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Passado Presente e Futuro
por Wong Siew Lee

Presente - Vingança
Capítulo 2: Novos Desafios

Kurama andava dentro de seu quarto. Era quase meia-noite agora. Esses poucos dias no Reikai tinham sido muito duros para ele. Kurama apertou os olhos... Sentia-se tão cansado mental e emocional mente, sua vida estava muito estressante. A vergonha de Hiei o abandonando por outra pessoa era insuportável. Era como se em todo lugar que fosse, olhos estivessem às suas costas, acusando-o do ato que encenou com Hiei naquela noite.

Lá no fundo, Hiei ainda tinha um lugar, mas ele sabia que para sempre permaneceria apenas como um amigo para Hiei. Arrependimentos e resentimentos não ajudariam. Hiei sempre seria responsável em relação a Botan. Ele o conhecia muito bem. Uma vez que Hiei decidira, ninguém conseguiria fazê-lo mudar de idéias e princípios.

Koorimes eram pessoas teimosas. Kurama sabia disto de alguma maneira. Talvez fosse seu sentido de insegurança... O tempo voou, quase impossível para ele acompanhar. As lembranças o transportaram para a época em que primeiro encontrara Hiei, um youkai de fogo do Makai. Uma pessoa cruel e de sangue frio, mas enquanto o tempo passava, Kurama sentira emoções por seu amigo... Não... Não podia ser. Foi primariamente sua culpa. Ele teve todo o tempo do mundo para tornar Hiei seu, mas foi muito lerdo... Não devia culpar ninguém.

Por séculos, Kurama encontrara todos os tipos de personalidades. Já havia alguns anos desde que ele encontrara e viera a conhecer Hiei. Hiei era seu desejo. Apesar de Kurama saber que era impossível para ele conseguir Hiei agora, ainda assim não conseguia resistir ao desejo de possuí-lo. Sim, Kurama sabia que isso era bem egoísta, mas a tentação nele era simplesmente demais.

"Por que não agi mais cedo?" perguntou Kurama suave e miseravelmente consigo mesmo.

Kurama deu uma olhada em si mesmo no espelho da parede, para o rosto emoldurado por longas mechas ruivas. Abaixo dos olhos havia olheiras. Talvez fosse os efeitos horríveis do ciúme. Por que Botan tinha que aparecer e roubar Hiei do seu alcance? Kurama ainda não conseguia compreender a razão... As personalidades de Hiei e Botan eram tão diversas, quase uma união impossível, mas de algum modo, Hiei escolhera Botan em vez dele. Como deveria reagir? Muito provavelmente manter-se quieto seria a melhor coisa a fazer agora...

Kurama não conseguia evitar. Ele não deveria estar sentindo inveja. Hiei escolheu Botan ao invés dele. Deveria estar feliz por seu melhor amigo, mas ver Hiei e Botan juntos era como estar preso numa fornalha ardente com chamas quentes queimando até a sua alma. Magoava-o, mentalmente. Talvez houvesse uma cicatriz ali que se fosse cicatrizada. Se cicatrizasse...

Lentamente, esticou a mão para tocar o próprio rosto. Ele parecia e sentia como se tivesse envelhecido 10 anos durante estes poucos dias. Tinhe se decidido. Não podia ficar evitando Hiei e aquilo não faria nenhum bem. Inclinou-se para pegar algumas folhas de papel na gaveta. Sacou uma caneta e começou a escrever. Escrever uma história real. O diário de sua vida como Shuuichi Minamino e Youko Kurama. Duas pessoas totalmente diferentes, e ainda assim ambas dividiram a mesma alma... Algumas coisas eram difíceis de explicar.

Uma situação desconfortável de profundezas imensurável... Kurama tinha que encarar a realidade desta vez. Foi um verdadeiro desafio para sua própria coragem e força, e não simplesmente um teste de emoções.

"Que descanso!" Yusuke espreguiçou-se enquanto abria a boca para um grande bocejo. Ele tropeçou para fora da cama e andou com dificuldade para o banheiro. Remexeu a torneira até que um jato de água pura saiu. Rapidamente, enfiou o rosto na água e secou-o esfregando com força numa toalha. Procurou em torno por um creme de cabelo, mas não achou nada.

"Não é de se espantar que o cabelo de Koenma esteja sempre caindo sobre a testa," resmungou Yusuke enquanto tentava pentear o cabelo.

Bem, a água pode servir. Espalhou água na cabeça e alisou-o com as mãos. Um sorriso irônico apareceu no seu rosto. Ele tinha usado muitos tipos de creme para cabelo antes. Como vinho. Parecia bom. Ele salvara Keiko com isso. Keiko foi raptada por criminosos naquela época e tinha quase desistido de sua chance de ressuscitar para salvá-la. Já havia um bom tempo que a vira... Estaria zangada com ele? Talvez eu devesse ir visitá-la na loja de ramen hoje... decidiu Yusuke.

Talvez ele fosse muito frio com ela. Yusuke nunca lhe contara o que ele estava fazendo. Deveria ser capaz de confiar em Keiko para guardar seus segredos. Além disso, Keiko ia ser sua noiva qualquer dia...

Contarei a ela hoje, decidiu Yusuke. Houve um longo tempo antes que pudesse tomar essa decisão. Afinal, era uma confissão muito arriscada... Por quê? Certo, o que Keiko pensaria se ficasse sabendo que o Yusuke que ela conhecia há tanto tempo era na verdade um youkai? Yusuke respirou profundamente e olhou fixadamente para seu reflexo no espelho.

No espelho, ele conseguia ver um rapaz, transformando-se num homem. Seu cabelo estava todo lambido para trás, grandes olhos negros salientavam suas belas feições faciais, além do encantador sorriso que possuía. Ele viu um jovem, quase alcançando a idade adulta. Seu rosto mostrava um rosto humano, normal.

Era quase impossível de acreditar... Apenas alguns atrás, ele era só um estudante desertor comum; mas agora, era apenas o herdeiro de Raizen. Seu pai youkai, Raizen, era um dos três senhores do Makai. Yusuke não parecia conseguir aceitar aquele fato até agora... Yusuke Urameshi, um senhor? Não combinava muito bem com o rosto olhando no espelho agora.

Em ritmo com a água correndo pela pia, ele pôde ouvir uma batida na porta.

"Quem pode ser?" perguntou Yusuke enquanto virava a maçaneta da porta. Do lado de fora, estava um bufante e arfante George.

"O que está fazendo aqui? Entre," convidou Yusuke, enquanto pegava o oni pela mão.

"Ah não, não precisa. Yusuke-san, pode me fazer um favor?" perguntou George, parecendo uma criança que foi pega roubando uma loja.

"Sim, claro," respondeu Yusuke, curioso para saber o que estava acontecendo agora.

"Hã... Yusuke-san, poderia por favor acordar o restp e pedir-lhes que vão para a cafeteria lá embaixo?" perguntou George timidamente.

"Por que está com tanta pressa? Seu rosto está muito vermelho por correr," aventurou-se Yusuke.

"Se não chegar no escritório antes das 8h30 da manhã, Koenma-sama me despedirá do meu posto," respondeu George apressadamente.

"Ha! Não se preocupe sobre Koenma despedi-lo. Acho que ele vai se atrasar para o trabalho esta manhã e além disso, ele não estará de pé assim tão cedo. Apostaria com Kuwabara que ele teve alguma conversa romântica com sua querida noite passada," assegurou Yusuke enquanto punha uma mão no ombro de George.

"Yusuke-san, se eu te contar isso, manteria segredo?" perguntou George misteriosamente.

"Claro que não!" respondeu Yusuke. Ele nunca gostara de espalhar segredos confiados para ele, exceto aqueles de Kuwabara... Yusuke secretamente sorriu maliciosamente consigo mesmo.

"Falando de Koenma-sama..." George abaixou a voz até um sussurro. "...ele estava no quarto de Misuko por quase toda a noite."

Yusuke riu. "O que há de errado nisso? Também fiquei no quarto de Keiko por algumas noites. Além disso, como você sabe?"

"Bom, é um erro, na verdade. Estava preocupado com ele ontem porque Enma-Daiou já voltou de suas férias e Koenma-sama não sabia disso. Então bati no quarto dele para contar-lhe, mas levei uma bronca de volta," respondeu George.

"Vamos, George. Da próxima vez seja mais cuidadoso e e não fique muito tenso. De qualquer forma, farei aquele favor," assentiu Yusuke.

"Certo, tenho que ir agora." George assentiu em agradecimento e saiu rapidamente pelo corredor. Yusuke balançou a cabeça e entrou, agarrando sua camiseta. Ele saiu novamente e trancou a porta detrás de si. Yusuke atirou a chave no bolso da calça.

"Vamos começar com Kuwabara. Aquele idiota deve receber o direito de acordar mais cedo do que os outros," disse Yusuke consigo mesmo enquanto um sorriso maldoso iluminava seu rosto. Yusuke foi até a porta vizinha enquanto chamava pelo nome de Kuwabara. Após um instante, um Kuwabara adormecido atendeu a porta.

Depois, ambos caminhavam juntos até o quarto de Kurama.

"Kurama! Kurama!" ambos chamaram por alguns instantes, mas não houve resposta.

"Kurama! Você está aí!" chamaram novamente, ainda assim sem resposta.

"Ele deve estar com Hiei. Ele está sempre com Hiei. Ambos são bons amigos," sugeriu Yusuke.

"É, exatamente com esperava. Urameshi, sempre tive esta suspeita de que eles estão escondendo algo de nós," Kuwabara riu do que disse. *Isso mesmo! É hora de desbancá-los!*

"Ora, Kuwabara. Diga o que está pensando," persuadiu Yusuke, um pensamento feio passando por sua cabeça. Kurama beijando Hiei... Argh!

"Sabe, os dois são engraçadinhos. Sabe..." explicou Kuwabara.

"Ah, Kuwabara. Por favor fale sério," reprovou Yusuke enquanto ambos avançavam até o quarto de Hiei. "Nem mesmo pense nisso. Kurama e Hiei são só amigos!"

"Detesto aquele garoto," resmungou Kurabara quando pararam em frente da porta de Hiei. "Ele é trapaceiro, como no torneio das trevas quando jogamos jakenpo. Ele pôde ver as minhas mentiras," disse Kuwabara em maiores detalhes.

Yusuke estava para levantar um punho para bater na porta quando de repente Kuwabara avançou para a porta, arreganhando-a no processo. "Vamos ter um bom show lá dentro observando Hiei," riu Kuwabara maldosamente, enquanto ambos procuranvam em torno por Hiei.

Onde estava Hiei? Entraram, meio esperando que ele estivesse sentado no peitoril da janela com sua katana, fitando as distantes terras nebulosas entre o Ningenkai e Makai. Então, ouviram um par de vozes ofegando. Tudo bem, um resfolego muito chocado.

Os olhos de Yusuke e Kuwabara atentaram para a cama e viram Hiei e Botan aconchegados juntos sob a coberta. Os olhos de Yusuke e Kuwabara arregalaram-se. Ambos esfregaram os olhos e olharam novamente. Ambos estavam obviamente nus, julgando pela pilha de roupas no chão.

Yusuke e Kuwabara reprimiram uma risada e sairam correndo do quarto. Um pouco antes de sair, Yusuke voltou-se e disse, "Voltaremos depois", deixando um Hiei e Botan confusos ali.

"Bwahahahahahahahaha!!!!" um som de risada explodindo foi ouvido por quase todo o terceiro andar. Duas figuras estavam rolando no chão, sofrendo de uma comichão nas laterais. Lágrimas corriam livremente pelos rostos, molhando o chão. Yusuke estava ajoelhado, segurando o estômago pela risada excessiva. Ambos estavam quase histéricos.

"Então aquele filho da mãe fica com Botan, heim?" disse Kuwabara enquanto ele mal conseguia respirar. Então explodiu em outra série de risadas.

"Não dá pra acreditar," replicou Yusuke enquanto secava as lágrimas com a manga de sua camiseta e caía em outra risada histérica.

Após um instante, eles se acalmaram. Yusuke ainda estava rindo. Somente então, viram uma lufada de vento negro no canto dos olhos.

"Oh oh... estamos com problemas," murmurrou Yusuke suavemente para o tom da palavra 'Problema'.

"Oh não..." gemeu Botan consigo mesma enquanto Yusuke e Kuwabara saíamt. Hiei vai matar Kuwabara por isso, pensou Botan.

Ela voltou a cabeça para olhar para o rosto de Hiei. O rosto dele transformou-se de um profundo vermelho para um cinza forte. Ele inclinou-se e pegou as roupas do chão. Rapidamente, estava dentro delas. Afivelou a katana às suas costas e atirou o casaco ao redor dos ombros.

"Hiei, onde você vai?" perguntou Botan, meio temendo que ele pudesse na verdade matar Kuwabara por aquela cena.

"Esclarecer enganos e idéias erradas," respondeu Hiei com raiva. Quem quer que tivesse visto aquela cena, ele não ficaria tão zangado, mas o idiota do Kuwabara... Ele contaria a todos e não pararia até que todo mundo soubesse disso.

"Faça seu esclarecimento, mas não mate ninguém," aconselhou Botan.

Hiei assentiu e se foi num sopro de vento. Os olhos de Botan o seguiram preocupada, não por Hiei, mas por seus amigos - Yusuke e Kuwabara. Só Deus sabia o que ele faria se ficasse realmente zangado. Sua mente formou um dragão negro devorando o palácio imperial. Rapidamente ela pegou as roupas e vestiu-se.

O sopro de vento negro parou em frente a eles. Yusuke e Kuwabara secaram as lágrimas enquanto Hiei parava diante deles. A mão de Hiei moveu-se para agarrar sua preciosa katana. Sempre pronta para matar. Yusuke e Kuwabara ficaram ali, tentando reprimir um sorriso de vez em quando.

Hiei ergueu os olhos e os estudou cuidadosamente.

"Então vocês dois viram tudo," disse Hiei calmamente.

Yusuke e Kuwabara baixaram os olhos, tentando com dificuldade parecer o mais normal que pudessem. A expressão agora nos rostos de Kuwabara e Yusuke eram valiosas então. Ambos estavam praticamente enfiando as bocas nos próprios colarinhos das camisetas. Enfim, Yusuke recobrou-se e parou. He acotovelou seu eterno rival Kuwabara nas costas, forçando-o a parar aquela tosse falsa.

"Nós, hum... não queríamos perturbar você naquela hora," desculpou-se Yusuke. Hiei simplesmente manteve-se quieto. Agarrou o punho da katana com mais força. Enfim ele falou com tristeza.

"Podem manter segredo?" Hiei nunca gostara de pedir favores.

Yusuke e Kuwabara trocaram. Kuwabara de repente disse algo, mas não foi muito claro. Yusuke ouviu atentamente, mas só conseguiu pegar algumas palavras. "Isso... foi... favor... enfim..."

Rapidamente, ele pôs a mão na boca de Kuwabara e cutucou-o nas costela. Yusuke assentiu rapidamente para Hiei. Ele não queria que sua cabeça fosse alvo do Kokuryuuha de Hiei.

"Mas por quê? Não é bom?" interrompeu Kuwabara.

"Apenas prometa," respondeu Hiei gravemente.

"Certo; a propósito, encontro vocês na cafeteria lá em baixo," disse Yusuke enquanto pegava Kuwabara pela mão e saía.

Kuwabara continuou atrás de Yusuke, "Pelo bem de Yusuke; certo, vou manter seu precioso segredo no meu inteligente cérebro."

Yusuke bateu na cabeça de Kuwabara e continuou a caminhar. Pouco antes de virar no corredor, Yusuke perguntou. "Viu Kurama?"

Hiei balançou a cabeça. Yusuke e Kuwabara sairam apressadamente. Hiei ficou ali, querendo acreditar que Kuwabara realmente não rira dele. Ele soltou o aperto em sua katana e se foi num redemoinho de vento negro. Seu rosto formigou do primeiro rubor que ele sofrera pouco tempo antes...

Misuko cuidadosamente equilíbrou duas canecas fumegantes de café na bandeja, enquanto caminhava pela apertada cafeteria do Reikai. Entrar na fila foi tedioso demais, mas pelo menos os onis e guias espirituais não empurravam. Koenma-sama realmente tem ajudantes bem disciplinares, pensou Misuko enquanto se espremia entre as cadeiras e mesas desordenadas.

"Aí esta você, uma xícara de café, certo?" Misuko disse quando colocava a bandeja na mesa. Ela caiu pesadamente no assento próximo a Koenma. De início, Koenma pôs um braço em volta dos ombros dela. Os olhos de Koenma estavam fechados e ele estava ocupado mastigando sua chupeta azul.

"Koenma-sama, por que está parecendo tão preocupado?" perguntou Misuko enquanto se inclinava no ombro de Koenma, fitando seu rosto.

"Hum..." respondeu Koenma, mastigando a chupeta ainda mais intensamente.

Misuko olhou para ele confusa. Koenma abriu os olhos e inclinou-se. Ele tirou a chupeta e a pôs no bolso. Deu um beijinho na bochecha de Misuko e sorriu.

"Estamos com poucos detetives no Reikai. Ultimamente, Makai, Ningenkai e Reikai possuem criminosos e bandidos brotando como cogumelos," começou Koenma. Então continuou, "Não podemos depender exclusivamente de Yusuke; agora estou tentando encontrar um outro candidato adequado para ajudá-lo. De preferência humano."

"Então qual é o problema?" inquiriu Misuko. "Talvez eu possa ajudá-lo nisso."

"Não consigo achar uma pessoa adequada para essa missão e trabalho. Ele ou ela precisa ter um alto reiki, ser capaz de sentir além dos limites de um humano comum e ter boa capacidade de luta," explicou Koenma.

Misuko pensou por um instante e disse, "Acho que tenho um candidato adequado em mente."

"Hum? Diga-me, quem é." disse Koenma, começando a mostrar interesse.

"Ela é minha prima, mas acho que ela mudou de escola, para a de Kurama, se não estou enganada. A escola de Kurama não é a Meiou?" disse Misuko.

"Como sabe que a escola dela é a mesma de Kurama?" perguntou Koenma curioso.

"Botan me contou. A propósito, ela é uma das primeiras garotas a entrar numa escola de rapazes. Pelo que sei, aquela escola está lentamente se tornando uma escola para ambos os sexos," explicou Misuko. "Está ouvindo?" perguntou para Koenma enquanto notava que Koenma estava ocupado bebericando sua xícara de café.

"Sim, continue."

"Primeiro, ela tem o cérebro que você precisa para resolver casos. Quase todos os anos no colegial, ela era a estudante número um. Muitas pessoas dificilmente conseguiriam chegar perto das notas dela, até mesmo eu. Falando de intuição, ela tem um sexto sentido muito especial; ela é capaz de sentir coisas como por exemplo, onde uma carteira roubada se localiza. Não tenho certeza quanto ao reiki, mas sei que ela tem força física. É faixa preta em karate-do," disse Misuko em detalhe desta vez.

"Pode trazê-la aqui? Quero entrevistá-la... Ela parece ser uma pessoa muito interessante," disse Koenma, fechando os olhos para um breve descanso.

"Certo, imediatamente!" Misuko levantou-se e enguliu o café. Ela esticou a mão e um remo materializou-se. Saiu da cafeteria e do prédio do Reikai. Ali, ela saltou no remo e velejou pelo ar.

Através das nuvens e neblina, ela pairou e voltou-se; enfim alcançara o Ningenkai. Distinguindo um playground abandonado, ela pousou na suave grama verde. Saltou fora do remo graciosamente para pousar na grama abaixo. Pegou o remo e desmaterializou-o. Não seria muito bom se alguém me visse velejando pelo ar desse jeito, ela pensou consigo mesma.

"Que choque okaasan terá." comentou consigo mesma despreocupadamente, enquanto chegava no portão de sua casa e o destrancava. Sua mãe estava regando as plantas quando ela entrou silenciosamente.

"Eh, Mi-chan, por que voltou tão rápido? Pensei que ficaria na casa de sua amiga até o fim do feriado." perguntou a mãe de Misuko, curiosa.

"É, está certa, okaasan. Só voltei para pegar algumas coisas," respondeu Misuko, enquanto corria até o seu quarto, no andar de cima. Ela abriu a porta e procurou com afinco pelas gavetas de sua cômoda.

"Onde está a maldita caderneta de endereços?" perguntou Misuko para si mesma, enquanto puxava uma gaveta atrás da outra.

Enfim, ela pegou um caderninho de capa azul escuro. Ela inclinou-se para abrir as janelas o máximo que pudesse, então ela sentou-se no remo e voou.

Espero que ainda tenha o endereço de Arisa, murmurou Misuko consigo mesma, enquanto folheava a caderneta.

"Ah ha!" Misuko gritou em triunfo e mudou a direção de seu remo. Finalmente, parou o remo em frente a uma casa de terraço. Ela apertou a campainha e esperou por uma resposta.

Enfim, uma garota de olhos pretos e cabelo escorrido na altura dos ombros atendeu e seus olhos se iluminaram quando viu Misuko.

"Misuko! Não te vejo há um bom tempo!" cumprimentou a garota.

"Arisa, também não te vejo há muito tempo," cumprimentou Misuko.

"Entre," convidou Arisa enquanto destrancava o portão.

"Como tendo estado?" perguntou Misuko enquanto sentava-se na cadeira do jardim.

"Entediada, especialmente numa escola só de garotos. Apesar de terem um bom número de outras garotas, elas são muitos tímidas para falarem com os outros," respondeu Arisa, enquanto soltava um bocejo.

Misuko olhou para ela cuidadosamente da cabeça aos pés. O modo de Arisa de se vestir havia mudado bastante desde que entrara numa escola de rapazes. Ela costumava usar short e calça; mas agora estava vestida com uma longa saia reta, que alcançava o tornozelo, enquanto seu top era de mangas compridas e a bainha estava a cerca de oito centímetros acima do joelho. O colarinho era redondo com uma abertura de cerca de quatro centímetros e meio no centro.

"Você mudou muito," disse Misuko, espantada com a velha amiga, enquanto lembrava do comportamento masculino de Arisa quando se encontraram no ano novo.

"É, especialmente quando você vê somente garotos a sua volta o dia inteiro," respondeu Arisa de mal humor.

"Na verdade, já que você está se sentindo

entediada, por que não me ajuda com um problema," começou Misuko, enquanto olhava para a amiga.

"Diga-me o que é e ajudarei se puder," respondeu Arisa.

"Bom, meu namorado precisa de um detetive para o Reikai. O Reikai na verdade é o lugar para onde os espíritos vão antes de seguir para o destino final."

"Seu namorado? Reikai? Detetive?" Arisa perguntou num estado muito confuso.

"Certo, me deixe explicar. Precisamos de alguém que seja capaz de ver e sentir coisas que pessoas comuns não podem. Isso significa lidar com espíritos e youkais. Além disso, o detetive deve ser bom em combate corpo-a-corpo," explicou Misuko.

"Certo! Aceito a oferta!" disse Arisa, enquanto se punha de pé. "Estou tão feliz que não vou passar este feriado em casa sem fazer algo útil... Kaasan e Tousan estão numa viagem de negócios que durará até o fim do mês," Arisa tagarelou alegremente.

"já que você aceita, segure-se no meu remo; levarei você ao Reikai," disse Misuko.

"Misuko, só uma pergunta. Como você se envolveu nessas coisas?" perguntou Arisa.

"Longa história," veio a resposta de Misuko, enquanto ela produzia um remo em pleno ar.

"Pode esperar um instante, vou pegar algumas coisas para levar," disse Arisa, enquanto levantava-se e corria para dentro da casa. Arisa correu direto para o quarto e tirou um jeans, algumas camisetas, shorts e alguns outros itens. Ela enfiou tudo isso numa mochila e correu para fora de novo para encontrar Misuko. Pouco antes de partir, ela escreveu um bilhete na mesa de jantar constatando que ela voltaria em duas semanas.

Além disso Otousan e Okaasan não voltarão tão cedo, pensou Arisa consigo mesma, enquanto escrevia a mensagem.

Arisa agarrou a ponta do remo de Misuko, enquanto Misuko velejava pelo ar, antes de alcançar o grande prédio protegido pela neblina.

"Aqui estamos, o Palácio Imperial do Reikai," disse Misuko em voz alta para Arisa, enquanto elas pararam em frente a ele. Arisa olhou para ele com temor.

"Isso definitivamente será um desafio," sentiu Arisa, enquanto olhava fixo para a estrutura magnífica.

Traduzido por Rechan // Título Original: Past Present Future


xx março 2004

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