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Um País Distante
por Amanjaku
Capítulo 3 - Luz na Montanha Descampada
"Não dá pra
ACREDITAR que estou fazendo isso," Hiei reclamou em voz alta
pela quinta vez. Uma longa linha de marcas se estendia por trás
dele na neve. Ao lado da linha firme de suas próprias pegadas,
uma segunda faixa aparecia aqui e ali. Mais próxima às
cavernas, a segunda linha era mais visível. Mas ela começara
a vagear e manchar-se, e enfim se tornara uma longa marca de reboque.
Hiei parou por um instante
para descansar. Grandes nuvens de vapor de respiração rolou em frente
a ele enquanto ele deitava o corpo inconsciente de Kurama na neve.
Aquela maldita raposa. Ainda bem que o corpo dele era naturalmente
resistente a venenos, do contrário ele nunca teria durado
tanto. Algo tão simples quanto um veneno não deveria
estar afetando Kurama tão severamente. Mas não era
um simples veneno. Kurama, aquele maldito filho da mãe,
se certificara que engulira a versão do Makai, que era tão
letal para youkai como a versão humana o era para humanos.
Agora Hiei podia sentir o youki de Kurama lentamente se esgotando.
O Youki não era apenas a energia usada para controlar as
plantas. Era sua força de vida. Quando ele se fosse...
Hiei não tinha certeza de quanto
tempo mais ele tinha. Kurama teria calculado o quanto de veneno
seu corpo poderia tolerar sem na verdade matá-lo, ou ele
teria confiado sua vida ao seu companheiro? Provavelmente a última,
Hiei pensou furioso. Aquela MALDITA raposa. O que DIABOS estava
ele esperando realizar? O que ele pensou? Que uma Criança
Proibida poderia simplesmente subir na cidade flutuante das koorime,
bater, e pedir para lhe deixarem entrar? Sem chance. Elas o atiraram
por uma boa razão. Ele era um espírito de fogo, droga.
Koorime deveriam ser espíritos do gelo. Toda a mágica
delas era baseada no frio. ter um espírito do fogo por perto
destruiria tudo. Provavelmente. Droga, Hiei pensou amargamente,
elas provavelmente temiam que ele fizesse com que a maldita cidade
delas caísse, ou algo parecido.
Ele olhou para a neve em volta
de seus pés, que já estava começando a derreter.
E talvez elas estivessem certas. Examinou Kurama, que estava respirando
fracamente. Bom, pelo menos ele ainda estava respirando - o que
trouxe Hiei de volta ao início do ciclo de pensamentos que
estava martelando na sua cabeça desde que Kurama desmaiara.
O que esse tolo esperava que ele fizesse, de qualquer forma?
Felizmente, Hiei teve uma resposta.
Não era uma que ele gostasse, mas era melhor do que ficar
parado, sem saída, do lado de fora dos portões da
cidade, ou pior, ser atacado pelas koorime dentro dela. Ele olhou
para frente, na direção das montanhas que se erguiam
próximas. Havia, ele sabia, uma pequena cabana aninhada
no topo de uma delas, no lado oposto da montanha. Droga, mas ele
detestava a idéia de ir ali.
Pouco tempo depois, Hiei descobriu-se se empurrando através dos montes
de neve próximo ao pico da montanha. Mas que DROGA, pensou consigo mesmo.
Ele TEM que estar por aqui. A menos que... a menos que o velho filho da mãe
finalmente morrera. Aquilo seria bem próprio dele, decidiu. Nunca por
perto quando se precisa dele... Seu Jagan tinha localizado a casa algum tempo
atrás, mas então o vento aumentara e a neve começara a
cair. Agora ele estava rodeado por uma neblina branca que se esticava até a
eternidade. Ele nunca descobriria aquele maldito lugar agora, a não
ser quando estivesse a 10 centímetros dele.
Ou então... Hiei afinou os
ouvidos. Era imaginação sua ou acabara de ouvir um
barulho fraco? Reposionando Kurama mais confortávelmente
nos ombros, dirigiu-se até onde pensara que ele viera. Se
houvesse uma luta acontecendo, não seria difícil
esconder o corpo do kitsune na neve, apesar do que, encontrá-lo
de novo seria um problema. Se, por outro lado, viesse de onde ele
esperava...
Ele estava praticamente no
topo da pequena cabana antes que percebesse. Pouco podia ser visto
na tempestade de neve, mas uma luz dourada e quente, saía por sob a porta. "Eu
SEI que vou me arrepender disso," Hiei resmungou consigo mesmo,
enquanto se dirigia para a porta e abriou-a.
Lá dentro estava uma densa
barba de óculos. Uma observação mais apurada
revelou um pequeno velho sob todo aquele cabelo, de pé sobre
uma pilha de potes e panelas. Acima dele, uma prateleira pendurada
por uma prego na parede. O pequeno homem imediatamente juntou as
mãos à sua frente, assumindo uma pose Digna e Sagrada. "Quem
vem procurar a sabedoria do Grande Yogi?" ele entoou.
"Desista disso comigo, Koji," Hiei
resmungou. "Eu conheço isso."
O pequenino velhote piscou
e inclinou para frente um pouco. "Quem é? Eu te conheço?"
"CLARO que me conhece, sua velha
fraude." Hiei arrastou Kurama para dentro da cabana e bateu
a porta contra a neve.
O velho ajustou seus óculos
e deu outra olhada. De repente ele sorriu de prazer. "Gafanhoto!"
Hiei recuou. "Hiei, droga. Meu
nome é Hi-ei."
"Detalhes, detalhes. Quem é seu
amigo?" Koji deu passos pesados com um estranho tipo de passo
para espiar o corpo jogado no ombro de Hiei.
"Ele NÃO é meu
amigo," Hiei resmungou. "É só uma companhia
de viagem. O nome é Kurama. O maldito idiota se envenenou
om algum tipo de planta."
"Um humano? Não parece
muito bem, não é?" Koji observou, esfregando
os óculos e reposicionando-os no nariz.
Hiei olhou furiosamente para
o velho. "Por
que diabos você acha que me incomodaria em voltar a este
buraco? Conhece o antídoto?"
Koji tagarelou com uma voz
aguda. "Gafanhoto,
vivi nesta montanhas por seiscentos anos. Conheço tudo sobre
sobreviver nelas." He se misturou com a pilha de potes e panelas
e apanhou uma chaleira de cobre. "Apenas ponha-o na minha
cama, e observe! Talvez aprenda algo." com outra gargalhada
suave, Koji balançou-se como um pato na direção
da lareira e começou a puxar vários pacotes de ervas
que estavam ali penduradas para secar. Ele cantarolou uma melodia
irritante, fora de tom.
Hiei pôs Kurama sobre
a cama de palha e estremeceu. Isso ia ser uma longa espera.
Uma batida excitada soou na
porta da sala da comandante. "Sim?" veio a resposta afiada.
A porta arreganhou-se. Uma jovem mulher pequena entrou trotando
num uniforme cinza.
"Senhora!" a jovem bateu
duas continências. "Notícias pertubadoras, senhora!"
A comandante tirou os olhos
pregüiçosamente
dos papéis na sua mesa. "Sempre há algo," ela
suspirou. "O que é, desta vez? Mais vermes de neve
fazendo ninhos sob a cidade?"
"Não, senhora!" a
tenente bateu continência novamente. "As observadoras
relataram pegadas vindo das Cavernas Mizuma, senhora! Humanóides,
senhora!"
A comandante suspirou e balançou
a cabeça. "Não de novo. Bom? Elas seguiram as
trilhas para ver quem - ou que - é?"
"Bom, senhora, eu-"
"Claro que sim." uma koorime
musculosa coberta com uma camuflagem branca apareceu dentro do
aposento por trás da tenente. Ela se dirigiu até a
mesa da comandante e casualmente se inclinou sobre um canto dela,
então olhou para a jovem koorime, que ainda estava parada
em posição de sentido. Ela fez um movimento de expulsar
a tenente. "Se manda, garota. Eu assumo daqui por diante," disse,
voltou sua atenção para a comandante. "Pelo
que posso dizer, haviam dois deles, um carregando ou arrastando
o outro. Estimo que o que está sendo carregando seja cerca
de 30 centímetros e meio maior do que eu, e talvez com setenta
e dois quilos, mais ou menos, a julgar pelas pegadas na direção
da caverna. O outro parece ser de nosso tamanho. Me pergunto se
não temos dois vagabundos dos campos de Karau."
A comandante franziu o cenho. "Isso
não é nada bom. A última vez que um deles
chegou vagando aqui, quase entramos em guerra com toda maldita
tribo. Malditos nômades." ela olhou astutamente para
a observadora inclinada casualmente sobre a mesa. "Suponho
que você não tenha dado uma olhada em quem esteve
seguindo, Capitã Shinrai?"
"Bem, agora não," Shinrai
replicou. "Não se passou algumas horas desde que estava
seguindo as trilhas, quando aquela tempestade de neve veio do nada
e as cobriu, assim achei melhor voltar e fazer o relatório.
Mas aquelas trilhas estavam indo numa linha bem reta, e tenho o
pressentimento de sei para onde eles se dirigiam."
"E para onde é?"
"Sabe aquele velho bode
que vive do outro lado da montanha?"
"O eremita? Ah, qual é o
nome - Koji?"
Shinrai riu grosseiramente. "É, é ele.
Parece que nossa dupla misteriosa estava indo para casa dele."
A comandante riu também. "Não
dá para imaginar o eles querem com ele. Droga, não
consigo nem mesmo imaginar como ele sobreviveu ali durante todo
esse tempo, o velho idiota. O conselho pensou com certeza que ele
se perderia numa tempestade de neve ou algo assim e morreria, quando
ele saiu da cidade." Ela inclinou-se adiante, por sobre a
mesa e pontou um dedo para Shinrai. "Tudo bem, olhe. Quando
esta tempestade de neve se for, eu quero que você vá verificar
isso. O que quer que encontre, tem que me relatar imediatamente.
Sem agir por conta própria desta vez, Capitã." ela
olhou direto nos olhos cinza metálico de Shinrai. "Estamos
claros? Não queremos um outro incidente diplomático."
A capitã claramente não
gostara da ordem. "Mas Comandante, e se-"
"Não." a voz da comandante
cortou o protesto de Shinrai. "Vigie e relate, apenas. Eu
IREI decidir o que deve ser feito depois. Isso pode até mesmo
necessitar da intervenção do conselho. Só Deus
sabe, se são Karau, eles estarão sensíveis
o suficiente."
"Sim, senhora." Shinrai
disse, sarcasticamente. Ela voltou-se para sair, e topou com a
tenente, que estava parada atrás dela, em posição
de sentido. "Pensei que tivesse dito para você dar o
fora," ela disse.
"Está tudo bem, Tenente
Rimma," a comandante suspirou. "Está dispensada."
"Sim, senhora!" a tenente
bateu outra continência, inteligentemente voltou-se e marchou
até a porta.
A Capitã Shinrai a seguiu,
balançando a cabeça em descrença.
"Agora, apenas observe," Koji
convencidamente falou ao koorime encarapitado no outro lado da
cama. O velho verteu uma xícara de chá amarelo fumegante
da chaleira e levantou a cabeça de Kurama. O rapaz parecia
estar mal; estava quase tão branco quanto a neve lá fora,
e mal respirava. Koji segurou a xícara na altura dos lábios
dele com mão trêmula. O chá entornou por todo
lugar.
"Me dê isso," Hiei
resmungou, enquanto tomava a xícara. "Vai afogá-lo,
se o veneno não o matar primeiro." com uma gentileza
que escondia seu tom, Hiei pôs a cabeça de Kurama
no seu ombro e começou a administrar o antídoto.
Koji parecia um pouco ofendido. "Esse é o
agradecimento que recebo? Depois de tudo que fiz por você?" ele
levantou-se e arrastou-se até a lareira. Vários pacotes
de ervas desamarrados estavam espalhados em frente a ela. Ele os
pegou e começou a amarrá-los novamente. "Sabe,
lembro-me quando você chegou cambaleando aqui, sem saber
andar direito, ainda. Você-"
"Quanto tempo antes da poção
fazer efeito?" Hiei interrompeu bruscamente.
"Eh? Ah, não muito, não
muito mesmo. Pelo menos... agora, acho." os olhos de Koji
se desfocaram e ele coçou o queixo pensativamente.
"O quê?" os
olhos de Hiei estreitaram-se com suspeita, enquanto olhava por
sobre o ombro.
Koji olhou para os dois sacos
de ervas em suas mãos. "Agora que me dei conta, era a verruga
de verme ou a orelha de cabra que eu queria usar?" ele cofiou
a barba, pegando algumas folhas emaranhadas nela. "Não
tenho certeza..."
Hiei estava defronte a ele
em meio segundo. "O quê?! Quer dizer, você pode
ter misturado O INGREDIENTE ERRADO?!!!"
Koji espantou o pequeno koorime
furioso. "Não
fique tão irritado assim, Gafanhoto. Tenho certeza de que
funcionará direito. Sim, sim, era verruga de verme. Já me
lembrei." Koji pendurou os sacos de ervas de volta nos seus
pregos sobre a lareira e começou a escovar os pedaços
de erva da sua barba.
Hiei rangeu os dentes de raiva.
Se esse velho não fosse a única esperança de
Kurama..."É melhor você estar certo, seu filho
da mãe."
"Eh! Rude como sempre, não?" Koji
gargalhou. "Acho que sua jornada de treinamento não
o ensinou boas maneiras, não é?"
"Não sai numa jornada
de treinamento," Hiei resmungou.
"Não? Pelo que me lembre,
você estava partindo para 'encontrar a si mesmo', ou alguma
besteira desse tipo."
Hiei queria estrangular o velho. "Seu
idiota! Eu PARTI porque não podia FICAR aqui! Qualquer koorime
sã teria me matado!"
"Então por que voltou?" Koji
rodeou-o.
"Não é da sua conta," Hiei
repreendeu, e voltou-se para verificar Kurama.
A respiração dele realmente
parecia um pouco mais forte que antes, embora pudesse ter sido
a imaginação de Hiei. Ele verificou o pulso de Kurama,
para ter certeza. Também parecia um pouco mais forte. Do
outro lado do quarto, Koji pegou um atiçador e remexeu os
carvões fumegantes.
Hiei agachou-se ao lado da
cama de palha, marchando furiosamente dentro da própria mente. Isso
sem dúvida era uma das coisas MAIS ESTÚPIDAS que
já acontecera com ele. O que diabos o tinha possuído
para faze-lo ir até lá, afinal? Por que simplesmente
não deixara aquele maldito idiota do Kurama nas cavernas,
e tentara reabrir o portal? Descobrir um modo de contatar Genkai
não seria assim tão difícil. Aliás,
por que se deixara enganar, vindo nesta jornada estúpida?
A história que Kurama lhe contara no mundo humano era fraca,
e facilmente desmascarável. Então por que caíra
na armadilha, como um idiota?
'Estava distraído,' disse para
si mesmo. 'Só isso.' E era verdade, até certo ponto.
Contudo...
'Heh, seu retardado!' uma vozinha
irritante apareceu no fundo da cabeça de Hiei. 'Foi porque
você não queria ver Kurama vagando pelo Makai sozinho. É perigoso
demais.'
'Cale-se,' Hiei disse à voz.
'Aceitei a primeira desculpa que pude achar para sair daquele mundo
humano nojento. Além disso, Kurama sobreviveu por centenas
de anos sozinho no Makai. Ele iria ficar muito bem sem mim.'
'Ele era um youkai adulto,
não
um humano adolescente,' a voz o lembrou.
Hiei não teve resposta para
isso. Mas, 'Droga, ele MENTIU para mim. Não havia nenhuma
missão estúpida de Koenma. Kurama só queria
enfiar o nariz nos MEUS negócios, onde NÃO deveria
se meter.'
'E por que acha que iria querer fazer
isso?'
'Não tenho a menor idéia.'
'Talvez...' a vozinha abaixou
até um
sussuro, 'talvez ele estivesse preocupado com você.'
'Ridículo!' Hiei retrucou consigo
mesmo. 'E mesmo que fosse verdade, meu passado não é da
conta dele. Não é.'
A vozinha não teve resposta
imediata para isso.
Embora Hiei odiasse admitir
isso, sua consciência tinha razão. Kurama era um tolo sentimental.
A raposa provavelmente tinha alguma noção estranha
de que arrastar Hiei de volta até a terra de onde viera
de algum modo ajudaria. Por que Kurama não conseguia cuidar
dos próprios assuntos? Por que tinha que ser um estúpido,
débil, preocupado, gentil... ora, de qualquer modo, por
quê? O que importaria a ele se Hiei conversava com ele ou
não? Hiei balançou a cabeça. Era totalmente
incompreensível. E até mesmo mais incompreensível
era por que se incomodaria em acompanhar Kurama no Makai. O que
diabos o tinha possuído para seguir o kitsune em tal perigo?
Lembrou-se do primeiro
pensamento que o atingira quando Kurama lhe contara que iria
ao Makai sozinho, se necessário. Foi mais uma imagem,
na verdade, em vez de um pensamento. Tinha visto sangue vermelho
respingando na neve, enquanto um yeti, ou algo igualmente
grande, estripando o corpo humano de Kurama, o corpo que ainda
não possuía todos
os poderes necessários à sobrevivência no Makai.
'Luta,' Hiei disse a si mesmo,
tentando ignorar o frio sentimento que arrastou-se nele novamente,
enquanto lembrava-se do pensamento. 'Eu vim porque sabia que haveria
luta. É isso.'
'Hum-hum,' sua consciência concordou
sarcasticamente. 'Claro. Luta. É a única razão
de estar aqui. Certo.'
De repente a velha voz estridente
de Koji despedaçou os pensamentos de Hiei. "He, he!
Você parece como se tivesse acabado de engolir uma mosca.
Qual o problema? Se ainda está se preocupando com seu companheiro,
não fique. Ele ficará bem logo." Koji aproximou-se
por trás de Hiei, inclinando-se sobre o atiçador. "Ou
tem mais alguma coisa? Você bem? Você não disse
nada sobre estar ferido - mas então, nunca diria. Talvez
eu devesse verificar."
Hiei girou. "Ponha uma mão
em mim, velho, e juro que te mato. Ninguém me toca."
"Ah, não?" Koji sorriu
cinicamente. "Garoto, lembro de lavar suas fraldas. O sol
ainda não nasceu no dia em que um pintinho como você possa
botar um dedo em mim."
"Isso, de um velho tolo que saiu
da cidade sem querer? Estou avisando..." Hiei estava de pé agora,
por reflexo assumindo uma posição de batalha.
Koji mudou para uma pose similar. "Eh,
escute só! O garoto sai pro mundo, volta e acha que é o
imperador!"
"Velho, você não
quer me testar," Hiei silvou.
"Testar?" Koji deu um largo
sorriso amarelo. "A vida é um grande teste, Gafanhoto.
E você ainda não passou nele, não até que
me vença."
Aquilo foi a última gota. "Você-!!" Hiei
saltou até ele, os caninos expostos e os dedos famintos
pelo pescoço do velho.
Num piscar de olhos, Koji virou-se
e atingiu-o com o atiçador da lareira.
Hiei arfou quando o atiçador tirou seu folêgo. Impossível!
Ele não se lembrava do velho ser tão rápido! Ou... ele tinha simplesmente
escolhido esquecer? Não importava. NINGUÉM fazia aquilo com ele e
saía impune! Num instante, ele se livrou do atiçador
e tirou-o do alcance de Koji.
O velho koorime desapareceu
quando o atiçador veio
zunindo em sua direção. Um instante depois, ele reapareceu, sobre
o objeto. Inclinou-se adiante e esbofeteou Hiei sonoramente nos ouvidos.
"Modos, modos, Gafanhoto!"
Hiei resmungou algo inaudível enquanto atirava o
objeto no chão. Koji saltou dele suavemente, aterrisando do outro
lado do aposento, longe do koorime mais novo. "Na verdade," koji
disse, "com uma técnica de luta como essa, não sei como sobreviveu
depois que partiu. Você não aprendeu nada, afinal de
contas?"
Nada, mas nada poderia ter
grudado Hiei no chão como
aquele comentário o fizera. Seu rosto era uma mistura de fúria fervente
e frustração - tal comentário precisa de uma
resposta para uma semana ou nenhuma resposta, afinal.
Sete segundos depois de silêncio mórbido, ele gritou
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para Koji "VOCÊ QUER VER O QUE APRENDI?" Um inferno de fogo negro
enrodilou-se em torno dele, enquanto reunia seu poder para atacar
de novo. "ENSATSU-"
CLONG! Uma frigideira de ferro
voou pelo aposento e acertou a cabeça de Hiei. "Não dentro de casa, seu idiota," Koji
advertiu o jovem koorime furioso, enquanto este caía no chão, desmaiado.
"Quer queimar tudo?"
Pouco tempo depois, Hiei pôs-se de quatro até levantar,
esfregando uma cabeça dolorida. O aposento estava entrando e saindo
de foco. Na sua frente, parecia haver dois colchões de palha e dois
Kuramas. Afastando a idéia de que seria bom deixar-se cair numa das
camas ao lado de Kurama, Hiei balançou a cabeça para clareá-la. Imediatamente
desejou não tê-lo feito. Agora havia três Kuramas e estavam todos
se levantando e esticando a mão na sua direção.
Kurama pôs uma mão no ombro de Hiei para firmá-lo.
"Você está bem?" Kurama lhe perguntou. "Queria pelo menos tirá-lo
do chão, mas Koji-san não me deixou. Ele disse algo sobre uma lição."
Bruscamente, Hiei afastou o
braço de Kurama. "Estou
bem." ele murmurou, observando os três braços de
Kurama tornarem-se dois, e finalmente, um.
Kurama sentou-se no colchão de plalha, dando espaço
para Hiei. "Este é um lugarzinho realmente marcante. Koji-san conhece
uma quantidade espantosa de ervas para alguém com acesso a tão
poucas plantas."
"Onde está aquele filho da mãe, afinal de contas?" Hiei
murmurou enquanto sentava-se pesadamente ao lado de Kurama.
"Está pegando mais carvão," Kurama disse. "Ofereci-me
para criar um pouco de lenha, mas ele disse que não eu deveria gastar
meu youki ainda. Eu me sinto mesmo meio trêmulo," ele
admitiu.
Hieie fitou Kurama furioso. "Não se sentiri, se não
tivesse feito aquela gracinha nas cavernas."
Kurama sorriu suavemente. "Levou você até aqui, não
foi?"
"Não por muito tempo, e assim que você puder
viajar de novo, vamos voltar." Hiei dobrou os joelhos até o queijo
e cruzou os braços em torno deles. "Seu idiota. Não percebe o que
acontecerá se eu for encontrado aqui? Vamos ter as koorime nos perseguindo
por todo Makai. Não deixe a atitude de Yukina enganá-lo - as koorime
são adversárias cruéis."
"Mas não me entenda mal," ele continuou, fitando
Kurama com seu olhar âmbar. "Não tenho medo delas."
"É mesmo?" Kurama fingiu estudar o teto. "Então por
que não voltou para a cidade quando estava procurando Yukina?" ele
deu uma espiada em Hiei de esgelha.
"..........." Hiei franziu o cenho e ergueu-se. "Vou
achar o bastardo do Koji. Ninguém sai impune depois de me
tratar como um aprendiz."
"Aprendiz?" Kurama
perguntou, enquanto Hiei desaparecia do lado de fora.
***
A neve parara o sufuciente
para ser possível distinguir
a montanha seguinte, além da elevação. Vários centímetros de neve
nova cobriam o chão, o que era bom. Se tivesse sorte, Hiei pensou,
ninguém descobriria as pegadas que fizera na dura viagem até ali,
antes que fossem cobertas.
Koji estava vagabundeando
perto de uma cabanazinha desmantelada por trás da casa. Notas aleatórias intercaladas
por sons metálicos abafados ocasionais atacaram os ouvidos de Hiei,
enquanro ele seguia o caminho que Koji fizera na neve. Descobriu
o velhinho selecionando uma pilha de carvão.
"Dum dum dee..." Koji cantarolava, enquanto pescava na pilha e
tirava um pedaço de carvão. "Dee dum... não, não é bom." Ele atirava
o carvão sobre o ombro, quase atingindo Hiei. "Da da dee da do..."
ele inspecionava a pilha até achava outro pedaço, dava uma olhada
e assentia. Aquele pedaço retinia no balde ao seu lado,
enquanto continuava a selecionar a pilha.
Hiei pegou o carvão seguinte que fora jogado na sua
direção. Não conseguia ver nada de errado nele. Na verdade, parecia
que serviria como um bom projétil. Ele testou o peso com a mão
algumas vezes.
"É só colocá-lo com os outros restos, sim? Bom garoto."
Koji parou sua cantoria apenas pelo tempo do comentário. Por um instante
Hiei ficou confuso, até que notou o buracos no neve espalhados. Dentro
de cada estava um carvão.
Ao invés de fazer o que lhe fora pedido, ele preferiu
aproximar-se de Koji. "De que inferno você saiu, para ficar me tratando
como um aluno estúpido?" ele exigiu saber.
Koji nem mesmo ergueu os olhos. "Do que está falando?
Só estou pegando carvão. Eh, não há ninguém aqui, a não ser nós,
os mineiros de carvão."
"Você sabe do que estou falando!" Hiei disse através
dos dentes.
"Eh?" Koji segurou um carvão em cada mão,
olhando de um para outro e dando uma olhada cuidadosa em cada.
"E que diabos deu em você para me chamar de Gafanhoto?
Não vou aceitar isso! Você sabe que tipo de reputação eu tenho? Você
entende que sou considerado um dos guerreiros mais perigosos do Makai?
Eu matei mais pessoas do que posso me lembrar e por razões bem inferiores
às que você tem me dado. VENCI o Torneio das Trevas e sobrevivi ao
fim do torneio, quando a arena foi destruída." Quando Koji não respondeu,
ele agarrou o ombro do velho e girou-o. "Entende o que estou
dizendo?!"
Koji mostrou os dois carvões. "Eu não sei," ele disse.
"Qual você acha que é melhor?"
"VOCÊ NÃO OUVIU NENHUMA PALAVRA DO QUE EU DISSE??!!!"
o pedaço de carvão na mão de Hiei pegou fogo.
"AAH!" Koji tirou a pedra em chamas da mão de Hiei.
"Você está desperdiçando!"
"Você... Seu...-!!!" Hiei apertou os dentes em pura
frustração. Como diabos você discutiria com alguém que era tão cabeça-oca?
Por um momento, ele pensou seriamente em incendiar todo o lugar,
pegar Kurama e ameaçá-lo com tortura se ele não
avissasse Genkai para re-abrir o portal.
Uma pequena linha de fumaça serpenteou em frente
de Hiei. Seu olhos a seguiram, para ver o carvão em brasa
no meio da pilha. O fogo negro estava se espalhando, tornando-se
uma alegre fogueira.
"AAHH!" Koji gritou. "Olhe o que você fez!
Apague!"
Hiei afastou-se. "Não posso, seu idiota. Meu poder
é começar o fogo, não extingüi-los."
Koji saltitou para o topo da
pilha, dançando em torno
para apagar as chamas. "Ai! AI!" ele berrou de novo, enquanto a bainha
de seu robe pegou fogo. "Nada bom!" ele saltou para o chão de novo
e apagou o robe na neve. "Chamem os bombeiros! Chamem a polícia!
Chamem - ah, esqueça, cuidarei disso eu mesmo." Ele correu em torno
da frente da cabana, recolhendo neve nos braços e atirando-a
sobre a pilha em chamas. Vapor silvava no ar. O fogo negro morreu
um pouco, mas ergueu-se logo, recusando-se a se render para a neve.
Hiei ficou afastado, assistindo
o espetáculo e ignorando
a neve derretendo-se em torno de seus pés. De repente Kurama estava
ao seu lado. "O que está acontecendo?" ele quis
saber.
"Nada," Hiei replicou.
Kurama cerrou o cenho. "É melhor ajudá-lo." Ele tirou
algumas sementes de seu bolso e num instante estava segurando várias
folhas verdes grandes e largas. Movendo-se até Koji, ele falou, "Use
isso! Irão diminuir o fogo!" Kurama começou a adiantar-se até Koji
com elas e caiu sobre um joelho.
Hiei estava ao seu lado num
instante. "Você não devia
ter usado seu youki ainda," ele advertiu.
"Eu sei," Kurama murmurou, "mas-"
Foi interrompido por Koji,
que correu até ele e agarrou
as folhas de sua mão. "Obrigado, filho! Elas devem servir!"
Kurama sorriu enquanto fechava
os olhos. "Pelo menos
serviu para alguma coisa."
Hiei balançou a cabeça. "Não, não
serviu."
"O quê?" Kurama olhou de novo. Ao invês de usar as
folhas para diminuir as chamas, Koji embrulhara-se nelas e estava
agora rolando em torno do fogo. Longe de apagá-lo, tudo que fazia
era espalhar os carvões e o fogo ainda mais.
Kurama balançou a cabeça divertido. "Ele com certeza
tem algumas... idéias... diferentes."
"Você devia voltar para dentro," Hiei
ordenou a Kurama, enquanto notava o kitsune tremendo violentamente.
"Ficarei bem," Kurama replicou, voltando a pôr-se
de pé. "Só preciso recuperar meu youki." Ele vislumbrou o fogo. "Deve
haver algo que possamos fazer."
Hiei suspirou. "Eu cuido
disso."
"Tudo bem, então." Kurama caminhou sem firmeza na
direção da cabana com os braços em torno de si. "Aqui está de
congelar os ossos."
Hiei voltou-se na direção do fogo, que agora estava
maior do que nunca. Uma grossa coluna de fumaça rolava no céu. Ele,
particularmente, não queira fazer nada em relação a isso. Era problema
de Koji, não dele. Mas uma vez que prometera a Kurama...
"EI, VOCÊ AÍ!" uma voz soou da encosta. "O
que está acontecendo?! Está tentando começar
uma avalanche?!"
Os olhos de Hiei se arregalaram.
Parecia que a sorte o abandora, como era de se esperar. Mas não poderia simplesmente
partir - se Kurama fosse descoberto pela koorime sã, provavelmente
o levariam como prisioneiro e Kurama ainda não estava em forma para
combatê-las. Não, Hiei precisava ficar por ali. Rapidamente
ele olhou em torno. Onde se esconder?
"Socorro!" Koji gritou. "Está tudo queimando, e não
consigo pará-lo!"
A Capitã Shinrai apareceu de uma elevação e caminhou
até a fogueira. "É tremendamente perigoso ter um fogo tão
grande no alto de uma montanha nevada, Koji."
Koji balançou os braços para ela. "Faça
algo, sim?"
Shinrai suspirou e concentrou-se
na pilha em chamas. O fogo evaporou e num instante o carvão estava coberto com um brilho
de gelo. "Aí está," ela disse, cruzando os braços. "Por que não fez
isso você mesmo?"
Koji parou ali, olhando para
a pilha de carvão inerte
por um momento, então voltando-se para a Capitã Shinrai com luz nos
olhos. "É, é isso mesmo! Esqueci completamente
de que poderia fazer isso!"
Shinrai bufou e andou até ficar defronte ao velho
koorime. "Escute, velho, tenho uma pergunta para você. Você viu
algum estranho rondando por aqui ultimamente?"
"Estranhos?" Koji coçou a cabeça. "Estranhos, humm.
Bem, agora. Estranhos." Seus olhos se iluminaram de novo. "Talvez
você esteja falando daquele jovem educado e gentil na minha
casa."
A Capitã Shinrai olhou em torno. "Só um?"
"Só um estranho, se é isso que quer dizer." Kiji
agarrou a mulher pela mão. "Venha, tenho certeza de que ele gostará
de conhecê-la. Gentil e educado, aquele lá. Não é como alguns." Ele
saiu andando para a casa com seu modo pesado e divertido, arrastando
a capitã atrás dele.
Hiei os observava de seu poleiro
no telhado. Isso não era nada bom, nada bom mesmo! Esperara não ser descoberto tão
cedo. Bom, diabos, esperava não ser nem mesmo descoberto, embora
não esperasse ter tanta sorte. Se pelo menos ela tivesse o bom senso
de não olhar para cima até que entrasse na casa, então Hiei talvez
pudesse pegá-la de surpresa, se precissasse. Melhor ainda,
talvez ela partisse nem fazer nada.
"- você tem certeza de que não são dois?" Shinrai
perguntava a Koji enquanto era arrastada até a frente da cabana.
"Eh? Dois?" Koji parou, bem debaixo de Hiei. "Bom,
-"
Uma gota d'água deslizou do telhado e pousou no ombro
da Capitã Shinrai. "Mas o quê-?" Ela ergueu os olhos. "Vicê está
com uma fogueira aí em cima também, ou -" ela
parou ao notar Hiei.
"- na verdade, há dois deles," Koji terminou. Apontou
para Hiei. "Aquele ali não é um estranho, contudo. É o Gafanhoto."
Ele acenou. "O que está fazendo aí em cima?"
Hiei saltou para o chão, espada em mãos.
Shirai saiu do caminho e sacou
as próprias espadas
- uma wakazashi e uma faca muito longa que lembrava a de um Bowie.
Ela as sacou a tempo de defender-se dos primeiros sete ataques de
Hiei e contra-atacou com vários outros.
Koji afastou-se, espantado.
Reajustara os óculos
e fitou-os através deles, para a luta que ocorria diante dele. Parecia
um borrão de preto e branco. "Ei, e agora?" ele protestou. "Essa
é a maneira de se tratar um convidado?" Sangue se espalhava na neve
diante dele. "Estou falando!"
Com um resmungo irritado, Koji
esticou os braços
no meio da briga. Quando os tirou, estava segurando as três lâminas,
as quais soltou prontamente num monte de neve.
Ambos os lutadores pararam
e o fitaram. A Capitã
Shinrai parecia espantada. Hiei parecia meramente irritado. Voltou-se
para Shinrai, reunindo seu youki em uma radiação negra
de fogo.
"Ei!" Koji bateu em Hiei no ombro. "Eu disse, ela
é uma convidada! Deixe-a em paz, Gafanhoto!"
"Deixe-ME em paz VOCÊ, seu filho da mãe!" Hiei resmungou
e deu-lhe um golpe com as costas da mão. Koji saiu voando contra
a parede da cabana. Hiei avançou para Shinrai.
Shinrai, por sua vez, estava fazendo o melhor que
podia para extinguir o fogo de Hiei com uma crosta de gelo. Os elementos
se chocaram com um silvo, criando uma grande nuvem de vapor que obscureceu
os dois oponentes.
Koji saltou para pôr-se de pé, dançando com raiva.
"Não! Não vou aguentar mais isso, não vou!" Ele lançou-se na direção
do vapor. Uma série de gritos surgiu de dentro dele. Num instante
o vapor se dissipou, revelando Koji parado em cima de Hiei, que estava
caído de cara na neve. O velho tinha a Capitã Shinrai
segura pela nuca.
"Agora, realmente!" Koji balançou o dedo na frente
do rosto de Shinrai. "Precisa-se de dois para brigar, sabia. Você
devia fazer coisa melhor do que ir até a casa de um velho
e se meter em brigas."
Shinrai só conseguiu pensar numa resposta. Ela apontou
para Hiei. "Mas ELE começou!"
Hiei tentou se levantar. Koji
pisou na sua cabeça.
"Não me interessa quem começou," Koji disse.
Shinrai livrou-se e saiu atrás de suas armas. "Obrigada
por segunrá-lo, velho," ela disse enquanto rodeava um Hiei prostado.
"Acabarei com este pequeno problema agora." Ela brandiu a wakazashi.
Hiei lutava para se levantar de novo e desta vez Koji abaixou-se
e tocou num ponto em seu pescoço. O jovem koorime prontamente
ficou duro e parado como uma rocha.
"Não escutou nada?" Koji bufou de raiva. "Eu DISSE,
nada de brigas! Vocês dois não têm coisa melhor para fazer do que
perturbar pessoas decentes e honestas? Pegue suas espadas e vá para
casa, garota! Diga para aquelas bruxas na cidade que não devem brincar
comigo. Entendeu?" Ele apontou de modo ameaçador para
Shinrai.
A Capitã Shinrai se afastou e embainhou as espadas.
"Sorte sua eu ter ordens de me reportar direto para a comandante.
Do contrário..." Ela tateou o punho de suas espadas ameaçadoramente.
"Vá embora! Xô!" Koji acenou. Enquanto Shinrai desaparecia
na elevação, Koji gritou atrás dela. "Ah, e a propósito... foi um
bom truque, aquele do gelo! Quero que você me mostre como fazê-lo
outra hora!"
Finalmente, ele saiu de cima
das costas de Hiei e puxou para dentro da cabana. "Que isso sirva de lição para você,
Gafanhoto. Não ataque pessoas sem nenhuma razão." Ele pôs
Hiei contra uma parede ao lado da lareira.
Kurama cumprimentou-os com
preocupação na porta.
"Koji-san! O que aconteceu? Ouvi luta - está tudo bem?
O que aconteceu com Hiei?"
Koji riu. "Cheio de perguntas, não é? Bem, não se
preocupe, filho. Está tudo bem agora. Só usei uma técnica de ponto
de pressão no Gafanhoto, aqui. Vai se desfazer em pouco tempo, e
ele poderá se mexer de novo." Koji foi até a bagunçada pilha de potes
que caíra da prateleira e pegou um grande, de cobre. "Parece que
eu terei que fazer um jantar para três, esta noite," ele
disse, e sau de novo para encher o pote com neve.
Kurama foi até o lado de Hiei. "Gafanhoto?" ele
perguntou.
Hiei olhou furioso para ele. "Nem comece," ele
resmungou.
Uma hora depois, a Capitã Shinrai caminhava de volta
na cidade koorime, apertando suas laterais. Algo escarlate fluía
em torno de seus dedos, manchando sua sobre-túnica branca. As outras
koorimes fitavam-na enquanto ela passava, contorcendo-se um pouco
e mantendo um fluxo constante de xingamentos em voz baixa. Já se
passara muito tempo desde que ela encontrara alguém bom o bastante
para feri-la de verdade. Não que os ferimentos não sarassem, é claro
- ela era uma youkai, afinal de contas. Mas a idéia de ser marcantemente
ferida era quase tão ruim quanto os próprios ferimentos.
Shinrai continuou resmungando
enquanto subia os degraus do Quartel-General de Defesa da Cidade
e ia até o escritório da cmandante.
Uma dupla de soldados rasos olharam uma para a outra quando a viram
chegando e apressaram-se para sair do caminho. Elas já haviam visto
a Capitã Shinrai irritada antes. Era horrível.
Shinrai passou tempestuosamente
pela porta da comandante, entrando no escritório, sem nem bater na porta. A comandante quase
deu um salto, enquanto toda uma pilha de papéis caiu de sua mesa.
Ela limpou a garganta e tentou assumir uma pose digna por trás damesa.
"Reporte-se, Capitã!" ela ordenou.
"Você nunca vai adivinhar quem apareceu na nossa
porta," Shinrai rosnou para ela.
Os olhos da comandante se arregalaram
enquanto ela notava as feridas de Shinrai. "Não a própria Mukuro?" ela arriscou,
referindo-se a rainha de toda a área.
"Quase tão ruim," Shinrai replicou. "É a Criança
Proibida."
Os olhos da comandantes arregalaram-se
como pires. "Impossível! Isso - não. Não, ele nunca voltaria para aqui. Você
deve estar enganada." Ela pegou uma agulha de madeira e começou a
torcê-la.
Shinrai socou a mão livre a mesa da comandante. "É
ele, estou dizendo! Não há engano! Ele estava bem ali, eu o vi. E
seu youki é tão poderoso quanto ouvimos dizer daquela espiã que
foi ver o Torneio das Trevas. Eu senti!"
Profundas linhas de preocupação entalharam o rosto
da comandante. "O que ele pode querer aqui?" ela se perguntou. "Ele
deve saber que retornar aqui é a morte, não importa quão poderoses
ele seja. Não podemos deixá-lo viver se ele ficar aqui." De repente
a comandante ergueu os olhos. "Talvez ele queira vingança."
"Pode ser," Shinrai esfregou o queixo arranhado.
"Não pareceu nada amigável quando o notei. Atacou-me assim que me
viu." Ela indicou as feridas com raiva. "E vou te contar, ele vai
dar trabalho. Provavelmente ele quer tentar destruir a cidade ou
algo parecido. Recomendei que enviássemos uma tropa imediatamente
para tirá-lo do nosso caminho de uma vez por todas. Diabos," ela
fez uma careta. "provavelmente precisaremos de uma tropa só para
cuidar daquele maldito ermitão que está com ele, sem contar a própria
Criança Proibida."
"Você pode estar certa, Capitã," a comandante meditou.
"Vá ver as curandeiras, dpois vá para o dormitório e fique lá até
estar cem por cento. Preciso de tempo para pensar sobre isso, e tenho
o pressentimento de que precisaremos de você melhor do que nunca."
A agulha se quebrou na sua mão.
A Capitã Shinrai endireitou-se. "Tudo bem. Mas certifique-se
de me chamar quando decidir enviar alguém. Não irei tolerar ser deixada
para trás nisso." Ela apoiou-se na mesa. "Tenho assuntos a resolver," ela
acrescentou sombriamente, e saiu pela porta.
Uma dos soldados que evitara
Shinrai anteriormente espiou pelo canto. Ela a seguira para ver
o que deixara a capitã
tão irritada e já que Shinrai não incomodava em fazer silêncio, a
soldado ouvira toda a conversa. Agora esperou até Shinrai estivesse
bem fora de vista, e voltou para o corredor. Parou ali com os braços
cruzados, batendo o pé, enquanto pensava no que fazer. Eram notícias
perturbadoras, realmente! O nascimento da Criança Proibida já tinha
sido sensacional, sua sobrevivência ainda mais, mas ele ter retornado
de verdade -! A soldado estalou os dedos enquanto decidia. Conhecia
alguém de fora da cadeia de comando que estaria mais interessada
em saber que a Criança Proibida estava de volta.
Traduzido por Rechan //
Título Original:
A Far Country - Light on Bald Mountain
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