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A Rua das Ilusões
por Bra Briefs

Capítulo 1 – Chuva de prata

Acabei de sair da casa de minha mãe humana. Ontem, eu, Hiei e Gouki roubamos os três grandes tesouros das trevas. Confesso que fiquei surpreso pela facilidade no qual conseguimos os tesouros. No mesmo dia falei que nunca mais seria do grupo deles. Tudo pelo maldito espelho das trevas, que libera o meu poder maligno em dia de lua cheia, ou seja, transforma-me em Youko. Não que eu não goste, essa é minha verdadeira face.

Esse corpo de “Shuichi Minamo” não é nada mais e nada menos do que um disfarce... Sou uma raposa em corpo de coelho. Apenas uso do corpo dessa criança.

Agora me encontro andando...Está chovendo. Sinto a brisa tocar minha face como uma leve carícia e a chuva despencar por entre meus cabelos e rosto, como se fossem lágrimas. Lágrimas? Nunca consegui chorar, mesmo quando a minha mãe Youko me abandonou, e isso deve fazer mais de cinco mil anos... Ou até mais... Nem me lembro de quantos anos tenho.

Então fico ali, parado, olhando para o céu... Apenas aproveitando das sensações que invadem o meu ser...Mas, derrepente me viro para uma árvore... Quem será? Esse Youki não me é estranho. Hiei?

“Hiei? Você está aí?” Olho pra árvore, e me pergunto se é realmente ele... Será que veio atrás do espelho?

“Hai, Sou eu kitsune” Ele diz com o seu tom frio de sempre, e aparece em meio a árvore, mais continua ainda em cima dela, como num protesto para não se molhar.

“O que veio fazer aqui?” Digo meio receoso esperando pela resposta. “Veio pegar o espelho?”

“Não raposa... Não vim para isso” Me surpreendo pela resposta, e de repente me vejo sem o que falar.

“E então? Veio para o que? Não me julgou um covarde?” Isso é tudo que sai de minha boca. Palavras frias e sem carinho, e um sorriso cínico sai de meus lábios. Não! Eu não queria fazer isso!

“He. Continua uma raposa cínica como sempre, não? Bom... Vou ser direto e quero uma resposta!” ele disse num tom autoritário “Não é do seu feitio fugir de batalhas, ou coisa do tipo... E então por quê?!" olhei pra ele. Sei que meu olhar saiu frio e sem emoção. Juro por Inari que não foi intencional!

“Por quê? Há coisas sobre mim que você não sabe, Hiei...” Olho pro céu, assim como estava antes “Coisas sobre o meu passado. Que provavelmente vão voltar à tona por esse espelho”.

“Se lembra do dia em que nos encontramos, Raposa?!” Olho pra ele , surpreso... Se me lembro? Claro que me lembro! Como poderia esquecer? Fico pensando e olhando o rosto dele. Desde o primeiro dia amei Hiei, mas nunca tive coragem de contar.

“Me lembro...” Essas poucas palavras saem de minha boca, vejo Hiei meio receoso de falar alguma coisa, mas, sei que ele é corajoso e é isso que me atrai nele.

“E então... Se me recordo bem eu disse que seu passado não me importa. E que agora seremos parceiros...” Hiei disse tudo com uma certa dificuldade, pelo menos é o que notei.

“É...Eu sei...Mas, no dia em que você se deparar comigo de verdade você não dirá o mesmo.” Olho pra ele, um sorriso triste sai de meus lábios, e eu saio andando para a casa de minha mãe humana deixando Hiei pensativo sobre a minha última frase.

Tempo depois chego na minha casa. Paro na porta, pego minha chave e abro. Descubro uma simpática humana me esperando na porta.

“Shuiichi, Meu filho! Você está ensopado! Vá se trocar antes que pegue uma gripe” Ela olha pra mim preocupada, retira meu sobretudo e me dá um beijo na testa, afagando meus cabelos molhados devagar.

“Me desculpe por molhar o chão, Mãe. Vou tomar um banho agora” Saio andando, e subo as escadas... Por algum motivo meu corpo está pesado. Está tão frio aqui... Será que já é inverno? Não... Nem está nevando. Ao terminar de subir as escadas, entro em meu quarto, fecho a porta e vou direto ao banheiro. Sobre a pia está o espelho das trevas.

Olho uma vez pra ele, balanço a cabeça e retiro minha roupa, colocando-a no cesto.

Ligo o chuveiro, e coloco na água quente, me sento na banheira e fico pensando em tudo que está se passando. Minha vida toda é uma mentira... Talvez eu devo me matar logo e voltar a minha forma de Youko. Sim seria o certo. Reformulo o meu pensamento uma ou duas vezes, e me lembro da simpática humana de nome “Shiori”... Ela sofreria pela perda do filho... Deverei viver com essa forma até morrer ou então apenas esperar que Shiori morra, assim ela não se decepcionara com nada. Fico assim, submerso em meus pensamentos por tanto tempo, que não faço idéia de que horas são. Fecho o chuveiro e saio do banheiro, me enxugo, noto um pequeno brilho... Alguma coisa está me chamando atenção. Olho para a pia do banheiro.

“O espelho” Sussurro para mim, antes que me desse conta, o brilho da lua fez reflexo no espelho, batendo suavemente em meu rosto. Senti meu corpo paralisar... Fortes vibrações vieram de todo o meu corpo. “Mais o que diabos é isso?” falei para mim... Resolvi colocar uma roupa e senti algo atrás de mim... Olhei... Olhei de novo... e de novo! Uma cauda? Não pode ser... Isso quer dizer... Corro para o espelho e olho meu reflexo nele! “Por Inari! Eu estou em minha forma verdadeira!” Exclamo para mim mesmo. Lá estou eu, com um olhar frio e um sorriso cínico no rosto. Mas, dono de uma beleza incrível. Sim... Esse sou eu realmente. O incrível Youko milenar. Kurama Youko.


19 março 2004

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