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O Noivado
por ARaZhi

"O que é tão importante para que vocês tenham vindo aqui?! Não dá pra ver que estou ocupado?!" Koenma queixou-se. Ele continuou a carimbar os papéis, sem se incomodar em olhar para Kuwabara, Kurama, e Yusuke. Nem mesmo se incomodando em piscar os olhos.

George suou e lançou um olhar nervoso para os tanteis.

Koenma estava com péssimo humor e fosse qual fosse o motivo pelo qual eles haviam vindo... talvez pudessem esperar?

Aparentemente, não podia. Porque Kuwabara, que já implorara a Kurama e Yusuke que vinhessem com ele até o Reikai, corajosamente dirigiu-se para o irritado chibi.

Ele, Kazuma Kuwabara estava ali numa missão muito importante. Nenhum pirralho, mesmo se fosse o fedelho real ficaria no seu caminho.

Especialmente não no caminho do amor.

Yusuke e Kurama trocaram olhares curiosos. Ainda não sabiam o que Kuwabara queria.

"Koenma-sama..." Kuwabara começou.

E porque ele soava tão respeitoso e certinho.

Droga, ele parecia mesmo certinho. Yusuke sufocou uma risada ante a visão do cabelo cheio de gel de Kuwabara. É. Cortesia de seu próprio - de Yusuke - gel de cabelo. Do tipo forte que nenhuma luta poderia estragar o penteado.

"...Eu vim até aqui para lhe contar que pedirei a Yukina para se casar comigo..."

Foi como se faltasse ar no aposento.

Todos os olhos se voltaram para Kuwabara.

A mão de Koenma estancou no meio do caminho.

"Estou lhe contando porque não quero nenhuma lei inter-dimensional ou qualquer outra baboseira no caminho do nosso amor..."

Estrelas dançavam nos olhos de Kuwabara.

"Se existirem leis contra o casamento de ningen e youkai..."

Kuwabara inclinou-se para Koenma.

"...pode dizer para quem a escreveu para ir pro inferno."

O carimbo de Koenma finalmente encontrou o documento com uma lerdeza quase agonizante. A leve pancada ecoou no aposento assustadoramente silencioso como um relâmpago.

"Bem? Diga algo!" Kuwabara exclamou, incapaz de conter seu excitamento. Ele sorria, aparentemente tonto de felicidade. Ele olhava ansioso para Yusuke, seu melhor amigo e em breve padrinho.

Todo mundo abriu sorrisos.

Yusuke pensou que se ele sorrisse mais seu rosto se rasgaria.

"Que idéia fantástica, Kuwabara!" Koenma encontrou a voz primeiro.

"É! É... é---"

Kuwabara ergueu a sombracelha na direção de Yusuke, esperando que ele terminasse.

"Inspirador!" Kurama intrometeu-se.

Yusuke lançou a Kurama um olhar agradecido.

"É absolutamente, totalmente inspirador!" Yusuke sorriu mais ainda.

Inspirador. Certo. De onde "inspirador" saiu? Kurama pensou. Inspirador é para arte e para idéias que não incluem...
...morte. Como vamos contar a Hiei? Yusuke trocou um olhar com Kurama, Koenma, e George.

Um Kuwaraba ainda distraído interrompeu os pensamentos deles quando abriu uma caixa com um anel de diamante brilhante.

"A garota na loja disse que é a melhor coisa que têm. Custou toda minha poupança, mas Yukina merece. O que acham? É autêntico, não é?"


Depois de quase dez horas, todos procurando por Hiei no Makai, finalmente o descobriram no local mais improvável. Num aposento de arquivos escondido no meio do nada do castelo de Mukuro. Hiei estava mergulhado em papéis e poeira de centenas de anos.

Hiei voou rapidamente até a janela de Kurama e encarapitou-se lá, perfeitamente equilibrado. Olhava Kurama, Yusuke, e Koenma silenciosamente.

"Hiei, tire as botas e sente-se," Kurama disse, apontando para a cadeira perto da escrivaninha.

"Hn," Hiei focalizou-se em Koenma, perguntando-se o que o mala real aprontava agora.

Koenma engoliu em seco nervosamente e continuou a mastigar a chupeta, esperando que se continuasse a mastigá-la seu nervosismo diminuísse. Perguntava-se silenciosamente se todos aqueles eventos seriam levados até ele e no fim seria tudo sua culpa. Olhos vermelhos, sem piscar, continuaram a fitá-lo. De repente teve uma forte vontade de ir ao banheiro, fosse para mijar ou vomitar, não importava. O que era importante era chegar ao banheiro antes que alguma coisa... ruim acontecesse. Conseguindo um estrangulado "com licença", correu até lá.

Kurama suou ante a visão de Koenma parecendo uma descarga nervosa. Que idéias será que ele teve.

"O que é isso?" Hiei exigiu. "Não tenho o dia todo," ele continuou, resmungando. "Sabem que tipo de trabalho eu tenho agora?! Huh?!"

Isso devia ruim, porque um curto e simples "Hn" normalmente responde e explica tudo.

"Depois que o motorista de Mukuro bateu na *minha* árvore e quanse me atropelou, me dando todo o tipo de malditos cortes, fraturas e arranhões, ela me transferiu para aquela área empoeirada chamada de escritório! Quinhentos anos de papel! Tenho mergulhar neles e arquivá-los! Será que ela pensa que sou um bebê real do Reikai?! CHI!!!"

Yusuke e Kurama suaram.

"Eu ouvi isso!" Koenma gritou do banheiro.

"Hiei, acho mesmo que você deveria sentar-se," Yusuke disse.

O lábio de Hiei contorceu-se ante a palavra "pensar".

"Conte-me agora ou vou embora. Tem toneladas de papel me esperando no castelo de Mukuro. No que ela estava pensando ao contratar aquele descerebrado parao arquivamento? Ele não consegue arquivar nem para salvar sua--"

"Kuwabara vai pedir a Yukina para casar-se com ele," Yusuke soltou.

Pronto. Tinham dito. A aproximação direta e dura era tão pior quanto as outras. Não conseguiam achar um outro modo de torná-la mais fácil. Nenhum outro modo.

"O quê?"


É lua cheia. As ondas estão caminhando silenciosamente em direção à praia. A luz da lua e das estrelas fazem Yukina parecer ainda mais bonita do que o normal. É o momento mais perfeito e romântico.

Kueabara suspirou internamente. Tudo estava perfeito.

"Quer casar comigo, Yukina?" Kuwabara perguntou antes de perder a coragem. Mostrou o anel.

"Ah!" Yukina bateu palmas de prazer. "É uma pedra tão bonita!" O luar fez a pedra brilhar.

Kuwabara sentiu seu coração bater alegremente. Ela dirá sim! Ela dirá sim! Sim! Sim! SIM!!!

Yukina sorriu bela e inocentemente para ele. "O que é 'casar', Kazuma?"

O coração de Kuwavara afundou.


"O que é 'casar'?" Hiei perguntou.

A mandíbula de Yusuke caiu. Kurama suou.

"Bom, é..."


"É o que os ningens fazem quando estão apaixonados," Kuwavara explicou, tentando parecer inteligente e convincente sobre o assunto.

"Amo você, é por isso que estou pedindo para casar comigo," ele terminou, sorrindo para ela, esperançosamente.

"Certo," Yukina sorriu para ele.

"Certo?! Você quer dizer *o* 'certo' , como que irá casar comigo?!" ele estava excitado demais para buscar palavras.

"Hai!"

"SIM!" Kuwabara atirou as mãos para o alto e fez uma dança da felicidade.


Yusuke terminou de explicar sobre amor e casamento. Tinha usado seu relacionamento com Keiko como exemplo. Queria usar o de Genkai e Toguro, mas seria muito complicado.

Mas Hiei continuava cético.

"O que acontece depois que se casam?" Hiei perguntou.

"Ah, bom Deus, não vou ficar aqui para ouvir isso," Koenma desapareceu de novo no banheiro, onde era relativamente seguro, pelo menos por alguns milisegundos, do que quer que Hiei decidisse liberar depois que Kurama e Yusuke terminassem de explicar.

Yusuke e Kurama olharam um para o outro, ambos com uma enorme gota de suor.

"Você explica! Eu dei a explicação inicial," Yusuke silvou para Kurama. "Além disso," ele acrescentou com um pequeno sorriso safado. "você é mais velhor e mais experiente do que eu."

"Certo," Kurama resmungou. Ele não estava tão ansioso quanto a isso.

Hiei olhou para Kurama como um estudante atento, mas impaciente. "Estou esperando," Hiei disse de seu poleiro na janela. "E não tenho o dia todo."

"Hiei, por que não se senta?" Kurama não tinha desejo de incorrer na ira de Mukuro se seu precioso herdeiro se ferisse quando perdesse o eqüilíbrio na janela, depois de ouvir o que acontecia depois do casamento.

"Não," Hiei replicou, teimosamente.

"Ótimo."

Explico isso cientificamente? Uma imagem de Yusuke roncando e um confuso Hiei passou por sua cabeça. Ou devo usar a analogia dos pássaros e abelhas? Uma imagem de um Hiei ainda mais confuso passou por sua mente. Hum. Talvez não precise nem mesmo chegar até lá...

"Eles vivem juntos... e têm filhos."

"VIVEM JUNTOS?!!!!" Hiei berrou, seu rosto tão vermelho quanto os olhos e sua voz alta o bastante para ser ouvida pelos ningens a vários quarteirões de distância.


"...e depois nós moraremos juntos," Kuwabara pausou, alguém, em algum lugar, parecia ter gritado 'vivem juntos' com tal horror, que fez lhe deu calafrios. Mas quem quer que fosse, ele estava feliz demais para se importar.

"Não que não estejamos meio que vivendo juntos agora, mas você terá," ele respirou profundamente e soltou as palavras apressadamente, "você terá que se mudar para meu quarto."

"Ah," Yukina lhe deu outro sorriso angelical. "Shizuru queria remodelar o quarto dela, de qualquer maneira, então eu teria que me mudar. E seu quarto também é bom."


Yusuke e Kurama abriram as bocas para responder, mas antes que o fizessem, os olhos de Hiei se arregalaram ainda mais em puro terror.

Olhos aterrorizados se concentraram em Kurama.

"Filhos," Hiei grasnou. "Você disse filhos?"

Yusuke e Kurama assentiram.

Talvez ele esteja assustado com pequenos Kuwabaras andando por aí e o chamando de 'tio'. Yusuke sentiu uma gota de suor ante o pensamento.

Hiei saltou para o interior, botas enlameadas e tudo o mais.

Lá se vai meu novo carpete, Kurama pensou.

"Sem-chance-que-eu-vá-aceitar-aquele-idiota-casar-com-minha-irmã-isso-é-INACEITÁVEL!!!!"

Yusuke e Kurama caíram para trás. Se não estivessem tão aterrorizados, teria sido engraçado. Não é todo dia que se ouvia Hiei guinchar.

Do banheiro, Koenma choramingava assustado.


"... e depois nós poderemos ter filhos. Quantos filhos quer ter, Yukina-chan?" Kuwabara perguntou, enquanto segurava a mão de Yukina.

Yukina sorriu em puro deleite. "Filhos? Adoro crianças! Vamos ter bebês?"

Kuwabara assentiu.

"Ah! Isso é tãããooo kawaiiiii!" Imagens de damas de gelo pequenas e pequenos demônios de fogo dançaram na sua mente. Ela sempre achara Hiei bom e bonito.

"Como vamos ter filhos?" Yukina perguntou.

Kuwabara sentiu seu sangue se esvair do rosto. "Boa pergunta," ele grasnou.


Hiei tinha visto animais copulando no Makai quando era mais jovem. A pele da fêmea se soltava depois que dava à luz a todos os filhos, que se pareciam com o pai. No dia seguinte, a fêmea morreu.

Na sua mente, Hiei viu pequenos idiotas correndo e chamando-o de 'tio'. De repente sentiu-se mal. Nauseado. É. Esse era o termo ningen.

Engoliu em seco, tentando lutar contra o desmaio.

"Não vou deixá-la ter filhos e copular com aquele idiota! Eu a matarei!" Hiei parecia furioso.

Hiei virou-se, pronto para correr até a janela e caçar Kuwabara.

Kurama bloqueou seu caminho, "Escute-me, copular não matará Yukina."

"Mas irá! Quando era pequeno, vi estas criaturas copulando," Hiei falou em tom apressado, "depois a pele da fêmea se soltava. E ela morreu depois de dar à luz!" o demônio de fogo parecia ao ponto de entrar em pânico, enquanto tentava tirar Kurama do caminho. "Sai da minha frente!!"

"Hiei --- HIEI! ACALME-SE!" Kurama finalmente gritou.

Hiei focalizou olhos selvagemente aterrorizados nele.

"Respire fundo..."

Hiei inspirou.

"Solte bem devagar..."

Hiei expirou, então correu rapidamente para a janela.

Kurama e Yusuke o atrapalharam.

"Desista, garoto!" Kurama resmungou com raiva, soando quase como Youko Kurama.

"Não me chame de garoto!" Hiei resmungou raivosamente de volta, cruzando os braços como um -- como um garoto insolente.

"Agora. Vou te explicar e você vai escutar, certo?"

Hiei assentiu.

"Ótimo." Kurama sentou-se próximo a sua escrivaninha e vislumbrou Yusuke parecendo bem divertido, enquanto Koenma espiava do banheiro.

"Quando um casal se casa, eles dormem juntos..."

"Um casal?" Hiei interrompeu. "Quer dizer, dois? Por que não podem ser três ou quatro..."

"Hiei!" Kurama acenou com um dedo ameaçador para ele. "Escute-me. Mais uma palavra, ou se você tentar fugir de novo, eu o amarrarei e e *não* estou brincando."

Hiei, no seu íntimo, 'estremeceu'. Youko Kurama é um péssimo inimigo. Bem ruim.

"Como estava dizendo," Kurama continuou, "eles dormem juntos e então ela fica grávida. Então ela dá à luz a uma criança."

"Está me dando um resumo? Porque quero detalhes," Hiei interrompeu.

Kurama apertou os dentes. Yusuke parecia ainda mais divertido. Koenma saiu do banheiro para uma melhor visão, xingando-se por não trazer uma câmera de vídeo.

"Uma dama do gelo tem um sistema reporodutor quase igual ao da fêmea ningen. As fêmeas ningens uma espécie de ovo dentro delas. Os homens ningen têm hum -- milhões de minúsculos girinos neles. Já viu girinos?"

Hiei assentiu.

Antes que Kurama pudese continuar, "Eu tenho uma pergunta," Yusuke se meteu.

"Yusuke, agora não é hora para isso," Kurama soou cansado. Ele não era indicado para este tipo de educação.

"Ningens e youkais fazem do mesmo modo?"

"Nem sempre," Kurama replicou, bruscamente. "Como estava dizendo, depois que se casam, esses girinos correm até o ovo da fêmea e o mais forte ganha. O ovo e o girino se combinam e se tornam o bebê."

"Como o girino chega lá?" Hiei perguntou, curioso.

Koenma e Yusuke olharam para Kurama em expectativa.

"Simplesmente chegam lá." Kurama olhou furioso para Yusuke até que a pergunta que ele queria fazer morreu nos lábios do garoto."

"Sério?" o jagan de Hiei brilhou.

"Sério. Quando eles se casam os girinos se transferem para o corpo da fêmea," Kurama replicou, soando convincente o bastante para enganar os outros, e até a si mesmo.

"Não há dor nem morte envolvidos?"

"Sem morte," ele cruzou os dedos mentalmente, "e sem dor."


"Não tenho muita certeza sobre como é feito," Kuwabara respondeu. Tecnicamente ele não sabia realmente, porque ele e Urameshi cabularam as aulas sobre sistema reprodutor e toda aquela bobagem. "Mas tenho certeza que descobriremos," ele replicou, de modo tranqüilizador.

Yukina assentiu e sorriu, "O que fazemos agora?"

"Planejamos nosso casamento. Onde quer que seja? E alguém terá que levá-la pela nave."

"Por quê? Não pode fazer isso?"

"Tem que ser outra pessoa..."


"Para onde está indo?" Yusuke perguntou, enquanto Hiei se dirigiu até a janela, parecendo surpreendentemente calmo.

"Vou conversar com Yukina e o idiota."

Antes que pudessem dizer algo, Hiei se fora.

Os três jovens se moveram na direção do sofá e desabaram nele com um "ufa!" cansado, mas aliviado.

Kurama agradeçou a Kami silenciosamente o seu apartamento ainda estar intacto.

"Hum, Kurama?"

"Sim?" Kurama abriu os olhos de supetão.

"O que você disse sobre os girinos... hum... tem certeza de que eles chegam lá sem... hum... sem fazer outras coisas? Porque Keiko disse---"

Os olhos de Koenma e Kurama se arregalaram um pouco.

"Você conversou com Keiko sobre isso?" Koenma perguntou, surpreso.

"Nossa! No que eu estava pensando ao perguntar para aquela garota? Ela é uma menina! O que ela sabe sobre nós rapazes, hum? Mas eu tive muita escolha. O único cara a quem eu perguntaria na sala é Kuwabara e ele faltou a aula comigo. Além disso, aquela sessão de estudo com Keiko foi estranha. Ela corava e ficava murmurando, eu não entendi metade do que dizia."

"Dá um tempo, Yusuke. Eu vi aquelas revistas que você e Kuwabara lêem. Não me diga que ainda não sabe depois de ler aquilo!"

"Nós temos uma idéia, mas não machuca ter certeza!"

Kurama resmungou. "Por que eu tenho a sensação de tenho que explicar isso de novo?"

"Legal!" Yusuke exclamou. "Mas desta vez nos conte a verdade, ok? Kuwabara pode vir, também? O cara vai se casar e eu sei que ele não tem a menor idéia sobre isso."


"Hiei-san, você me leva pela nave, quando eu for me casar?" Yukina perguntou, olhando para ele com aqueles olhos vermelho-rubi com tanta inocência que ele não teve coragem de dizer não. Alguns poderiam chamá-lo de um assassino sem coração, mas dizer "não" para Yukina era cruel demais. Mesmo para ele. Além disso, toda vez que se recusava ou mentia para ela, não só sua consciência o incomodava, mas Kurama também!

"Tem certeza de que é o que deseja?"

"Hai! Kazuma disse que normalmente é o pai ou irmão da noiva que a leva... mas já que meu irmão não está aqui..."

Uma dor aguda de culpa atingiu seu coração.

"... você é como o irmão que nunca conheci, Hiei-san. Às vezes desejo que você fosse ele."

Yukina olhou para ele. Ele estava chocado demais pelo que ela dissera e era incapaz de disfarçá-lo.

Piscou e desviou o olhar. "Farei o que pede," ele disse de forma grosseira, tentando mascarar as emoções se remexendo dentro dele. Como ela poderia querer que ele fosse seu irmão? Ela não sabia que não a merecia? Que ela merecia um irmão que não fosse tão manchado quanto ele?"

"Obrigado, Hiei-san! Você me fez tão feliz!"

Yukina atirou os braços em torno dele e abraçou-o com força.

"Posso só fingir que você é meu irmão? Só por hoje a noite e durante o dia do meu casamento?"

"Sim," sua voz, seu coração, e seu desejo de cuidar

de sua irmã do modo que deveria por tanto tempo, traíram sua mente, que continuava a gritar "não". "Se quiser," a voz que o traía continuou, "você pode fingir que sou seu irmão depois do casamento."

Seu lábios o traíram também, quando soltaram um pequeno sorriso.

Yukina sorriu para ele, os olhos brilhando, "Por que temos que fingir? Você não poderia ser meu irmão? Por que tem que terminar depois do casamento? Não poderia ser para sempre? Não pode sentir? A ligação entre nós?"

"Yukina..." Ela sabia? Como poderia? Era por causa daquele tipo de elo entre eles?

"Amo você, niichan."

Ele passou os braços em torno dela, incapaz de falar.


Várias horas depois, ele entrou no quarto de Mukuro. Arrastou-se silenciosamente para o interior, então poderia rastejar para o sofá sem acordá-la. Ela sempre ficava sensível quando acordava antes da hora. Ele não gostava de dividir o quarto com ela, mas depois do acidente na árvore, ela não permitia que ele dormisse em outro local que não fosse seu sofá.

Estava para se deitar, mas a voz de Mukuro o paralizou no ato.

"Está atrasado."

Bom, tecnicamente, não estava. Era meia-noite no Makai. Tarde é durante a noite, certo? Não verdade, ele estava adiantado. Tecnicamente.

"Minha irmã vai se casar."

"Hum, hum."

"Estava pensando em talvez tirar uns dias de folga?"

Mukuro inundou o aposento com luz.

Hiei hesitou.

"Você tem muita coragem em pedir férias. Especialmente depois do que fez com meus arquivos! Seu arquivamento é horrível!"

"Ho--horrível?!" ele bradou.

"Sim! Horrível! Voê perdeu seu jagan?! No que estava pensando organizando os arquivos daquele jeito?!"

"Eu os organizei alfabeticamente! Ao contrário daquele descerebrado que arquivava para você antes!"

Mukuro bufou. "Você chama aquilo de alfabeto? É uma confusão!"

"Confusão?! Kurama e a mulher de Yusuke arquivam coisas daquele jeito! Mesmo aquele bastardo do Reikai e seus onis, diabos, mesmo aquela cabeça oca da Botam arquiva do mesmo modo que eu!"

O olho eletrônico e o natural de Mukuro se estreitaram, "Nenhum herdeiro meu merecerá minha posição a menos que conheça o alfabeto do Makai."

O coração de Hiei falhou. "Há um alfabeto do Makai?" ele grunhiu. Kuso! Ninguém lhe dissera que havia um alfabeto do Makai! Três olhos olharam furioso para Kurama e todos os outros youkai que conhecera, nenhum dos quais se incomodara de mencionar a existência do alfabeto do Makai de Mukuro.

"Sim, há um alfabeto do Makai. Você acha que usamos aquele alfabeto ningen atrasado? Humpf!"

Hiei fitou-a, sentindo-se como um estudante sendo repreendido por seu professor.

"Existem 57 letras no alfabeto do Makai," Mukuro continuou, adotando uma voz de professora de escola. "Não vai sair de férias até aprendê-lo."

"O QUÊ?!"

"É minha decisão final. Agora vá para seu sofá e durma. Você tem 57 letras para decorar amanhã."

"Mas--mas---"

"Nada de mas! Vá!"

"Hai," ele se afastou como um aluno sendo dispensado pelo diretor.

"Hiei?"

"Hum?"

"Posso ir para o casamento de sua irmã?"

Traduzido por Rechan // Título Original: The Engagement


19 março 2004

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