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Passado Presente e Futuro
por Wong Siew Lee
Passado - Memórias
Capítulo 3: Doce, Azedo, Então Amargo
Era um dia brilhante.
Misuko se descobriu flutuando no ar. Ela estava olhando para a cena
sangrenta abaixo dela. Ela estava ali, deitada no chão. O
maligno Príncipe Herdeiro estava também morto, aos
seus pés. Espere um instante, ela estava ali, no chão,
uma tesoura encravada em seu ventre.
"Por que estou aqui?" perguntou Misuko silenciosamente
para si mesma. Fechou seus olhos momentaneamente, tentando relembrar
o que tinha realmente acontecido. Lembranças começaram
a jorrar de volta a sua mente. O príncipe... pulou para cima
dela... uma tesoura... matou o príncipe... matou a si própria...
a dor latejante da facada a queimando nos últimos segundos
de sua vida. A dor era assustadoramente real, mesmo agora.
Misuko sentou no ar, envolvendo seus joelhos com seus braços.
*Então estou morta agora. O que vou fazer?*
"Sim, está.," disse uma voz atrás dela.
Misuko rapidamente virou sua cabeça para olhar para a possuidora
da voz. Uma garota com um remo estava de pé atrás dela.
A garota estava vestindo um quimono verde-folha tradicional com pardais
bordados. Seus olhos pretos e cabelos igualmente pretos tinham um
efeito sereno.
"O que devo fazer agora?" perguntou Misuko, levantando-se.
Lágrimas já se formavam nos seus olhos. Estar morta
não era exatamente um pensamento ou sonho bom, mas era verdade
desta vez. Misuko nunca pensou na morte antes disso. Era tão...
assustador.
"Sou uma guia espiritual desiguinada pelo Reikai, aonde você deve
ir para registro antes de ir para seu destino final. Venha, sente-se
no meu remo," disse a guia espiritual, gentilmente.
Pela primeira vez, Misuko foi tratada e confortada por alguém.
Alguém que era amigo. Alguém que a tratava como a um
amigo. Aquele sentimento era muito especial, um sentimento feliz
e caloroso. Alguém que se importava com sua condição.
Um amigo durante a necessidade era um amigo de verdade.
"Estou realmente morta," disse Misuko suavemente, enquanto
sentava na parte achatada do remo. A guia espiritual sentou-se também
e começou a navegar pelo ar.
Misuko fechou seus olhos, sentindo a brisa fria acariciar seu rosto
e espalhar seu cabelo ao seu redor. O vento de algum modo acalmava
seus sentimentos infelizes. A própria Misuko nunca foi perfeita,
apesar de assim ter parecido para algumas pessoas. Misuko lançou
este pensamento de lado. Ela não queria pensar mais nisto.
Era simplesmente muito doloroso. Um toque agonizante na sua vida.
Uma mancha negra.
A guia espiritual pôs um braço confortante no seu ombro,
assegurando a ela que nada aconteceria de errado.
*O que está feito, está feito*
Finalmente, o par alcançou as brumas que encobria um prédio.
Um ar de mistério o rodeava.
"Aquele é o Palácio Imperial do Reikai. É também
aonde as almas do Ningenkai são julgadas e encaminhadas," explicou
a guia.
"Qual o seu nome?" perguntou Misuko cuidadosamente. Em
toda sua vida, ela nunca esteve fora do palácio. Desse modo,
ela não tinha idéia de como fazer amigos.
"Hanna." respondeu a guia simplesmente enquanto ela levava
Misuko para dentro do vasto edifício. "Devido ao seu
caso ser especial, nosso Enma quer encontrar-se pessoalmente com
você."
"Um caso especial?" repetiu Misuko curiosamente. Um nó se
formou em sua garganta...
"Sim. Vamos." disse Hanna.
Misuko assentiu e correu para dentro do escritório com Hanna.
O escritório extremamente ocupado estava preenchido por onis
correndo e outras criaturas irreconhecíveis. Hanna bateu na
porta de uma sala localizada num canto do vasto escritório.
Uma voz respondeu, pedindo que entrassem. Misuko olhou para as portas
de madeira, meio temerosa do que existia do outro lado delas. Seu
primeiro pensamento foi daqueles executadores malignos esperando-a
para puni-la pelo crime que ela havia cometido. Misuko não
podia esconder-se mais. Tinha de aceitar a verdade.
Hanna abriu a porta cuidadosamente e entrou. Um garoto na sua adolescência,
de um 17 anos estava sentado ali, chupando sua chupeta, assinando
documentos furiosamente. Um outro imenso oni azul estava de pé ao
seu lado, passando papéis para ele assinar.
"Bom dia, Koenma-sama," disse Hanna, curvando-se levemente.
Ela deu uma pequena cutucada em Misuko, pedindo que fizesse o mesmo.
"Bom dia," disse Misuko, o mais educado que pôde.
Koenma levantou os olhos ao som da voz infamiliar. "Bom dia," ele
cumprimentou, fixando seu olhar em Misuko. De fato, ele ficou encarando
Misuko por um longo tempo, sem prestar nenhuma atenção
aos olhares embaraçados que seu oni azul e Hanna estavam trocando.
Koenma olhou para ela por tanto tempo, que Misuko começou
a corar e a puxar a manga de Hanna.
"Um... Koenma-sama, essa é a garota que você queria
ver," começou Hanna cuidadosamente, vendo que Misuko
estava puxando furiosamente.
"Ah! Seu nome é... " Koenma sacudiu alguns papéis
e olhou para eles. "... Misuko. Você se suicidou, certo?"
"Bem, acho que foi o único modo de me livrar daquela
confusão," disse Misuko desanimadamente. Lembranças
começaram a fluir de novo. A facada ainda era dolorosa, mesmo
agora. Não só fisicamente, como mentalmente, também.
"Seu lugar deveria ser no Paraíso, já que você não
fez nada de errado, mas você se suicidou. Por quê? É contra
as leis da vida," disse Koenma, olhando diretamente nos olhos
de Misuko.
"Tive de fazê-lo. Não tinha escolha. Pense no
que aconteceria cedo ou tarde. A morte do Príncipe... O rei
Shu não deixaria que eu me livrasse fácil. Antes suícidio
do que ser executada em público," explicou Misuko, lágrimas
começando a brotar nos seus olhos. Ela nunca havia sentido
tanta culpa na sua vida. Ela não só havia desapontado
seu país, como também havia dado cabo de sua vida.
Em tudo ela havia falhado miseravelmente.
"Devido a isto, a divisão do Reikai decidiu deixar você escolher
seu próprio destino. Você terá sua chance justa
de reencarnação, mas o que prefere? A primeira é encarnar
em três anos após um ano de sofrimento no primeiro andar
de punimento ou pode trabalhar aqui como uma guia espiritual por
cem anos," ofereceu Koenma, dando-lhe uma escolha. "Estamos
com falta de trabalhadores aqui, sabe," continuou Koenma.
Misuko estava ponderando sobre as ofertas que Koenma tinha feito.
Encarnar ou teabalhar como guia espiritual aqui? Misuko considerou.
*O mundo está num estado desolado e eu só ficava sentada
no palácio de otoosama sem fazer nada. Quinze anos de minha
vida foram desperdiçados deste jeito... Sou uma garota. Não
posso fazer nada no mundo do feudalismo...*
Mas... ela teria de esperar muito tempo para viver de novo... Misuko
considerou e reconsiderou. Tomar decisões era tão difícil... "Quero
ser uma guia aqui."
"Ótimo, assim o será," disse Koenma, sorrindo
para ela. "Hanna, mostre tudo a ela e lhe dê um uniforme
oficial das guias."
"Obrigada," disse Misuko enquanto sorria de volta. *Koenma
parece ser uma pessoa amigável,* pensou Misuko, enquanto Hanna
a levava dali. Misuko estava agradecida. Muito agradecida por ter
sido dado a ela a chance de começar uma nova vida.
"Hanna, é muito difícil ser uma guia espiritual?" perguntou
Misuko, enquanto Hanna lhe mostrava os dormitórios das guias
espirituais.
"Bem, depende de como você divide seu tempo. Algumas
vezes você pode ter uma sobrecarga de trabalho," respondeu
Hanna enquanto ela abria uma guarda-roupa cheio de uniformes de vários
tamanhos e padrões. "Escolha um que goste."
Misuko foi até as roupas e olhou para elas, esperando encontrar
algo de que ela realmente gostasse. Passou unifirme após uniforme,
sem encontrar um que chamasse sua atenção.
"Por que todos esses quimonos têm algum tipo de pássaro
ou flor bordados neles?" perguntou Misuko curiosa, enquanto
passava um dedo sobre uma das belas rosas costuradas num dos quimonos.
"Bem, o Reikai tem uma certa regra de que as guias espirituais
devem ter uma identidade, colocando um tipo de insígnia nos
seus quimonos. A maioria são pássaros e flores. A minha é pardal," disse
Hanna, cruzando os braços. Já havia se passado muito
tempo desde a última vez que o Reikai havia recrutado novas
guias.
"Acho que gostaria de ter um grou como minha insígnia," disse
Misuko enquanto pegava um quimono azul escuro, com um par de grous
bordados na frente. Ela tocou a cabeça de um dos grous apaixonadamente.
*Já que o grou é tão gracioso, ficará perfeito
em mim...* pensou Misuko silenciosamente.
"Acho que você estará capaz de trabalhar amanhã," disse
Hanna. "Deixarei você se estabelecer no seu quarto." Hanna
apontou para um quarto no fim do corredor.
"Obrigada," disse Misuko, enquanto ela agarrava o quimono
fortemente. O que estava reservado para ela neste lugar? Ninguém
poderia saber.
Misuko levantou-se cedo na manhã seguinte. *Sou uma guia
espiritual no Reikai agora,* disse Misuko em voz alta, enquanto ela
sussurrava sua canção favorita seguindo os esguinchos
rítmicos de água ao redor de sua banheira.
Lentamente, ela se lavou completamente e vestiu seu novo quimono.
*Pareço bem e refrescada.* Misuko admirou-se no espelho, enquanto
amarrava a faixa cor de pêssego ao redor de sua cintura.
Ela penteou seu cabelo e o prendeu numa trança. Misuko deu
uma última olhada em sua vestimenta, procurando ter certeza
que seu quimono estava direito e saiu do quarto. Como ela esperava,
Hanna esperava por ela do lado de fora.
"Vamos, apresse-se ou chegaremos tarde para o trabalho," disse
Hanna enquanto ela pegava Misuko pelo braço e corria na direção
do escritório.
"Nossa, nós devemos guiar todos os estes espíritos
antes do meio dia?" perguntou Misuko, enquanto ela segurava
uma folha de papel com o trabalho do dia. "Têm uns vinte
nomes nessa lista," disse Misuko em pavor.
"Acho que sim..." disse Hanna, olhando para sua própria
lista.
"Onde devo pegar meu remo?" perguntou Misuko.
"Apenas abra a mão e diga 'remo'," instruiu Hannna.
Misuko fez o que Hanna tinha dito e um remo lentamente se materializou
na sua palma.
"Este remo é seu agora e você pode controlá-lo
com seus pensamentos. Apenas pense. Quando quiser que ele voe, apenas
pense nele voando do jeito que você quer. De qualquer modo
aqui está um mapa das rotas do Reikai," Hanna endereçou
um pedaço de papel a Misuko. "Mais uma coisa. Se você se
perder, ordene ao remo para retornar aqui."
"Ok, obrigada," disse Misuko, enquanto ela sentava no
remo, olhando para o primeiro nome da lista. Por um instante, ela
não sabia o que fazer.
"Que dia!" disse Misuko, enquanto ela aterrisava para
se juntar a Hanna no Palácio Imperial do Reikai.
"Por que você demorou tanto?" perguntou Hanna, amassando
sua lista e a atirando numa cesta de lixo próxima.
"Não tinha certeza de como chegar nos lugares e meu
remo estava um pouco desobediente," respondeu Misuko, também
atirando sua lista na cesta de lixo. De fato, o dia havia sido desastroso.
Misuko deveria guiar o espírito de um velho, mas o remo a
levou para alguma terra remota da África... Uma gota de suor
se formou na têmpora de Misuko, enquanto ela pensava nisto.
"Deuses, estou exausta," disse Hanna, espreguiçando-se
um pouco. "Acho que vou para cama cedo hoje."
"Vou relaxar um pouvo esta noite," disse Misuko, caminhando
numa outra direção.
"Boa noite," disse Hanna, sua mão reprimindo um
bocejo.
"Você também," disse Misuko já um
pouco distante agora. * Vou sentar no Jardim Imperial que vi de minha
janela - aquele jardim é realmente belo,* decidiu Misuko.
Sua cabeça estava latejando levemente já que ela nunca
havia realmente trabalhado antes. Misuko suspirou suavemente. Ela
nunca pensou em terminar ali...
Misuko vagou pela trilha sinuosa através da bela paisagem.
Flores estavam desabrochando e seu doce aroma preenchia o ar. Finalmente
ela alcançou um lugar recluso no jardim. Sentou-se na grama
verde e bebeu o doce aroma ao seu redor. Misuko fechou seus olhos
e ouviu o constante gorgear de um rouxinol solitário. Divertia-se
com a música suave. Misuko não tinha muita certeza
agora. Ela estava cansada, cansada da vida. O que a havia tornado
tão pessimista?
* Parece-se tanto com minha casa.* quando Misuko pensou nisso, um
sentimento de vazio começou a tomar conta de seu coração.
Saudades. Misuko sentia muita falta de seu pai e das outras pessoas
que a rodeavam. Talvez há um semana atrás, deixar o
lar era algo totalmente estranho para uma princesa que tinha vivido
sua vida inteira num palácio. Nunca saindo das paredes proibidas.
Após alguns instantes, Misuko pode sentir alguém sentar-se
ao seu lado. "É você, Hanna?" perguntou Misuko,
com seus olhos ainda fechados.
"Não, sou eu." uma voz chiada respondeu. Misuko
abriu seus olhos para ver Koenma, desta vez sem sua chupeta.
"Desculpe... Koenma-sama," gaguejou Misuko, enquanto ela
se levantava apressada.
"Não se preocupe, sente-se de novo," respondeu
Koenma, fechando seus olhos.
Misuko sentou-se novamente, deixando sua mente num estado pacífico.
"Por que está aqui? Pensava que era o único no
Reikai que realmente gostava de sentar nos jardins à noite," começou
Koenma, sua voz num tom baixo. Misuko olhou para ele, surpresa por
aquele tom.
"Adoro jardins, especialmente um tão belo quanto este.
Lembra-me de casa," disse Misuko, sonhadoramente.
"Importa-se se eu fizer uma pergunta pessoal?" perguntou
Koenma, arrancando um talo da grama e enrolando-o ao redor de seu
dedo indicador.
"Não," respondeu Misuko, simplesmente, por outro
lado, estava também curiosa sobre o quê Koenma queria
perguntar-lhe. * Poderia ser...*
"Como é o Ningenkai? Nunca estive no Ningenkai antes,
porque só recebi este posto de meu otoosama alguns anos atrás," perguntou
Koenma, seus olhos brilhando cheios de esperança de ver o
Ningenkai algum dia.
"O Ningenkai é divertido, cheio de coisas interessantes
e bonitas cenas como um pôr-do-sol. Infelizmente, o país
de meu otoosama controla era arriscado. Não sei se o estado
de Shu o atacou depois de eu ter apunhalado o seu Príncipe
Herdeiro," disse Misuko com um suspiro queixoso. Agora, Misuko
sentiu uma apunhalada de arrependimento. Talvez ela não deveria
ter matado o príncipe.
"Por que você o apunhalou?" perguntou Koenma, abrindo
seus olhos para olhar para Misuko.
"O estado de Shu enganou meu pai para que ele me desse como
um 'tão falado' preço da harmonia, mas era uma conspiração
para me pegar. Fiquei tão zangada quando ouvi isso da boca
do Príncipe Herdeiro. Ele tentou me estrupar... De alguma
maneira, consegui uma tesoura e acidentalmente o matei. Não
queria ter terminado a minha vida daquele jeito, mas não tive
escolha," disse Misuko, duas lágrimas rolando de seus
olhos. As lembranças eram tão dolorosas para ela. Misuko
jogou este pensamento de lado, já que ele a deixava louca.
"Não foi sua culpa. Humanos cometem erros," consolou
Koenma, dando tapinhas no seu ombro. Koenma sentia uma simpatia real
por esta garota, que veio para o Reikai no dia anterior. Koenma já tinha
visto tais casos antes, mas este tinha-lhe deixado uma forte impressão.
"Koenma-sama, acha realmente que fiz a coisa errada?" perguntou
Misuko. Ela ainda estava confusa. Ela era culpada, culpada por não
trazer a harmonia para seu povo.
"Não. Você fez o certo para se proteger," disse
Koenma.
"Mas o que meu otoosama vai pensar? Sou sua filha única," Misuko
disse, enquanto de desfazia em mais soluços.
"Não se preocupe, acho que ele entenderia," disse
Koenma.
"Fui realmente descortês para com meu pai. Trouxe desgraça
para meu povo. Trouxe gritos de guerra..." gritou Misuko, enterrando
seu rosto no ombro de Koenma, soluçando.
Koenma cuidadosamente passou a mão sobre a cabeça
dela para confortá-la, esperando que ela se acalmasse. Lentamente,
algumas estrelas brilharam. Finalmente, os soluços de Misuko
morreram.
"Desculpe-me por ter ficado assim," desculpou-se Misuko,
enquanto ela enxugava as lágrimas com a manga do quimono.
"Espero que você tenha se acalmado um pouco," disse
Koenma, sorrindo gentilmente para ela.
Misuko levantou-se. "Obrigada por me ouvir." No seu coração,
Koenma já era um amigo. Alguém para quem ela podia
se virar quando precisasse de alguém para ouvi-la.
[Koenma estava inclinando-se sobre ela, sussurrando as mágicas
três palavras no seu ouvido. Misuko sorriu para ele, Koenma
abaixou-se e a beijou levemente na bochecha...]
*Ah não... Esta é a terceira vez que sonho com ele
esta noite...* pensou Misuko em choque, enquanto sentava na sua cama
suando profusamente. Ela balançou a cabeça, tentando
clarear a imagem a sua frente.
Olhou pela janela. O sol já estava a meio caminho do céu.
Ela se levantou rapidamente e vestiu-se.
"Hanna deve estar querendo saber o que aconteceu comigo." pensou
misuko enquanto penteava o cabelo apressadamente. Ela pegou o seu
remo e correu. Hanna estava andando de um lado para outro impacientemente.
"O que você estava fazendo aí dentro?" perguntou
Hanna, querendo saber porque Misuko estava atrasada.
"Ah... apenas tive um sonho," disse Misuko rapidamente.
Ela não queria que Hanna ou mais alguém ficasse sabendo
que ela tinha uma queda pelo seu chefe. Além disso, o que
hanna pensaria se ela soubesse de sua atração?
"Que sonho? Um pesadelo?" perguntou Hanna.
"Hum, não," disse Misuko. "Vamos indo."
***
Koenma gemeu pela 50º vez enquanto George trazia uma outra
pilha de papéis. Trabalhar no Reikai era cansativo e tedioso...
Koenma nunca teria escolhido trabalhar no Reikai; mas ele não
teve escolha. Ele era o único herdeiro do Reikai, então
ele tinha de faze-lo; querendo ou não.
"Koenma sama, estes documentos devem estar assinados até as
13 horas de hoje," anunciou George, também obviamente
um pouco cansado de tanto trabalho pesado.
Koenma assentiu enquanto George colocava a pilha em frente a ele.
*Koenma sama parece estar bem distraído nestes últimos
dias. Gostaria de saber porque...* George lançou este pensamento
para longe e se dirigiu para a porta. *Koenma sama nunca conta seus
problemas para ninguém.*
Por outro lado, Koenma estava tendo problemas em se concentrar nos
papéis estendidos a frente dele. Sua mente estava vagando,
incapaz de voltar. Ele deu de ombros e se forçou um pouco
a trabalhar.
*Adoro estar nesta forma...* pensou Koenma em outros de seus ocasionais
períodos de sonho. *Esta é a minha forma atual, mas
otoosama quer que eu volte para a infantil. Falando de chupetas e
reiki...*
*Ela tem um charme especial...* disse Koenma alto desta vez, mas
ele rapidamente tampou sua boca com a mão. Ele não
queria mais pensar nisto, o trabalho era mais importante para ele,
agora.
Misuko sentou no jardim de novo, por duas semanas consecutivas.
O ar da noite parecia acalmá-la, mas sua cabeça ainda
estava confusa. Ela evitava Koenma sempre que o via. Os sonhos eram
dolorosos, especialmente quando ela acordava. *Não é realidade,*
disse Misuko tristemente para si mesma toda vez que isso acontecia;
mas ela não podia simplesmente se controlar.
Ela respirou profundamente e inclinou-se contra a árvore.
Ela fechou seus olhos e começou a fantasiar sobre uma noite
junto a Koenma.
"Por que você está aqui?" uma voz perguntou
repentinamente.
Os olhos de Misuko abriram-se e olharam direto dentro de um par
de olhos castanhos. "Olá, Koenma sama." o rosto
de Misuko já estava enrubescendo furiosamente quando ela disse
aquilo.
"Você está sempre aqui," disse Koenma, sentando
ao seu lado. "Por que não te vi nos últimos dias?"
"Sim. Tenho algo para lhe dizer," disse Misuko de repente.
Sua mente tinha inconscientemente tomado uma decisão. Misuko
nunca imaginou que diria tal coisa, mas fez.
"Eu também," disse Koenma ansiosamente, ajoelhando-se
para ficar do lado dela.
"Por que não fala primeiro," ofereceu Misuko, também
ansiosa para ouvir o que Koenma tinha a dizer. *Além disso
admitir primeiro não é normal para uma garota como
eu.*
"Bem, hã... é um problema entre nós. Está pronta
para ouvi-lo?" perguntou Koenma.
"Sim," respondeu Misuko enquanto respirava fundo.
"Estive sonhando com você nestes últimos dias.
De início não entendia porque estava sempre er... te
beijando," disse Koenma, parando um pouco; meio esperando que
Misuko se levantasse e o esbofeteasse. Em vez disso, Misuko apenas
olhou para ele com nenhuma expressão facial óbvia.
"Finalmente, cheguei a uma conclusão." Koenma respirou
fundo antes de terminar a sentença. "Eu me apaixonei
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secretamente por você."Misuko ficou quieta, olhando dentro
dos olhos de Koenma. "Realmente dói sonhar com você todas
as noites, só para acordar e descobrir que não era
real." continuou Koenma, observando cuidadosamente a expressão
facial de Misuko.
Misuko de repente levantou-se e abraçou Koenma. Lágrimas
de alegria rolavam pelos seus olhos. Ela tentou abrir a boca para
dizer algo, mas tudo que conseguiu foi apenas sussurar as palavras: "Obrigada.
Obrigada por dizer isto para mim."
Misuko afastou-se de Koenma. "Estive pensando em lhe dizer
isto também, mas já que você o fez, devo lhe
contar minha própria experiência," disse Misuko,
suas emoções reprimidas jorrando.
Misuko terminou de contar o que queria. Koenma olhava-a, seu rosto
preenchido com um novo prazer descoberto. Koenma levantou-se de repente
e a deitou na grama.
"Já que estamos fantasiando um com o outro frequentemente,
por que não tentamos algo de verdade?" sugeriu Koenma.
"Espere. E se outras pessoas descobrirem?" perguntou Misuko
preocupada. Já estva mentalmente formando uma cena onde Hanna
acidentalmente tropeçava neles.
"Não se preocupe," disse Koenma enquanto a beijava
gentilmente no pescoço.
"Ótimo," disse Misuko enquanto lentamente devolvia
o beijo...
"Misuko!" gritou Hanna do lado de fora do quarto de Misuko.
Cinco minutos se passaram e não se ouviu nenhum som.
* Será que aconteceu algo com ela?* pensou Hanna ansiosa.
Depois de algum tempo, ela ouviu sons de passos pelo corredor. Era
Misuko. Seu rosto e mãos estavam sujos e pedaços de
grama estavam espetando seu cabelo e kimono. Seu cabelo estava desalinhado
e seu kimono amarrotado.
"O que aconteceu com você?" perguntou Hanna enquanto
pegava a mão de Misuko e dava uma olhada cuidadosa nela.
"Nada. Só adormeci no jardim imperial." respondeu
Misuko alegremente.
Hanna rolou os olhos. "Limpe-se e vista-se adequadamente."
Misuko sorriu e entrou no quarto. "Ah... Vou tirar o dia de
folga hoje. Não precisa esperar por mim."
"Okay," disse Hanna, saindo no seu remo.
*Não sei não. Ela com certeza está agindo estranho
hoje...* pensou Hanna.
"Koenma-sama, como seria bom se pudessemos ficar juntos assim
para sempre," sussurrou Misuko na segunda noite.
"Sim, mas só poderíamos fazer isto no jardim." caçoou
Koenma, acariciando-a.
"Como reagiria seu otoosama se soubesse disto?" perguntou
Misuko, sentindo o pescoço dele através de seu mindinho.
"Realmente não sei," respondeu Koenma. Aquilo o
assustava muito... Enma Daiou tinha um mau temperamento notório. "Não
se preocupe com isso agora. Vamos continuar."
Na terceira noite...
"Tenho algo para você." disse Koenma enquanto procurava
dentro de seu robe por algo.
"O que é?" perguntou Misuko quando viu Koenma agarrando
alguma coisa na sua palma. Koenma mostrou a Misuko um pingente preso
numa corrente dourada. "Este pingente é feito da melhor
jade que pude encontrar."
Misuko olhou para ele cuidadosamente. O pingente era lapidado na
forma oval. A textura da pedra era lisa, lapidada com perfeição.
A cor da pedra era de um marrom profundo. Uma linha vermelho sangue
estava espalhada pela surperfície. Sua tranquilidade era agradável
de se olhar e a superfície polida refletia a luz cheia muito
bem.
"Obrigada. É lindo." disse Misuko alegremente,
enconstando-se em Koenma.
"Misuko, isto é para você. Este pingente representará meu
amor eterno por você. Os pontos em vermelho irão sempre
lembrar-lhe de mim." disse Koenma enquanto ele entregava o pingente. "Quer
que o coloque para você?" perguntou Koenma.
"Sim." Misuko sorriu enquanto Koenma colocava a corrente
em volta de seu pescoço. O frio agradável da pedra
excitava-a. "Koenma-sama, irei usá-lo todos os dias da
minha vida e nunca te deixarei." respondeu Misuko agradecida.
Ela nunca esperou que Koenma fizesse algo delicado assim para ela.
"Por que Koenma está desleixando seu trabalho ultimamente?
Ele julgou espíritos errado e os enviou para os locais errados..." resmungou
Enma-Daiou para si mesmo, enquanto conferia os relatórios
mensais do escritório de informação do Reikai."O
que poderia torná-lo distraído? No dia em que o vi,
ele estava um pouco pálido, como se estivesse sofrendo de
insônia," perguntava-se Enma-Daiou.
"Insônia... O que ele está fazendo? Vou dscobrir," disse
Enma-Daiou alto, tomando uma decisão.
"Will, pode por favor chamar George aqui?" disse Enma-Daiou,
enquanto apertava no interfone.
A voz assentiu e minutos depois, um oni azul tropeçava dentro
do escritório.
"Sim, Enma-Daiou. Em que posso ajudá-lo?" disse
George polidamente.
"Você sabe por que está agindo tão estranho
nos últimos dias?" perguntou Enma-Daiou.
"Ele parece muito distraído e fica olhando o tempo.
Parece impaciente esperando pela chegada da noite," respondeu
George.
"Chegada da noite," repetiu Enma-Daiou lentamente.
"Sim, chegada da noite," disse George.
"Obrigado, George. Pode ir agora," disse Enma-Daiou.
George fez uma pequena mesura e saiu do aposento. Enma-Daiou parou
de escrever para ponderar por um momento. Então, ele convocou
um detetive que ele tinha designado a alguns dias para seu escritório.
"Quero que espione meu filho. Estou suspeitando dele," disse
Enma-Daiou para uma figura que vestia-se num casaco apertado. A figura
misteriosa fez um som de assentimento e sumiu.
"isso ensinará àquele rapazinho a não
negligenciar seu trabalho," sorriu afetadamente Enma-Daiou,
continuando seu trabalho.
"Koenma-sama! Lorde Enma quer vê-lo agora!" gritou
George, enquanto batia na porta com seu punho.
"Sim, já estou indo!" disse Koenma abrindo a porta. "Você sabe
porque meu otoosama quer me ver?" ele perguntou a George. George
deu de ombros e Koenma correu em direção a sala do
trono.
"Otoosama, aconteceu alguma coisa?" perguntou Koenma inocentemente,
enquanto entrava na sala do trono.
"Pergunte a si mesmo," disse Enma-Daiou friamente, enquanto
atirava um envelope para Koenma. Koenma o apanhou agilmente e abriu.
"Explique estas fotos," disse Enma-Daiou. Koenma esfregou
os olhos e olhou para as fotos novamente. Com certeza, eram fotos
dele e Misuko durante seu último encontro noturno. Uma foto
mostrava ele e Misuko empenhados num beijo realmente apaixonado.
Gotas de suor frio começaram a se formar nas suas palmas e
testa.
"Quem é esta garota?" perguntou Enma com raiva.
"Enma-Daiou, ela é Misuko, uma guia espiritual," respondeu
Koenma fracamente.
"Conte-me agora! O que você fez de errado?" rugiu
Enma-Daiou.
"Eu... eu me apaixonei por ela. Por favor, otoosama, eu realmente
a amo com todo meu coração e alma. Estamos ligados
fisica e mentalmente. Não posso viver sem ela. Deixe-nos ficar
juntos..." implorou Koenma.
"Você conhece as leis do Reikai," respondeu Enma. "Você nunca
deve ignorá-las. Você é o Príncipe do
Reikai, meu sucessor," continuou Enma.
"Eu sei..." disse Koenma.
"Já que é assim, por que quebrou as leis?" perguntou
Enma.
"Por favor... otoosama. Por favor mude as leis só por
uma vez," implorou Koenma de novo. Ele sabia das conseqüências
de seu ato, mas nunca as tinha trazido a luz... A luz da realidade.
"Não. Você está suspenso do trabalho de
hoje em diante e sua adorada será atirada na prisão
até futura ordem," disse Enma. Dois guardas apareceram
e levaram Koenma pelos braços.
"Não! Por favor!" gritou Koenma. Enma-Daiou apenas
desviou o olhar, recusando-se a conceder.
Enma-Daiou trancou Koenma num quarto e atirou Misuko na prisão
por ter casos secretos. koenma estava deprimido. Todos os dias, ele
tentava pensar num meio de sair de seu quarto e ver Misuko. Finalmente,
ele encontrou um grampo de cabelo (sabe-se Deus onde ele o encontrou)
e tentou abrir a tranca com ele.
"Vamos... Você consegue!" murmurou Koenma para si
mesmo, enquanto ele estudava a fechadura. De repente, a tranca respondeu
com um clique suave. "Eureka!" gritou Koenma, mas rapidamente
tampou sua boca com a mão.
Koenma espreitou o lado de fora de seu quarto. "Bom, a barra
está limpa." Ele hesitou um instante e olhou em redor.
*Merda! Esqueci pra que direção ficam as masmorras!*
xingou Koenma mentalmente.
Koenma estava perdido procurando pelo caminho. Finalmente, ele descobriu
uma empregada caminhando e a forçou a dizer-lhe onde se localizava
a prisão. Rapidamente, ele correu para as prisões e
começou a procurar por Misuko. Cela a cela, ele passou por
todas mas ele ainda não conseguia descobrir aonde estava Misuko.
"Onde ela está?" pensou Koenma freneticamente.
Finalmente, ele alcaçou a última cela e olhou para
dentro, vendo uma fraca Misuko deitada lá dentro.
Koenma a abraçou e ouviu seu gemido. Quando ele a apanhou
para carregá-la para fora da cela, sentiu um líquido
quente e pegajoso. Olhou para baixo e viu que era sangue. Ele olhou
para Misuko com olhos arregalados e foi arrasado que viu uma adaga
enfiada em sua barriga.
"Koenma-sama. Obrigada por todo o amor e carinho que me deu
todo o tempo. Não poderia pagá-lo. Aqui, quero dar-lhe
de volta a jade que me deu naquele dia memorável," disse
uma Misuko moribunda en seus braços.
"Não!!! Você não vai morrer!!! Vou achar
o melhor médico no Reikai para lhe curar!" gritou Koenma,
a mão de Misuko já pressionando a corrente dentro de
sua palma.
"Não, Koenma-sama, vou morrer logo, então deixe-me
acabar minhas últimas palavras. Você sabe que nosso
amor nunca mais poderá se unir novamente. Por que não
terminar minha vida, de modo a acbar com seu amor? E terminar nosso
sofrimento? Quando eu morrer, esqueça-me e continue sua vida
normalmente..." quando Misuko disse aquilo, sangue espirrou
de sua boca e suas pálpebras se fecharam.
"Por quê! Por que isto tinha que acontecer comigo? Fui
eu quem te enfiou nesta confusão..." então, a
voz de Koenma diminuiu para um tom suave. "Nunca te deixarei.
Você será a única garota que amarei e esperarei
para sempre por você..." depois de dizer isso, Koenma
se pôs a soluçar. A corrente da jade deslizou de suas
mãos e caiu no chão de pedra. Um som de uma chama eterna
morrendo...
No dia seguinte, Enma-Daiou chamou por Koenma de novo e ali, negociaram
de novo.
"Koenma, meu filho, expresso minhas condolências pela
morte de Misuko; agora, sinto que tavez tenha sido um pouco duro
com você dois. Deixe-me dar-lhes uma chance..."
"Que chances ou possibilidades existem? Misuko já está morta,
ninguém pode mudar isto!" disse Koenma amargamente.
"Não, você está errado, meu filho. Misuko
ainda tem uma chance de reencarnar. Se você puder encontrá-la
de novo, lhes darei minha benção."
"Otoosama, as chances de Misuko reencarnar são muito
pequenas, pessoas que morreram uma vesz não podem morrer novamente
ou elas simplesmente cessam de existir. Mesmo que ela pudesse escapar
do destino, as chances são muito pequenas. Duvido que vá encontrá-la
novamente..."
"Uma chance ainda é uma chance, mas você deve
me prometer uma coisa, que é fazer deste incindente um segredo
pelo meu bem, assim como o seu, de Misuko e do Reikai."
"Está certo, qualquer coisa..." Quando Koenma disse
aquilo, ele explodiu em lágrimas e saiu correndo da sala do
trono. As lágrimas não vinham fácil, mas lágrimas
de mágoa saíam incontrolávelmente... Devastado
e partido, Koenma escondeu-se num mundo seu, escuro e recluso.
Depois deste incidente, Koenma se enfurnou no trabalho e se recusou
a se dar tempo para descansar. Até mesmo voltou a sua forma
infantil para evitar que mais garotas ficassem atraídas por
ele. Profundamente em seu coração, Misuko seria uma
chama eterna queimando dentro dele. Nunca seria o mesmo de novo.
Nunca mais.
A dor dentro dele ainda estava fresca; mesmo agora. Koenma nunca
tinha contedo estas coisas para ninguém, nem mesmo para Botan.
Até agora, ele não tinha nada que pertencesse a Misuko
exceto o pingente e seu kimono.
Os sonhos de Misuko ainda o perseguiam. Misuko seria sempre uma
parte secreta dele. No canto mais escuro e escondido dele. Ele não
pensava nela há muito tempo. Estava ele muito assustado para
encarar a verdade e realidade colocadas a sua frente? Aquilo foi
doce, então azedo. Finalmente virou amargo.
Quando ele ouviu aquela voz familiar, ele ficou bestificado. Koenma
virou-se na direção da voz. Ali, ele viu uma adolescente
com grandes olhos castanhos e feições perfeitas. Vestia-se
com um uniforme escolar típico. Ela estava ali, batendo papo
e rindo com suas amigas.
Um reconhecimento repentino o preencheu. Sentimentos o sobrepujaram
em ondas de uma só vez. Koenma ficou ali como se tivesse sido
atingido por um raio. Uma palavra escapou de sua garganta e ele gritou: "Misuko..."
Traduzido por Rechan // Título Original: Past Present
Future
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