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Um País Distante
porAmanjaku
Capítulo 1 - Minotauro no Labirinto
A lua brilhou sobre o parque Yoyogi. Folhas balançavam gentilmente
na brisa de outono em contraponto com o barulho que a noite ecoava
sobre o centro de Tokyo. Pessoas estranhas e indesejáveis
vagavam pelas vias pavimentadas, algumas vezes tropeçando
para fora do caminho, num estupor alcóolico, ou, no caso de
um casal, parando para explorar as tonsilas um do outro. Poluição
misturava-se ao aroma das folhas cadentes. Era, de certo modo, uma
típica noite de Tokyo em resposta ao Central Park de New York.
Uma figura do tamanho de uma criança empoleirou-se numa das árvores
mais altas, uma que não tinha ainda perdido todas as suas
folhas e observou atentamente o populacho abaixo. Era improvável
que eles pudessem sequer notá-lo, já que eles eram
apenas humanos e ele estava todo de preto. Está tudo bem,
ele pensou. Esta noite, ele estava num humor pior que o normal.
Normalmente ele passaria a noite no grande carvalho na rua da casa
de Kurama. Kurama caçoava dele sobre isto às vezes: "Hiei,
se você vai passar tanto tempo próximo a minha casa,
seria melhor você se mudar para aqui dentro." Hiei geralmente
lhe dava um olhar indiferente. Porém esta noite, algo estranho
estava acontecendo na casa vizinha. Era uma coisa muito misteriosa,
realmente. Parecia envolver muitas latas de cerveja, muitas garrafas
de sake, dúzias de pessoas e uma música incrivelmente
alta que fez os dentes de Hiei se apertarem e seu interior vibrar.
Ele considerou em invadir a casa, descobrir o que quer que estivesse
fazendo aquele som horrível e destruí-lo - e talvez
matar alguns humanos, se eles se intrometessem em seu caminho. Mas,
no fim, ele decidiu que seria mais simples passar a noite em outro
lugar.
O parque tinha parecido ser uma escolha razoável. Estava
bem frio esta noite, com o vento gelado de Novembro que deveria estar
mantendo a maioria das pessoas dentro de casa, aonde elas pertenciam.
O frio não aborrecia Hiei; em épocas como esta, ele
ficava feliz em ser um demônio de fogo.
Ele pulou para um ponto um pouco mais alto na sua árvore,
procurando por um lugar provável para assentar-se. Em poucos
instantes ele encontrou o que queria - uma bifurcação
nos galhos que era forte o bastante para suportá-lo e alta
o bastante para que não pudesse ser notado. Inconscientemente,
ele passou a mão por sobre seu ombro e checou a katana amarrada
a suas costas antes de estabelecer-se. Era mais um hábito
do que qualquer outra coisa. Ele saberia imediatamente se qualquer
coisa acontesse com aquela katana; ele já a tinha por tanto
tempo que era como se fosse um braço extra. Reassegurado pelo
toque frio do aço, Hiei aconchegou-se na árvore, dentro
de suas sombras dançantes.
Uma buzina grasnou a distância. O gemido de uma sirene cresceu,
então desapareceu de novo. Ramos colidiram e os arbustos próximos
ao playground farfalharam, então ficaram em silêncio.
Correntes balançaram e tiniram e então começeram
um barulho rítmico. Hiei deu uma bufada leve e desgostosa.
Aparentemente alguns humanos eram muitos estúpidos para saberem
que estava muito frio para eles saírem.
Em alguns minutos, um novo som se juntou ao conjunto, fazendo seus
dentes se apertarem. Pareciam com... risadinhas? Relutantemente,
Hiei olhou para baixo e suspirou. Sim, aquilo que estava ouvindo
eram risadas. Um casal humano estava passeando por uma curva da via
suja. Hiei fechou seus olhos e desejou que eles passassem. Ele não
estava com paciência para lidar com isto. Para seu alívio,
a risada cessou.
Num instante, porém, ela recomeçou - bem abaixo dele.
Seus olhos se abriram de uma só vez. Ele franziu a testa.
Aqueles malditos humanos estavam começando algum tipo de ritual
de acasalamento bem debaixo de sua árvore! Isso realmente
não era justo - ele estava ali primeiro! Algumas noites, você não
consegue ganhar. Hiei resmungou para si mesmo e preparou-se para
se mudar novamente. Ele desfez sua bandana e perquirou a área
com seu terceiro olho. Desta vez, ele teria a maldita certeza de
encontrar um lugar onde não seria pertubado por esses humanos
esquecidos pelos deuses.
Prédios no oeste... Área comercial no sul... muitos
recantos e gretas, tudo bem, mas nenhum deles bem defensíveis.
Droga! Não tinha nenhum lugar -?
De repente, o vento soprou ameaçadoramente, arrancando algumas
folhas. Com o vento veio uma rajada de energia, o tipo peculiar que
vinha de um cidadão do Makai. A energia rapidamente se condensou
num forma sólida, balançando com desenvoltura no galho
a frente de Hiei.
"Ah, aí está você," o visitante disse. "Estava
começando a pensar que nunca te encontraria. Foi bom você ter
usado o seu jagan agora ou nunca teria te notado."
Instantaneamente Hiei se colocou numa posição de defesa,
espada em mãos, encarando o outro youkai. "Quem diabos é você?" ele
rosnou.
"Sou Seiji," o outro respondeu, franzindo o cenho. Seu
longo cabelo azul esverdeado ondulou no vento atrás dele,
preso atrás de orelhas pontudas. "Não, nós
não nos conhecemos, mas você conheceu meu irmão,
Kosake. Pelo assim o foi até transformá-lo em cinzas.
Isso não era necessário, sabe? Ele teria desistido
dos cinco diamantes mágicos."
"Então está aqui por vingança," Hiei
supôs acidamente.
Seiji assentiu. "Acertou! Prometi que te caçaria e faria
você pagar, não importava quanto tempo levasse. Já se
foram quatro anos e agora tenho você!" ele sorriu sordidamente
e gesticulou suas mãos formando um círculo. Uma nuvem
de fogo dourada girou ao redor dele e se lançou na direção
de Hiei. Um nanosegundo depois, explodiu onde Hiei inesperadamente
não estava.
O vento silvou ao redor da katana de Hiei enquanto a lâmina
cortava dúzias de vezes ao redor do intruso. De algum modo,
porém, ela nunca encontrava seu alvo. Hiei aterrissou num
galho atrás de Seiji com um resmungo desgostoso. "Você está usando
um amuleto de distorção espacial!"
"Claro. Já ouvi tudo sobre você. Tem uma reputação
e tanto, sabe? Koorime Hiei, o prodígio de combate da região
nordeste. Então, naturalmente eu tinha que fazer alguma coisa
para nivelar as diferenças." Seiji puxou uma conta de
sua túnica de seda. "Aqui, pegue!"
Reflexivamente, Hiei levantou sua katana para interceptar. A conta
golpeou e brevemente, uma deslumbrante estrela brilhou na árvore.
Um grito alto veio do chão, quando os dois humanos sob a árvore
finalmente notaram a luta sobre eles e imaginaram que correr poderia
ser uma boa idéia.
Hiei deu um passo para trás e esfregou os olhos. Ele não
conseguia ver nada além do grande ponto azul na frente da
sua visão. "Seu maldito!" ele xingou.
"Não, maldito você," Seiji respondeu friamente,
puxando uma adaga. "Não acredito que você tenha
parado para pensar em quem você matou, não? Já te
ocorreu que as pessoas têm famílias? Que as pessoas
que morrem fazem falta? Ou você simplesmente não se
importa?" ele deu o bote em direção ao koorime
cego.
A tempo, Hiei o sentiu vindo. Agilmente, ele segurou o galho que
eles se empoleiravam e o balançou, segurando-se com uma mão.
Quando o galho se dobrou sob o peso de Seiji, Hiei levantou sua espada
numa poderosa força. Lascas de madeira voaram. Com um barulho
bem sonoro e confusão, o galho se separou da árvore
e caiu. Hiei aterrisou no coto do galho. "É um mundo
onde se mata ou se é morto," ele aconselhou a Seiji,
que estava agora no chão, esfregando uma ferida e tirando
folhas mortas de seu cabelo. "Se sente tanta falta de seu irmão,
posso facilmente uni-los."
"Verei você morto antes!" Seiji silvou, lançando
sua adaga na direção de Hiei.
O koorime a ouviu vindo e virou de lado. A adaga acertou seu braço.
Com uma careta, ele a puxou. "Inútil," ele pronunciou,
prendendo a adaga no tronco. "Se isso é o melhor que
pode fazer, então é melhor voltar para casa. Quando
vai parar de brincar e realmente lutar?"
"Seu pequeno bastardo arrogante!" Seiji rosnou através
dos dentes cerrados, enquanto se levantava. "Vou te mostrar
a luta! Kin-en-mei-en!!" seus braços descreveram um largo
círculo através do ar ao seu redor, trilhado por faíscas
douradas. Repentinamente, uma aura de chamas douradas crepitou ao
seu redor. A grama sob seus pés chamuscou e pegou fogo. Com
um ameaçador grito de guerra, o enraivecido youkai pulou de
volta para árvore.
"Inútil e estúpido," Hiei repreendeu e voltou-se
para encará-lo. "Enquanto você estava brincando,
recuperei parte da minha visão." o canto de sua boca
curvou-se para cima, num pequeno não-sorriso. Ele levantou
sua katana. "Jaoh-ensatsu-ken!" ele invocou adiante intensas
chamas negras para passear pela margem da lâmina. Num instante,
ele atacou.
Seiji virou-se, tentando contra-atacar com as chamas douradas. O
fogo dourado chocou-se contra a labareda negra, o par executando
uma dança mortífera. Os galhos pelos quais passaram
pegaram fogo, e dentro de segundos, a labareda alcaçou o topo
da árvore. Eles se separaram, fixando um breve descando, olhando
um para o outro através de uma muralha de chamas. "Você não é muito
esperto, não é?" Seiji observou. "Todos os
seus ataques passaram ao meu redor, graças ao meu amuleto.
Será que você realmente merece sua reputação?"
O amuleto dourado deslizou pelo pescoço de Seiji, e caiu
no chão seguido pela corrente. Muitos dos elos tinham derretido.
Seiji ofegou, espantado. "Im-possível-! Você- como-?"
"Fogo negro queima mais que o amarelo," Hiei explicou
indiferente, enquanto cortava o espantado youkai com sua espada. "Aparentemente
você não estudou o suficiente." Calmamente, ele
observou Seiji vacilar e tombar. "E além disso, arriscar
sua vida pela vingança por alguém é estupidez,
especialmente quando esta pessoa já está morta."
"Seu bastardo!" Seiji ofegou através de uma boca
cheia de sangue. "Você não se importa... com ninguém
ou nada... exceto você mesmo... não?" ele tossiu
e se dobrou, ajoelhando-se numa poça vermelha.
"Sentimentalismo te faz fraco. Apenas os fortes sobrevivem." Hiei
sentou impassível na árvore, olhando para baixo, para
o youkai morto. De repente, ele franziu o cenho. Algo naquela cena
o incomodava. Não era o sangue ou a morte. Ele já tinha
visto - e causado- muitas. Não, era...
Era o cabelo de Seiji. Era o cabelo azul-esverdeado, da mesma cor
do de Yukina e a seda azul-clara de sua túnica que parecia
com a do kimono favorito dela. Por um instante, em vez de Seiji,
Hiei viu sua irmã mais nova deitada numa poça escarlate.
Um estranho sentimento o invadiu, infamiliar, para o qual ele não
tinha nome. Era sobre isso que Seiji estava falando? Hiei piscou
e abruptamente a visão se fora. Ele balançou sua cabeça.
Não, melhor não pensar em coisas como esta. Sentimentalismo
era para os tolos. Mas por quê, então, ele não
conseguia se livrar deste sentimento de augúrio?
Fogo dourado e negro estalavam nos galhos ao seu redor. Algumas
noites, você não pode vencer.
Quase ao mesmo tempo, não muito distante...
Num quarto sujo e pequeno de um hotel questionável, uma única
lâmpada iluminava fracamente três figuras. Um rapaz com
um penteado adolescente, vestindo jeans rasgados e uma jaqueta de
couro trouxe uma cadeira para o centro e forçou uma garota
mais jovem, de talvez treze anos, a se sentar. Uma mulher delgada,
de idade indeterminável trancou a porta detrás deles
enquanto o rapaz puxava um carretel de corda grossa e começou
a amarrar a moça.
A mulher cruzou o quarto, seus sapatos de salto fino estalando ritmamente
sobre o chão de madeira. "Vê? Não disse?"ela
sorriu para o garoto. "Sem perguntas."
Ele sorriu maliciosamente para ela. "Delire, querida." terminando
com a corda, ele guardou o carretel de volta na jaqueta. "Não
sei por que não fiz isso antes."
A garota estremeceu. "Por favor," ela choramingou. "Não
entendo. O que está acontecendo? Por que vocês-?"
"Cale a boca!" a mão delicada da mulher chicoteou
pela face da moça. Ela gesticulou para o garoto de jaqueta
de couro. "Ela é toda sua, criança." uma
unha cor de sangue traçou uma linha pela mandíbula
da garota. "Está desamparada. Pode fazer o que quiser
com ela." a voz da mulher carregava um tom hipnótico
- menos do que um comando, mas mais do que um convite. "O que
você quiser. É fácil. Apenas faça. Pare
de se dominar."
Os olhos do jovem se tornaram vazios enquanto concordava. Ansiosamente,
ele avançou.
Uma luz verde pálida piscava ao redor dos adolescentes. Nenhum
dos dois a notou, enquanto o jovem forçava sua atenção
para a garota e ela lutava contra ele. Nenhum deles notou quando
a luz verde se contorcia pelo ar antes de ser absorvida. Certamente
nem notaram a bizarra sombra humanóide que trazia dois chifres
em sua testa.
Um sorriso tocou os lábios da mulher enquanto ela estendia
suas mãos e se regalava com a energia emocional dos dois humanos.
Ela fechou seus olhos e regrediu sua cabeça, enquanto saboreava
as emoções temperadas. "Ah," ela ofegou fracamente. "Já faz
muito tempo..." escravizada, ela esperou por muitos minutos
enquanto o garoto fazia o que queria com a garota. A luxúria,
o medo, a dor - eles ameaçaram oprimi-la com prazer, como
sempre fizeram. Ela quase gritou com o extâse. Mas o melhor
ainda estava por vir.
Ela observou o par através de olhos dardejantes, medindo
cuidadosamente as ondas de medo da garota contra as pontadas de luxúria
do garoto. Quando sentisse que era o momento certo...
"Ei!" o garoto gritou, quando um aperto de ferro o pegou
pela nuca e o tirou de perto da garota. "O que diabos está fazendo?" de
repente seus olhos se arregalaram de medo, quando viu o canivete
na outra mão da mulher.
"Você foi maravilhoso," ela suspirou apaixonadamente
para ele. "Mas luxúria demora muito para recompor meu
poder. O que eu realmente preciso de você é angústia.
Pode lidar com isso, não acha?" o aço frio deslizou
para dentro do coração do rapaz.
A garota na cadeira começou a gritar enquanto assistia o
rapaz estremecer e morrer, e então a mulher se voltou para
ela com um sorriso.
Na tarde seguinte.
"Acho que todos vocês estão se perguntando por
que os chamei aqui." Botan, Assistente Especial dos Detetives
do Reikai, observou o grupo reunido a sua frente. 'Reunido' era uma
palavra generosa, na verdade. Havia apenas três deles ali,
acomodados no quarto de Yusuke de várias maneiras. Kurama
estava calmamente inclinado contra a soleira da porta, braços
cruzados. Parecia tão asseado como sempre, com seu cabelo
ruivo cuidadosamente penteado para trás e suas belas roupas
recentemente passadas. Seus olhos esmeralda faiscavam divertidos
enquanto observava os outros. O alto e desajeitado Kuwabara estava
pendurado na frente do espelho com um pente, lutando para fazer seu
cabelo encaracolado obedecer. O cabelo estava ganhando. Urameshi
Yusuke olhava pela janela com um olhar entediado, mas ao chamado
de Botan, voltou-se para encará-la.
"Minha nossa," ele disse exasperado. "Por que simplesmente
não fala logo? Você tem outro caso para nós,
não?" Yusuke olhou para mensageira do Reikai de cabelos
azuis.
"Temo que sim, " Botan chilreou. O seu pesar não
soou muito convincente. Ela tirou uma fita de vídeo das mangas
do kimono e entregou-a a Yusuke. "Isso é de Koenma-sama.
Deve ter todos os detalhes aí."
Yusuke a pegou como se estivessem lhe entregando uma tarântula. "Acabamos
de resolver nosso último caso. Não temos nenhum descanso,
ou algo parecido?" reclamou.
"Qual é o problema, Yusuke?" Kurama perguntou. "Está se
cansando de ser um detetive espiritual?"
Yusuke corou. "Não é isso. É que,bem..." ele
coçou a nuca distraidamente.
Kuwabara voltou-se e sorriu para Kurama. "Eu sei o que é!
Ele prometeu a Keiko que a levaria para o cinema, e-"
"Cale-se, Kuwabara!" Yusuke socou-o no topo da cabeça. "Não é nada
disso!"
"Ah, entendo." Kurama riu gentilmente. Aproximou-se e
pegou a fita de Yusuke. "Se quiser, tenho certeza de que Kuwabara,
Hiei, e eu podemos cuidar disso sozinhos."
"Não!" Yusuke gritou e agarraou a fita de Kurama. "Hã,
quero dizer, se tiver luta envolvida, vocês precisarão
de mim."
Botan assentiu. "Vi a fita quando estava sendo feita por Koenma-sama," ela
disse. "É um caso muito sério. Koenma-sama está muito
preocupado."
"Falando do Hiei, não deveríamos esperá-lo
chegar antes de assistirmos isto?" Kurama perguntou.
"Para que precisamos dele?" Kuwabara fungou. "Tudo
que ele fará será se esconder e fazer comentários
depreciativos."
"Kuwa-chan!" Botan choramingou um pouco. "Você devia
tentar entender-se com Hiei-chan, sabia."
"Bem, por que ele ainda não está aqui?" Kuwabara
cruzou seus braços e desviou o olhar. "Acredito que alguém
tão rápido não se atrasaria."
Um vento frio soprou de repente no quarto. Da janela, uma voz igualmente
fria comentou, "Simplesmente prefiro me associar o mínimo
possível com Neandertais como você." Hiei de repente
apareceu, empoleirado na janela e olhando para Kuwabara numa atitude
de superioridade. Fungou zombeteiramente enquanto saltava e fechava
a janela.
"Ei!" Kuwabara começou furioso. "Não
vou admitir isso!"
Kurama colocou-se entre os dois. "Agora não era para
isso, vocês dois. Temos coisas mais importantes para nos preocupar."
"É," Yusuke acrescentou. "Vamos ver o que é tudo
isso." ele ligou sua TV e colocou a fita no videocassete.
O rosto de um garoto bem pequeno com grandes orelhas e um chapéu
onde se lia 'Jr.' piscou na tela. O garoto estava tentando parecer
Sério e Importante, mas de algum modo, Yusuke achava difícil
respeitar alguém que andava com uma chupeta na boca.
"Meus cumprimetos," a imagem de Koenma disse para a audiência
reunida. As próximas palavras foram abafadas pelo som alto
de mastigação. Yusuke olhou em redor e viu que Kuwabara
agarrara um saco de batatas fritas de algum lugar, e olhava distraído
para a tela da televisão. Ele agarrou o saco de Kuwabara e
serviu-se.
"...um grande problema," Koenma disse. "Houve uma
fuga. Somente um youkai saiu, mas ela escapou para o mundo humano.
O trabalho de vocês é encontrá-la e recapturá-la."
Yusuke coçou a cabeça. Era impressão sua ou
estava mesmo ouvindo o tema de "Missão Impossível" tocando
de fundo?
"Essa youkai é muito perigosa," Koenma continuou.
Seu rosto desapareceu, sendo substituído por uma careta de
uma mulher alta, com cabelo verde curto e espetado. Um par de chifres
protuiam da testa. "O nome dela é Ushiiko. É muito
perigosa. Originalmente foi presa por escravizar o imperador do Japão
e tentar dominar seu reino.
"Ushiiko tem poderes mentais muito fortes," Koenma explicou,
reaparecendo na tela. "Sejam extremamente cuidadosos quando
a encontrarem, e tentem subjugá-la o mais rápido possível.
Agora ela ainda está fraca, porque fugiu recentemente. Mas
se tiver tempo suficiente para fortalecer-se, recapturá-la
pode se tornar impossível. O mundo humano sofreria muito."
"Por que tenho que me incomodar com isso?" Hiei resmungou. "É só um
bando de humanos estúpidos em perigo."
Kurama sussurou de volta calmamente, "Lembre-se, você ainda
deve a Koenma em dois pontos. Primeiro, ele te deixou ser um Detetive
espiritual em vez de atirá-lo na prisão. E segundo,
te contou onde sua irmã estava. Do contrário, provavelmente
ainda a estaria procurando."
A expressão de Hiei suavizou-se só um pouco. Desviou
os olhos. "Talvez."
"Aliás, o que aconteceu com seu braço?" Kurama
perguntou, notando a nova bandagem.
"Nada."
Kuwabara coçou a cabeça. "Como vamos encontrar
essa garota? Tokyo é uma cidade grande. Não acho que
possamos simplesmente sair e começar a procurar."
Sua pergunta foi respondida prontamente pelo vídeo. "Yusuke," Koenma
disse," lembre-se dos itens do Detetive que recebeu. Provarão
ser úteis agora."
"A Bússola Espiritual?" Yusuke franziu o cenho. "Mas
ela só detecta atividade espiritual dentro de cinco quilômetros.
Posso fazer melhor agora, só usando meu próprio reiki.
Além disso, ela quebrou quando treinar com a Mestra Genkai."
"Ah, tudo bem!" Botan chilreou. "Eu a consertei para
você." Com um floreio, ela produziu algo que parecia um
relógio de pulso. "Ushiiko com certeza deve estar escondendo
seu poder, assim você não detect&aacu
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te;-la com seus
próprios poderes. A bússola certamente irá encontrá-la,
se ela usar seu poder. Além disso," acrescentou, " ela
foi apagada agora, você saberá se está detectando
Kurama ou Hiei. Desse jeito não será distraído
por eles."
Yusuke recebeu a bússola espiritual, parecendo menos do que
agradecido. "Se você diz," ele murmurrou.
"Uma observação final," Koenma acrescentou,
e sorriu maliciosamente em volta da chupeta. "Esta fita se auto-destruirá em
dez segundos." sua imagem borrou-se na tela, sendo substituída
por estática.
"Aah!" Kuwabara apertou o botão 'eject' do videocassete.
A máquina mal tinha cuspido a fita quando uma fumaça
começou a sair dela, e explodiu em chamas. Kuwabara gritou
de novo e deixou cair a fita no chão.
"Hum, vocês têm que perdoá-lo," Botan
disse, corando num tom de rosa que combinava com seu kimono. "O
pai dele finalmente permitiu que ele colocasse uma televisão
no seu escritório, som ambiente, sabe, e bem, as coisas têm
ficado um pouco estranhas desde então."
"Certo." Yusuke socou seu punho em sua palma. "Isso
não parece tão difícil."
"Bem, vamos ficar aqui o dia inteiro ou vamos atrás
dessa vadia?" Kuwabara perguntou.
"Yusuke," Kurama interrompeu. "Já que Hiei
e eu somos seres espirituais, podemos sentir energia espiritual também,
e o jagan de Hiei pode provavelmente ver tão longe quanto
sua bússola, de qualquer forma. Por que não nos separamos?
Hiei e eu podemos ir agora e cuidar do lado leste da cidade e você e
Kuwabara cuidam do oeste."
"Parece bom," Yusuke concordou. "Vão em frente,
então. Acho que nos encontraremos quando alguém começar
a soltar fogos."
"Nada ainda?" Kuwabara perguntou pela quiquagésima
vez nos últimos quinze minutos.
"Não," Yusuke respondeu, um pouco irritado. "Pare
de perguntar. Quando a bússola mostrar algo, eu lhe conto."
No bairro Shibuya eles caminhavam agora, as ruas tinham um toque
europeu distinto. Árvores alinhadas nas calçadas, e
muitos pequenos cafés, boates, e lojas de roupa aconchegavam-se
ao largo. Dúzias de pessoas apressavam-se para cima e para
baixo, evitando abertamente os grupos de Geração X
pendurados nas esquinas.
Uma vez que era sábado, havia menos garotos do que o normal
nas ruas. Um grande grupo deles estavam reunidos na esquina que Yusuke
e Kuwabara estavam se aproximando agora. Rap soava de uma caixa de
som, e havia uma multidão reunida ao redor de um dançarino
que parecia se achar M.C. Hammer. Yusuke fez uma careta enquanto
se aproximavam. "Rap - eeuuuugh."
Kuwabara, que preferia heavy metal, assentiu de acordo, e então
estavam no meio da multidão. Sem surpresa, reconheceram muitos
dos garotos como estudantes de sua escola. A maioria eram rapazes
normais com camisetas e jeans, apesar de alguns tentarem se destacar
com alguma jóia ou cor de cabelo incomum. A dupla tentou contornar
a multidão, mas as pessoas continuavam movendo-se e bloqueando
o caminho deles, quase como se fosse de propósito. Levou alguns
segundos de empurrões determinados, e eles passaram. Quase.
Um rapaz virou-se com um olhar irritado quando eles passaram empurrando
por ele. Mas seu resmungo tornou-se um sorriso falso quando reconheceu
Kuwabara e Yusuke. Ele adiantou-se e desligou a música. O
dançarino olhou feio para ele, e gritos de raiva imediatamente
preencheram o silêncio. "Ei! Liga a música de novo,
imbecil!"
"Olhe ali," o garoto apontou. "Urameshi e Kuwabara,
juntos! Agora é nossa chance de pegá-los por todas
as vezes que nos espancaram!"
Os gritos de raiva viraram regojizos furiosos. Yusuke e Kuwabara
trocaram olhares enquanto seus colegas de clsse os rodeavam.
Kuwabara soou um grito de batalha e andou com dificuldade pela multidão,
dando socos aleatórios. Yusuke juntou-se a ele, num alvoroço
de socos e chutes devastadores. Por um momento, ele parou, porém
- o que era aquela luz verde que ficava tremeluzindo no canto de
sua visão? Dando de ombros, ele voltou sua total atenção
para a luta.
Cinco minutos depois, Kuwabara e Yusuke saíam de uma pilha
de corpos gravemente espancados. Ambos possuíam alguns arranhões
e cortes feios, mas Yusuke pôs um grande sorriso no rosto e
Kuwabara saía com um orgulho arrogante.
"Esse babacas," Kuwabara murmurou, estalando os dedos. "Como
se não tivéssemos nada com que nos preocupar."
"É," Yusuke concordou. "Acha que ele aprenderão
algum dia."
"Há!" Kuwabara sorriu. "Ninguém tem
chance contra mim!"
Yusuke riu dele. "E eu? Você nunca conseguiu me derrotar.
E Rinku? E aquele cara Rando que praticamente quebrou todos os seus
ossos?"
Kuwabara olhou furiosamente para Yusuke pelo cantos de seus olhos. "Isso
foi há muito tempo. E um dia desses, te derrotarei."
Yusuke riu de novo. "Só em sonhos."
Quando alcaçaram o fim do quarteirão, Kuwabara olhou
pelo ombro Yusuke novamente. "Então, alguma coisa na
bússola?"
Yusuke olhou furioso para ele. "Já te DISSE que diria
quando houvesse algo."
"Então o que é aquilo?"
Yusuke olhou para onde o dedo de Kuwabara apontava. Uma luzinha
estava saíndo da Bússola Espiritual, indicando o nordeste.
"Ei, tudo bem!" Yusuke animou-se. "Vamos!"
Não levaram muito tempo para achar seu alvo. De fato, ela
os estivera observando do topo de uma boate próxima. Yusuke
alcançou-a primeiro, uma figura flexível pendurada
sensualmente na margem do telhado. Mesmo que para uma visão
normal ela parecesse uma humana comum, Yusuke podia agora ver vagamente
um par de chifres na sua testa. Ushiiko parecia bem satisfeita, como
um gato lambendo suas patas após uma tigela de creme. Ela
acenou para os garotos.
"Que arrogante!" Kuwabara resmungou. "Vamos até lá e
chutar o rabo dela!"
Yusuke assentiu de acordo, e acrescentou, "Tenha cuidado. Lembre-se
o que Koenma disse sobre seus poderes mentais."
"Que seja." Kuwabara dirigiu-se para o telhado.
Yusuke riu, e correu atrás dele.
Ushiiko cumprimentou os rapazes com um sorriso. "Foi quase
um espetáculo o que vocês fizeram ali embaixo. Gosto
de lutadores estusiasmados."
Kuwabara sorriu e golpeou seu punho na sua palma. "Você pode
ver daqui de cima, a menos que queira vir calmamente. Você está presa."
Ushiiko riu. "Não, acho que vi o bastante à distância."
"Quer dizer que virá calmamente?" Yusuke quase
que parecia desapontado.
"Ah, não disse nada disso." a youkai mudou para
uma posição mais confortável e focalizou um
olhar intenso em Yusuke. "Realmente me pergunto, porém,
por que vocês se incomodam com isso. Quero dizer, você é humano,
certo? O que vocês tem a ver com o mundo Espiritual?"
"Não é da sua conta," Yusuke rebateu. "Vai
lutar ou não?"
Os olhos verdes jade de Ushiiko se desfocaram um pouco, e então
ela riu de repente. "Ah, entendo agora."
"O quê?"
"Por que você está tão zangado."
"De que diabos está falando?" Yusuke olhou raivoso
para ela.
A youkai apontou um dedo longo, delicado para ele. "É porque
você não queria estar aqui na verdade. Vocês foram
enviados por Koenma, não? Sente como se estivesse usando você.
Sente-se como se ele estivesse te controlando. Não é isso?"
"Isso é ridículo!" Yusuke protestou. Ele
sentiu um tipo esquisito de excitação na sua cabeça,
mas afastou-a e preparou-se para atacar.
A voz de Ushiiko assumiu um tom baixo, hipnótico e sibilante. "Você pode
admitir, sabe. Nunca faz bem esconder os verdadeiros sentimentos.
Você é um espírito livre, Yusuke. Precisa ser
livre. Submeter-se ao controle de outrém não é próprio
de você. Encare isso, Koenma está manipulando-o como
a uma marionete. Está lhe forçando a ser detetive para
ele."
"Cale-se!" Yusuke rosnou. "Isso não é verdade!" dirigiu
um chute para Ushiiko, que ela facilmente desviou.
"Não?" ela riu gentilmente. "Então
como chama isso?"
Yusuke girou e atirou mais alguns ataques nela. Como uma bailarina,
ela desviou-se de cada um, deixando Yusuke lutando contra o ar.
"Encare isso, Yusuke," Ushiiko provocou. "Enquanto
estiver fazendo o trabalho sujo de Koenma, não será nada
além de uma peça do tabuleiro dele. E acredite-me,
isso é tanto quanto você significa para ele. Ele não
hesitará em te sacrificar por algum 'bem maior', como ele
fala."
"Isso não importa!" Yusuke protestou novamente,
parando o ataque. Deu alguns passos para trás, para pegar
a medida da youkai. Ela era muito rápida. Um ataque frontal
não adiantava, obviamente, e... e... Yusuke balançou
sua cabeça de novo. Aquela excitação entre seus
ouvidos não passava e agora se juntava com algo mais - uma
precipitação de energia selvagem que o fez ranger os
dentes e cerrar os punhos tanto que suas unhas cortaram as palmas.
"Tem tanta certeza?" a voz de Ushiiko ecoou em sua cabeça. "Se
pensar só por um instante, entenderá o que quero dizer."
E maldita seja, Yusuke de repente percebeu ele sabia muito bem o
que ela queria dizer. Como governante do Mundo Espiritual, Koenma
tinha que pensar no todo. Se precisasse, poria de lado todos os arrependimentos
e sacrificaria Yusuke e seus amigos. Aquilo era parte das responsabilidades
de Koenma. E agora, Yusuke também percebera que não
estava muito satisfeito com a essa idéia. De fato, ressentia-se.
Como um sobrevivente por natureza, ressentia-se bastante.
A excitação na cabeça de Yusuke intensificou-se
como se estivesse alimentando-se com sua raiva. Idéias o atingiam
uma atrás da outra - não só ele escondia esse
ressentimento de si mesmo, como na verdade se convencera de que trabalhava
para Koenma por escolha pessoal. Mas agora lembrava-se de que não
houvera escolha afinal de contas. E que aquilo o deixava furioso.
Se havia alguma coisa que Yusuke detestava, era ser manipulado. Aquela
era a única razão pela qual sempre rebelava-se contra
a Autoridade. Koenma era simplesmente a maior Autoridade por ali...
e Koenma estava com certeza manipulando-o.
"Ei, Urameshi!" Kuwabara estalou os dedos impacientemente. "Vai
pegar esta galinha, ou o quê?"
"E ele," Ushiiko voltou-se para Kuwabara com escárnio. "Como
diabos você se misturou com esse retardado? Algo me diz que
ele não é muito esperto. Como você pode escutar
algum tipo de conselho que ele tenha para te dar?"
"Ei! Vou te mostrar o retardado!" Kuwabara atacou com
toda força Ushiiko, que meramente saiu do caminho. Kuwabara
recuou freneticamente, balançando os braços para se
manter longe da beira do telhado.
Ushiiko riu zombeteiramente. "Vê o que digo?" falou
para Yusuke. "Sem cérebro, só atitude. Como ele
poderia entender como se sente?"
"Eu..." Yusuke balançou a cabeça, tentando
clareá-la. Estava confuso. Há apenas um segundo, teria
se lançado para capturar essa youkai e enviado-a de volta
a prisão. Mas agora...
"Isso mesmo, Yusuke. Não tem que fazer o que lhe dizem. É só um
outro tipo de prisão, não é? Koenma não
se importa em nada com você, sabia? Só está te
usando."
Yusuke ergueu os olhos com um brilho zangado neles. "Me usando..." repetiu.
Era verdade. Tudo que Ushiiko dizia era verdade. Como ele pode convencer-se
do contrário?
Kuwabara olhou confuso para seu companheiro. "Em que diabos
está pensando, Urameshi?!" ele gritou. "Não
vai recuar, não é?" Kuwabara correu de volta para
onde Yusuke estava, agitando-se confuso. "Não a ouça,
Urameshi," Kuwabara gritou bem no ouvido dele. "Ela tem
poderes mentais, lembra-se?"
"EI! Pare, seu babaca!" Yusuke empurrou-o, esfregando
o ouvido. " Ela está certa! Koenma só está me
usando! Está manipulando a todos nós! Não dá pra
ver? Ou não se importa?!"
"Pensei que você-"
Yusuke cortou Kuwabara. "Não vou mais cair nessa! Ninguém,
mas NINGUÉM me usa desse jeito! Eu me demito!!"
Kuwabara agarrou os ombros de Yusuke. "Você não
quer dizer isso, Urameshi. Aquela galinha fez algo com sua cabeça.
Você não é assim de jeito nenhum!"
Yusuke livrou-se do agarrão de Kuwabara. "Não,
ela me fez ver a verdade. Deixe Koenma cuidar de seus proprios malditos
criminosos de agora em diante, ou pode fazê-lo, não
me importo. Mas estou fora." levantou um dedo de aviso. "Não
tente me deter. E, se você ver Botan, pode dizer-lhe para ficar
bem distante de mim." Abruptamente Yusuke voltou-se, dirigindo-se
para a porta de acesso ao telhado.
Freneticamente Kuwabara olhava para frente e para trás, de
Yusuke indo para a youkai sorrindo falsamente e examinando as unhas.
Uma expressão confusão e em pânico varreu seu
rosto, seguindo-se por uma resoluta.
Kuwabara voltou-se para avançar sobre Ushiiko, invocando
sua espada espiritual. A energia dourada arranhou sua mão. "O
que quer que tenha feito com ele, é melhor desfazer!" ele
exigiu dela.
"Não fiz nada," ela lhe informou. "Somente
fiz seu amigo dar uma boa olhada em como ele se sente realmente."
"De jeito nenhum!" Kuwabara correu até ela, atacando
selvagemente com sua espada. "Conheço Urameshi, e ele
não desiste com facilidade!"
Ushiiko facilmente desviou dos ataques de Kuwabara. "Bem, e
você? Como se sente sobre toda essa baboseira de 'detetive
espiritual'?" ela estreitou os olhos, focalizando-se nele.
"Não importa como me sinto sobre isso," Kuwabara
disse, chegando até ela de um ângulo diferente. "O
que você fez é errado! Não pode simplesmente
entrar nos pensamentos das pessoas e confudi-los desse jeito. Não
deixarei você se livrar disso!"
"Você..." os olhos de Ushiiko arregalaram-se, surpresos. "Não
consigo Senti-lo - impossível! É só um humano,
não deveria ser capaz de-"
Kuwabara viu sua chance nesse momento de hesitação.
Com um sorriso selvagem, arremessou-se com a espada espiritual. Acabou
tropeçando nos cordões do sapato e aterrisou com a
cara no chão. "D'OH!"
Ushiiko franziu o cenho e exibiu o canivete. "Você é muito
estúpido e perigoso para eu te deixar viver. Quanta dor acha
que posso tirar de você, antes de morrer?"
"Não, não vai! Solte essa faca, AGORA!" a
voz de Yusuke ecoou pelo telhado. Kuwabara e Ushiiko olharam em volta,
para ver Yusuke parado firmemente com seu dedo apontado para Ushiiko
como uma criança segurando uma arma de mentira. "Estou
te avisando. Não me importo se Koenma quer você ou não,
mas NINGUÉM ameaça meus amigos!"
Ushiiko apertou o canivete. "Yusuke, você não-"
"REI GUN!" Yusuke gritou. Um raio de energia espiritual
brilhante saiu da ponta do dedo de Yusuke, na direção
de Ushiiko.
Ela graciosamente flutuou para trás, saindo do caminho e
aterrisando a dois prédios de distância. "Ah, bem..." deu
de ombros para eles. "Foi divertido enquanto durou. Vejo vocês
depois...talvez." ela acenou e desapareceu de vista.
"Atrás dela!" Yusuke gritou, colocando-se atrás
da youkai de olhos jade. Alcançou o ponto em que ela estivera
e olhou em volta. Não parecia estar em lugar algum. "Merda!" Yusuke
cuspiu, então olhou de volta para Kuwabara. O rapaz alto estava
se pondo de pé e limpando sua capa branca. Parecia estar bem.
Com um resmungo baixo, Yusuke verificou a Bússola Espiritual.
Nada.
"Pra onde ela foi?!" Kuwabara perguntou freneticamente
quando Yusuke reuniu-se a ele.
"Não sei dizer," Yusuke respondeu, frustado. "Essa
droga parece só funcionar quando ela está usando seus
poderes, então não saberei onde ela está até que
faça algo novamente."
"Já estava na hora de você ter bom senso," Kuwabara
franziu o cenho. "Pensei que teria que acabar com ela sozinho.
De qualquer forma, o que ela fez com você? Estava te controlando
de alguma maneira?"
Yusuke olhou fixo para o espaço entre seus pés. "Não,
na verdade não. Acho..." ele começou lentamente, "Acho
que ela deve ser algum tipo de gaki, como um vampiro psíquico.
Podia sentir ela alimentando-se de minhas emoções.
Não sentiu isso também?"
"Hum? Quer dizer, ela te fez ficar puto por ser um detetive
espiritual, e então alimentou-se disso?"
"Não exatamente." Yusuke balançou a cabeça. "Acho
que eu realmente tenho algum tipo de resentimento. Mas houve boas
razões para trabalhar com Koenma, então não
me importei muito. Pelo menos... foi o que pensei." levantou
os olhos para seu amigo com uma mostra de confusão. "Mas
por um instante ali, nenhuma dessas razões pareceu importar.
De fato..." Yusuke parecia estranhamente pensativo. "De
fato, ainda não tenho muita certeza se ainda valem a pena." lançou
um olhar curioso para Kuwabara. "Aliás, como foi que
ela não conseguiu te atingir?"
"Ah, bem..." Kuwabara parecia orgulhoso consigo mesmo. "Estive
trabalhando com escudo psíquico, como a Mestra Genkai me ensinou."
"Hmf." Yusuke olhou fixo para seus sapatos. "Bem,
bom trabalho acho, mesmo que você não a tenha pego.
Espero que Kurama e Hiei tenham melhor sorte se a encontrarem." uma
descoberta repentina atingiu Yusuke. "Ah, merda!"
"O que foi agora?"
Yusuke olhou fixadamente para Kuwabara. "Se Ushiiko conseguiu
entrar na minha cabeça o suficiente para me fazer pensar em
abandonar Koenma, o que acha que poderá fazer com Kurama ou
Hiei? Ambos eram ladrões antes de se tornarem detetives espirituais.
Koenma pode acabar nos mandando atrás deles."
Kuwabara balançou a cabeça. "De jeito nenhum.
Os dois são muito experientes para caírem nesse jogo
desse jeito. Não são?"
"Ela quebrou todas as defesas do imperador, uma vez," Yusuke
murmurrou, refletindo. "Ele provavelmente tinha todos os tipos
de coisas realmente poderosas o defendendo."
Ambos se encontravam correndo de repente para a parte leste da cidade. "Melhor
achá-los, depressa."
Ushiiko cantorolava alegremente consigo mesma, enquanto caminhava
pela cidade. Aqueles dois humanos possuíam energia rei muito
poderosa, especialmente o mais baixo, de cabelo escuro. Alimentar-se
das emoções deles tinha sido como beber um forte vinho,
ou um hidromel delicioso. Agora ela facilmente controlava uma energia
duas vezes maior do que antes de encontrá-los. A sorte estava
certamente sorrindo para ela hoje.
Contudo, a aparição dos detetives espirituais significava
que Koenma já estava atrás dela. Por um momento, Ushiiko
se perguntou se deveria pensar em algum tipo de plano, mas então
decidiu confiar no acaso. Ainda não a traíra.
Um sinal vermelho brilhante chamou sua atenção. 'ESTAÇÃO
DE METRÔ' ela leu num grande kanji. Metrô. Huumm. Bem,
por que não? Nunca estivera num metrô antes.
Meia hora depois e vários quilômetros adiante, Kurama
e Hiei estavam de pé num telhado supervisionando as ruas.
A bandana de Hiei deslizara para sua mão enquanto ele sondava
a área com seu jagan. Kurama ficou esperando, perguntando-se
pela milásima vez como seria ter um terceiro olho.
"Alguma coisa?" Kurama perguntou.
"Não," Hiei respondeu imediatamente.
Kurama tentou mais uma vez sondar em redor com seus próprios
sentidos espirituais. Mas duvidava que conseguiriam descobrir algo,
se o jagan de Hiei não o fizera. Suas dúvidas foram
confirmadas. Suspirou. "Vamos andar," ele sugeriu.
Hiei não disse nada, mas passou feito um raio pelos telhados.
Kurama o seguiu, acompanhando-o o melhor que podia. Hiei tinha na
verdade diminuído a velocidade um pouco, por ele, do contrário
ele seria deixado para trás em instantes. Desse modo, em questão
de minutos a dupla estava numa seção totalmente diferente
da cidade. Alguns segundos depois, estavam no topo do prédio
mais alto daquele bairro. Atrás deles, vapor assoviava pela
ventilação dos exaustores do prédio.
Kurama baixou os olhos para as ruas, enquanto Hiei verificava a área.
Essa parecia ser uma parte comercial do centro. O tráfego
do fim da tarde aumentara e trânsito estava começando
a se formar. As calçadas eram um mar de pessoas. Dali de cima,
porém, eles mal conseguiam ouvir algo. Parecia remoto, como
se os topos dos prédios estivessem num mundo e as ruas em
outro.
"Tudo parece tão pacífico daqui de cima," Kurama
comentou. Apoiou os braços no peitoril do telhado e suspirou. "Sabe, às
vezes queria que o mundo fosse exatamente assim. Se não tivéssimos
que gastar tanto de nossas vidas lutando, teríamos tempo para
coisas melhores." ele deu uma risada curta. "Ah, mas esqueci
com quem estava falando. Gosta de lutar, não é?"
Hiei não deu resposta, mas continuou de pé no peitoril
como uma gárgula. Seus dois olhos naturais estavam bem fechados,
de modo a não distrair a Visão do jagan púpura
no meio da testa. Suas sobrancelhas enrugaram-se em concentração,
enquanto sondava de um lado a outro.
Um pensamento maligno passou pela cabeça de Kurama. Hiei
parecia tão distraído enquanto ficava ali... Kurama
teve que sufocar uma risada. Calmamente, ah-tão-calmo, ele
se pôs detrás do demônio de fogo. Lentamente colocou-se
em posição...firme... dedos prontos...
Rápido como um relâmpago, inclinou-se para frente e
cutucou Hiei na cintura, com as pontas dos dedos.
"AAAH!" o koorime pulou virando-se, olhos arregalados,
espada em mãos.
Kurama caiu para trás, contra a parede oposta, rindo até não
se agüentar. "H...Hiei," he arfou. "Devia ver
sua cara! O que eu não daria por uma câmer!" ele
dissolveu-se numa risada incoerente.
Hiei olhou furiosa e sombriamente para Kurama enquanto embainhava
a espada. "Seu idiota! Tem sorte que eu não tenha arrancado
sua cabeça por reflexo!"
Kurama parou de rir, e voltou a posicionar-se ao lado dele. "Não
fara isso, Hiei," ele sorriu. "Conheço você muito
bem. Tem melhor controle do que isso."
"De qualquer forma, você sempre leva as coisas muito
a sério," Kurama comentou. "Precisa aprender a relaxar
m pouco, divertir-se às vezes. Não te matar, sabia?"
"Hn. A única coisa que vale a pena fazer é lutar,
e se eu relaxar durante um combate vou ser morto. Você... desde
o Torneio das Trevas, quando voltou a sua verdadeira forma por um
instante... você tem ficado frívolo."
Kurama suspirou. "Não, não frívolo, na
verdade. Só um pouco mais próximo ao que costumava
ser."
"Hn." Hiei deu de ombros. Virou-se e continuou a sondar
as ruas com seu jagan. Após alguns instantes, ele disse, "Bem
ali. Acho que é ela."
Kurama olhou para baixo. Não conseguia sentir nenhum youki
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na direção que Hiei apontava, e disse isso.
"Claro que não," Hiei disse. "Ela está escondendo-o.
Mas olhe para a multidão ao redor dela."
Kurama o fez. Na abundante multidão nas calçadas,
ele mal conseguia distinguir um indivíduo. Contudo, realmente
parecia haver um 'buraco' na multidão que saía da estação
de metrô. Se olhasse cuidadosamente, Kurama consiguiria distinguir
um ponto único no meio daquele buraco. A multidão parecia
estar fluíndo ao redor daquela pessoa, como que por mágica.
Olhando ainda mais cuidadosamente, Kurama mal coseguia distinguir
as cores brilhantes e linhas afiadas de uma roupa na moda vestida
por um corpo feminino. Não parecia haver nenhuma razão óbvia
para as pessoas a estarem evitando.
"Vale a pena dar uma olhada," Kurama concordou. Dirigiu-se
para o elevador. "Eu irei. Há muitas pessoas lá embaixo
para começar uma luta, então eu a distrairei para algum
lugar menos movimentado, e você poderá se juntar a nós."
Quando atingiu a calçada, Kurama forçou seus poderes
psíquicos, tentando ter um vislumbre da youkai. Era quase
impossível. Havia muitas pessoas em volta, não importava
se ela estava escondendo o poder espiritual. Silenciosamente, ele
xingou baixinho. Precisa chegar num ponto mais alto para vê-la
sobre a multidão.
Olhando em redor, Kurama notou que a entrada para o arranha-céu
era precedida por degraus e uma varanda de concreto. Rapidamente
dirigiu-se até lá, e inclinou-se sobre o corrimão
da varanda, uma mão sobre os olhos, vasculhando a multidão.
Ali estava ela! Uma figura flexível com um cabelo verde curto
na moda, fazia seu caminho habilmente pela multidão. Respirando
fundo, Kurama saltou pelo corrimão para a calçada,
e encaminhou-se até ela. Miraculosamente, a multidão
separava-se enquanto ela se aproximava.
Um golpe passou pelo kitsune quando seus olhos se encontraram. Algo
tinha acabado de roçar a sua mente! Um olhar astuto e reconhecedor
apareceu no rosto de Ushiiko. Ela sentiu seu youki, como ele sentira
o dela? Devia ser isso, porque agora ela se encaminhava direto até ele.
Enquanto ela se aproximava, Kurama foi de repente atingido pelo reconhecimento
do poder dela. Droga! ele xingou consigo mesmo. Uma gaki emocional!
Ela devia encontrar-se na classe A agora, mas tinha potencial de
subir até a classe S. Não era de estranhar que Koenma
estivesse tão preocupado!
Muito tarde, Kurama percebeu que precisava se armar com defesas
mentais mais fortes. Uma gaki emocional não era ninguém
com quem se meter. Rapidamente educando seus pensamentos, ele removeu
uma rosa detrás de sua orelha e lançou mão de
um velho truque cigano. Sacudindo a rosa na direção
de Ushiiko, ele se convenceu mentalmente de que o que estava para
dizer era totalmente, absolutamente verdade.
"Olá," murmurrou, roçando em Ushiiko. "Será que
podia falar com você?"
Ushiiko parou e inclinou a cabeça. "E quem é você?"
"Meu nome humano é Minamino Shuuichi, mas no Makai,
fui conhecido como Youko Kurama." ele sorriu e entregou-lhe
a rosa.
Ushiiko esgasgou. "O famoso ladrão?"
"Ouviu falar de mim, então? Ótimo."
"Ouvi dizer que desapareceu quinze anos atrás."
Kurama olhou irônico para seu corpo humano. "Um caçador
atirou em mim. Eu... tive que reencarnar como humano para escapar
da morte. Tenho ficado no mundo humano desde então." ergueu
os olhos de novo, tomando cuidado para não olhar dentro dos
olhos de Ushiiko. "Mas não é isso que queria conversar
com você. Sabe. preciso de um novo parceiro. Descobri recentemente
alguns objetos mágicos valiosos escondidos no mundo humano,
mas já que estou atualmente preso como humano, não
tenho todas as habilidades que tinha quando era um youko. Preciso
de ajuda."
"Mas a calçada não é um lugar muito bom
para conversar sobre isso," ele continuou, movendo-se para um
beco próximo. "Vamos para um lugar um pouco mais privado."
Ushiiko assentiu e seguiu-o. "Parece interessante," ela
disse, enquanto entravam nas sombras do fim de tarde. "Conte-me
mais." ela sorriu delicadamente para a rosa.
"Bem, parece que há uma pérola mágica
incrustada numa estátua num santuário não muito
longe daqui. Há um problema, porém. Está guardado
por alguns selos poderosas que não sei como quebrar."
"Sei tudo sobre selos," Ushiiko sorriu arrogantemente. "Quebrei
muitos deles quando escapei da prisão no Reikai."
"Ótimo," Kurama disse. "Porém também
há outro problema."
"E qual é esse?"
"Não estou procurando exatamente por um novo parceiro," Kurama
disse enquanto enviava um controle mental para a rosa que Ushiiko
segurava. A haste espinhenta espiralou a volta dela, cravando e marcando
seus braços e pernas com filetes de sangue. As folhas da rosa
cresceram e enrolaram-se em volta da youkai, embrulhando-a. "Na
verdade sou um detetive espiritual, e Koenma me pediu para recapturá-la.
Já que você admitiu que selos não a detém,
então que tal uma rosa do Makai?"
"Deveria saber que não devia confiar num kitsune," Ushiiko
silvou por trás das folhas. O pacote estremeceu violentamente,
e explodiu em plantas rasgadas. A gaki voou por sobre a cabeça
de Kurama e pousou atrás dele, seus olhos brilhando malignamente. "Você será o
mais delicioso," ela murmurrou. Seus lábios se abriram
e ela começou a cantar.
Uma onda de puro medo atingiu Kurama enquanto a canção
atacava seus ouvidos. Ele voltou-se, tentando forçar-se a
atacar Ushiiko novamente, mas em vez disso encontrou-se inclinando-se
numa parede de tijolos pichada, os braços em volta de seu
corpo trêmulo. Ushiiko pareceu crescer mais três, seis
metros, enquanto sua música lamurienta o envolvia. Kurama
tentou desviar o olhar, mas descobriu-se preso nos nebulosos olhos
jade dela, enquanto eles pareciam ter passagem direto para a alma
dele. Onde estava Hiei? a última ponta de pensamento racional
de Kurama perguntou, enquanto caía de joelhos.
:Vou ensinar você a não brincar comigo!: a voz mental
fria de Ushiiko introduziu-se em sua cabeça, enquanto ela
continuava a cantar. :mostre-me seus segredos, kitsune! Mostre-me
os lugares sombrios de seu coração!:
"N... não...," Kurama sussurrou fracamente, tentando
lutar contra o ataque mental da gaki. Ele se armou com os mais fortes
escudos mentais que podia dominar. Eles estremeceram no ritmo da
resonância misteriosa da música, vacilou, e desapareceu
num redemoinho de música enquanto a presença invasiva
de Ushiiko mergulhava fundo em suas lembranças. Uma luz verde
pálida preencheu o beco.
O beco desvaneceu da vista de Kurama, para ser substituído
por uma escuridão total e um distante gotejar d'água.
Lentamente, enquanto os olhos se ajustavam, Kurama conseguiu distinguir
estalactites sobre a cabeça, e uma tranqüila poça
de água negra à sua frente. Onde ele estava? Algo nesta
caverna parecia terrivelmente familiar.
Rastejando até a poça, Kurama invocou uma tulipa-lanterna.
Ela germinou no solo rochoso ao seu lado e lançou uma luz
avermelhada fraca através de suas pétalas delicadas.
Na poça, Kurama viu o reflexo de um delgado e impressionantemente
belo kitsune jovem com uma cascata de cabelo prateado caindo pelos
ombros. Ele estava na forma de youko, então?
Olhando por sobre o ombro, Kurama viu uma luz vermelha cintilando
de uma moldeira dourada apoiada contra a parede da caverna. De repente
lembrou-se. Aquele era o buraco pelo qual fugira depois que ele e
seu último parceiro, Kuronue, roubaram o grande tesouro. Kuronue...
Durante a louca fuga pela floresta, o outro ladrão tinha
de algum modo deixado cair seu mais precioso tesouro. Ele parou para
buscá-lo e foi empalado pelos guardas em perseguição.
Kurama fora incapaz de ajudá-lo, incapaz de fazer nada, a
não ser observar as lanças cravando-se no corpo de
seu melhor amigo. A dor em seus olhos, o medo total... Kurama não
conseguia esquecer, duvidava que pudesse esquecer a agonia que Kuronue
sofreu enquanto morria.
"Se ao menos..." Kurama sussurrou, enterrando a cabeça
nos braços, enquanto a culpa o sufocava. "Se ao menos
eu pudesse..."
De repente ele notou um brilho de energia no canto dos seus sentidos.
Parecia muito familiar, se pelo menos conseguisse localizá-lo.
Inimigo? Não. Amigo? Kurama só conseguia pensar em
uma pessoa que chamaria de amigo. O outro ladrão tinha sobrevivido
de alguma maneira, então? "Kuronue -?" sussurrou
esperançoso, enquanto uma sombra negra corria para dentro
da caverna.
"Kurama!" a sombra negra gritou enquanto colidia numa
figura feminina que apareceu de repente à sua frente. Kurama
piscou, tentando entender a mudança de cenário. Kuronue
nunca usara uma katana como aquela. Nem nunca fora tão pequeno. "Hiei!" ele
engasgou, de repente reconhecendo a energia espiritual.
"Recomponha-se, droga!" Hiei resmungou enquanto flutuava
em volta de Ushiiko, sua katana assoviando pelo ar ao redor dela.
Agilmente, ela agachava-se e desviava de cada ataque. Era como se
Hiei estivesse tentando cortar água.
Kurama lutou com seus pés, tentando passar pela neblina emocional
criada pela música da gaki. Ela ainda cantava, enquanto rodopiava
numa louca dança da morte com o pequeno koorime. Kurama forçou-se
a dar um passo, então outro pelo chão da caverna. "Cuidado,
Hiei," engasgou. "Ela é mais poderosa do que parece..." Kurama
dobrou um dos joelhos, enquanto uma onda de fraqueza o invadia. Droga,
o que estava errado com ele? Por que não conseguia fazer nada?
Convivia com essa culpa pela morte de Kuronue por mais de cinqüenta
anos, então por que isso o afetava tanto agora? Seria forçado
a não fazer nada de novo, enquanto assistia outro amigo morrer?
A música aguda continuava.
:Conte-me seus segredos, pequeno.: a voz mental sibilante de Ushiiko
soou estranhamente desafinada no espaço cavernoso.
"O quê?" os olhos âmbar de Hiei arregalaram-se,
enquanto o olhar melancólico de Ushiiko os apanhava e os prendia.
"Hiei," Kurama engasgou enquanto a caverna começou
a tremeluzir em sua visão. "Lute contra ela, Hiei-! Não
a deixe pegar você!" forçando-se a se por de pés,
tentando esquecer a mágoa que o fazia querer arrancar o próprio
coração ("Kuronue..."), Kurama apalpou o
bolso, procurando por sementes para usar contra a cantora. Agora,
ele sabia, não era a hora de se perder em arrependimentos.
De repente uma mão adiantou-se por trás dele e agarrou
seu braço. Kurama voltou-se, espantado, para ver uma forma
familiar detrás dele. Longas asas de couro espreitavam detrás
de um corpo magro e musculoso, coberto com faixa e couro apertados.
Um chapéu amassado inclinado anarquicamente sobre um olho,
que era escondido por uma mecha de cabelo preto como um corvo. O
longo a afilado rosto parecia triste. "Kurama," Kuronue
disse suavemente.
O kitsune esgasgou-se. "Impossível! Você não
pode estar aqui. Eu vi você morrer."
"Isso mesmo," o sombrio youkai disse gentilmente. "Sou
só uma lembrança." ele amostrou um amuleto vermelho
brilhante. "Lembra-se disso?"
"Claro," Kurama replicou. "Isso era seu bem mais
precioso. Foi por isso que você perdeu a vida."
"Foi tolice, admito," Kuronue com tristeza balançou
a cabeça. "Mas lembra-se do que me prometeu?"
Kurama pensou. "Você queria que eu desse esse amuleto
para sua filha se alguma coisa acontecesse com você."
"Então por que não fez isso?"
"Teria sido suicídio voltar atrás dele," Kurama
prostestou. "Os guardas o guardaram depois que você morreu,
e a segurança da casa do Grande Tesouro foi triplicada por
meses depois!"
Os olhos de Kuronue estreitaram-se. "Desde quando isso deteve
você de ir atrás de algo que queria? Talvez sua promessa
não significasse nada?"
"Não é verdade!" Kurama prostestou novamente,
enquanto a música misteriosa ecoava ao redor dele, aumentando
seu tom.
:Escondendo-se atrás de uma barreira de indiferença
não te protegerá para sempre, sabe?:
Assustado, Kurama de repente lembrou-se da luta acontecendo atrás
de si. Ele voltou-se e viu Hiei agachado numa pose defensiva, mal
visível atrás da parede de fumaça translúcida
que o rodeava. Sua katana balançava-se negligentemente em
seu punho; parecia estar enfrentando uma luta interna. Tardiamente,
Kurama também notou uma luz verde vacilante vertendo de seu
próprio coração para dentro da gaki lamuriante.
A cada pulsação, a luz ficava mais forte, e os joelhos
de Kurama sentiram-se mais fracos. A música ficou mais afiada,
perfeita para despedaçar uma alma em farrapos.
"Hiei," Kurama engasgou, enquanto a música fantasmagórica
arrancava suas últimas forças. Horrorizado, ele observou
a barreira de Hiei amainar-se, e finalmente desaparecer em tufos
de fumaça. O pequeno koorime vacilou e caiu de joelhos. A
katana deslizou e caiu sonoramente no chão.
Enquanto a caverna ao seu redor começou a dissolver-se, Kurama
percebeu que enquanto o foco do ataque de Ushiiko mudava, também
o fazia as lembranças dominantes controlando a cena. Aquilo
sognificava que Hiei havia visto as lembranças de Kurama -
e agora ele estava vendo as de Hiei!
A caverna ficou mais e mais clara, até que as estalactites
derreteram-se e foram substituídas por um céu cinza
gélido. O chão a frente de Kurama despedaçou-se,
e ele encontrou-se olhando para uma borda rochosa, lá embaixo
um rio estreito cortando a planície coberta de neve. Estranhamente,
o desfiladeiro não parecia ir até o chão. Kurama
engasgou. Mas o quê-?
De repente o sol espreitou-se por entre as nuvens, e um arco-íris
atingiu a neve próxima ao kitsune. Voltando-se, foi momentaneamente
cegado pela ofuscação do sol passando por uma espiral
cristalina à distância. Arco-íris apareciam em
todo lugar, pequenas faixas de cor contra a neve completamente branca.
Então, rapidamente, o sol voltoupara detrás das nuvens,
e Kurama deu uma boa olhada em o que o havia cegado. Quase esqueceu-se
de respirar. Não muito longe, erguia-se uma magnífica
cidade de de mármore e gelo! A espiral que o havia cegado
estava no topo de um prédio delicado que parecia-se com um
cruzamento de um pagode e uma catedral. Aconchegado ao redor deste...
palácio?..estavam uma variedade de estruturas menores, mas
igualmente magníficas. Era difícil dizer da onde ele
estava, mas parecia que os prédios estavam decorados com ornamentos
em espiral curvilíneos, quase barroco - todos cinzelados em
gelo. Pináculos e torres, também de gelo, dirigiam-se
para os céus. Não era de se espantar que tivesse sido
cegado quando o sol tocou a cidade! Ela quase brilhava, mesmo sem
o sol. Que lugar era esse??
A resposta o atingiu enquanto procurava em redor por Hiei. Esta
era a cidade sobre a ilha flutuante - a legendária cidade
das Koorime. Mas aquilo significava que-!
Um vento gelado passou cortante pelo kitsune enquanto ele notava
uma mulher encaminhado-se para a margem da ilha à uma certa
distância. Ela carregava um embrulho enfaixado. De repente
o tecido mexeu-se e uma pequena cabeça com cabelo preto espetado
apareceu.
O bebê olhou confuso em redor. Uma mão saiu e agarrou
o cabelo desarrumado da mulher. Ela recuou enquanto ele o puxava,
e gentilmente procurou soltar seu cabelo da mão do pequeno.
Com um suspiro triste, a mulher parou do lado da borda da ilha e
deu uma longa olhada na criança. Rapidamente, relutantemente,
ela puxou uma tira de couro de seu pesoço e colocou no do
bebê. A luz cintilou vagarosamente na jóia negra presa
nela. O bebê, sentindo que algo estava terrivelmente errado,
começou a chorar. A mulher sussurrou algo, olhando na direção
do céu. Então deu um passo a frente, e jogou o bebê no
penhasco.
"Não!" Kurama não conseguiu evitar de se
lançar adiante, para tentar apanhar Hiei, embora soubesse
que era tarde demais. No instante que alcançou a margem, tudo
que pôde ver era uma pequena cratera num monte de neve lá abaixo.
saber que Hiei havia sobrevivido não fez com que o nó na
garganta de Kurama se fosse.
Então a cena mudou, enquanto ele se encontrava num lado montanhoso.
Pinheiros verdes empurravam a neve, arranjando-se próximo
a um riacho turbulento. A cidade havia desaparecido, mas havia uma
cabana visível mais adiante, com fumaça saindo da chaminé.
Uma trilha mal aberta passava através dos pinheiros, na direção
da cabana.
Um calmo som de passos fez Kurama voltar-se. À sua esquerda,
viu Hiei esforçando-se para por-se de pé. O koorime
parecia um pouco mais velho, talvez um ano, talvez menos. Estava
lutando para passar pelo monte de neve, carregando um coelho morto,
e os restos parcialmente comidos de outro. Ele não prestou
atenção no kitsune. Kurama estava para ir até ele,
quando uma mulher de aparência rude saiu detrás de uma árvore.
O vento soprou e chicoteou no seu manto, revelando uma camuflagem
de inverno debaixo dele.
Hiei parou e quase derrubou os coelhos. Por um instante, seus olhos
se iluminaram. "Você... você é da cidade,
não é?" ele perguntou. "Sabia que me encontrariam!
Está aqui para me levar de volta, certo? Sabia que foi um
engano!"
"Nenhum engano, garoto," a koorime mais velha resmungou. "Exceto
que você é muito estúpido para morrer sozinho.
Quando a patrulha da borda falou sobre você, eles me mandaram
para acabar com você." ela sacou uma espada de lâmina
larga debaixo de seu manto.
"Não entendo," Hiei protestou, afastando-se. "Por
quê?"
"Por quê?" a outra resmungou. "'Porque você é a
maldita Criança Proibida, é por isso! Koorime controlam
o gelo, não fogo."
Hiei olhou para a neve, que estava começando a derreter-se
a sua volta. "Mas isso não é minha cul-" foi
de repente forçado a saltar, quando a espada passou silvando
na direção dele. Ele usou os coelhos para aparar o
golpe.
"Só desista, droga!" a outra koorime xingou. "Facilite,
e morra agora. Você nunca deveria ter nascido, de qualquer
forma!"
"Não!" Hiei gritou, saltando na garganta da estranha.
A outra koorime foi pega de surpresa pela audácia e foi balançada.
Por alguns momentos a dupla lutou no chão, chegando perigosamente
perto da borda do precipício nevado. Por um instante uma aura
ameaçadora cintilou ao redor de Hiei. Ambos os koorime pareceram
surpresos - e então a neve transformou-se em lama. A mulher
sufocou um grito de alarme enquanto seus pés deslizaram e
uma perna parou no penhasco. Hiei livrou-se do aperto dela exatamente
quando a outra perna deslizou também. Esticando a mão
desesperado por algo, qualquer coisa, a estranha conseguiu agarrar
a tira de couro em volta do pescoço de Hiei. O koorime mais
jovem engasgou enquanto começava a deslizar pela borda. Olhando
em volta freneticamente, ele não via nada em que se agarrar.
Com um grito sonoro ambos os koorime caíram.
"Hiei!" Kurama gritou, correndo até o ponto onde
eles desapareceram. Quando olhou para baixo, viu que Hiei estava
segurando-se numa pequena raiz que estava saindo pelo lado do penhasco.
Parecia que estava para ser estrangulado pelo peso da outra koorime,
que ainda estava agarrando seu colar.
"Solte," Hiei engasgou, chutando a estranha.
"Se eu for, você vai comig-"
A tira de couro partiu-se.
Arfando por ar, Hiei observou a outra koorime cair do penhasco num
redemoinho de camuflagem branca. Lenta e cuidadosamente ele fez o
caminho de volta ao topo do penhasco, ignorando a mão de Kurama.
Ele voltou-se e olhou para baixo, passando um dedo aonde a tira com
a pérola de gelo uma vez esteve. "Nenhum engano..." ele
sussurrou.
"Hiei!" Kurama balançou seu ombro. "Pare com
isso! São só lembranças. Só lembranças!"
Apenas o vento gelado deu resposta, seu gemido assustador atingindo
rudemente os nervos de Kurama.
Uma risada estridente, zombeteira ecoou a volta deles. :Ah, mas
lembranças carregam um tipo de grande poder no universo. Afinal
de contas, sem as lembranças não seríamos nada,
a não ser marinheiros atirados à deriva pela tempestade
num mar sem limites, sem nenhuma idéia de para onde estamos
indo, sem idéia de onde estamos... e sem motivações
para ir a qualquer outro lugar. Nunca despreze o poder das lembranças.:
Kuronue apareceu próximo a Kurama novamente, estranhamente
discordante na neve. Ele entregou o pingente para Kurama, e suspirou, "Lembre-se.
Por mim, lembre-se."
Só lembranças. Kurama enterrou o rosto nas mãos,
agarrando o pingente numa delas. Não havia nada que pudesse
fazer por seu antigo amigo.
"Estão ali!" uma voz familiar passou pela neblina
de emoções, fazendo Kurama piscar.
"É, estou vendo!" Yusuke! E Kuwabara!
"Mas o quê-?!" Ushiiko soltou. "Vocês
de novo?!" de repente os alpes gelados desapareceram, para serem
substituídos por um beco estreito, pixado. A transição
repentina era quase claustrofóbico.
"Yusuke, cuidado-!" Kurama gritou, lutando para por-se
de pé.
"É, eu sei!" Yusuke entrou atacando no beco à toda,
direto em Ushiiko. Ele colidiu nela, dando um poderoso soco no queixo. "Isso é por
antes! Vamos ver você falar besteira com a mandíbula
quebrada!"
A gaki livrou-se do ataque e empurrou Yusuke de lado. "Seu
idiota! Absorvi poder suficiente desse dois-" ela gesticulou
para Kurama e Hiei, "para me tornar invencível!"
"Sério?" Kuwabara zombou. "Você ainda
não me derrotou!" uma barreira brilhou a sua volta, enquanto
ele se armava com os melhores escudos mentais que dominava. Sua espada
espiritual apareceu em sua mão.
"Hmph," Ushiiko bufou. "Você eu posso derrotar
de mãos nuas." ela assumiu uma pose de luta, zombando
de Kuwabara.
"Todo mundo!" Yusuke gritou, atacando novamente. "Ataquem!
Agora não é hora de disputas mano-a-mano!" ele
abaixou-se sob os balanços erráticos de Kuwabara, lançando
mais alguns socos. Rindo, Ushiiko desviou-se de todosl.
"Certo!" Kurama olhou em redor, procurando por algo...
ah! Havia uma hera saindo do lado de um dos prédios. Não
tinha certeza se tinha energia bastante para isso, mas ele se concentrou
de qualquer maneira. Em alguns instantes, a hera explodiu na direção
da. "Afastem-se!" ele gritou para Yusuke e Kuwabara.
"Hum?" Ushiiko voltou-se na hora de ser pega pelo aperto
da hera. Yusuke pulou fora do caminho, mas Kuwabara não teve
tanta sorte. Em instantes, ele estava tão preso quanto Ushiiko.
"Apresse-se, Yusuke," Kurama engasgou, caindo de joelhos
novamente. "Não posso fazer mais nada."
Yusuke plantou-se firmemente em frente da gaki. Apontou o dedo na
cara dela.
"Tolo," Ushiiko riu. "Esse pequeno ataque não
pode me ferir."
"Talvez não," Kuwabara disse, finalmente conseguindo
sair da hera. "Mas e se nós dois atacarmos você ao
mesmo tempo?" ele sorriu malignamente, enquanto impulsionava
sua espada espiritual adiante.
Simultaneamente, Yusuke gritou "REI GUN!", e um raio de
energia azul bateu no rosto dela.
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p>Quando a fumaça amainou-se, uma pilha de hera morta espalhava-se
pelo chão do beco. Em cima da pilha, Ushiiko estava deitada,
quase morta.
Yusuke inclinou para trás, contra a parede, soltando um suspiro
de alívio. "Peguei ela," murmurrou.
"O que aconteceu com o anão?" Kuwabara perguntou. "Percebi
que ele foi derrotado com algumas pancadas também."
"Hiei?" Kurama olhou em volta, de repente perguntando-se
a mesma coisa. O que acontecera com Hiei? Finalmente, após
alguns momentos, ele finalmente notou o pequeno koorime. Ele estava
num canto escuro do beco, quase invisível nas sombras. Kurama
se pôs de pé mais uma vez, e foi vacilando até ele. "Hiei?
Por que não atacou?"
Hiei estava enroscado no canto, olhando inexpressivamente para todos.
Sua mão cerrava-se sobre o peito, exatamente aonde Kurama
vira o jovem usando a tira de couro com uma pérola de gelo.
Kurama esticou a mão e tocou no seu ombro. "Hiei?"
De repnte os olhos de Hiei entraram em foco. Ele assustou-se, deu
uma olhada em Kurama, e desapareceu em pleno ar.
"O que foi isso tudo?" Kuwabara perguntou-se, coçando
a cabeça.
Kurama inclinou-se e apanhou uma pérola negra lisa esquecida
no concreto.
"Uma jóia de lágrima koorime?" Yusuke meditou.
Kurama colocou-a no bolso, franzindo o cenho.
Botan chegou logo depois, para escoltar Ushiiko para um lugar especial
para criminosos no mundo espiritual. Mas enquanto ela removia a youkai
inconsciente, ela sentiu que algo estava incomodando Yusuke. "O
que é, Yusuke-chan?" ela quis saber. Yusukefraziu o cenho,
e então exigiu ver Koenma para negociar os termos do acordo
deles. Após um momento inicial de surpresa, Botan concordou
em escoltá-lo até o mundo espiritual. Yusuke agarrou-se
no remo voador de Botan, e num instante eles se foram.
De início Koenma recusou-se a negociar. Afinal de contas,
Yusuke e seus amigos haviam se tornado uma das maiores propriedades
de Koenma para enfrentar os crimes espirituais. Além disso,
tinha sido justo, não? Não tinha dado todo tipo de
ajuda a Yusuke? Não tinha forçado Yusuke até que
o garoto fosse cinqüenta vezes mais poderoso do que seria do
contrário? Meu Deus, ele não havia ressuscitado Yusuke
pra começar?
Infelizmente, Yusuke não parecia mais ver as coisas desse
modo. De fato, ante a primeira recusa de Koenma, Yusuke marchou adiante
e quebrou a televisão. Sem mais Missão Impossível!
Koenma não gostou. Mas finalmente, após algumas regateações
intensas e pertubadoras, Yusuke ganhou o direito de não aceitar
missões. Para recuperar a televisão, Koenma decidiu
enviar Botan para pegar a de Yusuke. Era justo, afinal de contas.
Koenma suspirou e pensou em todos os novos papéis que esse
novo acordo iria exigir. Estar a frente do Mundo Espiritual com certeza
não era brincadeira!
Kurama não esteve tão preocupado desde que sua mãe
esteve doente. Ele ficou atrás de Hiei nas docas, onde finalmente
o achara, observando os navios saindo do porto. A brisa fria do oceano
ondulava o cabelo de Kurama. Ele ficou parado ali por meia hora.
Hiei não falara um só palavra com ele. Simplesmente
ficara ali, como uma pequena estátua de si próprio,
olhando friamente no espaço e ignorando o mundo.
Enfim, Kurama não conseguiu mais agüentar. Gentilmente,
ele tocou o ombro de Hiei, esperando por algum tipo de resposta -
qualquer tipo. "Hiei?" nem mesmo uma hesitação. "Hiei,
se precisa conversar..."
Uma voz baixa, tensa finalmente respondeu. "Nada aconteceu."
Kurama balançou a cabeça. "Negar não vai
ajudar-"
"Nada aconteceu." a voz baixa cortou as palavras de Kurama,
impedindo qualquer discussão.
Não importava o que tentasse, Kurama não conseguia
mais resposta de seu amigo. Enfim, ele desistiu e simplesmente sentou-se
ali, silenciosamente oferecendo qualquer apoio que fosse aceito.
No primeiro instante em que desviou o olhar, Hiei desapareceu.
Traduzido por Rechan // Título Original: A Far Country
- Minotaur in Labyrinth
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