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Passado Presente e Futuro
por Wong Siew Lee
Passado - Memórias
Capítulo 9: Barreiras Invisíveis
"George! George!"
Sem resposta.
"George! George!"
Ainda sem resposta.
"George! Se não abrir esta porta agora, vou te despedir
neste instante!" gritou um Koenma aparentemente pronto-para
explodir, d lado de fora do Palácio Imperial do Reikai. A
sua frente estendia-se um par de imensas portas de madeira. Enquanto
isso, detrás dele seu grupo de amigos esperava pacientemente,
ocasionalmente batendo papo e gozando um ao outro. Como sempre, Hiei
manteve-se longe do grupo. Preferia ficar sozinho. Comportamento
estranho.
Uma voz sonolenta atendeu à porta.
"Quem é?" perguntou a voz, que soou como se estivesse
para cochilar a qualquer momento.
"O quê?!!! George! Não me diga que não
reconhece minha voz," gritou um furioso Koenma. "Quer que
eu espere aqui para sempre? Hum?" esperar na porta *era* cansativo.
Um barulho e as imensas portas de madeira se abriram um pouco. Um
oni azul apareceu sonolentamente. Seus olhos se arregalaram em choque
quando viu Koenma parado ali, pronto para socá-lo.
"Ah... desculpe... desculpe, Koenma-sama. Não sabia
que voltaria assim tão cedo," gaguejou o pobre oni. Provavelmente
Koenma afugentara todo o sono dele, já que os olhos do oni
se arregalavam.
"Está me vendo agora? Estou bem em frente a você!" disse
Koenma impacientemente, seu pé batendo furiosamente no chão
de pedra.
Koenma deixou o pobre oni parado na porta enquanto ele mesmo se
virava para Misuko e apresentava George para ela. "Este é George,
meu ajundante inútil. Pergunto-me por que otoosama o designou
para mim," reclamou Koenma, sempre insatisfeito com o comportamento
de George.
Misuko cumprimentou George com um sorriso. George olhou para ela
zombeteiro; então uma luz de reconhecimento brilhou em seus
olhos. A boca de George se abriu e então, começou a
conversar excitado.
"Você não é Misuko? Pensei que tinha morrido
de algum tipo de doença cerca de um século atrás?" perguntou
George, inconsciente de que estava tocando num assunto muito delicado
para Koenma.
Misuko olhou para ele com uma expressão de desentedimento.
Koenma sentiu uma punhalada de dor em seu coração e
viu a expressão dela. Rapidamente, ele retrucou e ralhou com
George.
"Fique quieto, sim?" retrucou Koenma para George.
Koenma passou rapidamente por George e o resto o seguiu. George
seguiu atrás, timidamente. Através dos corredores aparentemente
sem fim, eles passaram porta por porta. George de repente lembrou-se
de algo muito importante. Rapidamente, adiantou-se até Koenma.
"Koenma-sama, tenho algo para lhe contar," começou
George timidamente.
"Olhe, George. Estou muito cansado agora e preciso de um descanso.
Sem tem algo pra me dizer, me conte amanhã," suspirou
Koenma, enquanto empurrava George com um balançar de mão.
"M... mas..."
Koenma simplesmente o ignorou, assim como o resto do time de Investigadores
do Reikai.
Quando Yusuke passou por George, Yusuke sentiu uma súbita
pena pelo. Afinal de contas, estava só tentando agradar seu
mestre... Koenma podia ser bem mal humorado às vezes e o pobre
George sofria o pior. Uma vez que Koenma estava fora do alcance de
sua voz, ele falou no ouvido de George.
"George, o humor de Koenma não tem sido muito bem nesses últimos
dias, então tente não irritá-lo," aconselhou
Yusuke.
"Por quê? Só disse algo sobre Misuko e ele explodiu," sussurrou
George, olhando para as costas de Koenma. George nunca compreendia
o humor ou sentimentos de Koenma, ou por que Koenma simplesmente
explodia com ele. Pobre George... Ele não entendia nada.
"Não se preocupe tanto com isso. Apenas certifique-se
de que não vai irritá-lo mais," disse Yusuke,
enquanto começava a andar a passos largos para alcançar
seus amigos.
George ficou para trás, discutindo se continuaria para contar
a Koenma o que tinha em mente ou iria embora. Mais uma vez, ele pensou
no conselho de Yusuke. Enfim, George partiu com um dar de ombros.
*Além disso, será Koenma quem vai ficar com problemas
se se recusar a me ouvir,* pensou George enquanto entrava no elevador,
observando o pequeno grupo entrar mais e mais no prédio.
"Koenma, não sabia que seus dormitórios eram
assim tão luxuoso," comentou Yusuke em espanto. O quarto
belamente decorado exibido antes seus olhos.
"Koenma-sama, nunca pensei que fosse tão extravagante," riu
Botan enquanto conversava com Misuko e Yukina sobre caras bonitos.
Koenma apenas sorriu e entrou. ele tinha motivos. Bons motivos.
"Por que vocês não ficam aqui para um feriado.
Na verdade não um feriado, já que eu acho que gostaria
de pedir a vocês que me ajudem em alguns casos do Reikai que
tenho. Além disso, não terei que fazer fitas de vídeo
só para mandá-lo num missão. Certo, Botan?" disse
Koenma para Botan apoiá-lo na sua teoria.
Todos assentiram alegremente, já que era uma chance única
de ficar num palácio - o Palácio Imperial do Reikai;
exceto Misuko. Timidamente, ela puxou a manga de Koenma e sussurrou
algo em seu ouvido.
Koenma riu e respondeu, "Não se preocupe com seus pais.
Você pode telefonar para eles daqui."
"Telefonar para eles? Pensei que não estivesse no Ningenkai
agora," respondeu Misuko, ainda com uma ponta de dúvida
em sua voz.
"Temos linhas telefônicas inter-mundos aqui," assegurou
Koenma, batendo levemente no ombro dela.
Misuko olhou em redor e andou, acreditando nas palavras de Koenma.
Além disso, ele não parecia ser uma má pessoa,
afinal de contas. Pouco a pouco, Misuko estava começando a
acreditar no filme que o cristal lhe mostrara. Talvez aquilo fosse
mesmo seu passado; às vezes Misuko era bem cética.
Quase um pouco cética demais.
"Esta é a biblioteca do Reikai e nenhum ningen ou youkai
jamais colocou os pés aqui," explicou Koenma enquanto
abria as portas que levavam a um imenso arquivo velho, cheio de livros
e papéis. "Tudo bem, exceto eu e os guardas do Reikai.
"O que tem lá dentro?" perguntou Kuwabara enquanto
segurava o nariz, quando um cheiro de bolor saiu.
Botan e Yukina também torceram o nariz quando o cheiro desagradável
alcançou seus narizes.
"Não tenho muita certeza, mas de acordo com otoosama,
existem um bom número de métodos de ataque reiki e
youki valiosos, passados de séculos atrás. Pessoalmente,
não gosto muito de lutar então não me incomodei
em verificar," respondeu Koenma.
"Ah..." reconheceram todos silenciosamente. Obviamente
Koenma não era exatamente o tipo que poderia derrotar alguém
como Hércules...
"Se vocês quiserem dar uma olhada em algum, são
bem vindos. Sem contar que existem inúmeros materiais de referência
a posições e ataques poderosos aqui," disse Koenma
alegremente, enquanto via os rostos felizes de seus amigos.
O grupo rodou pelo palácio até se cansarem.
"Koenma, tem algum lugar para descansarmos? Quero dizer, uma
cadeira já basta..." perguntou Kurama da sua forma educada
e arrojada usual.
"Sim, claro."
"Aliás, onde está Hiei?" perguntou Koenma,
contando-os e percebendo que estava faltando Hiei.
"Hum... ele pode já estar vagando pelo Makai," respondeu
Yusuke. Botan assentiu em resposta.
"Será que ele ficaria aqui..." perguntou-se Koenma
em voz alta.
"Acho que ele voltará. Por que não reserva um
quarto para ele?" sugeriu Yusuke.
"É uma boa idéia. Será esse," disse
Koenma, apontando na direção de um quarto oposto a
eles.
Um a um, ele mostrou-lhes seus dormitórios. Enfim, chegou
ao penúltimo quarto no fim do corredor.
"Misuko, esse é seu quarto," disse Koenma.
"Ah... obrigada," disse Misuko graciosamente.
"Se tiver algum problema, é só me chamar na porta
vizinha. Meus dormitórios são só a alguns passos," ofereceu
Koenma.
"Obrigada novamente!" sorriu Misuko alegre. Há duas
semanas, ela estava vivendo como uma estudante normal, mas agora
estava vivendo num dos maiores lugares que já vira em sua
vida!
Koenma sorriu dela e Misuko pôde sentir o caráter amigável
e prestador que ele possuía. Certo, talvez só em relação
a ela, mas ainda sim... Ele deu uma olhada em redor para ter certeza
de que ninguém estava por ali. Então inclinou-se e
sussurrou no ouvido de Misuko.
"Está livre hoje a noite? Tenho algo para mostrar-lhe."
Misuko assentiu e girou a maçaneta. Antes de fechar a porta,
lançou seu mais radiante sorriso para ele e viu o rosto dele
ficar vermelho. Misuko sorriu enigmaticamente. Seu sorriso tinha
apunhalado tantos outros... "Te vejo em meia hora."
Misuko fechou a porta detrás dela e a trancou. Estava na
hora de um bom banho e um bom descanso. Cuidadosamente, ela pisou
no banheiro luxuosamente decorado. tirou o kimono cheio de poeira
e entrou no chuveiro. Um banho era tão relaxante. Mesmo o
banheiro era bem mobiliado. A bela saboneteira de porcelana era tão
delicada que Misuko a tocava de vez em quando, só para sentir
a lisura.
O barulho das gotículas de água ecoaram por todo banheiro.
De algum modo, Misuko sentiu-se anormal, como se uma força
invisível houvesse forçado-a a assumir um papel com
o qual não estava confortável. Tudo tinha acontecido
muito rápido; rápido demais para deixá-la respirar.
Lentamente, Misuko sentou-se nos azulejos frios do banheiro. O fino
fio de água a banhava da cabeça ao pé, mas ela
dificilmente prestava alguma atenção à água;
estava muito ocupada pensando... Pensando sobre o futuro.
Era tão visível o amor de Koenma por ela, mas ela
não sentia que o merecia. Há alguns dias, era apenas
uma típica estudante japonesa, despreocupada quanto a sua
própria vida. De fato, levava uma vida normal, indo para escola,
saindo com os amigos... mas tudo isso mudou em tão pouco tempo,
sem qualquer aviso. Misuko suspirou melancolicamente, o que deveria
fazer? A resposta não estava sempre ali... Talvez fosse uma
regra dela aceitar a realidade; era seu passado. Ela deveria começar
uma nova vida agora.
Sua própria vida no Ningenkai não era um sonho se
realizando. Sim, tinha boa aparência, mas ela nem sempre tinha
sucesso em tudo. Por exemplo, não era boa nos estudos... Suas
notas eram bem normais e Misuko sempre detestara os deveres. Tinha
tentado muito... mas ela simplesmente não tinha talento para
demonstrar. Uma outra questão a intrigava, as palavras de
Murashi e Yamaro eram verdadeiras? Ouvira com seus próprios
ouvidos, mas era mais um sonho do que realidade. Às vezes,
sentia-se como se estivesse enlouquecendo; mas somente para ser puxada
de volta a tempo...
O destino brincava com ela. Quem diria que fora na verdade a Morte
em sua vida passada? Não, não era condescendente o
bastante para aceitar tudo isso como realidade. Não estava
pronta para aceitar o amor de Koenma. O que o destino queria dela?
Mas ela queria algo, queria um aviso. Pequenos fios d'água
fluíram pela ponta de seu nariz. O tempo passou, experimentar
angústia não era o modo de continuar. Lentamente, levantou-se
e deixou a água purificar seu espírito, alma e mente,
esperando que o tempo curasse as feridas.
Enfim, refrescada, Misuko atirou todas suas roupas sujas na rampa
da lavanderia e fechou a abertura enquanto ouvia as roupas caírem
lá embaixo. Prendeu uma toalha em volta de si e dirigiu-se
ao quarto.
"Ah não! Esqueci das roupas!" pensou Misuko em
choque, enquanto observava o lençol branco limpo e os travesseiros
fofos. A agenda no banheiro parecia tão distante agora...
Talvez sua mente estivesse noutros de seus períodos de mudança
de humor.
"Como vou para um encontro deste jeito? Espere, tenho certeza
de que Botan tem roupas extras para mim, mas ela disse que mora do
outro lado do palácio. Quanto a Yukina, acho que ela está a
algumas portas, mas não tenho certeza quanto a qual. E se
bater na porta errada? Não seria muito legal ficar parada
lá, no frio, embrulhada só numa toalha. De mais a mais,
ainda posso ir até Koenma..." Misuko pensou. Ela debateu
consigo mesma entre ir até Yukina ou Koenma. Tinha se decidido
ir até Yukina primeiro, mas ante a idéia de um oni
gigante atendendo a porta fê-la mudar de idéia imediatamente.
Calmamente, abriu a porta e pôs a cabeça fora, para
verificar.
"Certo, a barra está limpa."
Misuko arrastou-se para fora do quarto e fechou a porta silenciosamente.
Lentamente, pé ante pé, foi até o quarto vizinho
ao dela e bateu ansiosamente, de dedos cruzados para que Koenma saísse
rapidamente. Por um longo período, não houve resposta.
Misuko começou a entrar em pânico e chamou do lado
de fora.
"Koenma, Koenma! Você está aí?" gritou
Misuko tão suavemente quanto a palavra 'gritar' permitia.
Após um instante, ela conseguiu ouvir um som abafado. Era
um resmungo ou o quê? Esperou e ponderou sobre voltar ao seu
quarto. Exatamente quando estava para ir embora, um sopro de vento
quente encontrou seu rosto.
Misuko olhou. Koenma estava ali parado no lugar da porta. Estava
enrolado numa toalha aonível da cintura e seu cabelo pingava água.
Seu rosto estava escondido numa outra toalha. Enquanto ele estava
ocupado enxuguando o rosto, ele resmungava e retrucava.
"George? Vou arrancar sua cabeça por isso. Já te
disse várias vezes para não me chamar na porta do meu
quarto, principalmente quando estou no banho! Poderia simplesmente
me telefonar. Não sabe que tenho telefone agora no meu quarto?" reclamou
Koenma. Ele terminou de esfregar o rosto e olhou direto nos olhos
castanhos de Misuko.
Ele mudou imediatamente sua voz para um tom mais suave. Olhou para
ela da cabeça aos pés e viu que também ela estava
enrolada numa toalha. "O que está fazendo aqui?" perguntou
Koenma, curioso.
Misuko mexeu-se incomodada, não estava exatamente acostumada
a ficar parada na frente de um cara enrolada só numa toalha,
apesar de saber que ele já tinha visto tudo antes. Koenma
imediatamente sentiu o seu desconforto e puxou-a para dentro do quarto
o mais rápido possível. Koenma fechou a porta por detrás
de si.
"Desculpe, pensei que fosse George, ele sempre bate na porta
desse jeito. De qualquer forma, há algo em que posso ajudá-la?" perguntou
Koenma em seu comportamento normal, o modo perfeitamente formal.
Misuko olhou em redor semjeito, evitando o olhar de Koenma. Então,
ela perguntou timidamente. "Hã... Koenma, será que
teria roupas extras para mim. Não trouxe roupas comigo e entrei
direto no chuveiro." Após dizer isso, Misuko inclinou
sua cabeça e deu uma olhada em Koenma.
Ele tem um corpo bonito, exatamente do jeito que eu gosto, ela pensou
consigo mesma. Koenma encaminhou-se para o closet e puxou algumas
roupas. Reunindo tudo, colocou nos braços de Misuko.
"São roupas masculinas, mas tentarei conseguir algumas
feitas para você amanhã," disse Koenma, sorrindo
ante a idéia de entrar no chuveiro sem uma muda de roupa.
"Obrigada."
"Lembre-se, meia hora." Koenma inclinou-se e deu um beijinho
na sua bochecha. Misuko beijou-o em resposta e exatamente então,
a porta do quarto abriu-se de repente. O casal separou-se e voltaram
suas cabeças para ver Enma-Daiou parado do lado de fora da
porta.
"O... Otousama. Pensei que estivesse viajando," disse
Koenma fracamente. Desta vez tinha mesmo se metido em problemas.
Por que George não o avisara? George iria pagar desta vez...
Koenma apertou os dentes furioso.
Misuko corou absurdamente. Juntou todas as roupas no chão
e cumprimentou Enma-Daiou antes de sair correndo do quarto. Enma-
Daiou olhou para a figura fugitiva curiosamente.
"Em.. Otoosama, algum problema?" perguntou Koenma, distraíndo
a atenção de Enma de Misuko.
Enma-Daiou olhou para Koenma. "Voltei porque ouvi alguns boatos
de sua decisão a respeito do Reikai, Makai e Ningenkai. Acredito
que você tenha algumas explicações para dar.
Encontre-me na minha sala de estudos as 11 horas da noite." após
dizer isso, Enma-Daiou saiu do quarto de Koenma e passeou pelo corredor.
Koenma ficou ali, sem palavras e de boca aberta.
Misuko apressou-se até seu próprio quarto e fechou
a porta por trás. A situação agora era simplesmente
desconcertante. Não tinha pensado sobre aconteceria se alguém
entrasse no quarto. O que os outros pensariam se os vissem enrolados
apenas em toalhas e se beijando? O rosto de Misuko ainda estava vermelho.
Ela abandonou esse pensamento e remexeu na pilha de roupas. Todas
as roupas de Koenma eram bem prórpias dele e clássicas.
*Ele tem bom gosto com roupas, não sendo como alguns mauricinhos.
Tudo bem, talvez ele haja como um...* ela escolheu algumas e vestiu-se
depressa, além disso ela não queria que Koenma a visse
enrolada na toalha novamente, não se ela pudesse evitar. Enfim,
achou o que queria - um par de calças com uma camisa combinando
com um colete. Ficou feliz por Koenma ser quase do mesmo tamanho
que ela, mas ele ers um pouco mais alto; cerca de 6 centímetros.
Ela foi até o espelho e penteou o cabelo. Cuidadosamente,
trançou seu cabelo preto azeviche.
Exatamente quando estava para terminar a trança, soou uma
leve pancada na porta.
Não consigo acreditar que vou para meu primeiro encontro
aos 15 anos.
"Deve ser Koenma..." pensou alegremente, enquanto atendia
a porta e Koenma estava parado ali, com suas mãos enterradas
nos bolsos. Estava vestido asseadamente com uma camisa de manga comprida
e calças cinzas. Misuko o convidou para entrar, mas sua trança
soltou-se, já que havia esquecido de amarrá-la no fim.
Koenma fechou a porta e sentou-se no sofá. Seus olhos seguiram
Misuko enquanto ela sentava-se novamente na frente da penteadeira
e começava a pentear o cabelo.
Koenma adorava observá-la pentear o cabelo, há muito
tempo. Um sorriso amargo formou-se nos seus lábios enquanto
pensava na época em que ele costumava pentear o cabelo dela.
Seu cabelo preto era sempre suave e gostoso de tocar. Num impulso,
Koenma levantou-se e parou por trás de Misuko. Gentilmente,
pegou o pente da mão de Misuko.
"Permita-me," ele sussurrou no ouvido de Misuko. Misuko
apenas sorriu. Queria ver o quão bom uma mão masculina
seria para pentear.
Koenma começou a pentear seu cabelo, que atingia a cintura.
Por um instante, ele tirou sua chupeta e a colocou no bolso.Habilmente,
trançou o cabelo e amarrou-o com uma fita. Suavemente, beijou
o pescoço dela.
"Como sabe trançar cabelos?" perguntou Misuko curiosa,
enquanto admirava a habilidade envolvida. Mesmo ela não conseguiria
prendê-lo tão bem.
Koenma sorriu sonhadoramente e respondeu, "Costumava fazer
isso para você..."
Misuko voltou sua cabeça e olhou para Koenma. "Koenma,
pode me contar sobre meu passado, as partes que Yamaro não
me contou."
Koenma assentiu. Lentamente, voltou a cama e sentou-se. "Bem,
por onde quer que eu comece?"
"Acho que será melhor se começar do dia em que
nos conhecemos," respondeu Misuko, essa deve ser a melhor chance
de saber se Yamaro tinha explicado todos acontecimentos reais ou
não.
"Na verdade, foi assim..." começou Koenma, contando
uma história, uma história verdadeira.
Koenma terminou com um sorriso triste e amargo. A própria
Misuko estava próxima às lágrimas.
"Isso é tudo verdade?" perguntou Misuko.
"Sim," respondeu Koenma simplesmente. Misuko aproximou-se
para sentar na cama. Ela empinou o próprio queixo e esperou
pela reação de Koenma.
Koenma parou perto. Bem, ela ainda era a Misuko do Ningenkai, não
mais a do Reikai. Koenma lhe deu um pequeno abraço e sorriu
para ela. Misuko devolveu o sorriso, ele podia ser um cavalheiro...
O rosto de Koenma de repente acendeu-se, puxando Misuko pela mão. "Tenho
um lugar para te mostrar."
Ele levou Misuko pelos longos corredores e enfim, pelo jardim imperial.
Misuko olhou em volta, para a serenidade e beleza do jardim, ocasionalmente
pegando uma flor para cheirar sua fragância. Vagaram pelo jardim
por algum tempo até alcançarem o seu fim. Misuko sentou-se
num ponto que lhe parecia vagamente familiar. Simplesmente gostava
daquele lugar por alguma razão... sem *nenhuma* razão.
Koenma sentou-se ao seu lado. Ele fechou os olhos e escutou os sons
noturnos aleatórios.
"Nunca voltei a este lugar desde que te perdi, simplesmente
porque me magoava quando pensava em você. Esse foi também
o mesmo lugar onde nossos sentimentos um pelo outro se aprofundaram," relembrou
Koenma com um sorriso amargo.
Misuko levantou uma sombracelha inquisidora..
"Na verdade, você costumava vir aqui todas as noites
quando estava no Reikai. Apanhei você sentada aqui uma noite
e nos tornamos amigos rápido," disse Koenma, abrindo
os olhos agora.
Misuko corou e olhou para ele, desta vez sem qualquer sinal de confusão.
Koenma removeu uma corrente dourada de seu pescoço e entre
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gou-a
a ela.
"Este pingente pertenceu uma vez a você; dado por mim
como um símbolo meu. Agora, estou devolvendo o que era seu...
mais uma vez. Não são muitas pessoas que aceitam o
mesmo presente duas vezes."
Misuko aceitou-o e beijou o pingente gentilmente. Koenma pôs-se
por trás dela e passou a corrente em volta do pescoço
dela. Ela sentiu a agradável gema fria no seu pescoço
e tocou-a suavemente com os dedos. Juntos, ficaram sentados ali até tarde
da noite, escutando a respiração um do outro, como
se fosse uma eternidade.
Mas... uma barreira invisível ainda existia entre os dois,
desconhecida por ambos.
Traduzido por Rechan // Título Original: Past Present
Future
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