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Um Elo Com o Passado
por Rechan
Epílogo
Caminho entre as árvores, olhos fechados, apenas sentindo
- e ouvindo - a vida ao meu redor. Há folhas balançando
e caindo; pássaros chilreando e voando; sopros de vento passam.
Ouço agora água fluindo. Abrindo os olhos, vejo um
riacho a alguns passos de mim. Observar a vida seguindo seu curso,
especialmente aqui, no Templo de Genkai, sempre foi um passatempo
agradável. Agora, tornou-se um tipo de tortura.
Meu coração está partido e o mundo parece não
se importar. Tudo continua vivendo, menos ela. Desde aquele dia fatídico,
sinto-me como se estivesse estilhaçado em vários pedacinhos.
Fugi para aqui, então. Não quero preocupar Shiori e
sei que Keiko-chan tem me telefonado. Mas não quero ver ninguém,
nem mesmo desejo ver a pena dentro de seus olhos. Quero ficar sozinho,
só isso.
Por outro lado, é duro suportar minha solidão. Quero
esticar a mão para alguém, por algo em que possa me
apoiar. Eu puxaria para mim e agarraria-me como um bote salva-vidas.
Contudo, minhas mãos estão atadas e a boca está trancada.
Não tenho para onde ir. Estou perdido, cego na tempestade.
Solto um suspiro e pecorro o caminho até a casa. O sol se
põe rápido e Yukina deve estar com o jantar pronto.
Não tenho exatamente desejo para me alimenter ultimamente,
mas finjo ter, somente para não incomodar a irmã de
Hiei.
Irmã de Hiei... Entre tanta coisas que esperava dela, nunca
imaginei isso! Sorrio amargamente; esse conhecimento agora não
tem tanta importância quanto teve uma vez. Não me importo
com quem é o irmão dela, só queria poder olhar
para ela, acariciar seu cabelo, seu rosto... Todo dia desejo poder
beijar seus lábios, tocar seus seios, fazer amor com ela novamente.
Desejo-a viva outra vez. Para ficar nos meus braços.
Suspiro mais uma vez. Devo aceitar a morte dela, embora saiba que
não será fácil. Paro de repente, enquanto sinto
um youki aproximando-se. Hiei. Franzo o cenho, já que ele
prometera que nunca voltaria ao Ningenkai. Seu youki parece estar
próximo a mim por alguns segundos, como se ele estivesse me
observando. Não me movo. Pergunto-me se ele conversará comigo,
me apoiará, ou simplesmente ficará escondido e então
fugirá.
Há um suave mudança aonde seu ki estava e volto-me,
de modo a encarar meu amigo. O velho e bem conhecido Hiei está ali.
Nenhum traço de sofrimento, de perda, é mostrado pela
sua expressão. Dou-lhe um sorriso triste e ele assente, em
reconhecimento. Olhamos um para o outro, nenhuma palavra é pronunciada;
sinto que se um de nós falasse uma só palavra, ambos
iríamos cair em lágrimas. E sei que nenhum de nós
deseja isso; Hiei, porque não quer mostrar nenhuma fraqueza;
e eu, bem, posso dizer que estou quase esgotado. Estou tentando com
todas as forças secar minhas lágrimas e chorar mais
uma vez não me ajudará.
Hiei desvia o olhar, enquanto um barulho vem entre as árvores;
um youki baixo e suave está vindo. Yukina deve estar a minha
procura. É estranho pensar que estou chorando pela irmã dela.
Agora, estou contente por Yukina não saber sobre o irmão,
mesmo Akane não sendo sua irmã, ela sofreria, por ela,
por Hiei, por mim. Yukina é realmente uma flor doce e de bom
coração entre arbustos e espinhos. Kuwabara-kun e ela
iriam ser felizes juntos, com certeza. Inesperadamente, sinto o ar
se movendo e percebo que Hiei se fora. Mantenho meu olhar onde ele
uma vez esteve, enquanto sua irmã aparece, alegremente me
cumprimentando. Ela me chama para jantar e eu gentilmente concordo,
então acompanhando-a. Yukina fala quase todo o tempo, como
se tentasse me distrair. Sorrio para ela. Com seus esforços
inocentes, estou me recuperando dia a dia.
Entendo agora que Akane plantou uma semente no meu coração.
Ela cresceu rápido; apesar da sua morte, me protegendo com
seu corpo do fogo de Obaki, ter chegado tão repente. Ainda
sinto o presente dela dentro de mim. É uma cicatriz, mas uma
cicatriz que desejo manter até o fim dos tempos. A semente
dela florescerá novamente, quando o tempo certo chegar. E
eu a regarei com todo meu coração. Até que minha
alma encontre um fim.
Kuwabara voltou sua cabeça na direção do youko.
Kurama tinha sangue por todo corpo, e apesar de ter alguma dificuldade
em manter-se de pé, ele parecia bem. Yusuke estava de joelhos,
lado a lado com Hiei, que estava desmaiado. Kuwabara não pode
evitar de ficar orgulhoso de se amigo de Hiei, embora nenhum deles
admitisse isso. Ele olhou para Akane, então. O corpo dela
estava manchado de sangue, imóvel como uma rocha; ele sentiu
um arrepio enquanto viu Kurama aproximando-se dela.
Kurama ajoelhou-se ao lado de Akane, olhando apaixonadamente para
ela. Ele tocou de leve no cabelo dela, enquanto os olhos se umedeciam.
Suas mãos, assim como seu corpo começaram a estremecer.
Lágrimas apareceram e pingaram de seus olhos. Foi então
que ela abriu os olhos um pouco.
"Ku-Kurama..." ela sussurrou, gaguejando.
"Fique quieta. Está seriamente ferida, mas vou curar
você,"
"Quer saber por que fiz isso?"
"Você me conta depois. Cale-se e descanse!"
"Vou descansar, sabe disso," ela tentou sorrir, mas a
dor a impediu. Kurama a pegou nos braços, para deixar o covil
de Obaki.
"Vamos sair daqui," ele gritou para todos.
"Itooshii." Akane chamou-o baixinho. A força dela
estava no fim. Kurama olhou dolorosamente para ela. "Suki da...
yo... ne?" Kurama sentiu um arrepio ante suas palavras e sentiu
uma mão sobre seu ombro. Lágrimas correram livremente
enquanto olhava para Botan.
"Kurama-kun. Gomen ne?"
Kurama ajoelhou-se, com Akane ainda em seus braços; ele deitou
seu cadáver, então atirando algumas sementes sobre
ela. As sementes desabrocharam e várias flores, de vários
tipos e cores cobriram seu corpo.
"Akane mo aishiteru..."
Fim de Um Elo Com o Passado.
À todos aqueles que me apoiaram, através de e-mails,
muito obrigada. É difícil escrever uma página
ativa, fazendo faculdade fora. E somente por vocês, ela continuou. À aqueles
que gostaram desse fic, aguardem "A Maldição",
que seguirá a mesma linha de tempo de Elo.
Itooshii > querido (a)
Suki da yo ne > gosto de você, né? (pode ser traduzido
também como 'eu te amo', dependendo da situação)
Gomen ne > desculpe
Akane mo aishiteru > também de amo, Akane.
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