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A História de Nós
Dois
por Bra Briefs
Kurama, Hiei, Yusuke e Kuwabara estão no Makai mais uma vez.
Motivo? Eles vão participar do torneio das trevas.
Todos estavam cansados da longa viagem que tinham feito. Nesse
meio tempo enfrentaram muitos Youkais, que queriam a todo custo atravessar
a fronteira para o mundo dos homens.
Já anoitecera, e todos estavam tendo seu merecido descanso.
Os garotos estavam dividindo um quarto como sempre. Cada qual dormindo
serenamente em sua cama. Porém um deles se mantinha acordado.
Kurama se levantou e lentamente se direcionou para a varanda do
quarto, que não era nada mais do que um pedaço de espaço
sem cobertura alguma. Habilidosamente pulou e ficou no telhado do “hotel”.
Olhou para a lua cheia e iluminada do Makai. A brisa suave trazia
o perfume das flores selvagens da
redondeza e acariciava seus cabelos vermelhos. Os olhos verdes estavam fechados
nesse momento. Apenas tentando absorver todas aquelas informações.
Makai. Uma palavra curta. Que há muito tempo significou
muito para o Kitsune. Lar...Conquistas...Tristezas...Abandono...
Transformações...
Por que Kurama estava ali mesmo? Ah sim...A sensação
de estar no Makai. De estar livre, despertou os poderes das trevas
do ruivo. Hoje teria de se
transformar em Youko de novo. O Ladrão...O assassino...O traidor...Youko
Kurama. Lenda do Makai. De volta mais uma vez, para o mundo que o odeia. E
que ele ama.
Um brilho prateado tomou conta do corpo de Kurama. Que em poucos
segundos, assumiu a sua forma de Youko prateado.
“Liberdade...” As palavras soaram de sua boca, quase
num sussurro. Porem seu coração se apertava... A maldição
do Youko se prolongava. Cada parte de seu corpo sentia que iria vir
a falecer alguma hora. Era falta...Era necessidade...Era insegurança...Eram
sentimentos que ele não entendia. Sentimentos que ele necessitava
esquecer. Ou então...Conseguir ele pra
si...Mas isso seria algo quase impossível. Quem iria querer um Youko
assassino? Ladrão? Traidor. Sim...Traidor...Quantos havia seduzido apenas
para conseguir o que queria? Quantos lhe entregaram o coração?
E quantos ele havia matado? Quantos foram usados por caprichos seus?E afinal...O
que eram esses sentimentos? Culpa? Culpa pela vida maldita que teve?
Culpa por viver entre humanos...Viver com Shiori, e ao mesmo tempo
se lembrar...Que comia da carne deles? Daqueles com quem aprendeu
a sentir? A...Amar? Mas então...Outra duvida surgia. O que é amor? É o
que esmaga seu coração? É aquilo que te deixa
angustiado...Com medo de ser rejeitado? Por que estava pensando nisso
tudo? Já sabia da resposta...Algo
impossível de ignorar. O seu único desejo...
“Eu... Só quero você... Hiei...” Disse
numa suplica. Como se o vento fosse atende-lo. Mas sabia que isso
seria impossível. Sua angustia seria prolongada. E aquele
sentimento...Seria levado com sigo em silencio. Uma tortura infinita...Que
em fim iria mata-lo.
* * *
No quarto. O pequeno koorime havia acordado assustado. Havia tido
um sonho um tanto estranho. Estava tão assustado que estava
suando frio. Com a manga da blusa negra, limpou o suor. E olhou para
a lua, que insistia em banhar o quarto com sua luz prateada.
Aquilo lhe lembrava mais uma vez daquele sonho estranho. Do Youko
prateado...Ele estava o olhando fixamente. Implorando-lhe...Implorando-lhe
pelo quê? Por quê?
“Eu quero você, Hiei...” Palavras sussurradas
e carregadas de pesar entraram no quarto.
Era a voz do Youko prateado. Era a voz que tanto lhe provocava
arrepios deliciosos pela espinha. Era aquele que sempre morou em
seu coração. Era
aquele...Era ele...E por que a voz dele estava carregada de melancolia? Por
que aquele ser estava lhe chamando? Para que ele queria um demônio de
fogo? Para que ele queria alguém amaldiçoado como ele? Por quê?
Pra quê?
O vento arrepiava os cabelos negros de Hiei. Fora o vento que trouxera
aquela mensagem? Fora o vento que trouxera aquela suplica? Fora o
vento que trouxe aquele sofrimento?
Olhou para o lado. Kuwabara e Yusuke ainda estavam dormido. Mas
Kurama não estava lá. Sua cama estava vazia.
Colocou um pé para fora da cama. Hesitou por um momento.
E se o vento estivesse o enganando? E se aquelas palavras fossem
sua própria alucinação. Mas se fosse mentira...Por
que o sofrimento naquelas palavras fazia seu coração
doer? Não havia outra solução. Teria de ir...E
saber o porque do Youko está sofrendo.
Caminhou lentamente. Como se cada passo fosse dado com um esforço
imenso. Pulou e tocou o telhado sujo.
Seus olhos arregalaram. Lá estava ele...A leve brisa levando
seus cabelos. Lá estava ele...Olhando serenamente para a lua...Mergulhado
em seus próprios
pensamentos. Com o rosto indecifrável.
Aquele enigma. Aquele ser que roubara seu coração.
Hiei então ficou parado. Apenas olhando a figura do Youko,
que fitava serenamente a lua.
O coração do youkai de fogo bateu como um louco,
quando viu os olhos dourados virados na sua direção.
O Youko o olhava com severidade. Como se o condenassem por alguma
coisa. Recuou. Queria fugir daqueles olhos aguçados. Fechou
os olhos e esperou que aquela raposa lhe dissesse algo. Mas não
escutou nenhum som. Só sentiu os longos e elegantes dedos
fechando ao
redor de seu pescoço. Abriu os olhos alarmados.
Tentando buscar uma explicação. Mas seus olhos encontraram
com os olhos dourados. Que ainda lhe fitavam de forma acusadora.
“K...Kurama...” Não conseguiu que sua voz saísse
mais que um sussurro. Já sentia alem da falta de ar. As unhas
do kitsune lhe furarem a carne, e o sangue cair num pequeno filete
pelo pescoço.
“Por que faz isso comigo?” O Youko havia parado de apertar
seu pescoço. E agora lhe lambia o sangue roubado. “Por
que não me deixa em paz? Por que me faz sentir essa dor em
meio peito...”
“Kitsune... O que há com você?” Olhou no
fundo dos olhos dourados. E lá encontrou o desespero. A angustia.
A solidão...A insegurança...O amor.
“Amor...” Kurama disse num sussurro, que mau Hiei pode
ouvir.
Quando as palavras se confirmaram em seu ouvido. Hiei tocou na pele
alva do rosto do Youko e sentiu ele estremecer perante o toque.
“Não te agrada o meu toque?”
“Não faça isso comigo...” As lagrimas
quentes caiam dos olhos do Youko. E Hiei as limpou imediatamente.
“Não chore, raposa...” Hiei acariciava o rosto
de kurama. “Eu quero te ver sorrindo... Por que não
sorri como sempre?”
“Eu... Esses sentimentos... Você não sabe...”.
“Não se machuque...”.
“O que?”
“Não machuque seu coração e seu corpo,
Kurama...”.
“Hiei...”.
Hiei ficou na ponta dos pés, mas mesmo assim, não
conseguiu atingir a altura do Youko a sua frente. Sem pensar muito,
pegou algumas mechas do cabelo prateado, e o puxou, fazendo seus
rostos ficarem próximos um do outro. Hiei soltou um pequeno
sorriso e lentamente os lábios se tocaram. Um simples roçar
de lábios. O demônio de fogo soltou os cabelos de Kurama,
e o fitou.
“Kitsune... Eu te amo...” Hiei sorriu confiante. Via
agora o que sua falta de coragem havia feito com sua raposa. Ele
passa os dias tentando afasta-la de si. Tentando a todo custo ignorar
seus sentimentos. Mas era algo impossível de ignorar. Aquela
raposa a sua frente era só sua... E nada e nem ninguém
iria separa-los.
“Eu também te amo itoshii...” Kurama sorriu,
beijando os cabelos negros e espetados de Hiei. O Youko respirou
fundo e voltou a sua forma ningen. O sorriso gentil e calmo voltando
a bela face do ruivo. Ele se sentou no telhado e puxou Hiei para
sentar-se em seu colo.
Não demorou muito para que o sol nascesse e iluminasse os
dois amantes no telhado. Hiei havia dormido no colo do ruivo e este
encostado a cabeça de Hiei.
Havia uma coisa que sempre ligou os dois. Uma estranha força
que os uniu tantos anos antes...E que fez crescer um sentimento que
ao longo do tempo foi se desenvolvendo e sendo descoberto. Um sentimento
que seria pra sempre.
* * *
Alguns anos depois...
O sol iluminava os dois corpos na cama fofa. Mãos com alianças
estavam entrelaçadas. Kurama já havia acordado e apenas
ficava a olhar seu
pequeno amante dormindo serenamente. Não demorou muito para que o demônio
de fogo abrisse seus olhos vermelhos sangue e fitasse Kurama.
Com um resmungo ele se levantou. Como de costume reclamou alguma coisa e procurou
pelas roupas.
“Ahn...Eu preciso ir ver as fronteiras!” Disse Hiei
bocejando.
“Mas, já itoshii?” Kurama fez um biquinho tão
infantil que por um pequeno momento, Hiei quase cedeu de cara.
“Kurama... Faz mais de um mês que eu não vou
lá! E é culpa sua!”
“Ora, Hiei! Ta dizendo que não gosta do tempo que fica
aqui?”
“Eu...Eu...”
“Pois bem! Vai ficar sem sexo!”
“NANI? Vc não pode fazer isso! Eu sou seu marido, kitsune!”
“É! Mas não é meu dono!”
“Sou sim!”
“Não...Eu que sou o seu dono...!” Um sorriso
malicioso apareceu no rosto do ruivo, que logo depois se transformou
em youko.
“huh? Kurama...mas o que...?”
“Vira de costas e deixa seu traseiro a mostra...”
“O QUÊ?”
“Eu vou te mostrar quem manda aqui...”
Os dois passaram a noite se amando.Eram personalidades
peculiares e que sempre se chocaram. Mas que ao longo
do tempo, se tornou o único modo de vida entre os dois
Youkais.
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