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Um Pouco de Amor
por Rechan
Hoje é um
dia daqueles
[Hiei
está de
pé num prédio no centro; Tokyo está num dia de
trabalho típico, no qual as pessoas apressam-se pelas ruas e
avenidas. Hiei olha para elas, parecendo estar desinteressado, os olhos
não vendo nada.]
Em que olho para o céu
[O vento sopra pelo
corpo de Hiei, seu casaco preto balançando no ar; o youkai
suspira e ergue os olhos. Uma pergunta se forma dentro de seus olhos âmbar.]
Esperança em
entender porque estou
[Angústia toma
a expressão de Hiei, e é visível como seus músculos
contraem-se a menor lembrança de Kurama.]
De vez em quando longe
[Ele estremece, lembrando-se
da cena da tarde passada, quando Kurama lhe disse que não
voltaria ao Makai enquanto sua maldita mãe humana estivesse
viva. Hiei ainda ouvia sua própria ameça, contando
a raposa que assassinaria Shiori se fosse necessário, e então
desaparecera.]
E de vez em quando perto
[Hiei fecha os olhos
e cerra os punhos, lembranças ainda o invadindo. Tarde da
noite, alguns dias atrás, após ele finalmente ter admitido
a Kurama seu amor por ele. O primeiro beijo deles, de início
suave e então selvagem e apaixonado.]
Às vezes subo
[Uma outra cena adorável
invade sua mente; Hiei abrindo seu olhos lentamente, depois de uma
noite na cama de Kurama. Seus olhos encontraram outros verdes e alegres,
que olhavam dentro dos seus. O cabelo castanho avermelhado de Kurama
caía ao redor da cabeça de Hiei, emoldurando seu rosto,
e sua mão acariciando as bochechas de Hiei...]
E às vezes caio
[A resposta de Kurama
a sua ameaça ecoa em sua mente mais uma vez, atingindo-o mais
do que pensou que o kitsune podia. Palavras duras, descuidadas o
ameaçavam de volta. Hiei abre os olhos finalmente e senta-se.
Seu olhar retorna às ruas humanas.]
E quando você chega
[Em alguns minutos,
seus sentidos espirituais o avisam sobre Kurama. O ki da raposa se
aproxima, e Hiei logo o discerne, dirigindo-se para casa. Seu coração
bate ainda mais rápido e de novo ele se pergunta como ele
fará para Kurama perdoá-lo. Sua própria mente
o respondeu, avisando que o kitsune não deveria querer vê-lo
nunca mais, não depois dele ter ousado criticar o cuidado
de Kurama por Shiori.]
Não sou responsável
pelos meus atos
[Incapaz de se controlar,
Hiei segue o youko por todo caminho. Algumas vezes, um desejo de
aparecer na frente dele roça Hiei, mas ele o reprime, meio
que por seu orgulho próprio, meio por temer uma reação
zangada de Kurama. Finalmente ambos chegam na residência dos
Minamino e enquanto Kurama conversa com sua kaasan na sala, Hiei
se apressa para o quarto do youko.]
Sinto um tremor
[Kurama está sentado
na cama, e sobre suas pernas descansa a cabeça de Hiei. Ele
a acaricia, consciente das lágrimas do koorime molhando suas
roupas. Hiei balbucia algumas palavras, mas é impossível
para alguém entender o que ele está dizendo...]
Te odiando e te amando
[Kurama suspira e
murmurra suave e adoravelmente palavras de comforto para ele. Hiei
olha profundamente dentro daqueles olhos esmeralda e uma dor lancinante
cruza seu coração, quando vê mágoa nos
olhos de Kurama. Não perdoara a criança proibida ainda.
Talvez nunca pudesse. Amargamente, Hiei sussurra um 'adeus' para
Kurama.]
Do começo ao
fim
[Pulando de telhado
em telhado, Hiei corre por Tokyo, as lágrimas formando uma
linha de água no ar. Sua mente o torturava, com imagens da
primeira vez que ele e Kurama se encontraram, anos atrás.
Desde que se tornaram amantes, ele estremecia quando pensava sobre
isso, a possibilidade de Kurama agora estar morto por suas mãos.
E então, os olhos verdes que olhavam fixo para ele com mágoa,
alguns minutos atrás o invade, fazendo com que mais lágrimas
apareçam em seus olhos.]
Buscando um pouco de
amor
[Dois dias depois,
Hiei se senta num galho próximo a janela de Kurama. Não
faz nenhum movimento que chame a atenção do youko,
sua única intenção é observá-lo
dormir. Hiei gasta metade da noite observando Kurama, tentando enviar
a sua mente todo o amor que o koorime tinha.]
Há coisas nesta
vida
[Hiei percebe a janela
fechada; uma vez, ela nunca esteve trancada, pois aquela era a porta
de Hiei. Temendo o que pudesse encontrar, Hiei tenta abri-la. Trancada.
Provavelmente para todo o sempre.]
Em que não há mais
saída
[Hiei olha espantado
para ela, e toca o vidro da janela com ambas as mãos, sua
boca lentamente arreganhando-se num grito silencioso. Vislumbra um
adormecido Kurama mais uma vez; seu corpo sacode-se com os soluços.]
E percebe que a cortina
se fechou
[Ele se senta no peitoril
da janela, sem se importar se algum humano o descobrisse ali, naquele
estado frágil. A única coisa que ele quer agora é ter
sua raposa de volta, um abraço dele.]
Difícil é a
descida
[Os primeiro raios
de sol da aurora encontram um Hiei inconsolável, que ainda
vigia Kurama, tomando conta do sono de seu amante. O koorime decide
esperá-lo acordar, pois ainda tinha muitas coisas que gostaria
de dizer. Não, não se amedrontaria pela maneiras frias
de Kurama.]
Um vulcão em
erupção
[Hiei mantém
sua cabeça baixa, enquanto ouve Kurama, repreendendo-o pelas
suas atitudes egoístas. Envergonhado e ainda irritado por
deixar Kurama fazer isso com ele, Hiei mantém sua boca fechada.]
Melhor ficar em cima
[Kurama continua sua
reprimenda, mas fica ainda mais zangado ao observar que seu amante
não está olhando para ele. Abruptamente, Kurama pega
o queixo de Hiei e o força a erguer os olhos. Hiei olha de
olhos esbugalhados para ele e então desvia o olhar.]
Meu amor te quero de
verdade
[Finalmente Kurama
se cala e vai sentar-se na cama. Cuidadosamente, Hiei olha para ele,
procurando por algum vestígio de raiva e mágoa que
ainda estivesse afligindo a raposa. Encontra o olhar fixo de Kurama,
e ele sorri, enquanto vê amor e afeição naquele
par de olhos esmeralda.]
Não é mais
segredo
[Hiei vai até Kurama
e não consegue impedir-se de acariciar o cabelo longo do youko.
As mãos de Hiei alcançam seu rosto e ele passa um dedo
por ele.]
Vem sem medo
[Kurama passa seus
braços em volta da cintura de Hiei e o puxa para próximo
de seu próprio corpo. Hiei se inclina, seus lábios
procurando pelos de Kurama vorazmente.]
Pois sinto saudades
[Mãos ávidas
agarram a camisa de Hiei a rasga. Vagueiam pelo peito de Hiei, detendo-se às
vezes para brincar com seus mamilos. Hiei responde àquelas
carícias com gemidos, enquanto empurra Kurama, deitando-o.]
Só peço
a você amor
[Ambos satisfeitos,
Hiei passa um braço ao redor do pescoço de Kurama,
e a raposa descansa sua cabeça no peito de Hiei. A criança
proibida sussurra o nome de seu amante após alguns minutos,
e ele ergue os olhos, para encontrar os olhos âmbar do koorime.]
Um pouco de amor
[Ambos ficam olhando-se
por alguns segundos, enquanto Hiei tenta reunir coragem. Quando em
fim abre sua boca, Kurama coloca um dedo sobre ela. Hiei olha espantado
para ele, surpreso, mas Kurama diz suavemente que o koorime não
precisa dizer nada. "Shh. Watashi wa anata o aishite imasu" Então,
um beijo apaixonado selou seu amor. Para todo o sempre.]
*Watashi wa anata o ashite
imasu* -> eu te amo.
Título original da
música: 'Un Poco de Amor'
Escrita por Shakira Mebarak & Luis F. Ochoa. 1995. Versão em português
por Fernando Adour.
Un Poco de Amor pode ser encontrada no CD Piez Descalzos, da Shakira.
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