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Passado Presente e Futuro
por Wong Siew Lee
Passado - Memórias
Capítulo 2: Uma História Não Contada, Um Conto Secreto
Yamaro. Aquele nome era muito familiar a ele,
com uma voz a repeti-lo em sua cabeça. Yamaro era seu destino,
sua vida e tudo que valia a pena em sua vida. Yamaro era um demônio
classe S; um tipo muito poderoso, especialmente com sua habilidade
de manipular mentes humanas. Ele mesmo tinha conhecido Yamaro há muito
tempo atrás, antes de seu confinamento neste lugar escuro
e miserável.
Uma aliança se formou entre eles. Uma aliança invensível.
Ninguém conseguia atravessar a defesa deles.
*Por que fui confinado a este lugar?* perguntou Murashi silenciosamente
a si mesmo. Séculos atrás, ele e Yamaro eram os mais
poderosos. Naquela época, Raizen, Mukuro e Yomi não
haviam subido ao poder ainda. A boca de Murashi se elevou para formar
um sorriso. *Eram apenas guerreiros fracos*
Em cada canto do Makai, seu nome e de Yamaro eram sagrados. Temidos
em todos os aspectos de poder, riqueza e mentes. Ele sentiu o medo
nas almas em cada lugar que foi. Medo e emoções escuras
são tão boas para se brincar. Murashi riu alto. Aqueles
que eram dias...
Ningenkai e Reikai soavam doces. Doce como mel. Portais eram abertos
em cada pedaço do Makai para facilitar o acesso entre os dois
mundos, capacitando youkais e outros seres a atravessar. Yamaro tinha
um sonho secreto. Um sonho que unia os três mundos juntos como
um, a luz, as trevas e a humanidade.
Juntos, eles formaram um plano como a última batalha entre
a luz e as trevas. Ataques eram feitos no Reikai e Ningenkai. Poderia
se lembrar como Yamaro costumava celebrar vitória após
vitória. O terror na face de todos era como vinho na sua garganta.
*Por que terror?*, pensava Murashi até hoje. Essa questão
o tinha intrigado por todo esse tempo. Não seria bom se houvesse
portais em todo lugar?
Murashi não sentiu o perigo a que isto levaria. Pelo menos
não para ele. Ningens não sabem nada sobre isto, apenas
o Reikai. Reikai. Nunca diga esta palavra na frente de Yamaro. Uma
palavra banida. Um tabu em sua presença.
O Reikai nunca tinha sido questionado sobre seus planos. *Aqueles
no Reikai são apenas um bando de fracos*
Foi um dia fatídico. Enma Daiou tinha finalmente mostrado
alguns poderes verdadeiros para eles verem. Uma lágrima caiu
dos olhos de Murashi, como a derrota era dolorosa para ele. O sentimento
em si era terrível, como se alguém tivesse arrancado
seu coração e o dilacerado. Murashi passou um dedo
suavemente pela profunda cicatriz em seu peito, onde a espada Reiki
de Enma Daiou o tinha ferido seriamente. Suas cicatrizes não
eram nada comparadas com as de Yamaro. Ele não tinha sofrido
apenas cicatrizes físicas, mas também emocionais. Cicatrizes
que eram impossíveis de curar, mesmo depois de um milênio.
A derrota era amarga. Murashi o sabia. Ninguém nunca realmente
foi humilhado sem ter sido derrotado. Derrota era o contraste da
vitória. Ele tinha se virado para Yamaro na beira da derrota.
Não tinha sido justo. Não mereciam ter sido derrotados
daquele jeito.
Ele poderia ainda se lembrar das noites juntos, um nos braços
do outro. Yamaro era um homem bonito, com um corpo perfeito, parecido
com o de um deus. Ele poderia sentir também os lábios
suaves o beijando de um jeito que o fazia sentir-se no céu.
*Felizmente, ainda o tenho*
Uma voz veio gritando pelo corredor, tirando-o de seus sonhos doces
e dolorosos. "Murashi! Lorde Yamaro quer vê-lo agora!" Murashi
gritou de volta uma resposta rude e vestiu-se.
Vagarosamente, ele se pôs de pé e passou um dedo na
sua própria face. Ele tinha a pele delicada de uma mulher
e uma tez de marfim. Algumas vezes, deseja ser uma mulher, não
um homem. Encaminhou-se até os aposentos de Yamaro. O corredor
era escuro e deus sabia que tipo de inseto do Makai vivia ali.
Ele parou em frente a um par de imensas portas de madeira. Do lado
de cada porta, sentava um ameaçador leão de pedra observador.
Sentado ali, esperando para engolir qualquer um. Leões do
mal e da escuridão.
Murashi bateu na porta e ouviu uma voz avisando-o para entrar. A
voz de Yamaro. Murashi entrou vagarosamente e viu Yamaro olhando
fixadamente para uma imensa bola de cristal.
"Qual é o seu desejo, meu querido?" perguntou Murashi
enquanto ele procurava pela presença de uma terceira pessoa.
Vendo ninguém, se dirigiu a Yamaro e sentou-se graciosamente.
"Desta vez, seremos capazes de nos libertarmos e a nossos homens
da duradoura prisão da justiça. Estivemos trancados
aqui por muito tempo e mesmo a sensação da luz do sol
a muito tempo me abandonou. Agora, posso sentir o aroma da liberdade,
e logo estaremos no Ningenkai, controlando nosso reino juntos," respondeu
Yamaro, com um bom humor incomum.
"Sério? Seria ótimo se saísemos disso.
Estivemos trancados aqui por mais de mil anos e eu poderia usar um
pouco de liberdade. Mas... Quem irá nos libertar? Eu pensava
que só uma grande Divindade tinha o poder para isso..." disse
Murashi.
"Sim, é verdade. Depois de anos e anos de procura e
investigação, descobri essa pessoa." Com um movimento
de seu pulso, as luzes rodopiantes da imensa bola de cristal se consolidaram
para formr uma imagem. Ela mostrava a imagem de uma colegial bonita,
com um estranho penteado. Ela tinha feições delicadas,
que a faziam ser de tirar o fôlego, sua tez de marfim sem nenhum
defeito. Ela estava nos fundos de uma cafeteria, conversando e rindo
com suas amigas.
"Ela realmente tem o poder de nos libertar? Parece tão
jovem e fraca..." disse Murashi, expressando sua falta de confiança
na garota.
"Não, ela não tem nenhum poder dentro de si,
mas ela tem algumas ligações muito importantes com
o Reikai. Descobri este segredo numa tentativa de penetrar no sistema
interno de computadores do Reikai. Parece que a garota tem uma ligação íntima
com Enma Junior. Aqui, já baixei todos os arquivos e devemos
estudá-los para chantagear Enma Daiou para que ele nos liberte..."
"Okay, será como deseja, negociaremos com a garota depois...
Por agora, vamos nos divertir neste meio tempo, já que estaremos
ocupados depois disto." Murashi alcançou a lâmpada
com um dedo e as luzes se apagaram.
Koenma estava cansado de esperar por Yusuke e seus amigos. Keiko
tinha vindo servi-lo, mas ele não havia pedido nada. Enma
Daiou estava sendo muito rigoroso com suas mesadas ultimamente. "Deveria
avisar a linha de abuso infantil isto de pedir a um adolescente para
fazer tanto trabalho enquanto recebe um salário magro," um
pensamento aleatório de Koenma que estava constantemente morrendo
de tédio.
A música 'Love Sensation' estava tocando na loja de Keiko.
Koenma estava ficando cansado de ouvi-la de novo e de novo. Quando
ele se sentava para pensar, tinha o péssimo hábito
de chupar sua chupeta. Ele sabia que parecia estranho com ela, mas
não podia viver sem ela. A chupeta praticamente tinha crescido
com ele e ela servia também a um propósito. Um sorriso
torto apareceu quando ele se lembrou de quando Yusuke o tinha perguntado
qual era o gosto da chupeta.
Algumas garotas passaram por ele e fizeram um comentário
sobre sua chupeta. Koenma a tirou e lhes lançou um sorriso
suave e ainda assim, charmoso. As estudantes lhe atiraram beijos
e risadinhas. Koenma apenas virou seu olhar, enquanto uma gota fria
de suor corria por sua testa. Garotas...
Koenma estava perdendo sua paciência agora. Talvez ele devesse
voltar para o Reikai e contactar Botan. Tempo era dinheiro e tudo.
Quando ele pensou nos documentos em seu escritório se acumulando
mais e mais a cada segundo, soltou um gemido. Talvez devesse perder
seu sono esta noite ou pior, por três dias consecutivos. Encaminhou-se
até o caixa para dizer a Keiko que estava indo. De repente,
uma voz chegou aos seus ouvidos. Era uma voz feminina, harmoniosa
e bonita. Koenma estancou. Soava familiar. Koenma fechou seus olhos
por um instante, deixando a voz flutuar pelo ar ao seu redor. A voz
se dirigiu direto para o interior da mente de Koenma e cavou suas
memórias... doces e velhas memórias...
Aconteceu há muito tempo, nos recantos escondidos do Palácio
Imperial do Reikai. Um lugar onde todos os problemas eram executados,
mantendo um segredo de olhos e ouvidos intrometidos. Um lugar de
conspirações e colaborações.
150 anos atrás...
Num mundo antigo, países guerreiros e feudalismo eram comuns.
Comportamento chauvinista era considerado normal. Quando um desentendimento
ocorria, duas nações se lançavam em guerra,
deixando o povo sofrer o pior. Dois destes eram os estados de Shu
e Kin. Ambos eram nações poderosas, cada um determinado
a ganhar o controle de todo continente asiático. As outras
nações, que também eram estados pequenos, eram
vítimas da carnificina.
No meio desta situação confusa, nem todos os lordes
que detinham o poder eram loucos. Cruzando os oceanos, no sul longíquo,
havia um pequeno país, controlado por um lorde gentil e cuidadoso.
Era o estado de Wei. O lorde era uma pessoa gentil, que se recusava
a ver seu povo sofrer em silêncio. No meio de um palácio
magnífico, ele vivia com sua posse mais preciosa--- sua filha,
uma princesa, a flor do reino.
Um dia, um diplomata enviado pelo controlador de Shu veio pagar
uma 'pequena' visita.
O rei sentou-se no trono, esperando pelo diplomata. Alguns minutos
se passaram, ainda sem sinal dele. Depois de alguns minutos, um homem
caminhava pelo carpete vermelho, fazendo uma pequena reverência,
como um mero sinal de respeito. O rei Wei assentiu de leve, agradecendo
o respeito.
"Sua alteza, o Shu garantiu a harmonia entre ambos os países.
Aqui está o acordo," disse o diplomata. Seus dois seguidores
estavam ali, de pé, as cabeças baixas.
"Realmente incondicional?" perguntou o rei Wei, depois
de observá-los através do acordo formal.
"Nosso lorde tem algo a ser tratado com o senhor pessoalmente.
Eles podem se retirar?" pediu o diplomata polidamente.
"Sim," disse o rei Wei, acenando para os servos ao seu
lado para se retirarem. Ele começava a suspeitar. Algo não
estava muito certo. O rei meramente pôs isto de lado, ansioso
para ouvir o que o diplomata tinha a dizer.
O diplomata deu uma pequena olhada ao redor para ver se havia mais
alguém ali, também acenando para seus seguidores para
irem. "Como é costume dar um presente como sinal de sua
sinceridade, sugiro que sua alteza deveria pensar em algo que agradaria
meu lorde," sussurrou o diplomata suavemente, ainda assim audível
o bastante para o rei no trono ouvir.
"Você tem alguma idéia?" perguntou o rei
Wei cuidadosamente, um pouco com medo de continuar ouvindo.
"Que tal uma esposa para nosso príncipe mais velho?" sugeriu
o diplomata.
"Uma esposa para o príncipe herdeiro," repetiu
o rei Wei pensativamente.
"Sim." disse o diplomata, ainda num tom suave. "Tenho
certeza que sua alteza tem alguma idéia para escolha da noiva."
"Vou considerar. Por favor fique no quarto de hospédes
imperial e lhe darei uma resposta em uma semana," replicou o
rei Wei, seu coração doendo. O diplomata queria dizer
sua filha, Misuko-chan...
O diplomata sorriu graciosamente e fez uma pequena reverência.
Vagarosamente, ele se voltou para a porta, deixando o rei Wei sozinho
para ponderar.
*Psicologia vence.* O diplomata decidiu, enquanto caminhava pelos
corredores do magnífico palácio, sabendo que o rei
faria sua escolha logo.
"Princesa Misuko! Princesa Misuko!" uma serva correu pelo
jardim, que levava a um pavilhão aberto. Uma garota estava
sentada ali, costurando uma peônia num pedaço de cetim.
As sombrancelhas da garota estavam unidas, concentradas no trabalho.
Uma olhada mais próxima mostrou a garota. Ela estava aparentemente
na sua juventude. Ela era uma graça, seu corpo ainda considerado
pequeno. Tinha longas sombrancelhas arqueadas e uma pele branca cremosa.
Sua tez formosa completada por seus lábios, olhos e claro,
suas feições faciais.
A serva corria dentro do pavilhão, alertando a garota. A
agulha que ela estava segurando picou seu dedo indicador. Sangue
fluiu e tingiu o cetim de puro branco. A garota suspirou e olhou
para a pessoa ofegante a sua frente.
"Sua alteza, há um diplomata aqui, bem agora!" disse
a serva, seu cabelo agitado selvagemente no vento.
"Huh? Diplomata?" perguntou Misuko, sem acreditar. Missões
de paz eram raras naqueles dias.
"Sim, um diplomata. Ele e rei estão discutindo algo
na sala do trono. Ele pediu para todos saírem, incluindo seus
servos pessoais."
"Veremos," respondeu Misuko alegremente, contente pois
havia um sinal de paz, mesmo que fraco. Mas ela tinha um estranho
pressentimento. O sangue, seu próprio sangue tingindo o cetim
branco a tinha assustado. Talvez não fosse um bom presságio.
O rei Wei sentou de mal humor na sala de estudos. As palavras do
diplomata repetiam-se sem parar em sua cabeça. *Uma esposa
para o príncipe herdeiro... Uma esposa para o príncipe
herdeiro...*
*Ele está sugerindo que eu deveria dar minha querida Misuko-chan
para os bárbaros?* perguntou o rei Wei para si mesmo, tristemente.
Misuko estava em idade casamenteira. O que ele deveria fazer? Dar
Misuko-chan?
*Não! Nunca!* o rei Wei estava dividido em dois pontos. Em
dois pontos importantes. Duas imagens se formavam em sua mente. Uma
era de seu país devastado pela guerra nos anos vindouros.
A outra era a de sua filha. Incontestávelmente, ele não
aguentaria perder sua filha, mas também não suportaria
ver seu povo sofrer. Inconscientemente, uma lágrima rolou
pela sua face esquerda. Uma filha perdida...
Sua rainha estava morta há uma década. A toda hora,
seus conselheiros sempre o aconselhavam para se casar de novo, mas
ele rejeitava. Ele havia permanecido leal e sempre seria.
*Como vou dar essas notícias a Misuko-chan?* perguntou o
rei miseravelmente. Sentava-se ali, indeciso. Ele olhava de novo
e de novo para o futuro.
O amanhecer chegara, alguns pardais gorgeavam alegremente. O rei
tinha tomado sua decisão. Misuko deveria ser sacrificada.
Uma coruja piou tristemente no sol nascente. Uma predição
feita, cheia de tragédia.
"Misuko-chan. Misuko-chan. Você está aí?" Uma
voz estava chamando e batendo suavemente do lado de fora de seu quarto.
Misuko se pôs de pé correu até a porta. Ela
espiou pela porta e viu seu pai lá.
"Otoosama, há algo errado?" perguntou Misuko.
"Só queria dar uma boa olhada em você," expressou
o rei simplesmente, procurando as palavras. Seu pensamento estava
confuso. Ele não sabia como dar as notícias para sua
filha.
*Isso vai quebrar o coração dela,* disse o rei, queixosamente
para si mesmo.
"Qual o problema? Você parece tão infeliz," perguntou
Misuko mais audaciosa desta vez.
"Você faria qualquer coisa pela paz de nosso país?" perguntou
o rei, curiosamente, ansioso para saber como sua filha reagiria.
"Sim, claro. Faria qualquer coisa para ver um sinal de harmonia
neste mundo devastado pela guerra," respondeu Misuko, surpresa
por seu pai perguntar algo deste tipo, assim de repente.
O rei respirou fundo. "Irei enviá-la como noiva para
o príncipe herdeiro de Shu, como um símbolo de nossa
sinceridade para fazer a paz," ele soltou.
Os olhos de Misuko se arregalaram e ela engasgou-se. "Não...
não... não tão rápido," murmurou
Misuko para si mesma.
"Temo que sim." o rei Wei olhou tristemente para ela.
Uma lágrima se formou no canto do seu olho e caiu no chão
acarpetado abaixo dela.
"Mas otoosama, tenho apenas quinze..." protestou Misuko
fracamente.
"Sim. Você tem quinze, mas você deve saber que é uma
idade perfeita para encontrar um marido para você. É a
regra comum do feudalismo. Deve entender isto," disse o rei
Wei.
"Não... não é justo!" gritou Misuko,
suas lágrimas fluindo livremente agora. O pensamento de se
casar com um bárbaro a assustava. Deixaria seu pai e país
amados para sempre. Não! Ela não iria! Mas...
"Nada é justo neste mundo," continuou o rei vagarosamente,
tentando acalmar sua filha. Misuko começou a soluçar
e a lamentar. O rei se levantou e olhou para ela.
"Você deve tomar sua própria decisão," disse
o rei, encaminhado-se para fora do quarto, deixando Misuko para pensar.
O relógio na torre bateu meia-noite. Uma forma curvada sentou
na cama, um cobertor a embrulhava bem apertado. O trovão ressoou
no céu escuro com os flashs dos relâmpagos. Nuvens escuras
maciças preenchiam o céu, refletindo as emoções
que a figura encurvada estava sentindo.
Misuko puxou o cobertor mais para si. Um debate interno estava ocorrendo
nela.
*Não! Você não deve se casar com aquele bárbaro!*
Um lado dizia a ela, mas Misuko balançou sua cabeça
vagarosamente.
*Meu país. Não posso deixar otoosama assim. Devo dar
o braço a torcer.* Misuko disse a si mesma para aceitar a
realidade. Ela nunca escaparia disto, não sem criar mais caos.
A este pensamento, ela caiu em mais soluços. Um trovão
soou e a chuva começou a cair com força bruta.
Gradualmente, a tempestade passou. Misuko secou suas lágrimas
e lavou seu rosto. Penteou os cabelos no seu estilo virginal e colocou
seu vestido azul favorito. Melancólica, ela deu nó em
seu cinto. Deu uma última olhada em si mesma no espelho.
"Estou pronta. Pronta para servir meu povo e meu país." gritou
Misuko. Ela já havia tomado sua decisão. Seu destino
estava decidido.
Então, ela se encaminhou para a porta rapidamente.
"Otoosama, estou pronta," anunciou Misuko claramente na
sala do trono principal, ajoelhando-se ante seu pai em frente a seus
conselheiros. A expressão do rei Wei mudou um pouco, obviamente
confuso de como ela poderia mudar de opinião tão rápido.
"Bem, se você está pronta, chamarei o diplomata," disse
o rei Wei, acenando para um de seus servos para ir chamar o diplomata.
Minutos depois, um homem de porte entrou na sala do trono. Ele colocou
sua mão em frente a ele e fez uma pequena mesura. "Sim,
sua alteza."
"Você pode voltar e dizer para seu rei que eu apresentarei
minha filha a princesa de Tai Ping como o sinal de nossa sinceridade," disse
o rei Wei, sua voz carregada de mágoa.
"Obrigado, sua alteza, irei para o estado do Shu hoje. Posso
acompanhar a Princesa de Tai Ping?" perguntou o diplomata, sorrindo
para a pobre garota.
"Sim, pode," concordou o rei Wei, seu olhar advertindo
Misuko. Ele notou que Misuko estava tremendo levemente.
Quando o diplomata se encaminhou para a porta, Misuko se levantou
e o seguiu. Ela deu uma última olhada na arquitetura familiar,
seus olhos cheios de emoções. Ela deu a seu pai e ao
prédio uma olhada de despedida. Gentilmente, ela pronunciou
as palavras:
*Adeus.*
A jornada para a capital do Shu era longa. Longas estradas batidas
e sinuosas se esticavam de cidade a cidade. Misuko nunca tinha saído
do estado de Wei antes. Florestas e arbustos exóticos e viçosos
a intrigavam. Ela nunca soube da existência de tanta beleza
fora das paredes do palácio, seu lar.
Uma noite, num hotel no meio do caminho, Misuko estava comendo com
o diplomata. Ele era um cavalheiro, muito gentil e cuidadoso com
ela. Pelo menos isso ajudara Misuko a não se sentir tão
ruim por deixar seu lar repentinamente.
Estranhamente, o diplomata de repente falou.
"Princesa, deve ser cuidadosa quando se encontrar com o príncipe
herdeiro."
"Por quê?" perguntou Misuko curiosa, já que
o diplomata raramente falava com ela.
"Ele não é transparente. É uma pessoa
complicada, seu temperamento especialmente," disse o diplomata.
Misuko começou a fazer mais perguntas, mas ele se recusou
a falar mais.
A jornada durou dez dias. Quando alcançaram seu destino,
era noite. A capital do Shu era grande. As palavras do diplomatas
ecoavam em sua mente. *Que tipo de pessoa é esse príncipe?*
Misuko costumava se perguntar.
"Princesa, iremos ao palácio para nos encontrarmos com
meu senhor e o príncipe herdeiro," disse o diplomata,
parando. Em seguida, continuou, "Enquanto isso, pararemos num
hotel para nos arrumarmos."
Misuko assentiu e sua carruagem parou em frente a um hotel magnificamente
decorado. Ela desceu e caminhou até ele. A serva a acompanhou
bem de perto. Então desapareceu por um instante. Ela reapareceu,
carregando um baú de roupas. Cuidadosamente, segurou as roupas
para Misuko a polidamente a pediu para mudar-se.
Misuko entrou em seu quarto e trancou a porta atrás de si.
Vagarosamente, ela despejou um pouco de água da chaleira para
bacia e lavou seu rosto. Despiu-se e colocou suas roupas antigas
de volta na sua bagagem. Deu uma olhada observadora para a nova e
a vestiu cuidadosamente. Endireitou a roupa e penteou seu cabelo
com seus dedos. Penteou-o esmeradamente no alto e o manteve com prendedores.
*Estou mais apresentável agora,* disse Misuko para si mesma
enquanto ela saía do quarto e descia as escadas. O diplomata,
também vestido cuidadosamente, estava esperando por ela. Ambos
se encaminharam para fora e subiram em suas respectivas carruagens.
O caminho para o palácio era bem pequeno, uns dez minutos.
Misuko saiu de sua carruagem, cuidadosa para não amassar seu
vestido. Misuko e o diplomata se encaminharam direto para o palácio
magnífico. Os
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olhos de Misuko brilharam de encanto enquanto
era levada pelos vastos corredores e chão acarpetados.
Por fim, ela e o diplomata sentaram-se num banco fora da sala do
trono, esperando pela convocação do rei. Uma voz mais
velha flutuou pelo aposento e para fora dele. Misuko e o diplomata
se levantaram e entraram na sala. Misuko olhou com admiração
para as decorações de ouro e jóias nas paredes.
Por fim, deu uma olhada no rei. Um homem beirando os sessenta estava
sentado ao lado de uma mesa com uma toalha amarela. Um outro homem,
jovem, beirando os vinte sentava-se ao seu lado. Ele era naturalmente
bem bonito, de um modo chocante.
"Sua majestade, essa é a Princesa de Tai Ping, Misuko," apresentou
o diplomata.
O rei assentiu suavemente. Misuko manteve seu rosto voltado para
o chão. "Levante sua cabeça," o jovem comandou.
Misuko olhou direto nos olhos do jovem. O diplomata rapidamente
apresentou-o como o príncipe herdeiro. Eles trocaram olhares.
O príncipe herdeiro sussurrou alguma coisa no ouvido esquerdo
de seu pai. O velho rei sorriu e assentiu.
O jovem se dirigiu pela lateral do trono até o diplomata
e sussurrou algo nos ouvidos deste. O diplomata sorriu e assentiu
excitado. Misuko apenas ficou ali, em silêncio, querendo saber
sobre o que conversavam.
De repente, o diplomata pegou sua mão e a levou para fora
da sala do trono. Vendo que não tinha ninguém para
escutá-los, ele disse a Misuko.
"Parabéns, Princesa. Nosso Príncipe Herdeiro
gostou de você a primeira vista. Você será uma
de suas principais concubinas no palácio," disse o diplomata
alegremente, contente por sua missão ter tido sucesso, mas
Misuko estava num outro estado de emoções.
"Concubina... Sou uma princesa e vou ser concubina daquele
cara?" repetiu Misuko, com raiva.
O diplomata simplesmente deu de ombros, e a levou para conhecer
seu quarto. Um aposento bem mobiliado, coberto com cetim na roupa
de cama e mesa e cortinas. Misuko olhou tristemente para o quarto.
*Irei ser apenas uma concubina neste lugar,* pensou.
"Troque-se e traremos o jantar para você," disse
o diplomata, antes de fechar as portas de madeira por detrás
dele. Misuko sentou-se na cama, sua mente hesitando somente em um
problema. "Meu país estará a salvo?"
Ela enxugou seu rosto com seu lenço. Sua mente mudou de assunto,
para o comportamento do príncipe herdeiro. Por que o diplomata
disse a ela que...
O sol começou a declinar no horizonte. Misuko inquietava-se
com seu lenço, dando uma olhada para o céu. *Está ficando
escuro,* Misuko disse para si mesma. A comida que a serva pessoal
trouxera estava fria, na mesa. Simplesmente não tinha apetite
para comer.
Misuko suspirou e foi até a cômoda. Começou
a soltar o cabelo, retirando os adornos dele. De fato, gostava de
deixá-lo livre. Começou a se despir. Ela olhou para
si mesma no espelho de corpo inteiro, vendo seu formato de corpo
perfeito. Enquanto ela tirava as últimas vestimentas, uma
pessoa repentinamente abriu a porta e entrou. Misuko virou-se, chocada
e segurou suas roupas contra o peito. A pessoa olhava para ela. Era
o Príncipe Herdeiro.
"O que você está tentando fazer?" disse Misuko
calmamente, rapidamente vestindo-se.
"Sou seu marido, não sabe disto?" disse o príncipe,
sorrindo desagradavelmente para ela.
"Não se atreva a se aproximar mais." ameaçou
Misuko.
"O que vai fazer se eu chegar mais perto?" perguntou o
príncipe malignamente, parando bem próximo a ela.
"Não, não faça..." disse Misuko,
tentando em vão escapar.
"Você vai ser minha cedo ou tarde," continuou o
príncipe.
Misuko apenas olhou para ele. "Você tem um corpo bonito," disse
o príncipe, chegando mais perto dela a cada segundo. De repente,
ele pulou em cima dela. Misuko caiu no chão, próximo
a cômoda, com o príncipe em cima dela.
"Socorro! Socorro!" Misuko gritou desesperadamente, enquanto
o príncipe a abraçava forte.
"Sssshh. Ninguém vai ouvi-la aqui. Além disso,
eu realmente queria ver como a 'flor de Wei' se parecia, então
planejamos isto para fazer seu pai dar-nos você," disse
o príncipe, pondo uma mão sobre a boca dela, para faze-la
ficar calada.
"Mmmmmm!!!" tentou Misuko em vão, enquanto o príncipe
começava a rasgar suas roupas. Ele começara a tirar
as dele também. Misuko observava chocada enquanto ele dava
beijos no seu pescoço e rosto. Cegamente, ela apalpava o chão
a procura de uma arma.
Institivamente, ela abriu uma gaveta e pôs a mão dentro
dela. O príncipe já estava mordiscando seu pescoço
e outros lugares sensíveis. Misuko estremeceu enquanto ele
mordeu o lobo de sua orelha, quando de repente sua mão se
fechou sobre um objeto. Ela o agarrou como uma cobra e o levantou.
"Vá para o inferno!" ela cravou sua arma nas costas
expostas dele. O corpo em cima dela endureceu e rolou para o lado
lentamente. O príncipe olhou para ela, enquanto uma gota de
sangue fluía de sua boca. Lentamente, seus olhos se fecharam.
*Eu matei alguém.* Misuko pensou, em choque, enquanto ela
retirava a tesoura. O corpo do príncipe estava caído
ali, sem vida.
A culpa a oprimiu.
*Nunca escaparei disto,* pensou Misuko, ainda em pavor. Uma lágrima
caiu de seus olhos. Lentamente, ela levantou a tesoura de novo.
"Desculpe-me, otoosama. Desculpe por não ser capaz de
trazer a paz que você sempre quis..." sussurrou Misuko
enquanto ela fechava os olhos e apunhalava seu próprio estômago.
A última coisa que sentiu foi uma dor repentina e então
mais nada.
E uma outra alma foi para os portões do julgamento.
Traduzido por Rechan // Título Original: Past Present
Future
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