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Um Elo Com o Passado
por Rechan

Capítulo 9 - O Guerreiro do Fogo Gélido

Akane fechou os olhos com força. A câmara parecia estar girando a sua volta. O passado misturava-se com o presente e se sentia tonta. Akane nunca soube quanto tempo passou daquele jeito, mas quando os abriu, uma outra cena aconteceu ante eles:

"Por que está aqui, criança?"

"Toosan quer que eu seja uma guerreira," ela se ouviu respondendo. A mulher gentil sorriu para ela, tristemente.

"E você quer isso?" Akane sacudiu a cabeça com força.

"Então venha comigo, Hiryu."

Akane sentiu lágrimas quentes escorrendo pelo rosto. Ir embora? Nunca mais voltar? Aquilo era o que ela desejava desde a primeira vez que pisara no covil do seu pai.

"Hina-san. Arigato ne?"

"Akane!"

Hiryu sobressaltou-se pelo chamado repentino. Ela piscou algumas vezes e voltou a cabeça na direção do grandalhão.

Kurama olhou fixo para ela, confuso. Ele viu o rosto dela se tornar úmido pelas lágrimas correndo livremente tão de repente. A idéia de que ela fosse filha de Obaki o atingiu imediatamente. Embora seu rosto não mostrasse emoção, seu interior estava trêmulo. Kurama ainda tentava compreender que tipo de mulher ela era...

"Akane-chan, você está bem?" perguntou Kurama.

"Hai," ela respondeu, distraída, mas a raposa sentiu os pensamentos perturbados e segurou-a pelos ombros. Ele baixou a cabeça até a orelha dela, seus lábios perdendo a pele dela por questão de milímetros. Akane ouviu as palavras dele profundamente, enquanto seu cheiro e hálito entravam nela:

"Não sei que diabos está acontecendo, nem quero saber. Mas estou com você. Sempre estarei. Sabe que confio em você." sussurrou Kurama.

Yusuke escutou às palavras do amigo e olhou para eles, encontrando os olhos de Kuwabara também sobre eles. Sem se importar com os olhos sobre eles, Kurama beijou suavemente os lábios de Akane, mesmo não sendo respondido.

"Suki da,"

"Que cena adorável,"

A turma voltou sua atenção para Obaki, que estava sorrindo falsamente. Yusuke pulou pra frente e rugiu:

"É o fim, imbecil. Devolva-nos Hiei agora!"

Obaki riu e deu uma olhada para o demônio de fogo. "Você o ouviu, Hiei? Eles querem você de volta. Não sabia que você servia a eles."

"Eu não sirvo ninguém, nem a eles, nem a você," replicou Hiei, colocando-se entre Obaki e Urameshi. Através do vazio de sua expressão, Kurama notou que Hiei estava muito perturbado por ver Akane - Hiryu - ali. Pensamentos ruins fizeram suas sombracelhas juntarem-se.

"Hiei, você não vai nos atacar, vai?" Kurama perguntou.

"Sempre sonhei em lutar com você, kitsune," Hiei sorriu em falso e num instante, ele apareceu na frente de Kurama, atingindo no rosto. Surpreso, Kurama perdeu o eqüilíbrio e caiu. Um filete de sangue apareceu num canto da boca.

"Seu vira-casaca. Kurama é -era- seu melhor amigo," rugiu Kuwabara. Enraivecido, o ningen conjurou a Rei Ken. "Você vai se arrepender disso!" Kuwabara atacou Hiei, contudo o meio-koorime era muito rápido para ele. Hiei pulou e chutou Kuwabara na cabeça, atirando-o para trás.

Urameshi deu uma passo na direção de Hiei, mas foi detido por Kurama. "Pra trás. Ele quer lutar comigo."

"Mas, Kurama..."

"Posso fazer isso. Vá ver Kuwabara-kun." Kurama levantou-se e encarou Hiei. O demônio de fogo olhou para ele, divertido. Kurama olhou furioso para Hiei, detestando-se por fazer aquilo com seu amigo. Mas devia ser o único modo de deter Hiei daquela manipulação.

"Oi, raposa. Você disse que lutaria comigo,"

"Eu irei,"

Kurama alcançou uma rosa vermelha no seu cabelo e transformou-a num chicote, atacando Hiei. Apesar do chicote de Kurama ser rápido, Hiei o evitava ainda mais rápido. Seus amigos, Obaki e Akane só conseguiam observar, enquanto o youkai de fogo pulava em volta e o youko e seu Rose Whip o perseguiam.

Quando finalmente pararam, Kurama tinha preso um punho de Hiei. O pequeno xingou baixinho e reuniu seu youki no seu pulso preso. Ele brilhou e logo chamas negras erupcionaram; Hiei aumentou seu poder e descarregou-o pelo chicote de espinhos. Kurama sobressaltou-se e antes que pudesse soltar o Rose Whip, sua mão foi queimada pelo fogo de Hiei.

"Droga!" xingou Kurama, segurando sua mão com força. Ele pretendia deter Hiei só o derrubando, embora soubesse que não seria fácil. Se as coisas continuassem desse jeito, ele teria que usar as plantas; isso seria perigoso para seu amigo. "Hiei, por favor, escute a voz da razão!" murmurrou ele.

"Sabe, uma vez pensei que você fosse o melhor por causa de sua inteligência. Agora vejo que é só um youkai patético que se deixou ser corrompido pelo Ningenkai." Hiei saltou na direção de Kurama, atingindo várias vezes, no rosto e no estômago. Kurama não reagiu nenhuma vez e então Hiei afastou-se um pouco. "Reaja! Disse que me enfrentaria!" gritou Hiei.

Kurama cuspiu sangue e perguntou: "É isso mesmo que você quer? Ou é o que Obaki quer?"

O rosto de Hiei pareceu se contorcer um pouco, mas nenhuma resposta veio. Em vez disso, ele atacou de novo a raposa, chutando-o. Kurama ajoelhou-se. "Responda-me! Hiei!"

Hiei agarrou o pescoço de Kurama e apertou-o; seus olhos se tornaram injetados e ele disse: "Você - vai - morrer!" Fogo negro erupcionou mais uma vez das mãos de Hiei. Kurama gritou, em dor. Lentamente, ele sentiu a vida se esvaindo, o fogo negro consumindo sua alma pouco a pouco.

"Não brinque com ele, quebre o pescoço depressa!" gritou Obaki. Enquanto dizia isso, as chamas de Hiei se apagaram lentamente e ele deixou Kurama cair, tossindo. Hiei voltou-se, para encarar Obaki.

"Eu disse que não recebo ordens de ninguém. Nem mesmo de você. Se quer matá-lo, faça você mesmo," Hiei sorriu em falso.

"Seu estúpido! Está fazendo exatamente o que eles querem que faça. Eles não querem que você aumente seu poder. Esqueceu-se do que te mostrei?"

"Já sabia daquilo. Só não queria usá-lo. Nada daquele povo me interessa."

"Nanda? Se não está comigo, está contra mim, Hiei. Matarei você também," Obaki ameaçou.

Hiei sorriu falsamente de novo. "Tente,"

Obaki voltou-se e olhou furioso para Akane, apontando um dedo para ela. "Você e aquela vadia o contaminaram, você vai pagar, como ela o fez!"

"Eu lhe disse que ele nunca te seguiria."

"Sou o melhor assassino vivo no Makai. Sou conhecido pelos meus fiéis seguidores, que sempre me obedecem. Aquele filho da mãe morto ali, uma vez pensei que valesse algo. Estava enganado, como estava com você."

"Você engravida suas amantes, só por causa dos bebês. Você nos usa para nos tornar soldados perfeitos e leais a você! Não quer filhos ou filhas, você quer máquinas de guerra," gritou Akane, ajoelhando-se e chorando.

Todos, exceto Obaki olharam para ela, espantados. O rosto de Obaki estava tomado pela raiva e ódio. "Quem você acha que é para me dizer o que devo fazer ou não? Trepei com muitas raças, dragões, humanos, fadas, até mesmo koorimes para conseguir uma criança para ser meu herdeiro. Nenhum de vocês merece esse título. Taaro, você e Hiei são todos lixo. E como lixo vou acabar com vocês," Obaki aumentou seu poder de repente, e a câmara tremeu.

"Esse louco está provocando um terremoto!" gritou Kuwabara.

"Hn. Ele só está aumentando o poder dele, idiota. É pior do que isso," disse Hiei.

Kurama levantou-se e apressou-se até Akane, ajudando-a a se levantar. Ambos dirigiram-se até os outros rapazes. Aproximando-se, Hiei olhou furioso para Akane, e então desviou o olhar. Kurama notou aquilo, mas não disse nada.

"Hiei. Como é que você saiu da manipulação mental dele?"

"Não *posso* ser manipulado, youko. Meu jagan me protege." Hiei resmungou, e então gesticulou na direção de Obaki. "Melhor você se preocupar em como vai detê-lo. Ele é um monstro,"

"Nós conseguimos," Kurama sorriu, passando um braço pela cintura de Akane. Ela parecia estar confusa com o poder de seu pai.

"Ele está se tranformando. Droga!" ela falou do nada.

"Nanda?" perguntou Yusuke.

"Obaki não é um youkai. Ele vai usar seu verdadeiro corpo para lutar. Talvez tenhamos uma chance. Se ele está fazendo isso, talvez ele sinta que somos mais fortes do que pensamos."

"Se ele não é um youkai, o que ele é?" perguntou Kuwabara, confuso.

"Olhe aquilo!" avisou Hiei. Todos voltaram-se e encararam um imenso corpo reptiliano, esticando suas asas. Negro como a noite, suas escamas brilhavam de vez em quanto. Ele rugiu e a câmara estremeceu.

"Outro dragão estúpido?" falou Yusuke, levantando uma sombracelha sua.

"Obaki não é estúpido." disse Hiei.

"Cuidado. Aquele dragão vermelho era só uma ilusão. Esse é real," Akane falou. "Não olhem direto nos olhos dele, ou então vocês serão paralizados pelo medo."

"Medo? Não tenho medo desse cara," reclamou Kuwabara.

"Dragões têm uma Aura de Medo. Olhe dentro dos olhos dele e farão você ver seus medos interiores aparecerem. É um poder mental, é por isso que na forma humanóide ele tem um jagan."

"Você tem um jagan?"

"Só os verdadeiros dragões têm. Sou meio-dragão, como Hiei. O jagan dele foi feito por cirurgia,"

"O que está falando, Hiei é meio-dragão?" perguntou Yusuke. "Ele é filho de Obaki também?" Akane assentiu e replicou:

"Ele é meu irmão mais novo, assim como Taaro era meu oniisan,"

"Parem de falar, ele vais nos atacar agora," gritou Hiei, antes que uma cauda chicoteasse aonde eles estavam. Akane e Yusuke foram apanhados e atingiram uma parede; Kuwabara evitou-a e invocou sua Rei Ken, tentando cortar a cauda, contudo, quando a tocou, nada aconteceu e a cauda estalou nele, que foi parar no teto. Kurama pulou para o alto, enquanto Hiei saltava na cauda de Obaki, correndo por ela, até alcançar a espinha. Kurama então tirou sementes de seu cabelo e mandou-as para os olhos de Obaki. Próximo a eles, elas explodiram, espalhando uma espécie de polém. Obaki rugiu de dor, enquanto aquilo tocava seus olhos, contorcendo-se. Hiei aproveitou a chance, e conjurou sua espada negra, cravando-a na espinha de Obaki.

Obaki gritou e atingiu Hiei com sua cauda e Kurama com a asa. Hiei caiu próximo ao dragão e ele rugiu o que deveria ser uma risada. Sua garra agarrou Hiei com força.

"Hiei!" gritou Yusuke.

"Jaou Ensatsu..." Yusuke olhou para Akane, o corpo dela rodeado por uma aura negra, o braço direito mostrando uma tatuagem de dragão negro. Ela esticou o braço na direção do ventre de Obaki. "...Kokuryuha!"

Uma grande serpente negra apareceu de seu braço, contorcendo-se enquanto tomava vida. Ela foi até o teto e quando estava para atingi-lo, desviou-se, apressando-se até o dragão. Obaki ficou firme e abriu as asas, enquanto rugia. O kokuryuha o atingiu diretamente, e da explosão Hiei caiu, inconsciente.

Protegido pela fumaça, Kurama semeou algumas sementes, enquanto corria até Hiei. Ele agarrou seu amigo pelas axilas e o afastou do dragão.

Rindo, Obaki apareceu sem nenhum dano. "Então, você aprendeu minha técnica, Hiryu? Foi o que pensei, do contrário como Hiei a teria aprendido?"

"Minha nossa, o kokuryuha não o feriu? Estamos condenados!" gritou Kuwabara, preocupado.

"Kurama, não poderemos feri-lo com fogo. Precisamos distrai-lo até que..." falou Akane.

"Até o quê?' perguntou Yusuke. "Não temos tempo. Precisamos derrotá-lo ou morremos,"

"Preciso convencer Hiei a lutar com ele,"

"Hiei estava lutando!"

"Não do jeito apropriado," ela disse simplesmente.

Urameshi ia perguntar mais, mas Kurama o deteve. "Vamos distrai-lo como pudermos. Akane-chan, faça seu melhor,"

Ela assentiu e ajoelhou-se, para acordar Hiei. Yusuke correu até o dragão, ficando do seu lado; Kuwabara fez o mesmo, mas colocando-se do outro lado. Kurama pôs-se de frente a Obaki. O silêncio caiu na câmara, sendo quebrado de vez em quando pelo resfolegar do dragão. De repente, Yusuke fez um movimento e um punho seu começou a brilhar.

"Shot Gun!"

Ao mesmo tempo, Kuwabara reunia seu reiki em suas mãos e o libertava na direção de Obaki, na forma de fogos de artifício.

"Rei Ken!"

Kurama agachou-se e tocou o solo, sentindo seu youki fluindo, mergulhando no chão, procurando pelas sementes que havia semeado. Ele sussurrou algumas palavras e cipós emergiram do chão. Ao seu comando, eles foram até Obaki, enrodilando-se ao redor do corpo dele.

Obaki observou a cena e recebeu as técnicas sem se mover. Mesmo amarrado, os poderes de Yusuke e Kuwabara não o afetaram. Na verdade, ele nem mesmo prestou atenção neles. Estava mais interessado em Hiryu e Hiei. Ela o havia acordado e aparentemente estava conversando algo com ele. Obaki preocupava-se com fato dos dois estarem juntos. O resto, ele poderia matá-los facilmente, com um único movimento. Contudo, aquele não era o caso de seus filhos; se pelo um deles... Apenas um deles teria poder para assassiná-lo, era só pensarem um pouco. Obaki sabia disso, que para mater-se vivo, precisava tirar a vidas deles.

Akane ajudou Hiei a sentar-se, enquanto procurava por ferimentos. Ela sorriu quando não achou nenhum. Olhando de esguelha, ela viu os rapazes fazendo de tudo para manter Obaki longe deles. Voltou sua atenção para seu irmão mais novo. Ele parecia estar mais... maduro. Hiei tinha se tornado bonito e poderoso, sozinho. Não pode evitar de ficar orgulhosa por dentro. Hina-san, gostaria muito que tivesse conhecido suas crianças. Ficaria orgulhosa delas, como eu sou. Akane não conseguiu evitar um sorriso.

"Do que está rindo?" questionou Hiei, rude.

"Você é um adulto bonito, amorzinho,"

"Bah. Ainda continua falando baboseiras,"

"E você ainda é bem-humorado."

Hiei olhou para Obaki e seus amigos, franzindo o cenho. "Eles não têm nenhuma chance contra ele,"

"Não, não têm. A não ser que você os ajude, do modo apropriado," ela observou Hiei cuidadosamente, tentando notar qualquer chance para fazer seu ataque. "Hiei, você sabe qual é o ponto fraco dele, não?"

"Acho que sim, mas não fique com esperanças. Não vou fazer isso; prefiro morrer."

"Comovente. É o que vai acontecer se for teimoso; Hiei, irmão, só você pode fazer isso. Por favor, não quero ver mais mortes, não quero ver a morte de Kur- ... de ninguém,"

Hiei levantou uma sombracelha, confuso por que ela começara a dizer o nome de Kurama e parara abruptamente. De algum modo, aquilo fez seu coração derreter-se um pouco, contudo mesmo assim, sua resposta foi negativa.

Cansado de esperar, Obaki desamarrou-se e atingiu Urameshi com uma garra. Kuwabara foi atirado longe por outra garra. Uma garra procurou por Kurama, porém o youko fugiu. Enfurecido, Obaki abriu sua boca e expeliu um jato de chamas negras na direção dele; Kurama saltou de um lado para o outro, desviando-se. Yusuke, Kuwabara, Hiei e Akane olhavam fixadamente para aquilo, impotentes. Só podiam rezar pela agilidade de Kurama; e era o que Akane fazia, uma mão sobre o coração, a outra agarrando com força o ombro de Hiei. Ele olhou para ela alguns segundos, os olhos âmbar como os seus, úmidos com as lágrimas quentes que pingariam logo, a tristeza e preocupação expressa naquele rosto... Tinha sempre abominado-a tanto quanto amara sua irmã gêmea. Nunca soube por quê, ela salvara sua vida algumas vezes no passado... Ela era a única coisa que o unia ao passado, à sua verdadeira origem.

"Por que não posso encontrar meu toosan?" perguntara.

"Algumas coisas devem ser esquecidas, e toosan é uma delas,"

"Bobagem. Você disse uma vez que ele é muito poderoso. Quem é ele?"

"Um inimigo. Ele deve ser morto assim que o encontrarmos,"

"Hn. Por que sempre fala usando evasivas?"

"Kurama!" ele ouviu Akane gritar, e acordou de seu devaneio, olhando para Kurama.

Hiei sobressaltou-se quando viu Kurama encurralado por Obaki; o dragão abriu a boca mais uma vez.

"Obaki! Rei Gun!" Urameshi atirou no seu inimigo, tentando resgatar o amigo, mas Obaki deteve o Rei Gun com uma garra. Kurama pulou para o alto, mas a mesma garra bateu nele e ele caiu. Tentou levantar-se, mas suas pernas não aguentavam seu peso.

Obaki riu. "É o primeiro a morrer, youko,"

Chamas negras saíram da boca do dragão; Hiei viu Kurama sendo atirado na parede e ouviu seu grito. Quando o fogo negro desvaneceu, dois corpos feridos caíram; todos arregalaram os olhos para aquilo. Um pressentimento ruim correu pela espinha de Hiei enquanto percebia que a pressão no seu ombro desaparecera.

"Hi... Hiryu..." ele choramingou.

Obaki deu um passo para trás, confuso. Ele não percebera que ela interpusera-se entre eles. Quão poderosa ela se tornara?

"Kurama! Akane!" gritou Yusuke e Kuwabara, enquanto corriam até eles. Estancaram quando Hiei saltara à frente deles. Seu rosto estava esfurecido, de olhos injetados; um desejo por matança o preenchendo.

"Hiryu, Kurama..." Hiei falou alto, lentamente.

Obaki olhou para ele, divertido. Ele ia tentar atacá-lo de novo? Não sabia que o fogo negro não o atingiria? A menos que...

Hiei fechou os olhos lentamente e deixou o mundo a sua volta para trás. Tinha que examinar sua alma, seu interior, de modo a compreender o poder dentro dele. O poder que negara por tanto tempo... Poder vindo de suas origens...

Ele estava caindo... Caindo de um lugar gelado, onde fora segurado por braços calorosos. E agora estava no meio do ar, ventos frios açoitando seu pequeno e frágil corpo... Mas então ele fora segurado novamente por braços calorosos e conhecidos. Ouvira palavras, falando de amor e ódio, de coragem e fraqueza; palavras falando de fogo... e gelo!

Hiei sentiu o corpo frio. Ele sabia que seu corpo estava envolto numa aura gélida, congelando tudo em volta. O chão debaixo de seus pés tinha uma fina camada de gelo; flocos de neve e vento frio o rodeavam, como uma dança. Hiei abriu os olhos imediatamente, encarando Obaki. Seu inimigo estava horrorizado, tão pálido quanto um rosto escamoso poderia estar. Hiei sorriu afetadamente, esticando ambos os braços na direção de Obaki.

"Queria ver isso, não é? Vou te dar mais; você vai sentir, filho da mãe!"

Hiei expeliu seu youki na direção do dragão. Ventos gélidos começaram a soprar, um jato de neve contorcendo-se saiu dos braços de Hiei. Aquilo atingiu Obaki, depois de quebrar a barreira de youki que ele invocara. O dragão gritara, enquanto sopros de vento gelado o engoliam. Ele deu alguns passos na direção de Hiei, mas pausou, incapaz de se mover mais.

"Yusuke!" gaguejou Hiei.

"Nan-nanda?"

"Atire nele. Não consigo agüentar mais isso," ele gemeu.

"Hai! Rei G-?!" Yusuke engoliu em seco enquanto via Hiei desabar, sua pele azul devido ao frio. Obaki tinha feridas por todo corpo, partes de seu corpo congeladas. Um grande arbusto surgiu de seu ventre, cipós apressando-se até o pescoço, enrodilando-se ao redor dele. Flores desabrocharam em várias cores.

Obaki tentou olhar para trás, mas a dor o impediu. Ele avançou lentamente, tentando pegar Hiei e esmagá-lo; sua visão estava manchada de sangue e não viu a enorme bola de reiki enviada até ele por Urameshi. O Rei Gun o envolvia e segundos depois, seu corpo desabou. Obaki xingou baixinho e resfolegou. Logo percebeu o rapaz ningen sobre ele, a espada espiritual nas mãos. Aquilo foi a última coisa que viu, antes que Kuwabara cortasse sua cabeça.

Keiko, Kuwabara e Yusuke estavam sentados na loja de ramen dela, comendo e batendo papo.

"Ei, Keiko, telefonou para Kurama?" perguntou Kuwabara.

"Hai, mas não o encontrei em casa,"

"Telefonou para ele no serviço?" perguntou Urameshi.

"Sim, ele não estava lá. Shiori-san me disse que ele está bem chateado ultimamente, embora tente não mostrar."

"E Hiei? Ele também não está legal," comentou Kuwabara. Todos trocaram olhares tristes.

"Espero que Kurama-kun supere isso rápido. Ele é tão gentil e alegre. É uma pena vê-lo assim," Yukimura suspirou. "Hiei também." acrescentou.

Yusuke segurou suavemente a mão dela e disse:

"Todos nós desejamos isso, Keiko."


xx março 2004
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