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A Maldição
por Rechan
Livro Um - Pesadelo
- Capítulo 2: Ataque À Noite -
Yukina observava a chuva torrencial na varanda. Os olhos âmbar
olhavam fixo para lugar nenhum e ela suspirou. Sua mente vagava pelas
lembranças de poucas horas atrás, quando estivera com
Kurama. Ela o havia levado a um local diferente daquele território,
onde uma pequena lagoa adornava uma clareira. As flores ainda desabrochavam,
apesar do inverno iminente. Yukina sorriu enquanto lembrava-se de
quão surpreso e contente ele havia ficado, vendo a natureza
tão viva. Seus olhos esmeralda brilharam e sua felicidade
era infantil. Adorava fazer aquilo com ele. Kurama começou
a falar sobre as flores ali e ela o ouvira, apenas pelo prazer de
sua voz. Sentia-se tão alegre e segura, só de ficar
ao lado dele!
Um relâmpago acendeu-se, chamando a atenção
de Yukina. Ele iluminou algumas árvores mais próximas
e ela distinguiu uma silhoueta entre elas. Sobressaltou-se e pressionou
uma mão contra o corpo. Estava incerta quanto o que fazer.
Mais uma vez, um relâmpago iluminou a figura, e ela começou
a suar frio. Olhou em volta e deu alguns passos em direção às árvores.
Yukina parou no meio do caminho até a figura, seu kimono molhado
grudando no corpo. Ela começou a sentir um ki, suave e baixo,
mas ainda assim, assemelhava-se a um tipo que conhecia.
Um trovão ressoou, assustando Yukina, que desviou o olhar.
Exatamente então, ela percebeu uma bruma avançando
lentamente, e olhou boquiaberta para a silhueta. A temperatura diminuiu
rapidamente, mas mesmo assim, gotas de suor apareceram na testa de
Yukina. O ki começou a se tornar agressivo e Yukina olhou
furiosa para as árvores.
"Quem é você?" ela falou. A chuva e a escuridão
atrapalhavam sua visão, fazendo com que ela avançasse
até a estranha. "O que você quer?"
A neblina tornou-se densa a sua frente e seus olhos mal conseguiam
ver alguma coisa. Uma lufada de vento gelado soprou na sua direção,
e Yukina protegeu o rosto com os braços. Tentou continuar
avançando, mas um sopro atingiu-a como um chicote e ela foi
atirada para trás, gritando de dor. Yukina caiu de bruços,
olhos fechados. Abrindo-os, ela perguntava-se por que aquilo estava
acontecendo. Surpresa, Yukina percebeu flocos de neve caindo.
"Oh, não, por favor, não," sussurrou, e
fechou os olhos novamente. Os flocos de neve tocaram gentilmente
o seu rosto, enquanto ela sentia ser puxada para cima pelo longo
cabelo verde. Yukina ajoelhou-se, tentando aliviar a dor na cabeça.
Tremendo, abriu lentamente um olho um pouco e olhou de esguelha para
a inimiga. Seus próprios olhos começaram a derramar
lágrimas que rapidamente transformaram-se em hiruiseki, quando
tocavam o ar gelado. A koorime gemeu e tentou alcançar sua
oponente, em vão. Ela levantou-se, então, mais lágrimas
aparecendo em seus olhos úmidos.
"É repugnante reconhecer que você e eu temos o
mesmo sangue," falou de repente a voz fria da sua inimiga. Yukina
olhou fixo para ela, paralisada. Levou uma joelhada no estômago
e caiu de joelhos, arfando. Uma das pérolas de Yukina foi
pega, e a agressora, franzindo o cenho, olhou fixo para ela, enquanto
rolava-a pelos dedos. "E esta é a prova, não é?
Porém, não é de todo uma de nós. Você é uma
aberração e vai morrer como a anormalidade que é," ela
rugiu.
Yukina olhava fixadamente para ela, espantada e confusa. Ventos
ainda mais frios sopraram e ela levantou-se, sentindo os próprios
lábios começando a secar, devido ao tempo frio. Passou
um dedo neles, preocupada; como uma koorime, frio e neve não
conseguiam afetá-la tão facilmente. Então por
quê... Yukina não terminou sua linha de raciocínio,
uma vez que a outra deu um passo à frente e socou-a. Perdendo
o equilíbrio, Yukina caiu mais uma vez, o rosto tocando o
chão, agora coberto pela neve. Ela começou a levantar
a cabeça, o nariz e boca desconfortáveis; de quatro,
cuspiu algo na neve, que tomou um tom de rosa. Aflita, sentia os
lábios inchando e uma dor pertubadora no nariz. Mais lágrimas
emergiram em seus olhos. "Pare..." ela implorou fracamente.
"Parar?! Parar?! Você quer que eu pare?!" gritou
a koorime. Ela agarrou Yukina pelo colarinho do kimono, puxando-a
para cima, para encará-la. "Só pararei para cuspir
no seu cadáver," ela sorriu maldosamente. "Por que
está tão triste? É pelo seu irmão gêmeo?
Não se preocupe com isso, poderá encontrá-lo,
assim que eu mandar ambos para o inferno." ela concluiu, rindo.
Soltou Yukina, apenas para agarrá-la pelo pescoço,
estrangulando-a. Os olhos de Yukina se arregalaram e se amedrontaram.
Ela agarrou os braços da inimiga, tentando escapar deles,
sem sucesso.
"So-socorro..." Yukina sussurrou. A outra olhou para ela,
divertindo-se com o sofrimento.
"Morra... Exatamente como seu irmão o fará e
a vadia da sua mãe fez,"
Yukina olhou fixo para ela, furiosa, enquanto algo nela inflamou-se.
A oponente sentiu uma resistência vindo no pescoço de
Yukina, do nada. Ela pressionou ainda mais seus dedos naquele pescoço
frágil. Yukina arfou, mas mesmo assim, sua aura não
se desvanesceu. "Que diabos-?"
"O que você disse?" perguntou Yukina, não
fraca agora, mas furiosa. Mais lufadas de vento sopraram por elas,
e pequeninos flocos de neve se formaram ao redor delas. A outra examinou-os,
e espantada, percebeu que aqueles flocos começavam a rodear
somente a ela. Soltou Yukina, enquanto olhava em torno.
"Você. Como se atreve a ameaçar aqueles que amo?" Yukina
olhou furiosamente para ela, seus olhos assemelhando-se a pequeninas
faíscas. A voz também havia mudado de algum modo, era
mais madura e confiante. "Não sei quem você é,
ou por que está aqui, nem mesmo me importo." ela continuou.
A outra koorime simplesmente olhava fixo para ela. "Mas não
vai a lugar algum se quer machucar minha família!" Yukina
terminou.
Os flocos de neve agora começaram a se acumular em volta
da inimiga, girando cada vez mais rápido. A koorime esticou
a mão, mas retraiu-a, inesperadamente ferida pelos flocos
afiados. Yukina riu selvagemente. Uma aura azul-clara brilhava ao
redor de sua silhueta e o redemoinho em que a outra estava presa
aumentava, os flocos chegando cada vez mais perto do corpo. Sob um
comando mental de Yukina, eles começaram a rodopiar em torno
da vítima, machucando-a. Quando os flocos afiados tocaram
o corpo dela, o sangue da koorime jorrou por todo corpo, e ela gritou.
Inexplicavelmente, a dor da oponente fez Yukina acalmar-se, os olhos
vazios. Ela ficou daquele jeito, como se estivesse entrado em transe.
O redemoinho de neve diminuiu, embora continuasse a girar em volta
da koorime. Ela caiu de joelhos, arfando; deu uma olhada em Yukina
e observou sua estranha atitude. Engolindo em seco, esticou a mão
mais uma vez, e uma vez mais foi ferida pelos afiados flocos. "K'so," xingou
entre os dentes. Ela aumentou seu poder, seus olhos azuis brilhando
fracamente, uma aura azul-clara rodeando-a. A koorime assistiu ao
seu próprio ki começando a lutar, forçando aqueles
flocos de neve a se afastarem dela.
A koorime oponente apertou os dentes, olhando furiosa para a traidora.
Aparentemente, ela entrara num estado de transe, e nem percebia o
que acontecia ao seu redor. É isso. Aquele poder foi apenas
um reflexo de defesa. Sim, foi isso..., ela pensou consigo mesma.
Ela olhou para os flocos, quando finalmente eles se desfaziam em
pleno ar. A garota avançou lentamente então, na direção
de Yukina. A jovem ainda assim não se moveu, não percebia
o perigo se aproximando com um sorriso cínico e malicioso
nos lábios.
De frente a Yukina, a desconhecida esbofetou-lhe o rosto, e continuou
sem resposta. Apesar dos olhos abertos, fitando o nada, Yukina estava
num estado semelhante ao coma. O sorriso da koorime ampliou-se mais.
Enfim, uma das crianças impuras seria destruída...
E por sua própria mão... Com um movimento de mão,
o ar a frente de sua palma congelou-se na forma de uma afiada adaga,
que ela agarrou com força. A koorime ergueu o braço,
pronta para usar toda sua força, enquanto cravava a adaga
de gelo no peito da menina de cabelos verdes.
Sorrindo maniacamente, a koorime observou deliciada, enquanto o
corpo de Yukina curvava-se para trás, ante a força
de seu braço, sangue jorrando da ferida aberta, a adaga ainda
cravada no corpo minúsculo. Um grito, e tão somente
um grito, foi a única prova que tivera de que a garota sentira
o ataque. Ao tombar no chão, Yukina logo tinha uma poça
de sangue colorindo a neve abaixo. A koorime voltou-se então,
e começou a caminhar de volta para a segurança das árvores.
"YUKINA!!"
A koorime girou ao redor de si mesma imediatamente ante o som daquela
voz. De pé no pórtico, um rapaz olhava para o ambiente
em volta, estranhando a neve. Ele voltou a olhar a garota caída
no chão, e apressou-se na sua direção. A koorime
olhou para a cena com escárnio; não pretendia enfrentá-lo,
ele não fazia parte dos seus problemas, todavia ele parecia
preocupado em salvar a aberração, e isso era uma coisa
que ela não iria permitir. Ela encaminhou-se para ele, decidida.
Kurama agachou-se ao lado de Yukina e tocou de leve uma das bochechas
dela. Yukina estava fria, muito fria, demais para uma dama do gelo.
Alarmado, ele observou a faca de gelo cravada um pouco abaixo da
clavícula, o golpe não atingira o coração,
mas ela estava sangrando perigosamente. Mas que tipo de pessoa se
esgueiraria até o templo à noite e a atacaria? Yukina
não era apropriadamente o tipo ofensivo de youkai. Ele virou
o rosto, procurando o atacante e tudo que viu foi uma garota pequena,
terrivelmente semelhante a Yukina em estatura e cor de cabelo, vestindo
um kimono leve, que aparentemente lhe dava liberdade de movimentos.
Ela se aproximava lentamente, parecendo estar estudando-o a cada
passo que dava. Como um gato preparando-se para atacar sua presa,
pensou Kurama.
O rapaz se pôs de pé, enquanto observava-a friamente.
A garota parara a poucos metros de distância, e ambos permaneceram
se estudando por algum tempo. Avaliando-a, Kurama percebeu tratar-se
de uma menina apenas, embora para os youkai a aparência física
não correspondesse à idade biológica. Ao seu
redor, parecia dançar uma bruma suave, como se fosse exalada
por aquele pequeno corpo. Lenta e suavemente, seu youryoku deslizou
pelo ar e chamou a atenção da raposa. Aquele poder
era conhecido... Lembrava o de Yukina! Como?! Rapidamente, a resposta
atingiu o cérebro de Kurama. Mas aquilo era difícil
de acreditar... Que diabos fazia uma koorime no Ningenkai? E por
que atacara Yukina, que pertencia ao mesmo clã?
"Você é koorime, não?" Kurama perguntou
em voz baixa, calmamente.
A garota não respondeu, simplesmente alisou o cabelo azul-piscina
com uma mão. Depois deste gesto displicente, ela girou a mesma
mão no ar, e Kurama assistiu, maravilhado, como o ar congelava-se
na forma exata de uma adaga. Ela começou a sorrir maliciosamente,
enquanto brincava com a arma recém criada.
"Por que atacou Yukina?" ele insistiu. "Ou será que
ela apenas surgiu em seu caminho sem querer?"
"Por que se interessa?" a voz da inimiga silvou. "Por
acaso é o amante dela?"
Kurama ergueu um dos cantos da boca, num meio sorriso, e comentou: "Acho
que perguntei primeiro..."
"Se faz tanta questão de ser o primeiro em tudo, deixe-me
conceder-lhe a honra de morrer primeiro que essa abominação
moribunda," a koorime segurou a adaga a frente dos próprios
olhos, então lançando-a na direção de
Kurama. O youko a aparou facilmente, segurando entre suas mãos.
"Acho que isso prova minha teoria," ele comentou, enquanto
simplesmente largava a arma de gelo no chão.
"Que maldita teoria é essa?"
Kurama ergueu uma sombracelha e pôs as mãos nos bolsos,
ao mesmo tempo em que caminhava até ela. "De que você não
passa de uma criança, se achava que isso é o suficiente
para me deter."
A garota não conseguiu conter uma risada. "Não
vou negar que sou nova, mas já tenho idade suficiente para
me defender e atacar youkai fracos que precisam viver no mundo humano
para sobreviver," ela começou a movimentar os braços,
aparentemente preparando outro ataque, contudo, antes que pudesse
completá-lo, Kurama a alcançara e agarrara firmemente
seu pulso.
"Por que atacou Yukina?" ele perguntou mais uma vez, olhando
friamente para a menina de kimono. "Qual é seu nome?"
"Tire suas mãos sujas de cima de mim!" ela gritou,
mas aquilo só serviu para fazer o aperto ficar mais forte,
e ela enguliu em seco um grito de dor, enquanto observava o rosto
indeferente de Kurama, que, a não ser pelos olhos, tornar-se
severo. Encararam-se por alguns breves segundos, até que,
enfim, a garota comentou: "Estou lhe fazendo um favor, então
me solte."
Surpreso pela fala dela, Kurama afrouxou o aperto, e ela aproveitou
a chance para puxar o braço e afastar-se alguns passos dele.
Kurama manteve sua expressão, olhando fixadamente para ela.
"Meu nome é Uina, e como você adivinhou, sou uma
koorime, uma princesa do gelo." ela começou, enquanto
as brumas que a envolviam adensavam-se. "Isolamo-nos numa ilha
flutuante, para não termos contato com raças impuras,
principalmente com os machos. Somos um povo unido e puro, mas mesmo
da mais bela árvore pode nascer uma fruta podre. Desde que
nasci ouvi as histórias da cidade sobre a Traidora, aquela
que destruiria nosso reino, nossa paz e pureza trazendo para nosso
seio os ímpios." ela continuou a discursar e Kurama escutava
a história, meio sabendo a onde iria levar. As brumas a volta
de Uina começavam a avançar, envolvendo o terreno em
redor, pequenas lufadas de vento soprando de vez em quando.
"Descobri que a Traidora já iniciara seu trabalho de
destruição, e após meses de busca, descobri
a primeira Impura..." Uina fitou-o com os olhos enlouquecidos,
enquanto começava a rir alto.
"Então," Kurama começou, um pouco incomodado
pela temperatura em declínio, visto que usava somente uma
camisa e short, já que estava preparando-se para dormir ao
ouvir um grito do lado de fora. "As koorimes descobriram que
Hiei ainda está vivo, e começaram uma temporada de
caça, é isso? Mas por que atacar Yukina, ela é uma
koorime pura!" ele argumentou.
"Não seja idiota! Não ouse dizer um absurdo desses!
Essa garota tem parte do meu sangue, mas ela não passa do
fruto do pecado... Se ela continuar viva, ela trará destruição...
Assim como a outra Criança Proibida!"
Completamente confuso, Kurama olhou em volta. Flocos de neve havia
algum tempo que toldavam sua visão, e olhando o chão
rapidamente, ele percebeu que já cobriam tudo a sua volta,
e ele não poderia usar nenhum tipo de planta ali. E ele estava
sem nada; mordendo o lábio, tornou a olhar para a youkai enlouquecida.
Sem dúvida, todo aquele ambiente de gelo e neve seriam para
tornar propício algum ataque maior, e ele não teria
como contra-atacar. Parecendo querer atormentá-lo mais, sua
mente lembrou-lhe de mais um detalhe: Yukina caída a poucos
metros, sangrando copiosamente, quase morta. Se ela atacasse ali,
o golpe poderia atingir Yukina e isso se converteria na morte dela,
provavelmente.
Enquanto ruminava uma solução, o youko assistia Uina
mover-se calma e silenciosamente pela neve, rodeando-o, como que
escolhendo o melhor ângulo para seu ataque. Estreitando os
olhos, Kurama seguiu seus movimentos, enquanto o cérebro trabalhava
furiosamente por uma solução. Ele tinha que afastá-la
de algum modo.
"Vai continuar a tentar protegê-la?" Uina perguntou,
enquanto cristais de gelo começavam a se formar ao redor de
seu corpo.
Uma idéia súbita atingiu Kurama neste instante, e
ele resolveu arriscar; se não conseguisse, sairia bastante
ferido e com o risco de machucar Yukina mais ainda. Ele olhou para
Uina de esguelha e pôs-se a correr para fora da área
envolta pelo youki da koorime. A garota riu, divertida, enquanto
assitia o rapaz tentando afastar-se. "Não adianta." ela
murmurrou.
Kurama correu até uma árvore, e quando encontrava-se
debaixo dela, saltou para um de seus galhos. Com um dos joelhos dobrado
sobre o galho, ele observou a koorime avançar, parecendo ser
carregada pela neblina que a seguia. Nervoso, ele apertou os dentes
e arrancou um pequeno ramo que saía do galho e pulou de volta
ao solo. Ali ele esperou Uina aproximar-se.
Ela parou a sua frente, com uma mão na cintura. Debochada,
ela perguntou. "Você não parece com um youkai.
Nem mesmo me atacou; não deve ter poder para tanto."
"Não seja arrogante," o youko gaguejou, enquanto
sentia o corpo enrelado por causa da queda de temperatura. Ele posicionou
o ramo a sua frente, como quem segura uma espada, e deixou seu youki
fluir para a madeira, influenciando seu crescimento, moldando o ramo
numa nova forma. Em breve segundos, Kurama achava-se com uma espada
de madeira em mãos.
"Ah, então prefere armas?" ela riu, e reuniu as
mãos, parecendo segurar o punho de uma espada também.
Por entre as mãos, uma espada de gelo tomou forma e a garota
avançou contra Kurama.
A raposa aparou o primeiro golpe facilmente, embora reconhecesse
mentalmente que não seria fácil combatê-la usando
uma arma de madeira, ainda mais na forma de espada, uma vez que suas
habilidades com aquele tipo de arma eram, na verdade, primárias.
Uina continuou a atacá-lo, golpeando a espada várias
vezes, e Kurama tentava desviar ou aparar, fugindo com dificuldade.
Vergonhosamente, ele estava sendo forçado a retrair-se e não
via uma chance de atacar sem abaixar a guarda. Kurama ainda pensava
numa solução, quando aparou um golpe mais forte da
koorime, e a lâmina de madeira estilhaçou-se. Estava
indefeso.
Uina riu, premeditando a derrota do rapaz. Ela levantou a espada
de gelo na altura do ombro de Kurama e deixou que a lâmina
corresse lentamente pela carne do braço dele; ela sorriu,
enquanto assistia ele contorcer levemente o rosto, preocupando-se
em não mostrar sinal de dor. Uina segurou a arma com ambas
as mãos e avançou, pretendendo enfiá-la no abdomen
do seu oponente. A espada cruzou o ar frio, pois Kurama conseguiu
pular para o galho acima na hora exata. Ela ergueu os olhos e franziu
o cenho.
"Por que simplesmente não me deixa matá-lo de
uma vez? Vai me poupar trabalho e sofrimento para você," comentou
friamente.
"Não estou interessado em morrer ainda, desculpe," o
youko respondeu calmamente. Esticando a mão, ele arrancou
algumas folhas que não cairam com o fim do outono. Segurando-as
entre os dedos, rapidamente fez com tornassem-se rígidas e
afiadas. Ele as lançou contra a koorime imediatamente. Uina
arregalou os olhos e saltou para trás, mas algumas folhas
atingiram o objetivo e cortaram sua pele. Ela rangeu os dentes e
praguejou em voz baixa, olhando furiosa para ele. Kurama lançou-lhe
um meio-sorriso e preparou mais munições. Atirou cerca
de vinte folhas na direção dela, desta vez, mas elas
nunca chegaram ao alvo. Ao se aproximar de Uina, as folhas congelaram-se
instantaneamente, enquanto a dama do gelo sumia da sua vista.
Olhando com raiva para onde ela não estava, Kurama agarrou
mais algumas folhas, imaginando onde ela se escondera. Inesperadamente,
a raposa sentiu o youki gélido de sua oponente muito próximo,
próximo demais. Olhando em torno, Kurama fitou Uina boquiaberto,
de pé na ponta do mesmo galho que ele, sorrindo cinicamente.
As brumas que ela emanava começaram a se concentrar numa direção única,
envolvendo o galho lentamente, enrolando-se nele e avançando
por todo seu comprimento. Em poucos instantes, Kurama viu que a bruma
deixava um rastro de gelo, congelando tudo que tocava. Uina aproveitou
enquanto a raposa encontrava-se distraída assistindo o congelamento
da árvore e abriu uma palma, onde formou-se uma espécie
de bola de vento e neve. Rapidamente ela atirou o estranho objeto
em Kurama. O rapaz ergueu os olhos, sentindo que um ataque frontal
estava acontecendo, mas não conseguiu evitar de ser atingido,
e foi lançado para trás, suas costas batendo contra
o tronco congelado. Tocando onde a bola o havia atingido, ele arfou
e uma fumaça de ar quente saiu de sua boca. Estava frio demais
ali, e começava a sentir os membros entorpecidos.
Como havia deixado cair as folhas de segurava devido ao impacto,
Kurama procurou por munição mais uma vez, todavia sentiu
algo a impedi-lo. Olhou para o corpo e sobressaltou-se ao perceber
que estava sendo envolto numa capa de gelo, que saía do caule.
Desesperado, Kurama procurou elevar seu ki o máximo que pudesse,
tentando atrapalhar o aprisionamento. Uina percebeu a tática
e comentou:
"Seu youki não vai conseguir deter o gelo. Nesse instante,
seu metabolismo está muito lento para aquecer o próprio
corpo," ela caminhou pelo galho, parando perto dele. Então,
ela tocou de leve a ponta do nariz do youko com um dedo, acariciando-o.
Sorriu quando Kurama tentou morde-lhe o dedo. "Para quem me
chamou de criança, você está bem encrencado,"
Graciosamente, Uina pulou do galho e pousou no chão, dirigindo-se
a Yukina. Kurama agitou-se, tentando libertar-se, inutilmente. Seu
corpo estava completamente preso e anestesiado para esboçar
uma reação a altura. Voltou a olhar na direção
de Yuk
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ina e suspirou de alívio. Usando um blusão comprido,
Genkai esperava enquanto a koorime se aproximava; ela mantinha as
mãos unidas nas costas e fitava Uina curiosa. Kurama observou
enquanto a koorime parou e as duas pareceram conversar. Não
conseguiu distinguir muitas palavras da conversa, uma vez que um
forte vento frio uivava. De repente, Genkai aproximou suas mãos
ao nível da cintura, e entre elas surgiu uma bola de energia
concentrada. As brumas voltaram a envolver Uina.
Hiruiseki > jóia de lágrima
Koorime > raça de youkai a que pertence Yukina... e Uina
^^
Youko > raça a qual Kurama pertence
Youryoko > energia sobrenatural dos youkai
-> para quem não sabe, bruma é o mesmo que névoa,
neblina.
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