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Um Elo Com o Passado
por Rechan

Capítulo 2 - Erros Perdoados

"Os youkais se dividem em cinco grupos, de acordo com a manifestação de seu youki. São eles o fogo, água, terra, ar e metal. Os youkais do fogo são agressivos e podem dominar as chamas com facilidade, mas somente alguns dentre eles podem ter acesso as chamas negras. Apenas aqueles que pertencem a minha descedência tem no seu sangue o combustível para fazê-las arder. Será que você entende agora?" a sombra deu alguns passos, de modo que a luz permitisse ao seu prisioneiro ver seu rosto. Um youkai alto, de cabelos negros e compridos, preso num rabo de cavalo. Os olhos fechados, um sorriso cínico no rosto. Em sua testa, um pequeno olho começava a se abrir.

"Eu já entendi faz muito tempo. Quanto tempo vai levar para você entender que eu não estou nem aí para você ou suas brigas estúpidas? Me viro sozinho desde que era uma criança e não é agora que vou precisar da sua ajuda." a voz estava ríspida, arrogante; o cenho franzido, o olhar enfurecido...

Querendo ou não, ele se parece muito comigo... e com a irmã mais velha quando veio até mim pela primeira vez. Diante deste pensamento, Obaki fechou seu jagan, deu uma risada e saiu. Podia sentir o youki do pequeno youkai se contorcer de ódio pela sensação de impotência.

O assassino ganhou os corredores de seu covil. Não vai demorar muito para dobrá-lo. Ele se sente vazio, sem ter motivos para viver. E eu sei que ele gosta de matar.

Uma menina de cabelos castanhos, com uns 6-7 anos, tentava equilibrar uma katana em suas mãos. Em todas as tentativas, a espada tombava para frente e ela caía junto.

"Até quando? Até quando você vai deixar essa sua natureza humana te dominar? Lembre-se de que é minha filha! O meu nome é temido em todo o Makai! E você, minha filha e não consegue nem mesmo se esforçar para sustentar uma katana!" Obaki gritava com a menina, que subitamente começara a chorar. "Pare com essas malditas lágrimas!"

"Eu não posso. Quero voltar para minha mãe, para o Ningenkai," choramingou.

Obaki segurou a menina pelos braços e a ergueu, até ficar a altura dele. Seu rosto demonstrava ferocidade.

"Esqueça sua mãe. Esqueça o Ningenkai!" e então jogou a garota para longe, que foi bater contra parede.

Akane abriu os olhos, gotas de suor se formando em sua testa. Sentou-se na cama e olhou para a noite através da janela de seu quarto. Então baixou os olhos para a palma de sua mão direita. Sim, mesmo agora posso sentir uma minuscúla onda de youki pecorrendo meu braço. Será que renegei completamente tudo o que fui? A garota sentiu um arrepio e olhou novamente para a noite lá fora, assustada. Realmente tinha sentido aquilo? Parecia que ele a tinha chamado...

Um grupo estava sentado a mesa de reuniões do palácio de Raizen. Há três horas que estavam discutindo o que iriam fazer. Ninguém, dentro do Makai, parecia saber onde Obaki se escondia. O tempo era curto. O que mais os preocupava era não saber qual era o motivo pelo qual o assassino havia raptado o koorime.

Mukuro, que havia sido chamada para a reunião, não quisera ir (ao que parece, ela e Hiei andavam se desentendendo).

"Kurama, você não tem nenhuma idéia?" perguntou Yusuke.

A raposa olhou para o amigo, balançando a cabeça negativamente, desconsolado.

"Quando ainda era youko, ouvi falar de Obaki. Seu nome era sussurrado com extremo terror. Até onde sei, ele é um youkai do fogo. Infelizmente, meus conhecimentos param por aí."

"Youkai do fogo? O Hiei também não é? Será que isto não sugere algo?" perguntou Masato, entrando na conversa.

"Provavelmente sim, mas como ter certeza? Geralmente estes youkais são individualistas, não trabalham em grupo. Hiei não foge a regra." Kurama interrompeu-se, quando ouviu o som da pesada porta de madeira se abrindo. Dela emergiu um dos súditos de Raizen.

"Desculpe interrompê-lo, Yusuke-sama, mas fiquei sabendo que seu amigo está desaparecido e não sabe encontrá-lo..."

"É isso mesmo, você ficou sabendo de algo novo?"

"Não exatamente. Acho que sei de alguém que pode ajudá-lo. É uma mulher."

"E onde ela está?"

"Infelizmente, não sei." esta frase fez todos olharem para o youkai como se ele fosse um tapado total.

"Baka! Ainda vamos ter de procurá-la? Mas quem é ela afinal?"

"Parece que ela tem alguma relação com seu amigo. A única coisa que sei é que ela está no Ningenkai, não sei exatamente onde." dizendo isto, fez uma mesura e se retirou.

"Ligação com o baixinho? Que tipo de ligação?" perguntou Kuwabara com uma cara maliciosa.

"Nunca ouvi qualquer coisa a esse respeito. Hiei e uma ningen... não bate." falou Kurama, balançando a cabeça, mal conseguindo segurar o riso. "Estou vendo que o melhor que fazemos é voltar para o Ningenkai e procurar esta garota."

"Vai ser difícil. Como vamos fazer isto se não sabemos seu nome, nem mesmo temos uma descrição dela?" perguntou Masato.

A isto, porém, ninguém soube responder.

Quem quer que estivesse observando os galhos mais altos das árvores do Jardim Imperial do Reikai veria apenas uma sombra negra passando rapidamente entre eles. Detesto ter de fazer isso. Mas parece não ter outro jeito. No estado em que estou, nunca poderei fazer alguma coisa. A decisão já estava tomada. Seu irmão era a única pessoa que tinha o poder de fazê-la pensar nessa possibilidade. Aquele ingrato. Por que ainda tento ajudá-lo? Mas já sabia a resposta. Apesar de todas as ofensas, ela o amava; afinal, já não havia corrido risco de vida para salvá-lo quando ainda era um bebê?

Koenma foi avisado da presença de uma jovem, que insistia em vê-lo. Franziu o cenho. Quem seria? Estava com um monte de trabalho acumulado e parar por um minuto que fosse faria acumular mais uma pilha enorme de papéis para assinar. Soltou um suspiro. Por outro lado, seria um alívio parar por alguns segundos. Ordenou para que a deixassem entrar.

Hiryu entrou, parando bem em frente a mesa de Koenma. Assim que ergueu os olhos para ela, o pequeno os arregalou, levantando-se abruptamente da cadeira.

"Co-como? O que você está fazendo aqui?" a esta altura, o sangue de Enma Jr começou a ferver. "Como ousa penetrar no Reikai?"

"Acredite, se pudesse não o teria feito. Acontece que eu... eu..." Hiryu fechou os olhos e cerrou os punhos, respirando fundo. Fale, você tem que falar! "Koenma-sama, preciso de sua ajuda."

O rosto de Koenma expressou vários sentimentos ao mesmo tempo: dúvida, raiva, negação, terminando finalmente em um rosto confuso. Ela tinha dito realmente que precisava da ajuda dele? Inconscientemente, começou a rolar sua chupeta de um canto a outro de sua boca, hábito seu quando nervoso. Por fim, articulou algo. "Ajuda para o quê?"

Com uma expressão de má vontade no rosto, por ter de explicar tudo, Hiryu iniciou a história. "Meu irmão está num grande problema..."

Tudo errado. Está dando tudo errado. Eu sabia que ele viria, aqueles pressentimentos eram fortes demais para serem deixados para trás. Tinha de admitir que subsestimara seu rival. E agora estava aqui, amarrado e enjaulado, com um estranho youki impedindoque usasse seu Ensatsu Kokuryuha.

Hiei olhou pela milésima vez para a sala onde a jaula que o continha estava localizada. Não conseguia escapar e ainda por cima, a sensação de estar sendo vigiado o invadia. O que lhe causava mais espanto era nunca aparecer nenhum guarda para vigiá-lo. Estava sentindo sua mente enlouquecer. O primeiro sinal disto era voltar a pensar nela depois de tanto tempo. Há duas décadas que a havia banido de sua vida, de sua mente, de suas memórias. Irritante, era única palavra que vinha a sua cabeça para descrevê-la. Pare de pensar nela, idiota, você já tem problemas demais.

Mais uma vez o youkai do fogo tentou usar seu Kokuryuha para se libertar. Ele sentiu as chamas frias percorrerem seu braço direito, culminando na sua mão; quando acumulou o que achava ser suficiente desta vez, liberou-as... Para mais uma vez sentir seu poder preso. Aquele desgraçado com certeza colocou algo nas amarras. Hiei não conseguiu pensar em mais nada, desmaiando no sono profundo que seu dragão provocava. Pouco tempo depois de adormecido, um nome escapou-lhe dos lábios, sussurrado tão fracamente que se tornava inaudível. "Hiryu..."

Akane subiu pelo elevador até o sexto andar. Estava nervosa porque iria conhecê-los. As portas de metal se abriram. A garota saiu logo daquele transporte, nunca gostara de utilizá-lo. Encaminhava-se para a porta do apartamento quando ouviu uma voz... Uma voz familiar.. O que ela estava dizendo? Era muito fraca... Como um trovão, o nome ecoou por toda a sua mente... Hiriyu...


xx março 2004
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