.
Lentamente, a consciência se afastou.
"Pronto." Kurama esfregou as têmporas
gentilmente, "Consegue se concentrar agora?"
Kazuma olhou para Kurama e o viu claramente
de novo. "Hai."
"Bom." Hiei olhou para a raposa,
que ainda esfregava as têmporas, "Isso foi muito hábil.
Ser capaz de invadir uma mente assim, sem auxílio de um jagan ou
um foco."
"Vou ter uma dor de cabeça por horas."
gemeu Kurama.
Kazuma olhava de Hiei para Kurama assombrado,
"Como vocês dois podem ficar tão calmos quando sabem que acabaram
se sentenciar à morte?!"
O demônio raposa e o de fogo olharam
para Kazuma, depois um para o outro por um longo momento.
Kurama deu de ombros, "Acho que quando
você se resigna quanto a algo, não é tão horrível. Além disso, depois
de viver por mil anos não há muita coisa que eu tenha
deixado de fazer. Então, a punição de Koenma não será tão ruim, porque
não a temo. E preferiria morrer sabendo que ajudei um amigo do que
saber que viver sabendo que poderia ter ajudado."
Hiei ficou em silêncio. Qualquer
coisa valia pela felicidade de Yukina, ele pensou consigo mesmo.
"Mas..." Kazuma começou.
Kurama balançou a cabeça gentilmente,
"Queríamos fazer isso, Kazuma, sem mais mas."
Hiei afastou-se de seus pensamentos.
"Vamos ver Yukina agora?"
"Sim," Kurama pausou, "Assim que fizermos
Kazuma retornar a sua forma humana."
***
Yukina afastou o cabelo do rosto e
avaliou o quarto com um olhar crítico.
Estava determinada a fazer Kazuma adorá-lo.
O quarto estava belamente decorado
com guirlandas de enfeites escandalosos e pequenos ornamentos natalinos
pendurados na árvore que Shizuru e Keiko a tinham ajudado a conseguir
há dois dias. Na lareira estavam penduradas meias decorativas e sobre
a porta havia visco.
Shizuru decidira que uma festa de Natal
deveria acontecer na casa da família Kuwabara.
Yukina assentiu para si mesma. O aposento
estava perfeito, até o anjo cantor na mesinha de canto e a bonitinha
rena com Papai Noel que Keiko e Botan tinha feito na janela.
Kazuma com certeza adoraria. Ele tinha
que gostar.
Keiko espiou o aposento da cozinha,
"Yukina, poderia nos ajudar? Está na hora de decorar os biscoitos."
Yukina sorriu, "Hai! Já vou!"
"Certo!" Keiko voltou para
a cozinha, que tinha um aroma delicioso de biscoitos açucarados assados.
Yukina rapidamente inclinou-se e endireitou
um presente debaixo da árvore e dirigiu-se para a cozinha.
***
"O que acha que Yusuke comprou para mim?" perguntou Keiko nervosamente,
enquanto elas habilmente acrescentavam a decoração nos biscoitos.
Shizuru deu de ombros, "Não tenho certeza,
você provavelmente irá gostar. Ouvi Kazuma se vangloriando
sobre como Yusuke teve que pedir ajuda a Kurama para escolher um
presente para você. Provavelmente é algo que você gosta; Não
conheço ninguém com gosto melhor do que o de Kurama."
Yukina ficou quieta. Ela conhecia alguém
com gosto melhor.
Shizuru riu, "Olha a Yukina! Ela se
ofendeu porque eu acho que alguém tem gosto melhor que meu
irmão."
Keiko deu uma risadinha.
Yukina corou, e fitou com força a bandeja
de biscoitos.
"Ora, Yukina, não posso dizer que ele
tem bom gosto, ele é meu irmão!!! É meu dever como irmã destroçá-lo."
caçoou Shizuru gentilmente.
"Tudo bem, Shizuru. Eu entendo." Yukina
sorriu para a garota alta. "É só que..."
"Está totalmente apaixonada por ele
e não gosta de ninguém falando mal dele, certo?" terminou Keiko de
modo travesso.
Yukina corou. "Hai."
Shizuru sorriu, "Isso é muito bonitinho."
Yukina corou ainda mais, "Por favor,
páre."
Shizuru deu um tapinha na cabeça de
Yukina, "Você fica tão bonita quando está envergonhada, sabia disso?"
"Eu..." Yukina começou, mas foi interrompida.
Alguém batia na porta. As festividades
começariam.
***
Kazuma fitou os seus melhores amigos
num canto da sala.
Shizuru tinha razão em fazer a festa
na casa.
Yusuke e Keiko conversavam sobre uma
nova loja que abrira na rua principal.
Kurama e e Hiei estavam sentados juntos
com Shizuru, discutindo vários assuntos.
Assuntos deles, não dele.
Botan e Koenma não tinham aparecido
ainda, já que estavam ocupados no Reikai, lidando om as rudes almas
que tiveram o mau gosto de deixar seus corpos humanos na Véspera
de Natal. Mas tinham prometido aparecer depois.
E Yukina estava bancando a anfitriã,
certificando-se de que todos estavam confortáveis e contentes.
Kazuma sorriu, enquanto observava a
mulher que amava mover-se pela sala. Amava o modo que as velas lançavam
sombras no cabelo dela - tornando-a ainda mais etérea e bela.
Ele se decidira. Queria contar-lhe
agora. Com todos os amigos assistindo - bom, não todos, mas quando
Koenma aparecesse seria tarde demais para Kurama e Hiei verem.
Então, tinha que fazê-lo agora.
Ele se dirigiu até onde Yukina estava,
no centro do aposento.
"Yukina."
Ela voltou-se e sorriu-lhe, "Kazuma,
está se divertindo?" sua voz estava cheia de amor.
Um leve rubor correu por seu rosto,
"Hai... Tenho algo para lhe dar, Yukina."
Ela também corava, "Mas, não está na
hora dos presentes ainda."
Ele balançou a cabeça, "Não tem a ver
com Natal. Eu queria fazer isso há muito tempo." Ele ergueu a voz
ligeiramente, "Com o máximo de amigos possível de audiência."
As conversas cessaram em torno da sala
e todos eles olharam ansiosos para Kazuma.
Ele se pôs sobre um joelho na frente
de Yukina e pegou sua pequena mão na dele, em seguida olhando-a apaixonadamente
nos olhos. "Eu te amo e tem sido assim desde o dia em que te vi no
vídeo que Koenma deu a Yusuke. Não tenho muito a lhe dar, exceto um
coração honesto e leal, a promessa de proteção eterna e um amor realmente
forte. Mas," Kazuma pausou e deslizou um anel no dedo dela, "Você
se casaria comigo? E ficaria ao meu lado para sempre?"
Os olhos de Yukina encheram se de lágrimas
de alegria que ameçavam cair, "Sim." ela se lançou sobre Kazuma e
passou os braços em volta do pescoço dele, chorando de alegria, "Ficarei
com você para todo o sempre, Kazuma!"
Lágrimas trilhavam pelo rosto de Kazuma
e ele prendeu Yukina próximo a si.
Um regojizo surgiu em torno do casal.
Cinco taças de vinho ergueram-se para parabenizar os dois ajoelhados
no meio.
As velas queimaram-se alegremente naquele
momento.
***
Kurama fitou a escuridão da noite.
Hiei sentou-se silenciosamente numa cadeira próxima à raposa.
Kurama falou primeiro, "O que sente
quanto ao casamento deles?"
Hiei ficou em silêncio por um instante,
"Não tão mal quanto pensei que me sentiria. Ele
poderá protegê-la agora."
"Ele sempre pôde." Kurama respondeu
gentilmente ao demônio de fogo rabugento.
"Não me lembre." murmurou Hiei.
Uma luzinha trilhou no céu.
Kurama soltou um suspiro suave, "Koenma
e Botan chegaram."
"Nós sabíamos das conseqüências, raposa."
"Eu sei, mas gostaria de poder ficar
para o casamento, pelo menos."
"Hum."
"Acha que eles irão ver Kazuma e Yukina
primeiro?" perguntou Kurama, depois de um breve momento de silêncio.
"Provavelmente." Hiei deslizou da cadeira
e parou ao lado de Kurama, "Um deles deve contar-lhes e eles irão
parabenizá-los. Koenma notará a diferença em Kazuma imediatamente
e virá feito furacão para nos levar."
"Você tem razão. Nossa marca está claramente
visível em Kazuma desta vez. Se pudéssemos evitar que Koenma veja
Kazuma por seis meses, ele não terá idéia de quem ajudou-o a matar
a alma humana dele." Kurama fitou as estrelas.
"Arrependido?"
"Não. Foi feito por amor."
"Hai."
***
Koenma e Botan aterrisaram diretamente
na frente no casal de noivos. No momento em que o remo parou, Botan
saltou dele direto para Yukina.
"Estou feliz por você!!!!!!!!!!!!"
Yukina sorriu, "Obrigada, Botan."
Koenma fitou Kazuma horrorizado.
Botan voltou-se para Koenma, "Não vai
dizer nada?!"
"O quê?" Koenma não conseguia tirar
os olhos de Kazuma, "Ah, sim, é maravilhoso."
Kazuma prendeu a respiração.
Koenma sabia.
Kurama e Hiei iam morrer.
Koenma fraziu o cenho, "Onde estão
Kurama e Hiei?" ele exigiu abruptamente.
Kazuma recuou, "Na casa."
"Entendo." Koenma girou nos calcanhares
e marchou furioso para o remo. "Botan, temos algumas prisões a fazer."
"Nani?! No Natal?!" Botan relutantemente
afastou-se do abraço de Yukina.
"Quem? Por quê?!"
Quando o Príncipe do Mundo Espiritual
e sua Guia Espiritual principal alcançaram o remo, Kazuma falou.
"Koenma, a escolha foi minha."
O Príncipe não deu sinais de
ter ouvido.
O remo partiu.
Yukina olhou o rosto de Kazuma, "O
que foi sua escolha?"
Kazuma abraçou Yukina, lágrimas trilhando
por sua face livremente.
Arigato... Kurama e Hiei. Arigato...
Aishiteru.
Traduzido por Rechan //
Título Original: Beating Out The Demon
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