|
Fim de Jogo
por JoIsBishMyoga
*Nota: este fic acontece logo após a luta entre Yusuke e Hiei, quando
ele roubou o artefato do Reikai.
"Sabe Kurama, tem algo que não entendo."
Kurama olhou de esguelha para sua companhia. Ele e Yusuke estavam
sentados em silêncio há muito tempo, esperando que o Reikai mandasse
o transporte para os prisioneiros de Yusuke. Nenhum dos dois estava
em condição de usar o remo de Botan, não com a ferida de Kurama ainda
sangrando, não com Hiei amarrado e inconsciente. yusuke não tinha
muita escolha a não ser montar guarda enquanto Botan levava uma confusa
Keiko para casa.
"Sim?" o ruivo murmurou.
"Hiei... normalmente ele não é assim, é?"
Não era uma pergunta, que foi o bastante para lançar uma faísca
de interesse pela mente de Kurama. "Como o quê?" ele perguntou.
"Todo... homicida e psicótico daquele jeito."
Kurama sorriu ironicamente. "Na verda, sim, ele é."
"Não!" Yusuke objetou. "Não é isso que quero dizer. Não conheço
ele, mas droga, tinha algo errado." Kurama esperou, enquanto Yusuke
batia o pé vagarosamente no chão, falando em voz alta para ajudar
a organizar as idéias. "Ele estava tão... fora de controle."
"Sim."
"E caiu num truque tão barato."
"Sim."
"Dois deles, na verdade, incluindo o seu. "
"Sim."
"Quer PARAR de dizer 'Sim', desse jeito?" o sorriso de
Kurama se ampliou imperceptivelmente, fazendo com que o ritmo de
pensamentos de Yusuke se adiantasse. "Três caras roubam os artefatos
do Reikai. Você, Gouki e Hiei. Você é o ladrão, admitiu isso. Gouki,
basicamente, é o brutamontes contratado, só músculos, sem cérebro.
Bucha de canhão."
"Descorda?" Yusuke estava certo; ele e Hiei não tinham
realmente considerado Hiei como parte da parceria, a despeito do
que o devorador de almas pensava.
"Talvez. Importa-se com isso?"
"Talvez."
Yusuke piscou os olhos, mas retornou ao assunto. "O perito, a isca...
falta o líder. O verdadeiro poder e cérebro: Hiei." ele franziu o
cenho, colocando as mãos atrás da cabeça. "Então como DIABOS eu o
derrotei? O que mudou entre o roubo e agora?"
Kurama esperou. Ele tinha suas próprias idéias, mas as reflexões
de Yusuke estavam ficando mais interessantes. Ele não tinha idéia
de o delinqüente... quase irrecuperável... tivesse uma mente tão
astuta. Era intrigante.
Olhos negros voltaram-se para o interior. "Kurama..." Yusuke murmurou.
"O que exatamente a Espada Kouma faz?"
Realmente intrigante. Kurama entendia que Yusuke perguntava simplesmente
para ouvir em voz alta de novo. "A Espada Kouma escraviza a mente
dos humanos e os torna marionetes demoníacas."
"E quando eles são youkai, a Kouma ainda assim funciona com eles?"
Rapaz esperto. "Sim."
"Então a Kouma escraviza mentes... humanas ou youkai. Hiei sabia
disse quando roubou a espada?"
"Sim."
Os olhos de Yusuke se estreitaram. "Isso não faz sentido, por que
ele roubaria algo que o controlaria?" ele mudou o olhar quando Kurama
não respondeu, franzindo o cenho ante o sorriso misterioso que Kurama
permitiu que ele visse. "Você sabe de algo," disse sem necessidade.
"Hiei de alguma maneira achava que a espada não o controlaria. Ele
tinha uma proteção?"
"Não."
"Alo em sua natureza, então. Algo para derrotar a espada controladora
de mentes," ele meditou. "Controle de mentes: uma batalha de vontades
e o mais forte vence. A Espada Kouma é mais forte que humanos, mas
Hiei não é humano. Ele se superestimou...?"
"Não, ele é mais forte que a Kouma."
"Droga. Ok, desisto. O que é?" Yusuke perguntou, evidentemente consciente
de que não conhecia Hiei bem ou os youkai em geral. Kurama moveu
para perto dele um pouco, recuando enquanto apertava a ferida. "Kurama?"
"Estou bem, estou bem. Suponho que deva a você isso." Kurama sorriu
acanhadamente para Yusuke. "Não mencionamos o jagan. O terceiro olho,"
ele esclareceu. "Não é de Hiei; é um implante que ele controla. Tem
sua própria vontade, quase igual a da Kouma. É por isso que sabíamos
que Hiei era mais forte do que a espada. Pensávamos que eles ficariam
presos num beco sem saída, na verdade, o que seria bem mais estável
do que o que Hiei tem agora."
Yusuke suou. "E você não acha que eles poderiam tentar trabalhar
juntos para superar Hiei?"
"Bom, não." Kurama esfregou a nuca, embaraçado. "Eles são o que
chamamos elementais; têm vontades, não mentes. Eles existem para
ganhar poder, não para dividi-lo. Não achamos seriam capazes de...
juntar-se, por assim dizer."
Yusuke bateu com a mão na testa com isso. "Vocês estavam mesmo por
fora, não é? Dois equívocos da parte de vocês, em uma semana... que
peritos." ele pausou. "Sem ofensa."
"Não houve nenhuma."
"Falando nisso, como está sua mãe?"
Sobressaltado pela súbita mudança de assunto, Kurama respondeu,
"Bem. Ela deve voltar para casa na semana que vem. Está muito feliz
com isso."
"Aposto que está. Hospitais são uma droga." Yusuke espreguiçou-se,
olhando Hiei distraidamente. "E você estará obedientemente cuidando
dela enquanto ela se recupera, não. Ela não terá que lutar sozinha."
"Hum, certo." Kurama inclinou a cabeça ligeiramente. "Graças a você,
é claro."
"É, ajudei você com aquele Espelho maluco," Yusuke disse num tom
de voz estranho. "Ajudei-a a ser feliz. Salvei seu traseiro. Não
é todo mundo que faria isso."
"Não, suponho que não."
"Como sabia que eu o faria?"
"O quê?"
Yusuke voltou sua cabeça na direção de Kurama, os olhos negros queimando
na direção dos verdes espantados. "Eu disse," ele repetiu, "como
você sabia que eu faria aquilo? Dar parte da minha vida para o espelho,
para salvar a vida de ambos?"
"Não sabia."
Yusuke levantou-se rapidamente. "Mentira, Kurama. Você não é idiota,"
ele bombardeou, acrescentando, "Você sabia qual era o preço do espelho
e sabia que ela ficaria triste se você morresse. É por isso que me
levou para o hospital, por isso me deixou estar lá quando ativasse
o maldito espelho. Você sabia que ele não poderia realizar seu desejo."
Kurama o fitou, com olhos arregalados, enquanto Yusuke lentamente
se sentava de novo. "É por isso que pronunciou o desejo daquela forma.
Desejou pela felicidade dela, sabendo que o espelho não tiraria sua
vida por isso, realizando-o ou não. Você só fingiu estar desejando
trocar sua vida pela dela, sabendo que eu não aguentaria ficar olhando
e deixar você fazê-lo." ele esfregou o nariz com força, com as costas
da mão. "E cai completamente, sua raposa desgraçada. Socaria você
por isso, se já não estivesse tão machucado."
"Está irritado."
"Um pouco. Não gosto de ser manipulado, especialmente por alguém
a quem chamo de amigo."
Kurama inclinou a cabeça para Yusuke, curioso. "Amigo?"
"É, ria. O estúpido humanos acha que você é amigo dele."
"Não estou rindo, Yusuke." ele pôs a mão gentilmente no ombro do
outro rapaz. "E realmente não sabia que você faria algo como aquilo."
Yusuke murmurou algo rude baixinho, e o aperto de Kurama aumentou,
enquanto acrescentava, "Mas esperava que o fizesse."
"Você. Esperava."
"Sim..." ele deixou a mão cair. "Não estou tão ansioso pela morte,
Yusuke."
O rapaz deixou passar. "Certo, certo, entendo porque o fez. Se fosse
minha mãe... De qualquer forma, poderia ter me dito, sem truques.
Teria sido muito mais fácil."
"Exceto que você tentaria me deter."
"E levaria uma surra no processo, hum?"
"Não teria posto deste modo, mas sim."
Yusuke sorriu insolentemente. "Um dia desses, teremos que descobrir."
Kurama fitou-o por um momento, antes de seu rosto mostar um sorriso
brilhante. "Você quer mesmo, não," disse de modo incrédulo.
"Não vi nenhum de seus golpes, cara!"
"Poderá não ver. As sentenças do Reikai tendem a ser demoniacamente
longas."
"Você sairá fácil e sabe disso," Yusuke retorquiu. "Não atacou ninguém,
não resistiu à prisão e ajudou a pegar Hiei. Então, que acha?"
Os olhos de Kurama dançaram de alegria. Yusuke não perdia nada!
"Tudo bem, treinaremos um dia."
"Treino?! Diabos não, quero um combate!" Kurama começou a rir, fazendo
com que Yusuke desviasse o olhar. "O que é engraçado?"
"Nada," o ruivo disse. "Você parece confiar em mim."
"Que, não é verdade? Você se atirou na frente da espada por mim."
ele pausou. "Bom, parcialmente por mim. Nada teria ajudado Hiei se
ele conseguisse me matar," disse num adendo. "De qualquer forma,
confio que será você mesmo: calculista, esperto e leal demais para
seu próprio bem." ele estendeu a mão com um desleixo bem fingido.
"E então, amigos?"
Kurama a apertou. "Amigos." E riu.
Traduzido por Rechan // Título Original: End Game
Begin
|