Reikai Tantei - Melhor Lugar para Fanfiction de Yu Yu Hakusho de Qualidade!
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Um Elo Com o Passado
por Rechan

Capítulo 7 - Sombras no Caminho

Kuwabara não estava gostando daquilo. A cada passo que davam, uma armadilha era ativada. Ele próprio tinha caído num poço com pontas afiadas no fundo. Teve sorte em agarrar as margens. Flechas tinham sido lançadas contra eles, pedras haviam caído sobre eles... E agora ele e Yusuke tinham encontrado outra maldita encruzilhada. Havia três caminhos a seguir: para direita, para esquerda ou para frente. Aproximou-se de cada caminho, tentando sentir perigos ou qualquer coisa diferente daquela náusea chata, causada por aquela estranha onda de ki, emanando por todo lugar.

Todos os três caminhos estavam escuros e mesmo a luz da tulipa era uma pequena fagulha mergulhando na escuridão. À direita e à frente, os caminhos estavam limpos, nenhum youki vinha deles, becos sem saída, provavelmente. Por outro lado, no caminho a esquerda, um ki calmo, mas provacativo podia ser sentido pelo grandalhão.

"Acho melhor irmos pela esquerda, Urameshi." declarou Kuwabara.

"Tem certeza? O que está sentindo?"

"Há youki bem ali, se não for de Obaki, talvez seja de algum de seus seguidores,"

Yusuke deu uma olhada por sobre os ombros antes de concordar.

O caminho era largo, suas paredes de pedra irregulares, qualquer um que colidisse com elas seria empalado por pontas de pedra afiadas. Do teto, estalactites dependuravam-se, ameaçando qualquer pulo. Estalagmites elevavam-se do chão, fazendo com que Yusuke e Kuwabara seguissem um caminho tortuoso pela passagem.

Centenas de metros depois, os garotos entraram numa pequena câmara sem saída, a não ser por uma brecha cinco metros acima. Os dois rapazes examinaram em redor, tentando descobrir um outro caminho, ou pelo menos, como chegar até a abertura.

"Parece que não tem jeito, a não ser por lá, Kuwabara." disse Yusuke, apontando para a brecha. "Mas não tenho a menor idéia de como subir. Aquela parede é muito lisa."

"Posso chegar lá, usando meu Reiken. Depois eu te puxo," Kuwabara disse, andando para trás. Quando parou, abriu seu punho esquerdo e um brilho amarelo formou-se nele, em segundos tomando a forma de uma espada. Com um grito, Kuwabara fez a Reiken aumentar em três metros, e então apontou-a para frente. Começou a correr, até cravar sua espada no chão, pegando impulso para saltar até a abertura. Ele caiu dentro dela.

"Ótimo, ele conseguiu!" falou Urameshi.

O grandalhão levantou-se, gesticulando para Yusuke. "Ei, Urameshi, você viu isso? Ha, ha! Nenhum homem, nenhuma barreira pode deter Kuwabara Kazuma, o Homem! Ha, ha!"

"Mas um youkai pode," disse uma voz por detrás dele.

Kuwabara virou-se, ignorando os pedidos de Yusuke. Ele não conseguiu ver o quê ou quem era. Sua mente tornou-se vazia, enquanto ele olhava fixo para o corredor. Sentiu um youki tocando seu próprio corpo, mas a dor não atingiu os seus sentidos. Nem mesmo notou seu grito, ou mesmo que o impacto o lançou longe, seu corpo ferido colidindo com a parede oposta. Kuwabara caiu, ainda consciente.

Urameshi observou aquilo boquiaberto, incapaz de acreditar. A cena parecia estar em câmera lenta. Não entendia o que estava acontecendo. Virou-se e ergueu os olhos, para a brecha. O que ou *quem* estava lá, pegando Kuwabara de surpresa? Seu amigo tinha a habilidade de sentir ki, e era um poder muito forte. O que quer que fosse, devia ter mascarado seu ki para se aproximar dele. Yusuke correu até Kuwabara, ajoelhando-se ao seu lado. A raiva estava tomando conta dele, enquanto olhava fixadamente para o corpo ferido de seu amigo.

"Kuwabara! Kuwabara, está me ouvindo?" gritou o rapaz, quando viu os olhos do outro abertos. "Ei, cara! Está bem?" Yusuke o sacudiu, mas Kuwabara não respondeu, seus olhos arregalados, um fio de sangue correndo pelo canto de sua boca, pingando no chão. Inesperadamente, o corpo começou a chocoalhar, em convulsão. Yusuke simplesmente olhava para ele, seu rosto expressando seu desapontamento por sua impotência.

"Ah, vamos. Não vai chorar, eh?" uma voz ressou pela câmara, fazendo com que Urameshi procurasse pelo dono.

"Quem é você? Mostre-se se tiver coragem!!" gritou Urameshi, levantando-se. Uma aura amarela começou a brilhar ao redor dele.

A voz riu-se, a câmara ressoando com as risadas. "Por favor, não me desaponte. Isso não é um jogo para crianças."

"Por que não aparece, para decidirmos que jogo devemos brincar?" rugiu Urameshi.

"Tudo bem. Vamos brincar de 'Matar o Tolo'?"

"Mas de que diabos está falando?" quando Yusuke terminou sua pergunta, um grito ecoou. Olhou para trás, seus olhos arregalando-se, enquanto seu rosto mostrava terror.

O corpo de Kuwabara estava flutuando em pleno ar, seu abdomem jorrando sangue.

"O tolo morrerá em breve..." a voz disse suavemente.

"SEU MALDITO FILHO DA MÃE!! Solte-o! Pare!" Yusuke berrou, enquanto corria até Kuwabara. O corpo simplesmente caiu e Yusuke notou que ele não estava mais consciente.

"Estamos falando demais, ningen." a voz disse. Urameshi olhou em redor, procurando por alguém, a raiva expressa em cada músculo de seu rosto. Um alvo. Ele tinha que descobrir o alvo. Kuwabara estava na brecha quando algo tinha feito aquilo com ele. É... Então, ali seria sua primeira tentativa.

O rapaz levantou seu braço direito, apontando-o para a brecha. Rei Gun começou a brilhar na ponta do dedo indicador. em alguns segundos, uma grande explosão atingiu a abertura, que agora era uma grande entrada. Yusuke manteve-se quieto, observando alguns pedregulhos ainda rolando, perguntando-se se a voz estava viva ou não. De repente, sentiu uma pressàosobre seu rosto. Ele tentou balançá-lo para suavizar a pressào, mas não adiantou; sua cabeça não se moveu nem um milímetro. Ele ouviu 'baka' ser pronunciado em seu ouvido direito, furiosamente. Yusuke sentiu-se elevando-se em pleno ar.

"N-nani?" engasgou. tentou por suas mãos sobre o rosto, e percebeu que havia algo entre ele e as mãos. Droga, o que está acontecendo?

"Ha, ha, ha. Então, não é muito esperto, não é, ningen? Ou o segredo é que você não é tão poderoso quanto pensa que é?" murmurrou a voz. Urameshi balançou no ar, sendo lançado. Ele caiu a alguns metros de distância; Yusuke sentou com alguma dificuldade, devido às feridas pelo seu corpo. Olhou em volta, mas continuava sem ver nada. Droga!

"Vou tornar as coisas mais fáceis para você, ningen. Removerei minha invisibilidade para que me conheça antes de morrer." expressou a voz.

Yusuke olhou fixadamente para onde o ar parecia se modificar. Pouco a pouco, parecia que o ar se transformava em algo, mas não conseguia perceber o que era. Então, em alguns segundos, um humanóide apareceu. Urameshi ajoelhou-se, enquanto estudava cuidadosamente aquela pessoa parada ali. Quem seria ele? Ele tinha forma humana, alto, talvez chegasse a altura de Kuwabara. O cabelo longo, escuro como o ébano, estava preso num rabo de cavalo à suas costas. Dois olhos brilharam em vermelho, enquanto um terceiro começava lentamente a se abrir. Yusuke fixou o olhar nele, espantado. Aquele youkai tinha uma aparência estranha. Ele emanava poder e conhecimento. Olhava o tantei sem expressão de raiva, mas com um olhar interrogativo. Foi subrepujado pela sensação de ser observado por séculos - talvez milênios - de vida. Um arrepio correu pela sua espinha, mas ele não entendia por quê. Começou a se sentir desconfortável com aquele olhar intrigante, noqual Urameshi parecia estar mergulhado. O rapaz tentou, inultilmente, desviar o olhar, para quebrar o contato visual, mas ainda assim o youkai parecia capturá-lo, prendendo-o. Yusuke tentou xingá-lo, mas as palavras morreram dentro de sua mente, sua boca nem mesmo se moveu. Mova-se! Vamos, mexa-se! gritou em pensamento para seus músculos, tentando ganhar algum movimento. Nada. Nenhuma resposta veio de seu próprio corpo.

O youkai dirigiu-se até Yusuke, ajoelhando-se a frente dele. Olho no olho, ele sorriu cinicamente. Urameshi quase não ouviu as palavras de seu oponente, mesmo sabendo que ele não estava sussurrando: "Está se perguntando agora o que está acontecendo com você?" O youkai aproximou sua boca do ouvido de Urameshi. "Medo. É o que está segurando você e seu amigo moribundo," o youkai deu uma risada suave, então voltou a ficar olho a olho com Yusuke. "Você veio aqui sem saber o que encontraria, não foi, garoto? Só me diga por quê. Quem te convenceu, trazendo você para uma luta que não é sua," ele continuou.

Yusuke começou a se preocupar quando viu uma linha de fumaça espessa enrodilando-se ao redor do youkai,e alguns segundos depois indo na direção dele. Aquela era uma estranha neblina, na verdade. Enquanto se aproximava, ele consegui percebeu uma forma humanóide nela. Um rosto com três olhos nela, membros surgindo de ambos os lados, como braços longos. Yusuke sentiu uma brisa antes de perceber que a neblina na verdade estava entrando dentro dele, uma voz então martelando em sua cabeça: "Conte-me. Conte-me. Seus segredos não podem ser mais escondidos. Sua mente é minha agora, seus pensamentos são meus pensamentos." Yusuke deixou escapar um grito de dor, enquanto tentava banir a voz insistente. "Mostre-me. Mostre-me seus segredos..."

Após um grito mental de reclamação, os olhos de Yusuke se tornaram brancos, enquanto sua mente tornou-se vazia, porém imagens corriam por ela como numa tela de cinema. Uma confusão de cenas varria a mente de seu oponente. Lutas. Havia sempre lutas, entre imagens de duas mulheres ningen, algumas vezes substituidas pelas de três homens, um deles, Hiei. O youkai focou seus comandos mentais no primeiro contato do rapaz com Hiei. Cenas do Time Urameshi junto passaram enquanto procurava por algo interessante.

O youkai estava tão concentrado em seu novo brinquedo que nem mesmo escutou um grunhido indo de algum lugar. Kuwabara cuspiu sangue algumas vezes antes de abrir seus olhos lentamente. Sua visão borrada o fez piscar, fez um esforço para se sentr, mas este ato veio acompanhado com uma onda de tonturas. Cada milímetro de seu corpo estava doendo, mas uma dor aguda vinha de seu abdômen. Tentando com dificuldade esquecê-la, ele observou em volta, tentando arranjar o que estava acontecendo. Logo notou Urameshi ajoelhado enquanto um homem estava de frente a ele, olhos fechados e um terceiro olho aberto em sua testa, brilhando em azul. Seu amigo parecia estar hipnotizado, seus olhos fixos naquele homem estranho. Ele parecia estar desvanescendo a cada segundo, submetendo-se ao poder do outro. Droga! Estou muito ferido para enfrentar aquele babaca, mas se não fizer algo, Urameshi e eu morreremos, pensou ele. Kuwabara levantou-se rapidamente, e quase caiu novamente, suas pernas não suportando o próprio peso. Cambaleando e tropeçando, Kuwabara adiantou-se, tentando não chamar a atenção do youkai.

O humano já estava atrás do homem. Por estranho que pareça, seu youki parecia torná-lo fraco. Se este cara é quem acho que é, todos nós estaremos na merda, Yusuke, pensou. Kuwabara baixou os olhos, para sua mão direita, onde um brilho amarelo apareceu. Como se qualquer esforço o ferisse, sua expressão era de dor, enquanto o brilho tomava a forma de uma espada. lentamente, Kuwabara levantou-a na altura de sua cabeça. Estava pronto para atacar, mas uma onda de ki repentina o deteve. Ele tentou de novo e de novo fazer um movimento, mas nada. O youkai voltou-se para encará-lo, seu terceiro olho fechado agora, enquanto os outros dois estavam abertos. havia um sorriso falso em seu rosto.

"Bem, bem, bem. Olhem quem acordou! E está sobre seus próprios pés!" riu, então sua voz tornou-se ameaçadora, "Você tem força de vontade, ningen, ou é muito estúpido em levantar-se e tentar me ferir."

"Acha mesmo que estou me aborrencendo com o que você pensa de mim?" as palavras saíram com alguma dificuldade, Kuwabara sentia como se uma barreira tivesse sido colocada ao redor dele. "Você é um obstáculo para Yusuke e eu libertarmos Hiei." ele continuou.

"Dei uma olhada na mente de seu amigo e vi que você e Hiei lutaram juntos. Mas realmente não consigo entender porque vieram aqui, rapazes. Esta," o youkai abriu seus braços e olhou em redor. "não é sua luta. Quem fez vocês seguirem aquele pequeno teimoso?"

"Acho que vai continuar sem entender. Mesmo Hiei sendo um babaca teimoso, ainda é meu amigo. Nosso amigo. Não sei o que quer dele, mas não vamos deixar você mantê-lo como um prisioneiro," Kuwabara engasgou, enquanto tentava quebrar aquela barreira. Murizashi nos contou sobre este poder, mas nunca pensei que fosse tão poderoso.

O youkai riu dele. "Ah, bem, você é melhor do que pensei que era, rapaz. Como sabia quem sou?"

"Tive um pressentimento. Você acabou de me dar a certeza." inesperadamente, Kuwabara sentiu seus próprios membros, e deixou seus braços caírem, Reiken indo em direção ao seu inimigo. O youkai simplesmente pulou para trás e Kuwabara olhou furiosamente para ele.

"É um garoto de sorte," seu oponente disse, zombando dele. "Deveria saber que esta espada de ki não me feriria facilmente."

A visão de Kuwabara se tornou confusa e ele deixou o Reiken escapar, enquanto dava um passo a frente, vacilando. Todo seu corpo estava se tornando pesado, muito pesado, e aquela dor aguda em sua barriga estava ficando pior. "Vê? Nem mesmo está andando direito."

O grandalhão ajoelhou-se a frente de Urameshi e pôs suas mãos sobre os ombros de Yusuke. Fracamente, Kuwabara começou a balançar Yusuke. "Yusuke," ele arfou. "Vamos, baka, aCORDE!" gritou, enquanto um jato de sangue saía de sua boca, respingando no rosto e na camisa do amigo. "Seu filho da mãe..." ele murmurrou antes de cair, desmaiado.

"Tsc.Tsc. Era mesmo um tolo..." o youkai disse suavemente, fechando seus olhos.

"KUWABARA!!!" o homem abriu seus olhos imediatamente, olhando para os rapazes. Olhou com olhos esbugalhados para Urameshi, que estava consciente agora, inclinado sobre o humano idiota. "Não morra amigo, não antes de chutarmos o rabo de Obaki!" Yusuke voltou-se, mas antes de levantar-se, uma luz atingiu seus olhos, e sentiu seu corpo sendo atirado longe.

Yusuke abriu seu olho esquerdo primeiro, então o direito, piscando algumas vezes. Descobriu-se olhando para um teto de pegra, cerca de dois metros acima. Lentamente, suas lembranças começaram a se organizar em sua mente. Aquele youkai era terrivelmente poderoso, realmente não estivera esperando isso. Aquele cara era estranho, porém. Algo nele fazia Urameshi lembrar alguém, mas na verdade não estava se sentindo bem para pensar nisso. Ele deveria preocupar-se com Kuwabara agora; seu amigo estava em péssimo estado da última vez, e mesmo usando sua fraca energia para quebrar os poderes mentais de Obaki, onde estaria? Urameshi sentou-se e olhou em volta, descobrindo Kuwabara escostado numa parede. Tinha alguns arranhões em seu rosto, sua roupas estavam rasgadas e sangue coagulado estava nela, exatamente onde havia sido atingido por Obaki. Obaki... Ele era um monstro. Era arrogante, mas tinha razões para tal. Com certeza precisaria de ajuda para detê-lo. Yusuke levantou-se e uma dor percorreu suas pernas e cintura. Adiantou-se e quase caiu, devido a tontura. Droga! pensou. Aproximando-se de Kuwabara, foi capaz de ouvir um gemido baixo de seu amigo. Vivo, ele estava vivo, graças a Deus. Urameshi ajoelhou-se ao seu lado (de fato, seus joelhos dobraram-se involuntariamente).

"Ei, cara! Tudo bem?" tinha posto uma mão sobre seu ombro e balançou-o um pouco, porém nenhum resposta veio de Kuwabara. "Kuwabara-! Vamos, amigo!" Yusuke insistiu.

"Não... não me ba-balance," arfou Kuwabara. "Se-seu merda."

"Você está, você está bem? Graças a Deus! Você me preocupou mesmo," Urameshi estava rindo loucamente.

Kuwabara deu uma olhada em seu amigo. "Pare de rir e me ajude, seu maldito!" ele gritou, logo se arrependendo de seu ato, já que uma dor aguda apareceu no seu estomago. Gemeu.

"Não tente se mover. Droga, se pelo menos Kurama estivesse aqui..." disse Yusuke, sério desta vez.

"Tudo bem, a ferida é superficial. Nada pode deter Kuwabara Kazuma," sorriu cinicamente. "Mas na verdade, onde estamos?" disse, enquanto olhava em redor. Parecia ser uma cela, mas não existiam barras de ferro na abertura. Havia uma fraca luz ali, permitindo-lhes ver os arredores. Não era de muita utilidade, de fato.. Estava fraco, mas seus sentidos espirituais ainda estavam em alerta; dois youkis estavam ali, eram parecidos e mesmo assim, tão diferentes. O perigo ainda estava ali. Nós estamos na mais profunda merda.

"Obaki deve ter nos trazido aqui, achando que ficaríamos perdidos. Aquele filho da mãe pensou que éramos fracotes e nãose aborreceu em nos manter numa cela. Ha, ha." Urameshi falou, dando um passo em direção a abertura.

Kuwabara pôs-se de pé rapidamente, tentando esquecer sua dor, enquanto gritava: "Não!"

Yusuke parou e olhou para trás, confuso. "Nani?"

"É perigoso, Urameshi. Não se aproxime, kudasai, sinto algo estranho,"

"Vamos! Não tem nada adiante." Yusuke adiantou-se.

"Se fosse você, ouviria seu amigo." uma voz saiu do nada.

Ambos olharam em volta, confusos. "Quem é você? Mostre-se, droga!" Yusuke gritou. "Estou ficando cansado dessas vozes sem corpo,"

"Bem, eu tenho um corpo. Mas se quer manter o seu, não tente passar pela brecha."

"Por que não?" Yusuke sorriu maliciosamente, por que aquela voz era familiar para ele? Olhou para Kuwabara, que estava agora ao seu lado. Seu amigo estava com uma expressão estranha.

"Eh, é mesmo um fracote. Não sente o ki em redor? É a sua prisão. Tente dar um passo para fora, e vai ser sugado de tal modo, que somente suas cinzas vão sobrar." a voz falou sarcasticamene, enquanto uma sombra adiantava-se para luz.

Ambos engasgaram, seus rostos mostrando reconhecimento e espanto.

"Hiei!" ambos exclamaram em unísono.

Kurama tirou pedaços de teia de seu cabelo pela décima vez. O corredor que Akane e ele pegaram parecia ser velho e mal usado. Não conseguia entender como o labirinto podia ter mudado daquele que ela conhecia, e de fato, ele não tinha certeza disso. Ela estava andando a frente dele, e durante todo o caminho ela não olhou para trás. Encontraram algumas encruzilhadas, porém ela nem parou para decidir que caminho tomar. Simplesmente continuava numa passagem e se Kuruma murmurrava algo, nunca era respondido. Aquele comportamento estava irritando a raposa; em sua forma verdadeira, seus sentidos eram mais fortes e de algum modo, ele pressentia perigo. Na verdade, algo o dizia que o perigo estava nela.

"Akane-chan," o youko falou. "sabe para onde estamos indo, certo?"

Kurama ficou surpreso por vê-la parando. Ela olhou para trás. "Certo. E não me chame de Akane-chan!"

Kurama não conseguiu evitar uma risadinha. "Por que não? Pensei que já fossemos... hn... íntimos."

Akane já tinha continuado a caminhar. "Não seja tão estúpido. O que diabos o faz pensar isso?"

"Hn. Acho que só isso," enquanto dizia isso, Kurama agarrou o braço esquerdo dela, puxando-a para si. Ela olhou para ele com olhos esbulhados, e tentou escapar, mas sem sucesso.

"Solte-me!" gritou, raiva tomando conta dela. "Não é hora para isto."

"Então, vai haver um tempo?" replicou um insolente Kurama, mas soltou-a.

"Baka," ela silvou.

Ambos continuaram a andar pela passagem. O silêncio caiu entre eles mais uma vez, opremindo Kurama. Deveria tê-la beijado. Baka! No que está pensando, ela está certa, não temos tempo para isto! Ele colidiu com ela, perdido em pensamentos, não viu que havia parado.

"Ei!" murmurrou ela.

"Desculpe. Por que parou?"

"Por causa disto," ela apontou algo no chão. "Aqui, dê uma olhada."

O youko examinou sobre o ombro dela, para o chão, e viu um buraco. Não era muito largo, porém ambos poderiam passar por ele facilmente. Então ele olhou para ela com uma pergunta em seus olhos. Akane respondeu a seu olhar.

"Mandei Yusuke e Kuwabara para uma passagem que, espero, deva mantê-los longe de Obaki; o labirinto não mudou. Este caminho que tomanos, seremos capazes de achar Hiei e libertá-lo. Podemos encontrar Obaki, então quero que esteja preparado."

"Quantos segredos você ainda tem escondidos, Akane-chan?" Kurama estava começando a ficar aborrecido.

"Depois daquela luta nas portas, percebi que seus amigos não serão oponentes reais para Obaki. Na verdade, nem você será," Akane disse. "Pare de me chamar de Akane-chan!"

"Hn. Então, minha companhia foi só para agradá-la? Suponho que possa derrotá-lo sozinha, então porque quis que viessemos, Akane-chan?"

"Eu te disse para parar de me chamar de Aka-" não conseguiu terminar a frase, já que Kurama beijou seus lábios.

Akane esqueceu o que estava dizendo de repente. Sua mente insistia para afastá-lo, e ela não conseguia entender por que o abraçava e abria sua boca, oferecendo um beijo de verdade para ele.

Kurama exultou enquanto sentia a boca dela se abrindo. Sua língua mergulhou dentro dela, saboreando-a. Ele aumentou a pressão de sua mãos na cintura dela. Ficou surpreso pela ereção que se aproximava. Como ela tem poder de fazer isso comigo? Kurama empurrou-a contra uma parede, ainda beijando-a; suas mãos deslizaram, até suas nádegas. Sua língua estava começando a trilhar um caminho até o pescoço dela, quando sentiu um forte youki vindo daquele buraco. Endireitou-se e olhou para ele.

Akane recuperou-se logo, e aproximou-se da brecha, agachando-se. Ainda estava trêmula pelo encontro deles, mas aquele ki... Olhou para Kurama.

"Vamos. Temos muito o que fazer," então ela pulou dentro do buraco. Kurama a seguiu.

Caíram num corredor que terminava numa câmara não muito grande. Um outro caminho começava à esquerda. Um homem estava encostado numa parede daquele caminho, como se esperando por eles. Kurama lançou um olhar para Akane e a viu de cara séria. Ela o conhecia, Kurama tinha certeza disto. O homem endireitou-se e olhou fixo para ambos, sorrindo falsamente.

Kurama pôs uma mão emseu cabelo e procurou por sua rosa vermelha, porém parou, quando ouviu Akane sussurrando para ele:

"Ouça, não lute contra ele. Vou distrai-lo, assim você corre por aquele caminho; tente sentir o ki de Hiei e vai descobri-lo, certo?"

"Errado. Não vou deixá-la aqui com este cara. Vamos encontrar Hiei juntos," enquanto dizia isso, puxou uma rosa de seu cabelo.

"Faça o que estou falando, idiota! Não pode enfrentá-lo!"

"Por que não? Nem mesmo conhece meu poder para dizer isso. Não sou tão fraco, sabe; ele é Obaki?"

"Não, não sou," o homem falou repentinamente, dando alguns passos em direção a eles. "Sou Taaro, o filho mais velho dele. Prazer em conhecê-lo, Youko Kurama." sorriu falsamente.

Kurama franziu o cenho. Como ele o conhecia? Estava pronto para respondê-lo, quando Taaro falou mais uma vez.

"Não devia ter trazido seu namoradinho aqui."

"Huh?" uma das sombracelhas de Kurama levantou-se. Mas o que-? "Você o conhece? Que tipo de inferno você nos pôs?" murmurrou para Akane.

"Acredite em mim, não vai querer mesmo saber. Faça o que te disse. Fuja!"

"Esqueça isso, Akane!"

Taaro olhou para eles, confuso. Era um pouco pertubador reconhecer que ela estava acompanhada do antigo Time Tantei do Reikai. Seu pai entraria em berserk quando soubesse daquilo, e a batalha que viria daquele encontro era simplesmente assustadora. O que quer que acontecesse, não poderia deixá-la sair daquela câmara. Taaro franziu o cenho. Não tinha certeza de quão poderosa ela tinha se tornado após ah-tantos-anos, então tinha que atacar usando uma grande quantidade de ki. Mas mesmo assim, vou esconder meu segredinho até a hora chegar. Sorrindo em falso, o youkai aproximou suas mãos; em alguns segundos, uma pequenina bola de energia, do diâmetro de uma bola de tênis, formou-se entre elas. Taaro deu uma olhada nela, sorrindo abertamente e ergueu os olhos para o casal que ainda estava brigando. Uma grande gota de suor deslizou de sua testa.

Taaro esticou seus braços a frente. A bola começou então a brilhar fracamente e algumas sombras de preto apareciam nela de vez em quando. Um som de estática soou, o que finalmente chamou a atenção de Kurama e Akane. Ambos olharam para Taaro, confusos. "O que é aquilo?" arfou Kurama.

Com um grito, Taaro soltou os braços, e a bola de energia que ele criara manteve-se flutuando no ar, agora com um halo negro rodando ao redor dela. Um forte ki estava concentrado nela e gradualmente ela começou a pulsar. Akane sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Minha nossa, ela tinha um mau pressentimento quanto a isso.

"Kurama, por favor! O objetivo dele sou eu; saia agora," ela sussurrou, ainda olhando fixo para aquela bola. Gotas de suor corriam pelo rosto.

"Ouça ela, youko. Se cair fora de meu covil, nada irá acontecer a você; pegue essa chance, não estou acostumado a dar escolhas," Taaro sorriu.

"Assuntos antigos, ne? Desculpe, costumo ser intrometido. Acho que é devido a minha profissão," enquanto dizia aquilo, a rapoza transformou a rosa vermelha em um chicote. Um sorriso cínico tocou seu rosto.

Taaro estreitou seus olhos, enquanto seu olhar vagava de Kurama e Akane. Muito bem, deste jeito deve ser mais divertido. Rindo alto, ele elevou seu youki um pouco e a esfera brilhou um pouco mais forte e o pulso ficou mais forte. Os tons de preto foram quase substituídos por tons de amarelo.

Kurama observou Taaro de perto, enquanto o youkai estava preparando sua técnica. Os olhos âmbar daquele youkai brilhavam estranhamente, e Kurama sentiu uma semelhança estranha ante a ele. Um cabelo ruivo cheio caía contra suas costas, alcançando sua cintura, mesmo estando preso num rabo de cavalo. Olhos frios. Aquele youkai os mataria lentamente, mas isso se eles deixassem. E, na verdade, ele não estava gostando daquela bola rodando. Pensandoque era melhor atacar primeiro, antes que o outro tivesse chance de usar a bola, o youko murmurrou para Akane: "Fique bem aqui..." Ele a viu esbugalhando os olhos para ele, mas antes que pudesse reclamar de algo, ele adiantou-se, pulando na direção de Taaro.

Taaro deu um sorriso frouxo. "Quer brincar primeiro?" O youko tinha atirado o chicote nele, mas ágil, Taaro simplesmente deu um passo de lado. Ambos olharam feio um para o outro. "Não tenho tempo para seus jogos infantis, youko," dizendo isso, Taaro esticou um braço na direção de Kurama, sua palma encarando o youko. Uma pequenina bola de energia verde apareceu nela, rapidamente aumentando seu diâmetro para o de uma de basquete. Taaro atirou-a em Kurama, que pulou apressadamente. Não que isso fizesse alguma diferença, a bola verde atingiu suas pernas, fazendo com que a raposa gritasse. Ele caiu alguns metros para atrás.

Akane cerrou seus punhos forte. Mesmo assim, nenhum músculo seu se moveu. Nunca quis que ele lutasse; Estou certa. Não pode vencê-lo, Taaro é bem mais forte. Finalmente, ela deu um passo a frente, só detendo-se porque viu Kurama tentando levantar-se. Que diabos ele quer fazer? Suas pernas estão em péssimo estado, agora quase não conseguem mantê-lo de pé. Seus dentes rangeram.

Lenta e dolorosamente, o youko conseguiu por-se de pé. Xingou baixinho, quando suas pernas reclamaram com dor. Suas calças estavam rasgadas, linhas de sangue escorriam. Seu olhar estava em Taaro, sua mente decidindo o momento exato de expelir youki para as sementes que tinha cultivado. Olhou de esguelha para Akane, franzindo o cenho, ante a visão de seu rosto pertubado. Kurama olhou de volta para Taaro, sorrindo em falso.

Taaro manteve seu olhar em sua criação, seu pulso estava ficando cada vez mais forte, cada vez mais rápido. Logo, a hora de acabar com eles chegaria. Sorriu e olhou a tola tentativa da raposa de levantar-se. Bem, vamos ver alguns de seus truques, youko, ele pensou. Seu sorriso largo desafiou Kurama, que decidiu atacá-lo com tudo prontamente. O filho de Obaki sentiu o ki de seu adversário se expandir e então fluir de seu corpo, enterrando-se profundamente no chão, alimentando pequenas formas de vida, que logo começaram a se mexer e procurar por um caminho para fora da terra. Ao redor de Kurama, Taaro conseguiu ver pequenas pontas pretas.

"Kurama. Acho que está gastando todo seu youki, ne?" disse, quando as plantas afinal emergiram. Seis troncos negros postaram-se ao lado de Kurama, espinhos adornando todo seu comprimento. Os troncos espinhentos contorciam-se, fazendo Kurama dar um sorriso.

"Sim. Estou quase esgotado. Tive de gastar muita energia para alimentar minhas plantas rápido o bastante," replicou a raposa. "Mas tenho ki bastante para controlá-las e atacar você!"

Prontamente, dois troncos responderam a ameaça de Kurama e lançaram em direção a Taaro um tentáculo cada. O youkai arregalou seus olhos, espantado com sua velocidade; exatamente quando os tentáculos iam alcançá-lo, Taaro pulou, e olhando para trás, os viu cravando na parede oposta e sorriu.

"Vamos, ainda está agindo como uma criança, faça algo grande," ele disse, enquanto voltava sua cabeça para Kurama. Seu corpo agora estava lentamente caindo, mas foi detido abruptamente por algo, retendo seu corpo no ar. Uma dor lancinante atingiu sua barriga e então, de novo abruptamente, suas costas. Estas partes de seu corpo ardiam, enquanto dor corria em volta delas. Taaro sentiu algo regurgitando e pôs uma mão sobre a própria boca, mas não parou um movimento involuntário de seus músculos e vomitou sangue. Sentiu um gosto de ferrugem em sua boca, antes de dar uma olhada em sua mão e notar sangue nela. Seu punho cerrou-se, enquanto um aturdido Taaro baixou os olhos, para seu próprio abdômen, e viu um tentáculo espinhento cravado. Ele mordeu seu lábio, gotas de suor umedecendo todo seu corpo. Olhou furioso para Kurama, enquanto a raposa dizia, um sorriso no rosto:

"Não esperava que você fosse ser atingido assim, mas parece que sua arrogância falou mais alto," quando terminou a sentença, mais tentáculos apareceram dos troncos negros e procuraram por Taaro, mas nunca encontraram seu corpo. Mais uma vez, cruzaram o ar e cravaram na parede oposta. Um Kurama desnorteado olhou em redor freneticamente, procurando-o. Kurama olhou então para Akane, que agora tinha uma katana em mãos e séria, parecia estar esperando por ataque. Kurama melhorou seus sentidos espirituais e conseguiu sentir um youki suave e agressivo, assemelhando-se ao de Taaro. Confuso, Kurama arregalou os olhos para Akane e tentou perguntar, mas um rugido o fez voltar a cabeça.

Uma grande bola de energia passou por Kurama, perdendo-o por alguns centímetros e atingiu algum ponto detrás dele.

"Aquilo não foi um grande truque, Kurama," ele ouviu a voz de Akane a frente dele. "Mas, de qualquer forma, funcionou. Infelizmente, isso o deixou maluco."

Akane voltou sua cabeça para trás, então o seu corpo, encarando a bola de ki preta pulsando. Ela xingou, gotas de suor escorrendo pela face. Estava preocupada por não reconhecer aquela técnica, pois uma coisa ela sabia, Taaro tinha uma vingança sangrenta dentro dele. Contra ela, contra tudo que estivesse ligado a ela. Mais uma vez, ela voltou seu olhar para Kurama, tentando pensar numa maneira de mantê-lo longe.

"Saía daí, Akane!" gritou Kurama ao seu lado, atirando seu próprio corpo sobre ela, ambos caindo. Um outra bola de ki silvou por eles, e explodiu vários metros a frente. Uma nuvem densa de poeira espalhou-se, cascalhos caindo sobre o casal, que tossia.

Ainda tossindo, Kurama tentou abrir seus olhos, mas eles ardiam muito. Ajoelhou-se, tentando por-se de pé, porém, inesperadamente, uma mão puxou seu comprido cabelo prateado para trás, o que o fez soltar um gemido. Suas mãos procuraram pelo agressor e tocaram em nada. A mão puxou mais forte e a raposa gritou. Podia ouvir uma voz fluindo dentro de seu ouvido:

"Não percebeu as conseqüências de seus atos, não foi? Posso cortar seu pescoço facilmente, agora," a voz riu. "Mas pode querer ser decapitado?"

"Foda-se," explodiu Kurama. Do nada, Kurama sentiu seu cabelo livre e confuso, voltou-se imediatamente; impedindo sua visão, Akane estava de pé, espada em mãos, de frente a ele. Taaro estava a alguns metros adiante, pressionando sua mão aonde uma vez houve um punho. O youko baixou os olhos e viu a mão de Taaro, no meio de uma poça de sangue. Kurama levantou-se rapidamente.

"Akane..." ele começou, mas ela o deteve.

"Droga, Kurama! Para variar, fique longe, não consegue ver que não é nada para ele?" gritou ela. Ao mesmo tempo, um som de algo rangindo foi ouvido, chamando a atenção. Incessantemente, a esfera negra cresceu, até atingir três metros de diâmetro. Ambos olharam boquiabertos para aquilo, um medo cruzando suas mentes. Taaro falou então, confirmando seus medos.

"Seus filhos da mãe. Vou acabar com os dois, então meu pai e eu nunca mais nos preocuparemos com você." Taaro lançou a bola preta para eles. A imensa bola moveu-se adiante, engolfando Kurama e Akane antes que pudessem escapar.


xx março 2004
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