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Um Elo Com o Passado
por Rechan
Capítulo 6 - Então Está Perdido
"Grrr. Não posso acreditar que aquele desgraçado
nos enganou. Quando eu puser minhas mãos nele, ele não
vai ter um coração para bater!" resmungou Kuwabara,
ainda reclamando porque Kurama não o acordara para derrotar
Masato.
"Você quer dizer que ele enganou *vocês*. Nunca
confiei nele," disse Yusuke, também furioso.
Bem cedo, quando os rapazes acordaram, encontraram Botan e dois
soldados do Esquadrão Especial do Reikai, detendo um Masato
preso. Kurama estava conversando com eles enquanto Akane estava sentada
num galho.
"Acho que Masato e Hiei podiam ser parentes. Ambos são
mentirosos, vira-casacas, arrogantes e mais coisas assim," resmungou
Kuwabara.
"Não exagere, Kuwabara-kun! Eu sei que o humor de Hiei
não é fácil ou engraçado, mas não
pode compará-los," disse Kurama. Ele tinha contado tudo
que acontecera enquanto estavam dormindo, exceto pelos beijos. Akane
e ele não dormiram pelo resto da noite. Ambos ficaram sentados
lado a lado, bocas fechadas. Kurama ainda se sentia magoado pela
recusa de Akane, mas ele atirou esse pensamento longe, pensando em
como eles recuperariam Hiei.
"É. Hiei é mais mentiroso, arrogante e ingrato," replicou
Kuwabara Kazuma.
"Calem a boca vocês dois." falou Akane, fazendo
um gesto que indicava a eles para parar. "Estamos a cerca de
trinta metros do labirinto," ela continuou, apontando seu dedo
indicador para uma montanha a frente deles. "Temos que ser cuidadosos
agora."
Os três homens observaram a alta montanha. O tempo ainda estava
quente, ma uma bruma podia ser vista ao redor do pico. De vez em
quando, eles sentiam ondas de ki, emanando da montanha. Olhando para
os rostos uns dos outros, eles começaram a encaminhar-se para
o covil.
Obaki estava sentado numa cadeira, observando as chamas dançando
na lareira. Do seu lado, um jovem youkai estava ajoelhado, cabeça
baixa. Seu cabelo ruivo brilhava quando a luz do fogo o tocava.
"Então, quais as novidades?" perguntou Obaki num
tom baixo.
"Nosso mensageiro não retornou ainda, senhor," respondeuo
outro, sem temer a expressão ameaçadora se formando
no rosto de Obaki. "Então decidi enviar outro mensageiro
para receber as informações e descobrir o que aconteceu
com o primeiro," ele continuou.
O assassino pareceu acalmar-se um pouco. "E então?"
"Ele encontrou a cabeça do anterior. Foi assassinado.
Então o mensageiro seguiu o time do Reikai. Masato foi detectado
e deve estar em julgamento agora. Ele me disse tudo que precisávamos
saber."
"Bem, eu não preciso mais daquele fraco ningen. Ele
tem sorte, indo vivo para o Reikai. Quem é o grupo?" Obaki
levantou-se, ainda olhando para o fogo.
"É o antigo time tantei do Reikai. Eles estão
em quatro agora. Urameshi Yusuke, filho de Raizen; Youko Kurama,
ex-comandante do exército de Yomi e dois ningens desconhecidos," relatou
o youkai.
"Desconhecidos?"
"Sim senhor. Um homem e uma garota. O nome dele é Kuwabara
Kazuma, acho que ele era um dos tantei, mas a garota, nosso mensageiro
só sabe seu nome. Eles a chamam de Murizashi Akane."
"O antigo time tantei do Reikai..." Obaki laughed aloud. "Será um
grande confronto, não? O que acha de lutar contra eles, Taaro?"
"Não os conheço, somente ouvi falar sobre suas
ações e poderes. Dizem que todos eles alcançaram
a classe S," respondeu Taaro, sua cabeça levantada agora.
"Prepare o labirinto para nossos convidados. Acho que vou conversar
com nosso convidado especial um pouco."
"Onde está a caverna? Não estou vendo nenhuma
caverna por aqui!" gritou Kuwabara.
"Ele está certo. Onde diabos está a caverna,
Akane?" disse Urameshi.
"Tem certeza de que é a montanha onde Obaki vive?" perguntou
Kurama.
"Por que vocês não calam a boca? Estão
sempre reclamando de mim, mas nunca ajudam. Tem uma dúzia
de corpos atrás de nós. Corpos de youkais guardiões,
e tem mais dentro desta maldita montanha," replicou Akane.
Eles levaram alguns minutos para alcançar a montanha e então
youkais pularam dali, atacando-os. O grupo acabou com eles facilmente,
mas quando os rapazes deram uma olhada na montanha, não viram
caverna nenhuma.
"Certo. Se eu supor que é o labirinto, onde está a
entrada?" perguntou Kurama, num tom áspero. O youko ainda
se sentia desapontado, e ele não podia mostrar nenhum bom
humor, estando ainda enraivecido.
"Quinze metros acima," respondeu Akane, olhando para eles
e sorrindo largamente.
"O quê?!?" perguntaram os três homens.
"Nós temos que escalar 15 metros se quisermos alcançar
a entrada. O que vocês esperavam? Uma porta com uma placa escrita
'Sejam Bem Vindos'? Por favor!" replicou Murizashi.
"Não seja irônica," falou Kurama.
"Não sou," disse Akane, enquanto ela começava
a escalar. Yusuke e Kuwabara olharam um para o outro, estando surpresos
pelo estranho comportamento de Kurama. Até ontem, ele era
gentil com ela. Então eles deram de ombros e comçaram
a escalar também.
Tem algo errado com Kurama e Akane; ambos estão mais agressivos
um com o outro hoje, pensou Yusuke enquanto subia. Logo ele jogou
este pensamento de lado e continuou indo para cima.
Quinze metros acima, eles encontraram uma caverna. Vindo de dentro
dela, as ondas de ki eram mais fortes. Um sentimento estranho tocou
todos em frente à entrada do labirinto.
"Aqui estamos," falou Yusuke. "Vamos!"
Eles pisaram dentro da caverna, incapazes de se sentirem confortáveis
lá. O caminho era uma linha direta e dez minutos depois, uma
imensa e maciça porta de metal guardada por dois youkais reptilianos
apareceu no caminho.
"Alto lá!" disse ambos, quase ao mesmo tempo. O
Time Urameshi parou em frente a eles, não muito longe de suas
lanças apontadas. "Quem são vocês?" perguntou
um deles.
"Sou Urameshi Yusuke. Vocês baka já ouviram falar
de mim?" suas sobrancelhas se uniram e seus dentes se apertaram.
Apenas dois estúpidos e fracos youkais. Ele estava simplesmente
cansado disto; onde estava a luta? Desafio? Risco de vida e inimigos
poderosos? Aquilo era o pagamento por ficar mais forte.
Kurama estudou os youkais enquanto Yusuke falava com eles. Eles
eram estranhos. pareciam fracos, mas algo nos seus youki... Yusuke
não pareceu notar. Ele tinha dito seu nome e era óbvio
que uma luta ia acontecer. Kuwabara estava movendo-se lentamente,
tentando chegar uma boa posição. Ele pode ainda notar
Akane sentando-se, inclinada contra uma parede de pedra.
Ambos os youkais olharam um para o outro, sorrindo largamente. "Bem,
acho que vocês não estão perdidos. Encontraram
o que queriam. O Labirinto da Verdade. Mas acho que vocês não
vão entrar..." disse um deles, e pulou apontando sua
lança na direção de Yusuke.
O meio youkai simplesmente sorriu e apontou seu dedo indicador para
o youkai. Ele começou a brilhar e quando estava pronto para
atirar, o youkai pareceu polimorfar, uma nuvem de fumaça cobriu
toda a câmara e o outro youkai que estava atacando Kuwabara
desapareceu.
"Que diabos é isso?" rugiu Urameshi.
"O que está acontecendo? O que está acontecendo?" gritou
Kuwabara.
"Tomem cuidado! Fiquem todos juntos!" berrou Kurama. "Akane?
Onde você está?"
"Pare de gritar nos meus ouvidos, kitsune," replicou ela.
Kurama olhou para seu lado esquerdo, vendo a garota ali. Então
ele alcançou uma rosa que mantinha atada ao seu cabelo. As
brumas estavam se dissipando mais e mais.
"Não gosto deste cheiro." disse Akane. Ela refletiu
se usava seu embrulho.
Um fedor de enxofre começou a soprar pela câmara. Parecia
ficar mais forte a medida que as brumas se desfaziam. Eles puderam
ver uma imensa e estranha silhueta saindo da fumaça. Kurama
foi capaz de ouvir um murmúrio de Akane: "Kuso!"
Uma imensa chama foi lançada na direção de
Urameshi, pegando-o de surpresa. Kuwabara gritou enquanto Urameshi
pulou de lado na hora exata, seu ombro esquerdo queimado. Yusuke
pressionou uma mão ali.
"Kuso," ele suspirou, e então gritou. "Youkais
de fogo, ne? Esse jato de fogo é tudo que tem?"
"Não, youkais de fogo não," retrucou uma
voz profunda, como um rugido. A estranha silhueta pareceu por um
fim às brumas. Uma figura magnífica estava ali, na
frente deles agora. O grupo olhou boquiaberto para o dragão
vermelho parado ali.
"Meu Deus! Não posso acreditar nisso," murmurrou
Kuwabara maravilhado.
"Acho que temos um probleminha agora," disse Akane.
"O quê? Pensei que conhecesse esse lugar," falou
Kurama com ela. Ela simplesmente olhou para ele com descaso e retrucou. "Mudaram
os guardas..."
Escamas vermelhas brilharam como se fossem rubis, quando o dragão
fazia algum movimento. Todos olhavam para ele maravilhados. A criatura
parecia satisfeita com todas as emoções que estava
causando. Ele caminhou de um lado para o outro, simplesmente admirando
seus inimigos. Alguns deles eram poderosos. Aquele garoto, com cabelo
preto curto, Urameshi. Mas seu nível de poder estava baixo
agora. Aquele outro rapaz, com um longo cabelo castanho e uma flor
em uma das mãos. Ele pode sentir um grande poder dentro dele,
porém, de algum modo, ele estava trancado, não restando
muito para ele usar. O último garoto parecia ser um palhaço
para ele, que veio para distrair os oponentes dos outros. E a garota...
Ela estava escondendo algo. Ele podia sentir isso com todos os seus
sentidos espirituais. Nenhum poder que ele pudesse sentir, nenhuma
expressão ameaçadora no seu rosto, mas aquele olhar...
Parecia-lhe ter visto aqueles olhos em um outro rosto. Mas quem?
Bem, isso não era assunto para agora. Ele tinha que derrotá-los.
"Acha mesmo que está me assustando?" gritou Yusuke.
seu dedo indicador pronto para atirar novamente. Finalmente um inimigo
para derrotar!, ele pensou. Uma grande bola de energia foi atirada
do dedo de Urameshi na direçào do dragão. Ele
não se moveu. Rei Gun colidiu contra o corpo do dragão
e Yusuke sorriu, falando com Kurama: "Estou pensando. Quão
poderoso ele é para não se mover de modo a evitar meu
Rei Gun?"
Um rugido foi a resposta. Da fumaça criada pela colisão,
o dragão vermelho reapareceu. Todos eles podiam sentir agora
um poderoso youki emanando dele.
"Acho que saberá agora," replicou a raposa.
Um leque de chamas foi regurgitado, tomando toda a câmara.
O Time Urameshi não teve saída, a não ser pular
para o alto. Antes de qualquer reação de Akane, Kurama
abraçou-a e pulou. Kuwabara fez seu Rei Ken aparecer e usou
uma parede para dar propulsão para voar na direção
do dragão vermelho. Ao mesmo tempo, Yusuke, Akane e Kurama
pousavam, o líder do time correndo na direção
do inimigo e o youko procurando por uma semente no seu cabelo. Akane
simplesmente ficou no seu lugar, observando a luta.
O ataque de Kuwabara falhou, quando o dragão segurou-o na
sua garra, esmagando-o, fazendo com ele gritasse. Yusuke pulou neste
momento e mandou outro Rei Gun, desta vez direto na cabeça
do dragão. A distância, Kurama enviava youki para uma
semente na palma de sua mão. Ela cresceu enrodilando-se no
braço direito de Kurama, terminando em duas bocas cheias de
dentes e com saliva ácida, o mesmo tipo de planta a que ele
deu vida contra um pequeno youkai vermelho que o fez voltar a sua
forma real no Ankoku Bujutsukai. Elas se contorciam, procurando por
refeição, sua saliva pingando no chão, derretendo-o.
Kurama começou a andar na direção ao dragão.
Yusuke pousou, só para ver sua orbe de reiki ser detida pela
garra do dragão e então ser defletida para um canto
do teto. Uma explosão foi ouvida, cascalhos caindo sobre eles.
"Que tipo de tantei são vocês? São muito
fracos, esperava mais de vocês," disse a voz draconiana
profunda. De repente, ele atirou Kuwabara contra uma parede.
"Kuwabara!!" gritou os dois rapazes, enquanto viam seu
companheiro chocar-se contra parede e gritar de dor. Ele caiu e rolou
um pouco. Urameshi correu para seu amigo, ajoelhando-se ao seu lado,
mas ele estava inconsciente. Kurama correu na direção
do dragão, incitando sua planta a atacá-lo. Os dois
ramos foram na diração do dragão, mas foram
detidas por um jato de fogo que os fez pegar fogo. O youko xingou
e tentou pegar outra semente, mas o dragão bateu nele usando
sua forte e longa cauda.
"Kurama!" gritou Akane. Ela correu na direção
dele e levantou sua cabeça. "Raposa estúpida.
Por que chegou tão perto? Não sabe como os ataques
naturais dos dragões funcionam?"
"Cuidado, Akane-san, seu comportamento gélido está derretendo," ele
escarneceu dela, ainda tonto, mas um calor o preenchendo agora, devido
a preocupação de Akane.
"Cale a boca, precisa descansar." foi a resosta dela.
Urameshi viu seu amigo meio humano caindo, raiva emergindo de dentro
dele. Mais uma vez, ele levantou-se e apontou seu dedo indicador
para o dragão vermelho. Ele começou a brilhar mais
e mais, enquanto Yusuke injetava mais reiki.
Yusuke-kun está liberando quase todo seu reiki. Está arriscando
sua vida., pensou Kurama. A raposa tentou se levantar, mas seu abdômen,
dor nas costas e nauseas apareceram. Akane o fez deitar-se novamente,
então passou uma mão na sua testa. De repente Kurama
sentiu seus olhos pesarem e piscou. Estava difícil mantê-los
abertos. Akane sorriu, enquanto via Kurama fechar lentamente seus
olhos e começar a caminhar para a terra dos sonhos. Akane
sussurou para ele: "Descanse aqui, kitsune, é tudo o
que precisa fazer por agora." E estas foram as últimas
palavras que Kurama ouviu antes de cair adormecido.
Akane ouviu um som de estática, de eletricidade sendo descarregada
atrás dela. Quando voltou-se, pôde ver flashes de luzes
ao redor de Urameshi, enquanto o dragão vermelho só olhava
para ele, provavelmente satisfeito em ver seu oponente gastar seu
poder tão rápido. O que ela podia fazer para detê-lo?
Urameshi estava com seu ki concentrado num alto nível e tentar
interferir só iria descarregar aquele poder sobre ela. Akane
ouviu o dragão rir.
"Hahaha. Olhe para o rapazinho ningen, tentando resgatar seus
amigos da morte. Realmente acha que é um rival para mim, não?" caçou
o dragão.
"Vamos ver agora," resmungou Yusuke.
O dragão vermelho rugiu e deu dois passos em direção
a Yusuke. Uma aura vermelha começou a cobri-lo. "Quero
ver seu poder, filho de Raizen."
Foi prontamente respondido por uma imensa esfera de ki, expelida
do dedo de Yusuke. O rapaz gritou com dor, ajoelhando-se, exausto.
Akane podia ver estranhos símbolos no seu corpo. O Rei Gun
colidiu na aura do dragão, ondas de eletricidade contorcendo-se
em confronto. Lentamente, o Rei Gun estava engolindo o dragão
vermelho até que ele não pudesse ser mais visto. Yusuke
sorriu.
"Eu venci..." ele murmurrou, antes de desmaiar.
Um globo de ki ainda envolvia a área onde o dragão
estava. Akane observou Kurama por alguns minutos, até confirmar
sua respiração. Pegando seu embrulho, ela se levantou,
caminhando lentamente até o globo. Estava pulsando agora.
Esperando por alguns minutos, o pulso ficou mais forte e mais rápido.
Lentamente, um rugido ficou audível, sendo abafado depois
por uma explosão da dispersão de ki. A garota olhou
em redor. A cena que viu não era a melhor. Seus três
companheiros haviam sido abatidos, e ela estava sozinha, em frente
a um dragão. A criatura não saiu daquele confronto
ileso. Feridas visíveis estavam sobre seu corpo, algumas delas
sangrando gravemente. Mesmo assim, parecia não senti-las.
Ele expeliu um pouco de fumaça de suas narinas e visualizou
Akane. O dragão vermelho olhou para aquela ningen, estudando-a.
Que tipo de problema ela poderia provocar? Não muito, considerando
que ela se manteve longe da luta.
"Está cansado?" perguntou Akane com um olhar zombeteiro.
"Acho que não. Gostaria de saber o que uma senhorita
como você está fazendo aqui," caçou o dragão.
"O que estou fazendo não é de sua conta. Acho
que devia se preocupar com o que vou fazer."
"E o que seria? Me derrotar?"
"Não. É mais simples. Só estava pensando
em arrancar sua cabeça fora," dizendo isso, Akane desembrulhou
uma katana. Sua lâmina polida brilhou.
"Minha nossa. Quem foi o estúpido que deu uma arma para
uma criança?" caçou de novo o dragão. então
ele lançou um jato de chamas em Akane. A garota pulou para
o alto e quando o dragão estava para lançar outro jato,
ela desapareceu. Ele olhou em torno, espantado. Ela não estava
em lugar algum. Onde diabos aquela ningen estava?
O dragão vrmelho ouviu um som de corte e jato. Baixando os
olhos, pôde ver que era sangue jorrando de seu corpo. Seu próprio
corpo. Sua visão tornou-se cada vez mais negra. "Sua
pequena... filha da mãe!" A cabeça do dragão
vermelho caiu e mais sangue jorrou de seu pescoço, uma poça
de sangue no chão. De repente, uma metamorfose aconteceu e
duas cabeças de youkai reptilianos estavam ali. O corpo do
dragão tornou-se dois corpos youkai comuns.
Só uma ilusão. É incrível o que o poder
de crença faz., Akane pensou. Sua espada estava pingando sangue
no chão. Ela passou sua mão esquerda pela lâmina
e olhou para o sangue em sua mão. A garota fechou seu pulso
e olhos. O prazer de matar alguém pecorreu seu interior e
uma aura preta começou a formar-se ao redor de Akane. Um grunhido
fê-la despertar de seus sonhos, a aura preta sumindo no ar.
Ela olhou em redor, vendo Yusuke acordar. Akane pegou o tecido marrom
próximo a Kurama rapidamente e limpou o sangue na lâmina,
então cobrindo-a com o pano. É incrível como
este garoto recupera seu poder rápido, pensou Akane enquanto
corria até ele.
"Ei, garoto, como está?" perguntou ela.
"O que acha?" replicou Yusuke, tentando ajoelhar-se. Ainda
se sentia fraco, parecia que não havia nada dentro dele. Lancei
meu reiki muito rápido. Cara, não acredito quanto poder
eu reuni!, ele pensou, enquanto gritava de dor quando se ajoelhou.
Yusuke olhou para a garota, sua visão dupla. Balançou
a cabeça.
"E os rapazes? Como estão?" perguntou ele.
"Estão bem, acho. Kuwabara ainda está desmaiado,
assim como Kurama. Na verdade, acho que todo mundo está melhor
do que você." Akane percebeu que aquelas estranhas tatuagens
que apareceram no corpo de Yusuke haviam desaparecido. "O que
eram aquelas estranhas tatuagens?"
"Tatuagens? O que quer dizer?"
"Quando atirou o Rei Gun, seu corpo foi coberto por elas. O
que são?"
"Herança de família." respondeu simplesmente
Yusuke. "Vamos acordá-los."
Três olhos se abriram imediatamente. Dois deles olhavam em
torno, mas não viam nada. O terceiro não podia ver
nada, apenas sentir, mas mesmo assim, ele não sentia nada.
Dois olhos piscaram, tentando solucionar o problema de vista, mas
ainda viam uma nébula cobrindo o lugar, então o terceiro
brilhou em púrpura, mas a tontura estava tomando conta dele,
e não conseguia se concentrar. O pequeno youkai de cabelos
pretos sentou na cama (ele estava na cama?!). Que diabos estava ele
fazendo naquele lugar? Hiei observou cuidadosamente o quarto, tentando
organizar seus pensamentos; como havia chegado ali? O que tinha acontecido?
Náuseas o invadiam de vez em quando, e então ele viu
um dragão. Hiei balançou sua cabeça, tentando
tirar aquela alucinação da mente, mas ela continuava
ali. Dragões estavam lutando, um deles sangrando gravemente;
o outro pulou na direção de seu inimigo, e então
Hiei não viu mais nada. Náuseas vieram de novo e Hiei
deitou na cama, se perguntando o que estava acontecendo.
Hiei sentou na cama novamente, minutos depois. Precisava descobrir
o que estava acontecendo. Mesmo com visão dupla, o koorime
olhou em torno, procurando por uma pista. O quarto não era
muito grande, todo escavado em rocha; uma grande porta feita de madeira
parecia ser a única saída. A mobília era só uma
cama. Confusão e raiva tomavam conta dele, não conseguia
organizar o que era passado, presente ou ilusão. De repente
ele levantou-se e tropeçando, tentou alcançar a porta
de madeira. Quando chegou lá, uma onda de tontura o fez apoiar-se
na maçaneta. Xingando, Hiei tentou abrir a porta. Trancada.
Ele podia botá-la abaixo facilmente, mas ele sabia que não
tinha poder para faze-lo. Alguém tinha sugado todo seu youki.
Um barulho de baforada e ar quente fez o pequeno koorime virar-se.
O canto direito de sua boca elevou-se num sorriso forçado,
quando viu sua companheira de quarto.
"Onde vai querido?" a youkai pôs seus braços
sobre os ombros de Hiei e inclinou sua cabeça, tocando seus
lábios nos de Hiei. "Volte para cama, vamos," ela
sussurou
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, tentendo puxá-lo para lá.
"Tenho que sair daqui..." Hiei estava pressionado pelos
lábios, mas não fez nada para libertar-se.
"Por quê? Não está gostando de ficar aqui
comigo?" deu uma risadinha e deu dois passos pra trás.
Hiei manteve sua visão naquele corpo, admirando sua pele pálida.
O koorime não conseguia lembrar o nome dela ou como ela chegou
até ele, mas aquilo não importava. Aquela bela youkai
estava em frente a ele, nua, dois pequenos chifres saindo de sua
testa, oferecendo prazer, oferecendo aquele corpo para ele e ele
não era capaz de negar isso.
Ainda dando risadinhas, ela tirou as roupas dele, enquanto voltavam
para cama.
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