|
Passado Presente e Futuro
por Wong Siew Lee
Presente - Vingança
Capítulo 2: Novos Desafios
Kurama andava dentro de seu quarto. Era quase
meia-noite agora. Esses poucos dias no Reikai tinham sido muito duros
para ele. Kurama apertou os olhos... Sentia-se tão cansado
mental e emocional mente, sua vida estava muito estressante. A vergonha
de Hiei o abandonando por outra pessoa era insuportável. Era
como se em todo lugar que fosse, olhos estivessem às suas
costas, acusando-o do ato que encenou com Hiei naquela noite.
Lá no fundo, Hiei ainda tinha um lugar, mas ele sabia que
para sempre permaneceria apenas como um amigo para Hiei. Arrependimentos
e resentimentos não ajudariam. Hiei sempre seria responsável
em relação a Botan. Ele o conhecia muito bem. Uma vez
que Hiei decidira, ninguém conseguiria fazê-lo mudar
de idéias e princípios.
Koorimes eram pessoas teimosas. Kurama sabia disto de alguma maneira.
Talvez fosse seu sentido de insegurança... O tempo voou, quase
impossível para ele acompanhar. As lembranças o transportaram
para a época em que primeiro encontrara Hiei, um youkai de
fogo do Makai. Uma pessoa cruel e de sangue frio, mas enquanto o
tempo passava, Kurama sentira emoções por seu amigo...
Não... Não podia ser. Foi primariamente sua culpa.
Ele teve todo o tempo do mundo para tornar Hiei seu, mas foi muito
lerdo... Não devia culpar ninguém.
Por séculos, Kurama encontrara todos os tipos de personalidades.
Já havia alguns anos desde que ele encontrara e viera a conhecer
Hiei. Hiei era seu desejo. Apesar de Kurama saber que era impossível
para ele conseguir Hiei agora, ainda assim não conseguia resistir
ao desejo de possuí-lo. Sim, Kurama sabia que isso era bem
egoísta, mas a tentação nele era simplesmente
demais.
"Por que não agi mais cedo?" perguntou Kurama suave
e miseravelmente consigo mesmo.
Kurama deu uma olhada em si mesmo no espelho da parede, para o rosto
emoldurado por longas mechas ruivas. Abaixo dos olhos havia olheiras.
Talvez fosse os efeitos horríveis do ciúme. Por que
Botan tinha que aparecer e roubar Hiei do seu alcance? Kurama ainda
não conseguia compreender a razão... As personalidades
de Hiei e Botan eram tão diversas, quase uma união
impossível, mas de algum modo, Hiei escolhera Botan em vez
dele. Como deveria reagir? Muito provavelmente manter-se quieto seria
a melhor coisa a fazer agora...
Kurama não conseguia evitar. Ele não deveria estar
sentindo inveja. Hiei escolheu Botan ao invés dele. Deveria
estar feliz por seu melhor amigo, mas ver Hiei e Botan juntos era
como estar preso numa fornalha ardente com chamas quentes queimando
até a sua alma. Magoava-o, mentalmente. Talvez houvesse uma
cicatriz ali que se fosse cicatrizada. Se cicatrizasse...
Lentamente, esticou a mão para tocar o próprio rosto.
Ele parecia e sentia como se tivesse envelhecido 10 anos durante
estes poucos dias. Tinhe se decidido. Não podia ficar evitando
Hiei e aquilo não faria nenhum bem. Inclinou-se para pegar
algumas folhas de papel na gaveta. Sacou uma caneta e começou
a escrever. Escrever uma história real. O diário de
sua vida como Shuuichi Minamino e Youko Kurama. Duas pessoas totalmente
diferentes, e ainda assim ambas dividiram a mesma alma... Algumas
coisas eram difíceis de explicar.
Uma situação desconfortável de profundezas
imensurável... Kurama tinha que encarar a realidade desta
vez. Foi um verdadeiro desafio para sua própria coragem e
força, e não simplesmente um teste de emoções.
"Que descanso!" Yusuke espreguiçou-se enquanto
abria a boca para um grande bocejo. Ele tropeçou para fora
da cama e andou com dificuldade para o banheiro. Remexeu a torneira
até que um jato de água pura saiu. Rapidamente, enfiou
o rosto na água e secou-o esfregando com força numa
toalha. Procurou em torno por um creme de cabelo, mas não
achou nada.
"Não é de se espantar que o cabelo de Koenma
esteja sempre caindo sobre a testa," resmungou Yusuke enquanto
tentava pentear o cabelo.
Bem, a água pode servir. Espalhou água na cabeça
e alisou-o com as mãos. Um sorriso irônico apareceu
no seu rosto. Ele tinha usado muitos tipos de creme para cabelo antes.
Como vinho. Parecia bom. Ele salvara Keiko com isso. Keiko foi raptada
por criminosos naquela época e tinha quase desistido de sua
chance de ressuscitar para salvá-la. Já havia um bom
tempo que a vira... Estaria zangada com ele? Talvez eu devesse ir
visitá-la na loja de ramen hoje... decidiu Yusuke.
Talvez ele fosse muito frio com ela. Yusuke nunca lhe contara o
que ele estava fazendo. Deveria ser capaz de confiar em Keiko para
guardar seus segredos. Além disso, Keiko ia ser sua noiva
qualquer dia...
Contarei a ela hoje, decidiu Yusuke. Houve um longo tempo antes
que pudesse tomar essa decisão. Afinal, era uma confissão
muito arriscada... Por quê? Certo, o que Keiko pensaria se
ficasse sabendo que o Yusuke que ela conhecia há tanto tempo
era na verdade um youkai? Yusuke respirou profundamente e olhou fixadamente
para seu reflexo no espelho.
No espelho, ele conseguia ver um rapaz, transformando-se num homem.
Seu cabelo estava todo lambido para trás, grandes olhos negros
salientavam suas belas feições faciais, além
do encantador sorriso que possuía. Ele viu um jovem, quase
alcançando a idade adulta. Seu rosto mostrava um rosto humano,
normal.
Era quase impossível de acreditar... Apenas alguns atrás,
ele era só um estudante desertor comum; mas agora, era apenas
o herdeiro de Raizen. Seu pai youkai, Raizen, era um dos três
senhores do Makai. Yusuke não parecia conseguir aceitar aquele
fato até agora... Yusuke Urameshi, um senhor? Não combinava
muito bem com o rosto olhando no espelho agora.
Em ritmo com a água correndo pela pia, ele pôde ouvir
uma batida na porta.
"Quem pode ser?" perguntou Yusuke enquanto virava a maçaneta
da porta. Do lado de fora, estava um bufante e arfante George.
"O que está fazendo aqui? Entre," convidou Yusuke,
enquanto pegava o oni pela mão.
"Ah não, não precisa. Yusuke-san, pode me fazer
um favor?" perguntou George, parecendo uma criança que
foi pega roubando uma loja.
"Sim, claro," respondeu Yusuke, curioso para saber o que
estava acontecendo agora.
"Hã... Yusuke-san, poderia por favor acordar o restp
e pedir-lhes que vão para a cafeteria lá embaixo?" perguntou
George timidamente.
"Por que está com tanta pressa? Seu rosto está muito
vermelho por correr," aventurou-se Yusuke.
"Se não chegar no escritório antes das 8h30 da
manhã, Koenma-sama me despedirá do meu posto," respondeu
George apressadamente.
"Ha! Não se preocupe sobre Koenma despedi-lo. Acho que
ele vai se atrasar para o trabalho esta manhã e além
disso, ele não estará de pé assim tão
cedo. Apostaria com Kuwabara que ele teve alguma conversa romântica
com sua querida noite passada," assegurou Yusuke enquanto punha
uma mão no ombro de George.
"Yusuke-san, se eu te contar isso, manteria segredo?" perguntou
George misteriosamente.
"Claro que não!" respondeu Yusuke. Ele nunca gostara
de espalhar segredos confiados para ele, exceto aqueles de Kuwabara...
Yusuke secretamente sorriu maliciosamente consigo mesmo.
"Falando de Koenma-sama..." George abaixou a voz até um
sussurro. "...ele estava no quarto de Misuko por quase toda
a noite."
Yusuke riu. "O que há de errado nisso? Também
fiquei no quarto de Keiko por algumas noites. Além disso,
como você sabe?"
"Bom, é um erro, na verdade. Estava preocupado com ele
ontem porque Enma-Daiou já voltou de suas férias e
Koenma-sama não sabia disso. Então bati no quarto dele
para contar-lhe, mas levei uma bronca de volta," respondeu George.
"Vamos, George. Da próxima vez seja mais cuidadoso e
e não fique muito tenso. De qualquer forma, farei aquele favor," assentiu
Yusuke.
"Certo, tenho que ir agora." George assentiu em agradecimento
e saiu rapidamente pelo corredor. Yusuke balançou a cabeça
e entrou, agarrando sua camiseta. Ele saiu novamente e trancou a
porta detrás de si. Yusuke atirou a chave no bolso da calça.
"Vamos começar com Kuwabara. Aquele idiota deve receber
o direito de acordar mais cedo do que os outros," disse Yusuke
consigo mesmo enquanto um sorriso maldoso iluminava seu rosto. Yusuke
foi até a porta vizinha enquanto chamava pelo nome de Kuwabara.
Após um instante, um Kuwabara adormecido atendeu a porta.
Depois, ambos caminhavam juntos até o quarto de Kurama.
"Kurama! Kurama!" ambos chamaram por alguns instantes,
mas não houve resposta.
"Kurama! Você está aí!" chamaram novamente,
ainda assim sem resposta.
"Ele deve estar com Hiei. Ele está sempre com Hiei.
Ambos são bons amigos," sugeriu Yusuke.
"É, exatamente com esperava. Urameshi, sempre tive esta
suspeita de que eles estão escondendo algo de nós," Kuwabara
riu do que disse. *Isso mesmo! É hora de desbancá-los!*
"Ora, Kuwabara. Diga o que está pensando," persuadiu
Yusuke, um pensamento feio passando por sua cabeça. Kurama
beijando Hiei... Argh!
"Sabe, os dois são engraçadinhos. Sabe..." explicou
Kuwabara.
"Ah, Kuwabara. Por favor fale sério," reprovou
Yusuke enquanto ambos avançavam até o quarto de Hiei. "Nem
mesmo pense nisso. Kurama e Hiei são só amigos!"
"Detesto aquele garoto," resmungou Kurabara quando pararam
em frente da porta de Hiei. "Ele é trapaceiro, como no
torneio das trevas quando jogamos jakenpo. Ele pôde ver as
minhas mentiras," disse Kuwabara em maiores detalhes.
Yusuke estava para levantar um punho para bater na porta quando
de repente Kuwabara avançou para a porta, arreganhando-a no
processo. "Vamos ter um bom show lá dentro observando
Hiei," riu Kuwabara maldosamente, enquanto ambos procuranvam
em torno por Hiei.
Onde estava Hiei? Entraram, meio esperando que ele estivesse sentado
no peitoril da janela com sua katana, fitando as distantes terras
nebulosas entre o Ningenkai e Makai. Então, ouviram um par
de vozes ofegando. Tudo bem, um resfolego muito chocado.
Os olhos de Yusuke e Kuwabara atentaram para a cama e viram Hiei
e Botan aconchegados juntos sob a coberta. Os olhos de Yusuke e Kuwabara
arregalaram-se. Ambos esfregaram os olhos e olharam novamente. Ambos
estavam obviamente nus, julgando pela pilha de roupas no chão.
Yusuke e Kuwabara reprimiram uma risada e sairam correndo do quarto.
Um pouco antes de sair, Yusuke voltou-se e disse, "Voltaremos
depois", deixando um Hiei e Botan confusos ali.
"Bwahahahahahahahaha!!!!" um som de risada explodindo
foi ouvido por quase todo o terceiro andar. Duas figuras estavam
rolando no chão, sofrendo de uma comichão nas laterais.
Lágrimas corriam livremente pelos rostos, molhando o chão.
Yusuke estava ajoelhado, segurando o estômago pela risada excessiva.
Ambos estavam quase histéricos.
"Então aquele filho da mãe fica com Botan, heim?" disse
Kuwabara enquanto ele mal conseguia respirar. Então explodiu
em outra série de risadas.
"Não dá pra acreditar," replicou Yusuke
enquanto secava as lágrimas com a manga de sua camiseta e
caía em outra risada histérica.
Após um instante, eles se acalmaram. Yusuke ainda estava
rindo. Somente então, viram uma lufada de vento negro no canto
dos olhos.
"Oh oh... estamos com problemas," murmurrou Yusuke suavemente
para o tom da palavra 'Problema'.
"Oh não..." gemeu Botan consigo mesma enquanto
Yusuke e Kuwabara saíamt. Hiei vai matar Kuwabara por isso,
pensou Botan.
Ela voltou a cabeça para olhar para o rosto de Hiei. O rosto
dele transformou-se de um profundo vermelho para um cinza forte.
Ele inclinou-se e pegou as roupas do chão. Rapidamente, estava
dentro delas. Afivelou a katana às suas costas e atirou o
casaco ao redor dos ombros.
"Hiei, onde você vai?" perguntou Botan, meio temendo
que ele pudesse na verdade matar Kuwabara por aquela cena.
"Esclarecer enganos e idéias erradas," respondeu
Hiei com raiva. Quem quer que tivesse visto aquela cena, ele não
ficaria tão zangado, mas o idiota do Kuwabara... Ele contaria
a todos e não pararia até que todo mundo soubesse disso.
"Faça seu esclarecimento, mas não mate ninguém," aconselhou
Botan.
Hiei assentiu e se foi num sopro de vento. Os olhos de Botan o seguiram
preocupada, não por Hiei, mas por seus amigos - Yusuke e Kuwabara.
Só Deus sabia o que ele faria se ficasse realmente zangado.
Sua mente formou um dragão negro devorando o palácio
imperial. Rapidamente ela pegou as roupas e vestiu-se.
O sopro de vento negro parou em frente a eles. Yusuke e Kuwabara
secaram as lágrimas enquanto Hiei parava diante deles. A mão
de Hiei moveu-se para agarrar sua preciosa katana. Sempre pronta
para matar. Yusuke e Kuwabara ficaram ali, tentando reprimir um sorriso
de vez em quando.
Hiei ergueu os olhos e os estudou cuidadosamente.
"Então vocês dois viram tudo," disse Hiei
calmamente.
Yusuke e Kuwabara baixaram os olhos, tentando com dificuldade parecer
o mais normal que pudessem. A expressão agora nos rostos de
Kuwabara e Yusuke eram valiosas então. Ambos estavam praticamente
enfiando as bocas nos próprios colarinhos das camisetas. Enfim,
Yusuke recobrou-se e parou. He acotovelou seu eterno rival Kuwabara
nas costas, forçando-o a parar aquela tosse falsa.
"Nós, hum... não queríamos perturbar você naquela
hora," desculpou-se Yusuke. Hiei simplesmente manteve-se quieto.
Agarrou o punho da katana com mais força. Enfim ele falou
com tristeza.
"Podem manter segredo?" Hiei nunca gostara de pedir favores.
Yusuke e Kuwabara trocaram. Kuwabara de repente disse algo, mas
não foi muito claro. Yusuke ouviu atentamente, mas só conseguiu
pegar algumas palavras. "Isso... foi... favor... enfim..."
Rapidamente, ele pôs a mão na boca de Kuwabara e cutucou-o
nas costela. Yusuke assentiu rapidamente para Hiei. Ele não
queria que sua cabeça fosse alvo do Kokuryuuha de Hiei.
"Mas por quê? Não é bom?" interrompeu
Kuwabara.
"Apenas prometa," respondeu Hiei gravemente.
"Certo; a propósito, encontro vocês na cafeteria
lá em baixo," disse Yusuke enquanto pegava Kuwabara pela
mão e saía.
Kuwabara continuou atrás de Yusuke, "Pelo bem de Yusuke;
certo, vou manter seu precioso segredo no meu inteligente cérebro."
Yusuke bateu na cabeça de Kuwabara e continuou a caminhar.
Pouco antes de virar no corredor, Yusuke perguntou. "Viu Kurama?"
Hiei balançou a cabeça. Yusuke e Kuwabara sairam apressadamente.
Hiei ficou ali, querendo acreditar que Kuwabara realmente não
rira dele. Ele soltou o aperto em sua katana e se foi num redemoinho
de vento negro. Seu rosto formigou do primeiro rubor que ele sofrera
pouco tempo antes...
Misuko cuidadosamente equilíbrou duas canecas fumegantes
de café na bandeja, enquanto caminhava pela apertada cafeteria
do Reikai. Entrar na fila foi tedioso demais, mas pelo menos os onis
e guias espirituais não empurravam. Koenma-sama realmente
tem ajudantes bem disciplinares, pensou Misuko enquanto se espremia
entre as cadeiras e mesas desordenadas.
"Aí esta você, uma xícara de café,
certo?" Misuko disse quando colocava a bandeja na mesa. Ela
caiu pesadamente no assento próximo a Koenma. De início,
Koenma pôs um braço em volta dos ombros dela. Os olhos
de Koenma estavam fechados e ele estava ocupado mastigando sua chupeta
azul.
"Koenma-sama, por que está parecendo tão preocupado?" perguntou
Misuko enquanto se inclinava no ombro de Koenma, fitando seu rosto.
"Hum..." respondeu Koenma, mastigando a chupeta ainda
mais intensamente.
Misuko olhou para ele confusa. Koenma abriu os olhos e inclinou-se.
Ele tirou a chupeta e a pôs no bolso. Deu um beijinho na bochecha
de Misuko e sorriu.
"Estamos com poucos detetives no Reikai. Ultimamente, Makai,
Ningenkai e Reikai possuem criminosos e bandidos brotando como cogumelos," começou
Koenma. Então continuou, "Não podemos depender
exclusivamente de Yusuke; agora estou tentando encontrar um outro
candidato adequado para ajudá-lo. De preferência humano."
"Então qual é o problema?" inquiriu Misuko. "Talvez
eu possa ajudá-lo nisso."
"Não consigo achar uma pessoa adequada para essa missão
e trabalho. Ele ou ela precisa ter um alto reiki, ser capaz de sentir
além dos limites de um humano comum e ter boa capacidade de
luta," explicou Koenma.
Misuko pensou por um instante e disse, "Acho que tenho um candidato
adequado em mente."
"Hum? Diga-me, quem é." disse Koenma, começando
a mostrar interesse.
"Ela é minha prima, mas acho que ela mudou de escola,
para a de Kurama, se não estou enganada. A escola de Kurama
não é a Meiou?" disse Misuko.
"Como sabe que a escola dela é a mesma de Kurama?" perguntou
Koenma curioso.
"Botan me contou. A propósito, ela é uma das
primeiras garotas a entrar numa escola de rapazes. Pelo que sei,
aquela escola está lentamente se tornando uma escola para
ambos os sexos," explicou Misuko. "Está ouvindo?" perguntou
para Koenma enquanto notava que Koenma estava ocupado bebericando
sua xícara de café.
"Sim, continue."
"Primeiro, ela tem o cérebro que você precisa
para resolver casos. Quase todos os anos no colegial, ela era a estudante
número um. Muitas pessoas dificilmente conseguiriam chegar
perto das notas dela, até mesmo eu. Falando de intuição,
ela tem um sexto sentido muito especial; ela é capaz de sentir
coisas como por exemplo, onde uma carteira roubada se localiza. Não
tenho certeza quanto ao reiki, mas sei que ela tem força física. É faixa
preta em karate-do," disse Misuko em detalhe desta vez.
"Pode trazê-la aqui? Quero entrevistá-la... Ela
parece ser uma pessoa muito interessante," disse Koenma, fechando
os olhos para um breve descanso.
"Certo, imediatamente!" Misuko levantou-se e enguliu o
café. Ela esticou a mão e um remo materializou-se.
Saiu da cafeteria e do prédio do Reikai. Ali, ela saltou no
remo e velejou pelo ar.
Através das nuvens e neblina, ela pairou e voltou-se; enfim
alcançara o Ningenkai. Distinguindo um playground abandonado,
ela pousou na suave grama verde. Saltou fora do remo graciosamente
para pousar na grama abaixo. Pegou o remo e desmaterializou-o. Não
seria muito bom se alguém me visse velejando pelo ar desse
jeito, ela pensou consigo mesma.
"Que choque okaasan terá." comentou consigo mesma
despreocupadamente, enquanto chegava no portão de sua casa
e o destrancava. Sua mãe estava regando as plantas quando
ela entrou silenciosamente.
"Eh, Mi-chan, por que voltou tão rápido? Pensei
que ficaria na casa de sua amiga até o fim do feriado." perguntou
a mãe de Misuko, curiosa.
"É, está certa, okaasan. Só voltei para
pegar algumas coisas," respondeu Misuko, enquanto corria até o
seu quarto, no andar de cima. Ela abriu a porta e procurou com afinco
pelas gavetas de sua cômoda.
"Onde está a maldita caderneta de endereços?" perguntou
Misuko para si mesma, enquanto puxava uma gaveta atrás da
outra.
Enfim, ela pegou um caderninho de capa azul escuro. Ela inclinou-se
para abrir as janelas o máximo que pudesse, então ela
sentou-se no remo e voou.
Espero que ainda tenha o endereço de Arisa, murmurou Misuko
consigo mesma, enquanto folheava a caderneta.
"Ah ha!" Misuko gritou em triunfo e mudou a direção
de seu remo. Finalmente, parou o remo em frente a uma casa de terraço.
Ela apertou a campainha e esperou por uma resposta.
Enfim, uma garota de olhos pretos e cabelo escorrido na altura dos
ombros atendeu e seus olhos se iluminaram quando viu Misuko.
"Misuko! Não te vejo há um bom tempo!" cumprimentou
a garota.
"Arisa, também não te vejo há muito tempo," cumprimentou
Misuko.
"Entre," convidou Arisa enquanto destrancava o portão.
"Como tendo estado?" perguntou Misuko enquanto sentava-se
na cadeira do jardim.
"Entediada, especialmente numa escola só de garotos.
Apesar de terem um bom número de outras garotas, elas são
muitos tímidas para falarem com os outros," respondeu
Arisa, enquanto soltava um bocejo.
Misuko olhou para ela cuidadosamente da cabeça aos pés.
O modo de Arisa de se vestir havia mudado bastante desde que entrara
numa escola de rapazes. Ela costumava usar short e calça;
mas agora estava vestida com uma longa saia reta, que alcançava
o tornozelo, enquanto seu top era de mangas compridas e a bainha
estava a cerca de oito centímetros acima do joelho. O colarinho
era redondo com uma abertura de cerca de quatro centímetros
e meio no centro.
"Você mudou muito," disse Misuko, espantada com
a velha amiga, enquanto lembrava do comportamento masculino de Arisa
quando se encontraram no ano novo.
"É, especialmente quando você vê somente
garotos a sua volta o dia inteiro," respondeu Arisa de mal humor.
"Na verdade, já que você está se sentindo
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
entediada, por que não me ajuda com um problema," começou
Misuko, enquanto olhava para a amiga.
"Diga-me o que é e ajudarei se puder," respondeu
Arisa.
"Bom, meu namorado precisa de um detetive para o Reikai. O
Reikai na verdade é o lugar para onde os espíritos
vão antes de seguir para o destino final."
"Seu namorado? Reikai? Detetive?" Arisa perguntou num
estado muito confuso.
"Certo, me deixe explicar. Precisamos de alguém que
seja capaz de ver e sentir coisas que pessoas comuns não podem.
Isso significa lidar com espíritos e youkais. Além
disso, o detetive deve ser bom em combate corpo-a-corpo," explicou
Misuko.
"Certo! Aceito a oferta!" disse Arisa, enquanto se punha
de pé. "Estou tão feliz que não vou passar
este feriado em casa sem fazer algo útil... Kaasan e Tousan
estão numa viagem de negócios que durará até o
fim do mês," Arisa tagarelou alegremente.
"já que você aceita, segure-se no meu remo; levarei
você ao Reikai," disse Misuko.
"Misuko, só uma pergunta. Como você se envolveu
nessas coisas?" perguntou Arisa.
"Longa história," veio a resposta de Misuko, enquanto
ela produzia um remo em pleno ar.
"Pode esperar um instante, vou pegar algumas coisas para levar," disse
Arisa, enquanto levantava-se e corria para dentro da casa. Arisa
correu direto para o quarto e tirou um jeans, algumas camisetas,
shorts e alguns outros itens. Ela enfiou tudo isso numa mochila e
correu para fora de novo para encontrar Misuko. Pouco antes de partir,
ela escreveu um bilhete na mesa de jantar constatando que ela voltaria
em duas semanas.
Além disso Otousan e Okaasan não voltarão tão
cedo, pensou Arisa consigo mesma, enquanto escrevia a mensagem.
Arisa agarrou a ponta do remo de Misuko, enquanto Misuko velejava
pelo ar, antes de alcançar o grande prédio protegido
pela neblina.
"Aqui estamos, o Palácio Imperial do Reikai," disse
Misuko em voz alta para Arisa, enquanto elas pararam em frente a
ele. Arisa olhou para ele com temor.
"Isso definitivamente será um desafio," sentiu
Arisa, enquanto olhava fixo para a estrutura magnífica.
Traduzido por Rechan // Título Original: Past Present
Future
|