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Um Elo Com o Passado
por Rechan
Capítulo 5 - Traição
"Mas você está louca, garota? Você não
pode ir com a gente!" gritou Kuwabara atrás dela, momentâneamente
esquecido de Yukina. Akane virou a cabeça em sua direção. "Por
que não?"
"Você, você é uma mulher! E não sabe
se defender," começou Kuwabara, fazendo sua pose de herói.
Akane deu um meio sorriso e voltou a olhar para Yusuke. "Bem,
estou indo de um jeito ou de outro. Se não querem minha companhia,
a escolha é de vocês."
Urameshi se pôs de frente a ela, olhando-a nos olhos. "O
que você está escondendo de nós?"
"Nada. Pelo jeito vocês estão curiosos para saber
como conheço Hiei ou qualquer coisa assim. Bem, isso é meu
problema, não de vocês. temos um interesse em comum
agora, mas isso não quer dizer que tenho que contar minha
vida para vocês, ne?"
Kurama se manifestou pela primeira vez. "Se é capaz
de se defender, pode vir conosco. Yusuke, ela conhece o território.
será melhor a seguirmos do que a um mapa."
"Talvez você tenha razão..."
"Ora, vamos, Hiei. Já está assim tão cansado?
Levante-se. Me disseram que você havia se tornado um classe
S. Mas como pode ser se até agora não me atingiu com
seu kokuryuha?"
"Desgraçado," a voz de Hiei estava sonolenta.
"O quê? Vai dormir? Não é possível!
Usou seu dragão apenas duas vezes. E deixe-me lembrá-lo
que os contive." Obaki observava o pequeno corpo de Hiei vacilar,
enquanto tentava se manter de pé e acordado.
"Pa-pare de me e-encher!" as palavras do koorime estavam
ficando enroladas. Não consigo mais dominar o sono. Sei que
ele não vai me matar, pois já teve muitas chances para
isso. Droga!
"Estou realmente desgostoso. Esse garoto não agüenta
nada. Aquelas duas malditas estragaram você." disse Obaki,
enquanto via o corpo de Hiei desabar no chão. Bem, uma delas
está morta. Mas a outra... É melhor que ela prepare
o funeral. O youkai foi até a porta e acenou para um dos seus
criados para levarem Hiei. Vou transformá-lo num verdadeiro
guerreiro. Um como você nunca sonhou ser antes. Estava se dirigindo
aos seus aposentos, quando um youkai o alcançou.
"Senhor! Obaki-sama!" Obaki parou. "Chegaram notícias
ontem a noite, senhor. Um grupo está vindo para o Makai para
resgatar o prisioneiro."
"Ontem a noite? E só agora me dissem?" o servo
começou a se intimidar.
"O-o-o-o se-senhor pediu pa-para não ser incomodado
enquanto estivesse na sala de treinamento, e ficou a noite inteira."
"Sim. Está bem. Mande alguém procurar nosso informante.
Até hoje a noite eu quero saber direito quem são eles,
qual seu poder e se têm a mínima possibilidade de acharem
este lugar e atravessá-lo."
"Sim, senhor!" o youkai saiu correndo, aliviado por ter
escapado da morte.
Obaki continuou até seus aposentos. O lugar era mais um escavado
em rocha, contendo uma cama enorme, um baú com alguns pertences
e uma espécie de lareira que mantinha o lugar aquecido. Havia
uma grande cadeira, de madeira, de frente para a lareira. O demônio
de fogo sentou-se nela. Ele é teimoso. Parece muito mesmo
com a mãe... Obaki fechou seus olhos, deixando sua mente viajar,
enquanto revia cenas ocorridas há quarenta e três anos...
<Memórias de Obaki>
"Estou grávida," a voz suave de uma mulher de cabelos
esverdeados foi ouvida no quarto, quebrando o silêncio. Hina
ergueu o rosto do peito do youkai, querendo ver sua reação.
Ele olhara para ela; e o que ela percebera naquele olhar a deixara
assustada. Triunfo. Obaki se sentia triunfante por ela estar esperando
um bebê dele?
Um sorriso se abriu no rosto do youkai, enquanto ele se sentava
na cama. "Ótimo. Você vai ficar aqui até o
bebê nascer..." e então ele saíra da cama,
pegara suas roupas no chão e começara a se vestir.
Hina o observava chocada.
"Não! Não posso ficar aqui. Você sabe disso,
se ficar, as koorimes irão me expulsar." Hina gritou.
"E daí? se ficar, não será pior? A lei
de seu povo não diz que você e a criança devem
ser mortas? Não quero meu filho morto ao nascer. Tenho planos
para ele e não será nenhuma koorime que me impedirá de
concretizá-los!" Obaki a olhava fixadamente, falando
num tom de voz que não permitia questionamentos. Hina compreendera
isso, assim como o fato que o único interesse dele sobre ela,
durante todo aquele tempo, havia sido puramente pela possibilidade
de que ela lhe desse um filho. Ela ficara ali, no seu covil por apenas
três dias. Então fugira, levando consigo a filha dele.
Provavelmente para a terra das koorimes, mas não havia como
ele descobrir onde ela se localizava.
<Fim das Memórias>
Obaki abriu seus olhos e fixou seu olhar nas chamas que dançavam
a sua frente. Aquela puta do gelo! Ele fechou seu punho direito.
Chamas negras começaram a queimar nele.
"Mas esse lugar é mesmo muito estranho. Nem mesmo tem
um sol. Kurama, de onde vem a luz do dia?" perguntou Kuwabara,
enquanto observava o céu do Makai, colocando uma de suas mãos
acima dos olhos, protegendo-os da luz.
"Sinceramente, Kuwabara-kun, não tenho a mínima
idéia." respondeu, passando a observar o céu também.
Os cinco haviam parado um pouco para descansar. Caminhavam há duas
horas ininterruptas. Yusuke e Masato bebiam água em uma pequena
lagoa. Akane sentara sob uma árvore e ficara observando os
quatro. Já começava a formar uma opinião sobre
eles. Na verdade, estava mudando a opinião que tivera na primeira
vez em que os vira. Miyaki Masato, novo detetive do Reikai. Muito
jovem, presunçoso, acostumado a ter todas as suas vontades
realizadas. Não gostara dele. Logo, logo, ele iria se dar
muito mal. Urameshi Yusuke, antigo detetive do Reikai, cabeça
de vento, mas um grande talento. Claro, o fato de ser descendente
de um dos youkais mais poderosos do Makai o fazia ser bem recomendado.
Akane desviou seu olhar para o grandalhão do Kuwabara Kazuma,
que não parava de fazer perguntas sobre o Makai a Kurama.
Kuwabara era um humano com um potencial bem latente. Soltou uma risadinha.
Desajeitado e estúpido seriam palavras perfeitas para descrevê-lo.
Sentiu um olhar fixo nela e virou-se para procurá-lo. Kurama.
Os dois ficaram medindo olhares por alguns segundos. Akane podia
sentir o olhar dele querendo entrar dentro dela, saber o que ela
não queria contar aqueles olhos de esmeralda sobre ela a incomodavam.
desviu o olhar enquanto se punha de pé. "É melhor
continuarmos," Todos concordaram.
Kurama estava indeciso quanto ao que fazer. Pela primeira vez em
sua vida, uma mulher o deixava indeciso. Ele não sabia como
agir com ela, com medo de simplesmente a afastar para sempre. Mas
também, ele nunca amara uma mulher o quanto ele estava descobrindo
ser capaz agora. E tudo isso por que ele estava deixando de lado
Hiei. O youko não tinha nem mesmo a menor idéia do
relacionamento entre ele e Akane, mas tudo indicava um romance. Não
havia como ser de outro jeito. E antes de mais nada, ele era o melhor
amigo de Hiei. Como ele poderia pensar em fazer isso com ele? O youko
pôs esse pensamento de lado. A necessidade que ele sentia a
respeito daquela mulher sobrepujava tudo. Não estou me reconhecendo.
Que maldito feitiço ela lançou sobre mim? Parecia a
ele que tinha retornado a sua antiga personalidade. Shuuichi Minamino
era calmo e discreto, faltava-lhe o toque de luxúria e sedução
que youko Kurama tinha desenvolvido. Novamente, a determinação
de fazer Akane Murizashi sua tomou conta de seu coração
e mente.
Kazuma Kuwabara retirou a jaqueta que estivera vestindo. O Makai
estava muito quente, a temperatura devia estar por volta de 45 graus.
Ele olhou para Kurama, que caminhava a uns dois passos a sua frente.
Yusuke andara comentando com ele a respeito do jeito que Kurama agia
e olhava para a garota de Hiei. Ele havia reparado nisso. Mas como é que
Kurama fazia isso com seu melhor amigo? Aproveitando-se de quando
ele estava em problemas para dar em cima da garota. Se bem que...
Nunca o vi agir assim com uma mulher. Sempre foi respeitoso, gentil,
cavalheiro, mas nunca com nenhum interesse real em nenhuma. O ningen
desviou sua atenção para Akane, que caminhava ao lado
de masato, ainda carregando aquele embrulho. Ela era realmente muito
bonita. Aquele tampinha tinha escolhido muito bem... Aliás,
comoserá que ele tinha convencido uma garota daquelas a se
tornar sua amante? Ele era arrogante demais e detestava ningens o
suficiente para não se envolver com eles. Era fácil
perceber porque Kurama estava daquele jeito. Mas havia nela algo
que ele não sabia dizer, nem compreender, e que fazia com
que ele desconfiasse dela. Ounch! Esse lugar está mesmo muito
quente, pensou enquanto passava as costas de suas mãos sobre
a testa.
"Ainda falta muito?" Masato perguntou a Akane. A garota
apenas fez um aceno negativo com a cabeça. "Amanhã.
Amanhã chegaremos lá."
[Um pequeno garoto, de cabelos negros espetados estava sentado num
galho de uma árvore. Vestia-se completamente de preto, desde
a camisa sem mangas, às botas. o pescoço era adornado
por uma jóia dependurada. Uma espada, maior do que ele, estava
embainhada à suas costas. Em cada tornozelo estava atado uma
bola de ferro. Sentada no chão, reclinada sobre a mesma árvore,
estava uma garota de cabelos castanhos. Usava calças e botas
pretas, uma blusa branca sem mangas sob uma espécie de colete
azul. De seu pescoço pendia uma jóia branca, presa
numa tira de couro. Em seu colo, descansava uma katana na bainha,
com uma fita azul amarrada na empunhadura. Seus olhos estavam fechados
e continuaram assim quando ela falou:
"E então? Vai ficar aí o dia inteiro?"
"Você espera mesmo que eu me mova com a mesma velocidade?
Isso é absurdo!" respondeu o garoto demonstrando raiva.
"Ora, então você está confessando que não é capaz
de fazer alguma coisa, Hiei?" a garota abriu os olhos e olhou
para o youkai. Ela sorria cinica e sarcasticamente. As sombrancelhas
de Hiei se uniram. Ele apertou os dente e deixou-se cair do galho,
enquanto desembainhava a espada. Apontou-a para a garota. "Vamos!"
Num instante, a cena mudou. Agora era noite, numa planície
o Makai, a mesma garota enfaixando o peito ferido de Hiei "Você devia
aprender a não ser tão impulsivo. Se alguém
lhe provoca um pouco, você já parte pra cima, não
pára para pensar na força do inimigo," ela lhe
dizia. Sua resposta havia sido um revirar de olhos, acompanhado de
um 'Hn.']
Obaki tentou penetrar mais profundamente na mente de Hiei, mas graças
ao jagan do koorime, ele conseguia avançar muito. Uma enorme
e densa muralha de névoas se formara a sua frente repentinamente.
Incrível! Mesmo dormindo, num sono profundo, o garoto consegue
se manter na defensiva, pensou. A névoa a sua frente parecia
estar em turbulência. Ora se adensava, ora rareava. Num destes
momentos de fraqueza, quando a nuvem cinza se tornou rala, Obaki
pôde ver mais uma cena.
[Um youkai de aparência reptiliana. De repente, a cena se
mostrou em completo, permitindo observar o interior de uma das tavernas
do Makai. Uma bela jovem de cabelos castanhos, com seu braço
direito emfaixado estava sentado numa das mesas. O youkai se aproximou
dela e a puxou de encontro ao corpo dele, enquanto ele ria sonoramente.
As mãos dele começaram a pecorrer o corpo feminino.
Os outros clientes da taverna estavam indiferentes aos dois. alguns
de vez em quando os observavam por alguns segundos, pensando porque
não tinham se aproximado da garota antes. O youkai agarrou
o colete da garota e preparava-se para rasgá-lo quando sua
mào separou-se do corpo, ficando presa a roupa dela. O rosto
da garota, até então impassível, iluminou-se
com um sorriso malicioso. O youkai olhou para ela, horrorizado e
confuso. Ela não podia ter feito aquilo, ele a segurara forte
e a espada dela estava continuava sobre a mesa. Ele olhou em redor
e descobriu um pequeno youkai, vestido de preto a alguns passos dos
dois. Na mão direita, uma katana gotejando sangue. O youkai
abriu a boca e xingou algo não audível, e então
correu na direção da figura negra. Num segundo, o youkai
reptiliano não era mais do que um punhado de carne espalhado
pelo chão, cada parte de seu corpo cuidadosamente separada.]
A névoa adensou-se novamente, impedindo Obaki de observar
mais uma vez. O youkai do fogo tentou focar seu youki no seu jagan,
procurando precustar mais a mente de Hiei. Ele sentia sua consciência
fluir mais e mais nas densas brumas que protegiam as memórias
do koorime. em um determinado ponto, Obaki sentiu o que parecia serem
lembranças recentes e se encaminhou para a direção
da qual pareciam estar. Foi como cair no vazio. De repente, ao seu
redor existiam espelhos, e cada um deles lhe mostrava uma cena, um
pedaço de vida.
[Hiei numa rua do Ningenkai à noite, atacando um garoto humano,
de cabelos castanho-avermelhados, que procurava se defender com um
chicote, uma humana os observava assustada, ajoelhada no chão...]
[Hiei lutando contra um youkai do gelo, enquanto três rapazes
observavam...]
[Hiei numa arena, despejando chamas negras sobre um youkai loiro...]
[Hiei conversando com Mukuro...]
[O rosto triste de uma garota de cabelos esverdeados...]
[Os rostos de três rapazes rindo, um de cabelos negros penteados
cuidadosamente para trás, outro de longos cabelos castanhos
e o terceiro de cabelos castanho-claro, muito feio...]
[Novamente o rosto da garota de cabelos esverdeados...]
Obaki ouviu um grito, e no segundo seguinte sua consciência
desligou-se da mente de Hiei. O youkai mais velho abriu seus olhos
lentamente. Hiei estava deitado numa cama muito grande para ele,
o rosto demonstrando desagrado, mas parecendo se acalmar a medida
que Obaki quebrava o elo. Obaki se levantou da cadeira onde estivera
sentado e começou a vagar pelo quarto. Hiei havia passado
muito tempo no Ningenkai, na companhia de ningens... Será que
ele havia sido idiota o bastante para se deixar levar pelos sentimentos
deles? Por aqueles estúpidos sentimentos que os humanos tanto
prezavam? Hiei havia servido ao Reikai, como? Como um youkai podia
se prestar a isso? Ele tinha de admitir que aquilo o deixara chocado
quando soubera. O garoto provara ser muito independente e indidualista.
Com certeza ele conseguiria fazer com ele os esquecessem sem muito
esforço. Assim que ele visse o poder que ele estava disposto
a colocar em suas mãos... Sim, ele, Obaki, iria realizar seu
sonho de ter um poderoso guerreiro que comandasse o fogo e o gelo!
A noite chegara no Makai, mas nem por isso o calor diminuíra.
Sentados em círculo, cada um tentava, a seu modo, refrescar-se.
Kuwabara já estava de peito nu, e mesmo assim, gotas de suor
afloravam de sua pele. masato, sentado ao seu lado esquerdo, permanecia
calado, apenas observando e ouvindo, o suor ensopando suas roupas,
mas nào fazendo nenhum movimento para refrescar-se. A esquerda
do jovem ningen estava Kurama, que havia desabotoado alguns botões
da camisa que usava e chegara a prender os cabelos num rabo de cavalo.
Ele estava falante e alegre como sempre, conversando com Yusuke e
Kuwabara, de vez em quando observando Akane pelos cantos dos olhos
e tentando fazê-la entrar na conversa. A garota sentara ao
seu lado quieta. Havia feito uma trança com seu cabelo e desabotoado
dois botões do seu colete, de modo que, se fizesse um determinado
movimento, parte de seus seios ficaria visível. Na verdade,
não sentia o calor, pelo não o calor que os outros
estavam sentindo. Já estava se arrependendo do impulso que
a fizera sentar-se ao lado do youko, que não parava de observá-la
e tentar fazê-la abrir a boca a todo custo. Ela não
respondia a nenhuma de suas perguntas, tentando desincentivá-lo,
mas ele parecia não notar isso. Ao seu lado, Yusuke estava
segurando uma gargalhada enquanto conversava com Kurama e Kuwabara.
Ele também estava sem camisa, o suor escorrendo pelo seu corpo,
mas ele se esquecera completamente disso ante a visão - para
ele divertida - que tinha a seu lado. A cada nova olhada da raposa
para a acompanhante deles, que ele achava que ninguém havia
reparado, um sorriso se formava na face de Urameshi. Ele nunca o
vira assim. Kurama parecia estar realmente interessado em Akane.
Aliás, *muito* interessado. Parecia até que tinha esquecido
que eles estavam ali para salvar o melhor amigo dele, e ao que tudo
indicava, namorado de Akane. É, essa parecia ser a resposta
mais plausível. Hiei nunca gostara de humanos e sempre fizera
questão de enfatizar isto. Kurama tinha lhe dito uma vez que
Hiei o tratava melhor que a Kuwabara por respeito. O fato de tê-lo
derrotado uma vez havia conquistado a sua confiança. Já faz
tanto tempo... Foi como um sonho se formando e quando tudo acabou,
nós acordamos... e nos separamos. Aguente firme, Hiei. Nós
vamos tirá-lo das mãos desse tal de Obaki e voltaremos
para o Ningenkai. E quer você queira ou não, vamos dar
uma festa e você vai estar presente.
"... o cara deixou Kurama todo preso, ele não podia
mover um pé ou braço. Aí ele avançou
para cima do Kurama e de repente só o vimos caído no
chão, cheio de cortes, o sangue saindo por todos os lados.
Kurama usou os cabelos para manipular o Rose Whip e acabou com ele!" Kuwabara
falou, tentando fazer com que Akane se impressionasse com o poder
do kitsune. Kurama sentia uma vontade momentânea de estrangular
o companheiro, que estava atrapalhando-o de chamar a atenção
dela por outros métodos. Para sua surpresa, a garota falou
pela primeira vez desde que pararam para descansar.
"Pelo menos alguém aqui usa um pouco o cérebro.
Isso me deixa mais tranqüila. Acho melhor dormimos. Eu vou ficar
de guarda," a voz dela estava seca, sem nenhuma emoção.
"Não. Pode deixar que eu fico primeiro. Estar neste
mundo não me agrada nem um pouco, por isso acho que não
vou conseguir dormir." disse masato. Akane deu a ele um olhar
malicioso enquanto dizia: "Como quiser..."
Merda! pensou Kurama. A possibilidade de passar a noite de vigia
com ela acabara de escoar pelos seus dedos.
"Kurama! será que você não tem nenhuma
semente para uma planta-travesseiro ou qualquer coisa assim? Eu não
consigo dormir sem travesseiro!" gemeu Kuwabara.
"Tenho, mas você provavelmente acordaria sem sua cabeça.
Por que você não usa sua jaqueta como travesseiro, Kuwabara-kun?" falou
Kurama e então suspirou enquanto olhava na direção
de Akane. A garota havia se afastado, sentado inclinada numa árvore
já parecendo pronta para dormir. A raposa suspirou de novo.
Definitivamente nào ia ser fácil chegar perto dela.
Kurama deitou-se no chão, e tentou adormecer.
Kurama abriu os olhos de uma vez só. Tinha certeza de ter
ouvido o som de metal. Aguardou alguns instantes, imóvel,
mas o barulho nãose repetiu. Pensou em continuar a dormir,
já que estava realmente cansado e o calor daquela área
do Makai era quase insuportável. Mas a experiência de
séculos como ladrão e seus instintos lhe diziam para
conferir. Sentou-se nolugar onde estava deitado, os cabelos soltos
caindo um pouco desalinhados sobre as costas. Olhou em redor, procurando
acostumar sua visão com a escuridão. Não houve
uma melhora significativa, então pegou uma das sementes que
mantinha atadas aos fios de seu cabelo castanho. Concentrando umpouco
de seu youki para ela, logo uma tulipa luminosa apareceu em sua mão.
Kurama se levantou e dirigiu a luz da planta ao seu redor. Viu Kuwabara
e Yusuke deitados próximos um do outro, o primeiro todo esparramado
no chão, e o segundo, roncando numa altura considerável.
O youko não sabia como tinha conseguido dormir. Mudou o brilho
de direção, para onde Masato deveria estar. Por que
ele não reclamou até agora da luz? pensou Kurama, somente
para descobrir que o garoto não se encontrava nos arredores.
Franziu o cenho. Procurou então por Akane. Nada também!
Mas onde os dois haviam se metido? Será que algum youkai havia
se aproximado e os dois estavam repelindo-o? Ou os dois... De repente
o sorriso malicioso de Akane antes de dormir passou como um raio
pela sua cabeça. Rapidamente Kurama murchou sua tulipa e procurou
se concentrar para localizar o reiki do ningen. Após alguns
minutos, Kurama sentiu uma emanação de energia vindo
detrás de si. Naquela direção. Era para lá que
Masato havia ido. Começou a caminhar para lá, procurando
não fazer barulho, enquanto uma pontada de arrependimento
o aflingia por ter deixado Yusuke e Kuwabara dormindo, desprotegidos.
Parou por um momento, pensando em voltar e ficar de guarda, flagrando-os
quando voltassem, porém um youki chegou até ele. Havia
um youki próximo ao reiki de Masato. Por um motivo que não
sabia explicar, Kurama tinha certeza que aquele ki não era
de Akane.
Kurama continuou seguindo o rastro de energia. Após dois
minutos de caminhada furtiva, Kurama se descobriu detrás de
uma árvore, entre muitas outras que rodeavam uma clareira.
Nela, Masato e um estranho youkai, parecendo humano, com estranhas
orelhas pontudas, de formato humano (na verdade, com o dobro do tamanho
humano). Com relação a Akane, a raposa não conseguia
vê-la ou sentir sua presença em lugar nenhum ali. Porém,
Kurama não estava preocupado com ela agora. O que tinha chamado
sua atenção e
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ra o comportamento de Masato. Ele e aquele
youkai estavam... conversando?!? Apesar dele não ser mais
uma raposa já a algum tempo, Kurama ainda possuia os seus
sentidos, então melhorou sua audição para ouvir
o que eles diziam.
"Mas quem é essa garota de que está falando?" disse
o youkai.
"Já te disse antes. Eu não sei. Koenma mandou
uma mensagem dizendo que ela poderia nos ajudar a encontrar Hiei.
Ela parece ser sua amante, ou qualquer coisa assim,"
"Não sabe que seu trabalho é coletar informações?
Como vou dizer para o meu chefe que há uma vadia no seu grupo,
mas você *não* sabe quem é?"
"Não estou nem aí pra o que você tem que
dizer a ele. Essas são minhas notícias. Agora vá.
Perdi muito tempo com você e eu *deveria* estar com eles, protegendo-os," Masato
fez um gesto aleatório, indicando ao outro para se ir.
"Proteção... Se eles soubessem que você está fudendo
eles..." o youkai tinha começado a rir, assim como Masato,
quando sua cabeça rolou para o chão. Masato olhou para
ela e piscou, então seu rosto mostrou uma expressão
alarmada. Como? Quem? Ele não viu o que aconteceu até que
a cabeça do youkai estar caindo. Ele não sentiu a presença
de ninguém ali. Só neste momento, Masato sentiu um
youki suave vindo detrás de si. Ele se voltou. Kurama estava
ali, cinco metros entre eles. O youko tinha uma expressão
zangada no seu rosto. Seu chicote estava em suas mãos.
"Então, você é um traidor," a voz
de Kurama estava calma e baixa, não combinando com a expressão
de seu rosto.
Masato somente sorriu em falso. Seus olhos se tornaram frios. "E
o que você vai fazer? Me matar? Acho que não. Não
tem provas contra mim e é um youkai. Não pode me matar
mesmo se tiver uma boa razão,"
"Não preciso te matar," ante essas palavras, cipós
das árvores próximas correram na direção
de Masato e antes que ele pudesse fazer algo, eles o prenderam.
"Sua raposa fudida. Como ousa? Acha que pode me prender deste
jeito?"
"Já está feito. Agora, você vai me dizer
por que fez isto. Pensei que não gostasse de youkais. Por
que está ajudando Obaki?" Kurama aproximou-se dele.
"Foda-se."
"É uma resposta errada. Apenas me diga por que quer
proteger Obaki?" Kurama tinha transformado seu chicote em uma
rosa vermelha de novo e estava bricando com ela.
"Não estou protegendo ninguém. O que você acha
que sabe sobre o mundo humano, Kurama? Não sabe nada!" a
voz de Masato mudou o tom, agora meio zangada, meio triste.
"Do que está falando? Você foi ameaçado?" Kurama
olhou para baixo, para o rosto de Masato. "Por que diabos você está ajudando
Obaki?"
"Dinheiro. É a resposta. Quando me tornei um tantei,
minha família e eu não tinhamos dineheiro para viver.
pensei que Koenma nos ajudaria com isso, mas ele nunca demonstrou
sequer uma intenção de fazê-lo. Porém
ainda assim trabalhava para ele, esperando que um dia a ajuda viria.
Então conheci um youkai. Ele me fez uma proposta. Se desse
a ele todas as informações que pudesse obter sobre
o antigo time tantei do Reikai, ele me pagaria com dinheiro sufciente
para minha família viver melhor do que antes. Então
segui tudo que podia sobre vocês. Num certo ponto Obaki ficou
mais interessado em Hiei. É tudo que sei. Agora me tire dessas
plantas fudidas!"
"Entendo. Mas você por acaso pensou que Obaki o mataria
depois de conseguir o que queria? Você é só um
garoto ningen tolo, Masto, não sabe como a mente youkai fuciona.
Se não te encontrasse aqui, amanhã de manhã todos
estariam mortos," Kurama sussurrou, enquanto tirava outra semente
de seu cabelo.
"O-o que está fa-fazendo? Vai me matar? Não pode!" a
voice do garoto estava assustada.
"Só engula isso. Não vai lhe matar," Kurama
empurrou a semente contra os lábios do rapaz. após
alguma luta, masato a enguliu. Momentos depois, estava adormecido.
Kurama ficou ali, olhando para o corpo deitado de Masato. De repente,
ouviu barulho de passos à sua esquerda. Quando ergueu os olhos,
viu Akane. Ela olhou para o corpo adormecido de Masato, então
para ele. Seu rosto não tinha nenhuma expressão óbvia,
enquanto caminha na direção dele. Quando estava a poucos
passos dele, parou e falou:
"Finalmente, alguém desmascarou este bastardo. Pensei
que vocês nunca fariam isso."
"Sabia sobre a traição dele? Como?" Kurama
levantou uma sobrancelha, surpreso.
"Sim. Às vezes *vejo* coisas que ninguém mais
pode," ela começou a se dirigir para o acampamento.
"Espere," pediu o meio-youko. Vendo que ela não
pararia, Kurama correu na direção dela, parando a alguns
passos. Kurama olhou intensamente dentro dos olhos âmbar dela
e pergutou, sua voz uma pouco mais suave do que ele queria. "Por
que me evita?"
"Não sei do que está falando," ela respondeu
e tentou caminhar novamente, porém o kitsune a parou.
"Sim, você sabe," respondeu Kurama. "Está sempre
me evitando. Lembra de quando nos encontramos algumas noites atrás?
Você agiu como se eu fosse tentar matá-la."
"Você fala demais. E também muito curioso, sabe?
Saia do meu caminho. Agora." Akane tentou novamente escapar
dele, mas Kurama a segurou pelo braço.
"Você é cabeça dura, sabia?" sussurrou
ele. Então a raposa a puxou, inclinado a cabeça e pressionando
seus lábios contra os dela.
Os olhos de Akane se arregalaram e os manteve abertos, calmamente,
esperando que ele parasse. Lentamente, Kurama parou o beijo e abriu
os olhos, olhando para ela, ficando frustado quando viu seus olhos
abertos num rosto vazio.
"Por que me evita?" perguntou Kurama de novo, num tom
baixo e rouco. Sua indiferença o machucava, fazendo ficar
louco de raiva. Aqueles olhos, ele simplesmente queria mergulhar
dentro deles profundamente.
"Você é muito insistente... hmmmm..." Kurama
a tinha puxado de novo, aproveitando-se de quando ela abriu a boca,
introduzindo sua língua dentro. Akane não conseguiu
controlar-se desta vez, e todas as suas frias defesas se romperam.
Lentamente, seus olhos foram fechando e sua respiração
acelerando.
Kurama moveu sua língua dentro da boca dela, tentando fazê-la
entender como ele se sentia. De repente ele sentiu Akane relaxar
e decidiu aprofundar o beijo. O youko prateado passou seus braços
ao redor da cintura da garota. Por um momento, não houve reação
de Akane. Ela não moveu um único membro. Kurama exultou-se
quando sentiu a lígua dela respondendo seu toque. Mas o beijo
não durou muito. Akane parou-o, empurrando Kurama. Ambos ficaram
se olhando. Então Akane se dirigiu para o acampamento, enquanto
falava: "Acho que já teve tudo que queria,"
Kurama apenas a seguiu, o silêncio atingindo tudo. A raposa
apenas sorriu. Não, isso não é tudo que quero.
Não é o bastante. Mas eusei esperar. Quando alcançaram
o acampamento, encontraram Yusuke e Kuwabara ainda adormecidos. Kurama
colocou Masato no chão. então ele sentou próximo
a Akane. "Não acha que está na hora de sermos
honestos um com o outro?" ele disse.
Akane não disse nada, apenas manteve seus olhos numa árvore
próxima.
"Vamos, Akane-chan. O que tem pra esconder? Que tipo de relação
há entre você e Hiei?"
"Hn." Akane disse. Ela não prestou atenção
nele. Lembranças dos últimos minutos naquela clareira
estavam voltando; ela podia sentir seu corpo estremecer em vista
deste pensamento. Não entendo. Por que? Por que eu tremo por
dentro só de pensar em seu toque? Por que meu coração
parece explodir de alegria quando estou próxima a ele? pensou
ela, enquanto deitava.
Kurama estava olhando para aquela estranha garota, que parecia estr
a milhas de distância dali. Seu rosto agora estva suave e ele
ficou pensando na pergunta não respondida. Deuses, ele não
podia obrigá-la a decidir agora. Hiei estava preso e seus
sentimentos estavam provavelmente em turbilhão. Porém
Kurama podia sentir uma força nela que era capaz de superar
tudo; mas ao mesmo tempo havia uma grito vindo de dentro dela, pedindo
ajuda. Ajuda para o quê? Kurama não sabia. Enquanto
ele via o corpo deitado de Akane um desejo de beijar seus lábios
novamente passou pela sua mente. Lentamente, Kurama inclinou-se,
olhos fechando, seus lábios procurando pelos dela. Eles se
encontraram por apenas alguns segundos antes de Akane empurrá-lo
para longe dela, sentando de novo.
"Que diabos está fazendo?" ela perguntou, meio
gritando, com a respiração rápida.
Meio chocado com a reação dela, a raposa respondeu. "Estava
beijando você. Pensei que tivesse gostado, já que me
beijou na clareira. Simplesmente não consigo entender porque
está reagindo assim,"
"Beijei você porque achei que era o único jeito
de fazer você me deixar em paz. Acho que estava errada. Não
ouse me beijar mais, você me ouviu? Nunca mais!" temendo
que ele sentisse sua mentira, Akane mudou sua voz para um tom zangado,
mas mesmo assim, soou falso.
"Tudo bem. Como quiser," respondeu Kurama após
um suspiro. Aquela reação o machucara. Tudo que ele
queria era amor. Ele nunca precisara do amor de ninguém. Era
a primeira vez que ele não tinha algo que ele queria. Não
era de seu temperamento desistir tão facilmente, mas ele não
podia ver como fazê-la ceder. Ah, bem, e Hiei. Hiei nunca me
perdoará por tentar transformar sua amante em minha.
Akane observou Kurama depois dela evitá-lo. Baka, ela pensou.
Porém uma voz dentro dela ficava dizendo: *Mas você gosta
de sua tolice, não?*
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